3428 – Planeta Terra – Tundra e Florestas Boreais


Tundra no mapa da biosfera

O destino das últimas árvores no topo da Terra

O derradeiro estágio antes da última floresta do topo do mundo transformar-se em gelo é uma extensa área de gramíneas com um subsolo permanentemente congelado e liquens, musgos e arbustos mirrados. É o que ocorre na maior área florestal da Terra: a floresta boreal que, a grandes altitudes ou quando se aproxima do Pólo Norte (aumento da latitude) se transforma em tundra. Juntas, essas duas imensas áreas selvagens têm três vezes o tamanho de toda a Amazônia. É nesses biomas que encontramos resquícios finais de vida no planeta antes do gelo absoluto. Lá, moram os esquimós, os ursos polares, tigres siberianos, leões-marinhos e toda a fauna que imaginamos sobreviver sob a neve.
Nas regiões de transição é possível ver pedaços densos de árvores serpenteados por falhas no solo e uma mistura de fauna e flora. O mais interessante é perceber que, no nível do mar, as áreas baixas perto do Círculo Polar Ártico têm as mesmas características de topos de montanha altíssimos. É a confirmação, a olhos nus, do formato redondo da Terra. A tundra domina praticamente todo o topo da América do Norte, Europa e Ásia. A mata boreal já aparece no meio desses continentes pegando a área do Alasca, do Canadá, da Finlândia, da Suécia e da Rússia.
A transição entre as duas vegetações é bem perceptível no interior do Parque Nacional de Denali, no estado do Alasca (Estados Unidos). A entrada do parque fica numa planície imensa, em altitude baixa, onde predomina a floresta boreal. Conforme-se avança para dentro da floresta, ganhando em latitude, ou para cima nas montanhas, elevando a altitude, a tundra ártica ganha espaço. Pouco a pouco, a luz e o colorido das árvores coníferas e sua folhagem verde e amarela, propiciada pelos pinheiros e folhas outonais, são substituídas pelas gramíneas. As árvores simplesmente param de crescer – existe até um simbólico limite onde fica a suposta última árvore das matas boreais na região.
Enquanto na floresta boreal o clima é subártico, com uma camada de neve cobrindo a paisagem por cerca de seis meses por ano, nas regiões de tundra ártica o verão dura no máximo dez semanas e o inverno (congelante e escuro) pode durar nada menos que dez meses.
Com tanto frio, o povoamento nesses lugares nunca foi significativo. Muito do norte do Canadá continua habitado por povos indígenas até os dias de hoje, assim como a floresta boreal na Eurásia. Os takuts, por exemplo, sobreviveram em grande número e são o mais numeroso grupo étnico da Sibéria. Os que vivem nas regiões florestais mantêm-se seminômades criadores de renas. O Alasca é o reduto dos esquimós e sua cultura. Exímios caçadores de mamíferos marinhos na costa e de alces no interior, suas presas não forneciam apenas carne, mas roupas e utensílios. O contato com o homem europeu, no entanto, fez com que seus costumes fossem mudados, suas presas caçadas pelos forasteiros e doenças nunca antes registradas, como a tubercolose, proliferaram. Como conseqüência, a população de esquimós foi drasticamente reduzida.
A lei do mais forte prevalece nesses ambientes rudes e gelados, e os animais mais facilmente associados a eles são mamíferos de grande porte – como os alces, o bisão americano (apenas nas florestas boreais) o lobo cinza, e os ursos polares e marrons.
Apesar da aparência cativante, um encontro com ursos é um dos maiores perigos nessas regiões. Quando importunadas, essas feras podem ser extremamente agressivas. É importante não surpreendê-los: assustados, as possibilidades de um ataque fatal aumentam consideravelmente. Recomenda-se falar alto, fazer barulho e até mesmo cantar ao caminhar em áreas habitadas por ursos. Aproximar-se deles, então, nem pensar: no Alasca há uma lei que determina em meio quilômetro a distância mínima de proximidade para esses animais.
O único bicho capaz de enfrentar o urso é o tigre siberiano, seu inimigo número 1. Competidores por natureza, ambos gostam de caçar as mesmas presas, e às vezes até a si mesmos – um combate de pesos pesados. Apesar de estarem presentes nos dois ambientes, os ursos polares têm na tundra ártica seu verdadeiro paraíso. Esses gigantes podem alcançar 2,5 metros de altura e 800 quilos. A população de ursos polares está entre 22 mil e 27 mil indivíduos, a maioria no Canadá.
Longe de terem a força dos ursos, as aves mostram sobrevivência admirável nessa atmosfera gelada. Uma simples andorinha é capaz de realizar a maior migração de um pássaro na Terra, viajando 20 mil quilômetros de pólo a pólo para fazer seus ninhos. Essas espécies raramente conviveram com o escuro da noite em suas vidas, pois chegam em ambos os pólos a tempo de aproveitar somente os dias intermináveis de verão.
Área total – 25 049 500 km²
Área intacta – 85%
Área protegida – 9,3%
Conservação e ameaça
Regiões temperadas sempre tiveram seus hábitats mais modificados ao longo do tempo do que as tropicais. A floresta boreal e a tundra ártica, no entanto, parecem ser uma exceção à regra, principalmente pelo clima não muito convidativo à permanência dos homens. Ainda assim, faltam esforços para manter as áreas protegidas. Nos Estados Unidos, apenas os hábitats de tundra e matas boreais do Alasca permanecem relativamente intactos, com 194 mil quilômetros quadrados de área protegida. Um bom exemplo de como a proteção de terras por meio da lei pode salvar a vida selvagem é o lago Baikal, na Sibéria, com 1.620 metros de profundidade – o mais profundo do mundo. Lar de 1200 espécies endêmicas, incluindo a única foca de água doce do mundo, a Baikal, o lago teve a área que o circunda transformada em reserva natural em 1969, salvando-o da degradação. Historicamente, a caça de animais sempre foi, o maior problema da região, levando à extinção espécies incríveis, como a vaca-marinha de Steller, um dócil e indefeso animal que alcançava os 8 metros de comprimento, infelizmente, extinto no século 18. Hoje em dia, estão entre as grandes ameaças a exploração comercial de madeira e minerais e a instalação de fábricas. A longo prazo, porém, o aquecimento global será o grande inimigo da região: a floresta boreal pode expandir, diminuindo o espaço da tundra e acabando com ecossistemas de diversas espécies.

3427 – Veneno de aranha é testado para tratamento de arritmia a ereção



A picada da aranha-armadeira (Phoneutria nigriventer) costuma provocar dor local intensa e, em crianças, pode até causar a morte. Mas toxinas presentes em seu veneno apresentaram potencial terapêutico em pesquisas com camundongos. Ainda não foram realizados testes em humanos.
Quatro dessas toxinas se mostraram eficazes para arritmia cardíaca, isquemia (diminuição do fluxo do sangue) cerebral e da retina, dor e disfunção erétil.
Um dos grupos no país que pesquisa as propriedades do veneno da armadeira é o da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), sob coordenação do bioquímico Marcus Vinicius Gómez.
Nesta semana, ele apresentou o trabalho da equipe no segundo encontro global do Hospital A.C. Camargo.
Neste ano, as descobertas relacionadas à isquemia da retina e à arritmia foram publicadas nas revistas científicas “Retina” e “Toxicon”.
Para tratar dor crônica, o pesquisador afirma que uma toxina se mostrou até dez vezes mais potente do que a morfina e que, ao contrário dessa substância, não deixa de fazer efeito com o tempo.
As toxinas da aranha também são tão eficazes quanto o Prialt, um remédio aprovado nos EUA para tratar dor, uma versão sintética de um princípio ativo encontrado em caramujos marinhos.
No caso da isquemia, as toxinas apresentaram uma função neuroprotetora, reduzindo a morte de neurônios provocada pela privação de oxigênio que há nesses casos.
Em 1998, no Instituto Butantan, foi identificada a toxina capaz de produzir ereção em homens (um dos possíveis efeitos colaterais da picada da aranha). Os testes também só foram feitos em camundongos.

3426 – Sonda encontra evidência de reserva de água em lua de Saturno


Enceladus é uma das dezenas de luas de Saturno

A sonda Cassini fez uma análise da nuvem que é ejetada no espaço pela Enceladus, uma das luas de Saturno, e encontrou fortes evidências de um reservatório de água que estaria sob sua camada de gelo.
“A Enceladus é uma pequena lua gelada, na extremidade do Sistema Solar, e não havia expectativa de existir água por ser distante do Sol”, comentou o cientista da ESA (Agência Espacial Europeia) Nicolas Altobelli, membro da missão.
Em 2005, a Cassini descobriu as primeiras nuvens, mas só recentemente pôde se aproximar o suficiente para colher amostras. Ou, com mais precisão, voar exatamente bem no meio delas.
A coleta indicou que os jatos são formados por vapores de água e de pequenos grãos de gelo.
Na área perto da Enceladus, os grãos são maiores e ricos em sal. Por causa do seu peso, eles são ejetados no ar, mas voltam para a lua, caindo outra vez no solo.
Com uma olhada mais atenta, os pesquisadores afirmaram que os grãos lembram muito a composição típica de oceanos.
Ou seja, eles teriam se formado de um líquido salgado que estaria abaixo do nível da camada de gelo.
Segundo o cientista da missão, Frank Postberg, da Universidade de Heidelberg (Alemanha), o autor principal do estudo que será divulgado na revista “Nature”, atualmente não há um meio plausível de se produzir grãos ricos em sal a partir de gelo sólido.
Por isso, essa possibilidade de terem se originado na superfície de gelo foi descartada. Quando a água congela, o que sobra é praticamente uma água pura congelada. Se as nuvens emanam do gelo, deveria haver pouco, e não muito, sal. Isso leva os cientistas a crerem que a água salina estaria abaixo da camada de gelo.
O reservatório pode estar a cerca de 80 km de profundidade e estaria depositado entre o núcleo rochoso da lua e seu manto de gelo.
“Essa descoberta é uma crucial evidência de que as condições ambientais favoráveis para a formação da vida podem estar em objetos gelados que orbitam planetas gigantes gasosos”.
OUTRA LUA
A Cassini também realizou outro feito neste mês.
No último sábado (18), a sonda fotografou o lado mais escuro de uma das outras luas de Saturno, Helena, a uma distância bem próxima.
A nave ficou a apenas 7 mil quilômetros de distância da superfície de Helena para fazer uma série de imagens que serão posteriormente analisadas.