3425 – A Bebida Absinto provoca alucinações?


Por um bom tempo, todo mundo achou que sim. Sob o efeito da “fada verde” – apelido que remete à cor da bebida anisada –, o escritor Oscar Wilde dizia que via tulipas em suas pernas. Também eram fãs do absinto os escritores Charles Baudelaire e Edgar Allan Poe e os pintores Van Gogh e Toulouse-Lautrec. No começo do século 20, o absinto deixou de ser a musa de artistas visionários para se tornar um líquido maldito, banido de praticamente todos os lugares. Em 1905, quando o fazendeiro suíço Jean Lanfray matou a mulher grávida e as duas filhas depois de duas doses, a bebida passou a ser considerada a responsável por acessos de loucura e cegueira e por crises de epilepsia. Lanfray também tinha bebido um monte de outras coisas, mas na época ninguém deu atenção a esse detalhe.
Mas a resposta é não, ele não provoca alucinações. O absinto é diferente de outras bebidas por dois motivos: a concentração de álcool, que chega a 75%, contra 40% do uísque, e uma substância chamada tujona, oriunda da erva que dá nome à bebida – também conhecida por losna. “A tujona é perigosa porque bloqueia alguns neurotransmissores, mas o absinto não tem quantidade suficiente dela para causar alucinações”, diz o químico holandês Dirk Lachenmeier, autoridade no assunto.
O absinto está liberado na Europa desde 1988 e, mesmo nos países em que continua banido, como os EUA, é fácil comprá-lo pela internet. A boa fama da bebida está voltando com uma mãozinha das celebridades. O cantor e aberração Marilyn Manson, por exemplo, disse que gravou um disco inteiro, The Golden Age of Grotesque, sob o efeito da bebida

3424 – O Mecanismo do Envelhecimento


Primeiro surgem rugas em volta dos olhos. Depois fica mais difícil enxergar de perto. Aparece uma dorzinha aqui, outra ali. O fôlego encurta. A imagem no espelho começa a incomodar cada vez mais…
Não deveria ser assim. Nós, coisas vivas, não funcionamos como carros, que começam a se degenerar logo que saem da fábrica. Nosso corpo tem o poder de sugar energia do meio ambiente e, com ela, fazer auto-reparos constantes nas nossas engrenagens, manter o óleo sempre em dia e deixar a pintura brilhando. Essa oficina mecânica interna funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Ainda bem: cada um dos nossos filamentos de DNA sofre ataques e danos a cada 8,4 segundos – 10 mil vezes por dia. Essas feridas precisam de tratamento para não morrermos de uma hora para outra. O DNA, afinal, é o chefe executivo de cada uma das nossas células. Se ele não estiver funcionando a todo vapor, a “empresa” que você carrega aí dentro entra em concordata. Você morre.
Esse mecanismo de autopreservação, aliás, tem o potencial de durar para sempre. Com as bactérias, nossas ancestrais mais primitivas, feitas de uma única célula, é assim. Tanto que, em 2000, cientistas americanos “ressuscitaram” uma que tinha ficado presa num depósito de sal 250 milhões de anos atrás. Quando a levaram para o laboratório e lhe deram nutrientes, a danada voltou a se reproduzir por duplicação, igual a qualquer bactéria que se preze, como se nada tivesse acontecido.
As bactérias nunca envelhecem. Pesquisas recentes, aliás, sugerem que até alguns animais são assim. Seria o caso das tartarugas. Elas só morreriam por acidente – ao pegar uma doença letal ou ficar sem alimento, por exemplo. Nunca por velhice. Mas esse fenômeno seria uma grande exceção. Com os outros seres de organismo complexo não tem jeito mesmo. Nem toda comida e proteção do mundo nos livra do envelhecimento. Por quê?
Sexo e morte
Resposta número 1: morremos por causa do sexo. Cientistas especulam que a vida com prazo de validade apareceu junto com a reprodução sexuada, há 2 bilhões de anos – mais de 1 bilhão de anos depois das formas mais primitivas de vida, que não sabiam o que era transar. E essa nova prática só vingou porque traz vantagens. Por exemplo: os filhos de uma bactéria são geneticamente iguais à mãe, já que ela só produz cópias de si mesma. Agora imagine que essa bactéria mãe seja manca (claro que isso não existe, mas vamos supor só para visualizar). Todos os filhos, netos e bisnetos dela serão mancos. Aí, se acontecer alguma mudança no ambiente que desfavoreça as bactérias mancas, todo o clã morre. Na reprodução com sexo é diferente: um ser precisa unir seus genes com os de outro para deixar descendentes, certo? Desse jeito, o código genético da prole será uma mistura dos genes dos pais. Então uma forma de vida manca pode se juntar com uma normal e fazer descendentes que não tenham esse problema: mesmo que o ambiente mude, alguns filhos sobrevivem. E os genes seguem adiante.
Então, depois que o organismo consegue pôr suas células reprodutoras em ação várias vezes, espalhando cópias de seus genes por aí (algo que a gente chama de “ter filhos”), a missão está cumprida.
Cumprida porque, desse jeito, um pouco do seu DNA continua vivinho da silva nos seus filhos, netos, bisnetos. Mais ou menos como acontece com as bactérias. Já as células que só existem para mantê-lo vivo, e não podem, elas mesmas, se reproduzir via sexo, viram bagagem desnecessária.
O caminho para o caixão começa bem cedo. O cérebro já entra em decadência quando nascemos. Logo que o feto está pronto, alguns dos nossos 100 bilhões de neurônios passam a morrer. Calcula-se que uma pessoa normal perca 85 mil dessas células cerebrais por dia. Mas, ao mesmo tempo em que eles vão perecendo, se formam novas conexões entre os que sobram. Como o número de conexões, as sinapses, é 10 mil vezes maior que o de neurônios, e são elas que cuidam da nossa capacidade de raciocínio, um processo compensa o outro.
Mas esse equilíbrio logo acaba. “Por volta dos 30 anos, a compensação é mais lenta e podemos dizer que aparece um saldo negativo”, diz a neurologista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ. “Aí começa o envelhecimento propriamente dito, inclusive com redução da massa cerebral.”
Com a maior parte dos outros órgãos é diferente. As células deles não param de se duplicar. As que morrem vão sendo substituídas por outras e tocam suas tarefas como se nada tivesse acontecido. Aí tudo bem: elas fazem seu cabelo crescer, mantêm sua pele lisinha, deixam o coração sempre em ordem e, de vez em quando, soltam compostos químicos que dão prazer cada vez que você passa seus genes para a frente.
O DNA sofre ataques do ambiente o tempo todo. Até ar puro faz mal para ele: 1% do oxigênio que respiramos se transforma, dentro do corpo, num agente conhecido como radical livre – um tipo de molécula que, quando entra em contato com o DNA, reage quimicamente com ele. E acaba danificando sua estrutura. Sem falar que a própria reprodução das células, coisa que acontece bilhões de vezes por dia pelo corpo, traz riscos. As células filhas deveriam ter as mesmas informações genéticas da mãe, já que elas não passam de um xerox biológico, certo? Nem tanto. Durante o processo de duplicação pode acontecer uma ou outra falha. E o DNA acaba com alguma mutação infeliz, que não o deixa trabalhar direito.
a ciência está encontrando um jeito de, pelo menos, frear um pouco esse processo. Descobertas recentes indicam que você pode começar sua busca por uma longevidade maior de um jeito simples. Assim:
Fechando a boca
É isso aí. Testes feitos com animais desde os anos 30 não deixam dúvida: comer menos é a chave para uma vida mais longa. Ratos de laboratório em dieta forçada, comendo 50% menos, vivem o dobro, e com saúde. Também encontraram resultados parecidos em peixes, aranhas, moscas, cachorros…
E nós? Bom, ninguém provou por A mais B que isso funciona em humanos. Mas já começam a aparecer os primeiros indícios.

3423 – Porque o homem não vôa?


Parece simples colocar duas asas nas costas de um cara, como na representação clássica dos anjos. Pode esquecer. A estrutura física do homem não suporta esses dois apêndices. Além disso, “um mesmo animal não desenvolve mais de um tipo de proteção, no caso, penas e pêlos”, diz o professor de fisiologia evolucionária James Hicks, da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA).
Mas há uma solução, ou até duas, para transformar o Homo sapiens em Homo volans (nome latino que significa “homem voador”). Para sustentar braços e asas, nós teríamos um tronco, no mínimo, duas vezes mais longo que as pernas. Só assim a musculatura do peitoral poderia ser forte o suficiente e ter espaço vertebral para suportar os 4 membros superiores. “Ainda assim, nossos braços teriam que ser muito mais curtos”, diz James. Esquisito demais.
Nosso peso não seria um problema tão grande: o pterossauro é a prova – morta e fossilizada – de que um animal com 135 quilos e asas de 10 metros de envergadura podia voar. E o bicho ultrapassava os 200 metros de altitude. Se tivéssemos asas, ficaríamos mais ou menos nesse patamar de vôo.
O grande desafio do homem voador seria a decolagem. Animais muito grandes precisam correr bastante para ganhar impulso antes de alçar vôo (é a lógica dos aeroportos: quanto maior o avião, maior a pista). Ou então subir em algum lugar alto e se jogar. De uma montanha ou um penhasco, por exemplo. Mas não de um prédio.
Acontece que humanos sem braços, mãos nem polegares opositores seriam bem toscos no que diz respeito a construir coisas. “É só pensar nos outros animais que possuem a capacidade de voar. Eles não conseguem desenvolver qualquer tecnologia. Nós provavelmente seríamos assim”, diz James. E aí: prefere voar sozinho ou ouvir seu iPod no avião?

3422 – Bioquímica – Pelos na asa de morcegos atuam como sensores de velocidade


As habilidades de voo dos morcegos incluem um sensor de velocidade nas asas, aparato tão sofisticado quanto o que existe nos aviões modernos, indica pesquisa.
O estudo, conduzido por Susanne Sterbing-D’Angelo e seus colegas da Universidade de Maryland (EUA), descobriu isso após uma sessão de depilação dedicada aos morcegos das espécies Eptesicus fuscus e Carollia perspicillata, comedores de insetos e frutas, respectivamente.
A depilação dos bichos aconteceu porque a equipe havia detectado a grande sensibilidade dos pelos nas asas a lufadas de ar artificiais.
Quando os pelos eram estimulados pelo “vento”, um conjunto de neurônios ligados à capacidade de posicionamento espacial dos bichos “acendia” no cérebro deles.
Depois que os pelos foram retirados, os bichos não acusavam mais esse estímulo. E, ao serem treinados para voar em meio a um conjunto de obstáculos, os morcegos depilados acabam voando mais rápido e faziam curvas mais abertas dos que ainda tinham asas mais peludas, diz a pesquisa.
Isso seria sinal de que, sem os pelos, o voo dos bichos acabava ficando menos preciso.
O estudo está na revista científica americana “PNAS”, para o ☻ Mega