3390 – Mega Memória Áudio – A Revista Som Três


Nº1

N°2

A SOMTRÊS foi a primeira revista do gênero no Brasil, destinada ao público audiófilo, tratava dos equipamentos de áudio e música em geral.
O time de profissionais era formado por Maurício Kubrusly, que criou e editou a revista desde o início, amparado por uma equipe de “pesos-pesados” da área de áudio como Ruy M. Natividade, Gabriel Almog, Fernando de Jesus Pereira Jr., Carlos Barradas da Silva, Cláudio Kubrusly, Luiz Fernando O. Cysne, Nestor Natividade, Paulo Massa, Ethevaldo Siqueira e Walter Ullmann, entre outros colaboradores.
A revista trazia diversas seções, algumas delas muito procuradas e de grande sucesso: Show Room, Free-Shop, Out-Put, Tabela Somtrês, Sintonia, Circulo do Som, Vitrine, ABC do Som, Bloco de Notas, Som do Carro, Video Clube, Jornal do Disco, Fã Clube, Crítica, Parada Somtrês, etc…
No início, a revista era dirigida ao público que curtia equipamentos de áudio doméstico/residencial. Com o passar dos anos a revista foi mudando seu perfil, dando maior ênfase à área musical, incluindo aos poucos novas seções sobre instrumentos musicais e deixando de lado as seções que originalmente tratavam dos equipamentos de aúdio. Talvez por esse mesmo motivo, tenha perdido leitores.
A revista SOMTRÊS teve seu primeiro número publicado pela Editora Três em Janeiro de 1979 (nº 01) e a última edição foi a de Janeiro de 1989 (nº 121), quando a revista completou 10 anos de existência!

☻ Mega Opinião

infelizmente não possuo um único exemplar sequer dessa revista , foram todos perdidos em mudanças ou outras desgraças naturais , mas me recordo bem dos artigos , muita coisa que sei hoje foi lá que aprendi , mas discordo porém de algumas opiniões de certos editores.Vejamos a seguir alguns artigos que não deu pra esquecer.

“ O engodo da potência : … um certo amplificador de 50 Watts se fantasia em um de 300 . 295 para ser mais exato …” Eles estavam se referindo ao Quasar .

Sobre o AP 3070 da Polyvox “ … é um amplificador de baixa potência , destinado a ambientes pequenos , onde não se pode dispor de muito espaço”
Carta de um leitor de Brasília reclamando da Rádio Transamérica “… não sei o que acontece com o som dessa rádio , seu equipamento parece ser movido á pilha , e acho que elas estão precisando de troca pois o som sai muito lento e distorcido , e os locutores que só abrem a boca na hora errada . Sei que não é privilégio da Transamérica , mas com tantos defeitos que ela já acumula , bem que poderia dispensar esse…”
Sobre o Play list da fms “ o listão das músicas das fms é chato , único e repetitivo; chato , único e repetitivo , chato , único e repetitivo , o listão…”

Artigo que discordo :
Certo artigo criticava a ausência na época de locutores no FM (eu era feliz e não sabia) , dizendo que parecia “ música para robôs” e que “o Fm deveria aprender a ter a dinâmica do Am”. Lamentavelmente esse artigo parece ter influenciado os programadores de rádio pois aos poucos todos foram introduzindo locutores até ficar como está , bem parecido com o AM.

3389 – O Agnosticismo


Os agnósticos baseiam as suas opiniões a partir de uma observação e convicção filosófica, ética, social e política numa linha de visão racional. No século XVIII, a filosofia agnóstica teve seu início a partir dos estudos de Immanuel Kant e David Hume.
No século XIX, surgiu o termo agnosticismo, formulado pelo biólogo britânico Thomas Henry Huxley, durante uma reunião na Sociedade Metafísica. Segundo Huxley, o agnóstico é aquele que questiona a autoria da existência ser pertencente a um poder superior, no caso concedido por crenças religiosas a Deus.
Para os religiosos, agnóstico é aquele que não tem religião ou crença em algo. Para o agnóstico, o ser humano é aquilo que é sem estar submetido a uma ideia superior de controle ou transcendência, o mundo deve ser observado como algo racional e finito sem linhas ou ambientes imaginários.
Huxley acreditava que o conhecimento sobre a origem da existência não estava realmente resolvido, que o tema seria insolúvel. Popularmente, o agnóstico é visto como uma pessoa que não crê em algo sem comprovação científica e que toda conclusão a respeito da existência de Deus ainda não seriam o bastante.
Para o agnóstico, a existência de algo acima de nossa realidade palpável é uma questão que não pode ser completamente respondida e sem orientação investigativa, pois certas crenças podem ser referidas de forma independente uma da outra. Segundo o agnosticismo, hipóteses e interpretações a respeito da ancestralidade universal e do “big-bang” como real gerador do universo não seriam o bastante para explicar ou comprovar a origem da existência.
A vida após a morte, também não seria a comprovação da imortalidade do sentimento humano ou da existência de um Deus maior pelo simples fato ocorrido após a morte. O agnosticismo não aceita a possibilidade da razão humana conhecer e comprovar a existência de um Deus ou de deuses e, nem de fenômeno sobrenaturais, uma substância inexistente para a razão humana.
Para o pensamento do agnosticismo estrito, é impossível o conhecimento de entidades sobrenaturais para a compreensão humana. No agnosticismo empírico, há a espera de reais evidências que provem a existência do sobrenatural, desacreditado até a sua racional comprovação. Já na linha no agnosticismo apático, a comprovação do sobrenatural em nada modificaria a vida humana.

3388 – Religião – Como ela cresce na sociedade da tecnologia?


No Brasil, mais de 90% da população crê em Deus, segundo dados do IBGE e nos EUA o percentual já ultrapassa 96%. Nos últimos 10 anos surgiram cerca de 100 mil novas religiões no mundo. A Filosofia, a Medicina e a Psicologia tenta dar explicações. Um fenômeno intrigante tem sido o crescimento acelerado de instituições evangélicas, as igrejas protestantes, pentecostais e neo-pentecostais, como a Assebléia de Deus e a Universal do Reino de Deus. A Igreja católica, apesar de ser a maior do país com cerca de 125 milhões de pessoas, perdeu aproximadamente 12% de seus seguidores. Segundo os estudiosos, a fé seria a maneira encontrada pelo homem para preencher o vazio transcendental, ou seja, procurar um significado para a própria existência e aplacar a angústia frente ao desconhecido e explicações para dificuldades terrenas, como problemas financeiros, doenças e etc.
Dogmas – Jesus já pagou por nós
O Castolicismo e o Espiritismo pregam o sofrimento na Terra para a purificação e evolução na vida futura; já as novas igrejas evangélicas pregam que “Jesus já pagou por nós”, mas pregam porém o inferno eterno aos desobedientes. Elas proõem também milagres e soluções mágicas para problemas do cotidiano. Ainda que a conversão a tais doutrinas seja maior nas camadas mais pobres da população, soluções mágicas também vêm atraindo a classe média. A seita Renascer em Cristo, troca os histéricos rituais de exorcismo e correntes de emprego, por injeções de auto-estima. Tem sido surpreendente o número de artistas, cantores, apresentadores e etc, que se dizem convertidos. O protestantismo surgiu na reforma iniciada no século 16 por Martinho Lutero (1483-1546), onde suas principais teses são:
O não reconhecimento da autoridade do Papa, a defesa da livre interpretação da Bíblia e a rejeção ao culto a Maria e aos Santos. Outro dado interessante é o fato de que quanto mais intelectualizada for a pessoa, mais ela dispensa ums instituição intermediária para administrar a sua fé. Há o grupo dos agnósticos e dos não-praticantes também. Não confundir com os ateus que definitivamente não acreditam em Deus ou em qualquer divindade. Para alguns indivíduos, a Política e a Ideologia funcionam como um substituto da fé. Homens como Che Guevara construíram todas as suas vidas como base no Marxismo. Utilizando conceitos da Psicologia Evolutiva, a Ciência pretende provar que as pessoas tem crenças religiosas porque outros indivíduos de seu convívio as tiveram e passaram adiante.

3387 – Do Sonar ao Ultra-Som


Em 1975, o ultra-som começou a ser utilizado na Medicina, apesar de relativamente recente, tem sua história ligada a invenção do sonar que já estava sendo desenvolvido durante a 1ª Guerra Mundial, entre 1914 e 1918. Um sinal sonoro é lançado e ao se chocar com um obstáculo, repercute na forma de eco. Então mede-se o tempo entre a emissão e o retorno. Uma vez que a velocidade do som é de 340 metros por segundo, é possível calcular a distância que separa o emissor sonoro do obstáculo, evitando colisões. O físico francês Paul Langevinci (1872-1946) foi o primeiro a colocar em prática tais conhecimentos usando ondas de vibração ultra-sônicas. Trata-se de ondas de frequência maiores que 20 Khz e assim sendo, muito mais curtas que as ondas sonoras comuns. Apesar da técnica já estar desenvolvida desde 1917, não houve tempo para que fosse colocada em prática antes do final da Guerra. Já no ultra-som, um transdutor, que é um aparelho que transforma sinal elétrico em pulso sonoro de alta frequência; é pressionado sob a pele, enquanto um computador registra imagens. As ondas sonoras, ao contrário dos raios X, não causam danos ao organismo e tem sido grande aliado na Medicina.

3386 – Teorias – Como vai ser o fim do Universo?


“Tudo o que surgiu do nada com o big-bang vai sumir no vazio com o big-crunch [o colapso bombástico de todas as estrelas e planetas num espaço infinitamente pequeno]. E toda essa nossa gloriosa existência se tornará menos do que memória.”
Paul Davies, físico do Centro Australiano de Astrobiologia e autor de livros de divulgação científica.
“O Cosmos vai morrer em gelo, não em fogo, daqui a trilhões e trilhões de anos, quando a temperatura de todos os cantos do espaço ficar próxima do zero absoluto. Para não morrer, aliás, teremos de escapar daqui e fugir para outro Universo.”
Michio Kaku, físico do City college, em Nova York, autor de livros de divulgação científica e muito, muito prevenido.
“Já estamos na metade da vida do Cosmos. Ninguém poderia imaginar isso há alguns anos, mas meus cálculos indicam que o Universo deve entrar em colapso dentro de apenas 10 bilhões de anos.”
Andrei Linde, astrofísico da Universidade de Stanford, EUA, e um dos criadores da inflação cósmica, uma das teorias mais respeitadas da cosmologia moderna .
– “Eu já vi. O fim do Universo não tem a menor graça; é um gnab-gib.”
– “Um o quê?”
– “O oposto de um big-bang.”
Zaphod Beeblebrox, o insano presidente da Galáxia do livro O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams (1952-2001).

3385 – Curiosidades – Pilha líquida


Eles querem usar a tecnologia em máquinas eletrônicas de diagnóstico médico, mas acreditam que um dia possamos recarregar relógios ou calculadoras com a mesma facilidade com que vamos ao banheiro.
Cientistas de Cingapura inventaram uma bateria movida a urina, em que uma simples gota é capaz de gerar uma voltagem igual à de uma pilha AA. Eles querem usar a tecnologia em máquinas eletrônicas de diagnóstico médico, mas acreditam que um dia possamos recarregar relógios ou calculadoras com a mesma facilidade com que vamos ao banheiro.

3384 – O que é O Conselho de Segurança da ONU?


O Conselho de Segurança (CS) é o órgão da ONU responsável por garantir a paz mundial. É formado por 15 países, que avaliam se existe alguma ameaça internacional e decidem como contê-la

Para que serve?
O Conselho de Segurança (CS) é o órgão da ONU responsável por garantir a paz mundial. É formado por 15 países, que avaliam se existe alguma ameaça internacional e decidem como contê-la. Em alguns casos, a decisão tem força de lei, ou seja, não pode ser contestada pelos países da Organização das Nações Unidas. Isso vale para embargo econômico (como foi feito contra o Iraque em 1991, por ter invadido o Kuwait) e intervenção militar (foi o que aconteceu durante a Guerra da Coréia, nos anos 50).
Como surgiu?
Com o fim da 2a Guerra, em 1945, os vencedores formaram a ONU e o CS. Os aliados (EUA, Rússia, Reino Unido e França), mais a China, se tornaram os membros permanentes. Os outros 10 são temporários, que ocupam a vaga por apenas dois anos.
Como funciona?
Primeiro, o CS tenta um acordo com o “agressor”, como está sendo feito com o Irã, que desenvolve um programa nuclear. Se o acordo não rolar, vota-se uma solução mais direta, como um eventual ataque. É preciso que 9 dos 15 países digam “sim” para a decisão valer. Mas os membros permanentes têm direito de vetar qualquer proposta. Críticos argumentam que o poder de veto só tira prestígio da ONU: em 2003, por exemplo, os EUA vetaram uma resolução que exigiria a retirada de tropas israelenses da Faixa de Gaza.

3383 – Dinossauro Morto-Vivo


Você já ouviu falar no Boreoeutherian ancestral? Talvez não, mas você tem dois bons motivos para conhecê-lo. O primeiro é que ele é um ancestral seu (e de quase todos os mamíferos). O segundo é que talvez você possa visitá-lo em um zoológico. O engenheiro biomolecular David Haussler e seu grupo da Universidade da Califórnia, EUA, criou o que parecia impossível: uma técnica para reconstruir o genoma desse animal, extinto há 70 milhões de anos. Teoricamente, a descoberta pode levar à clonagem do animal – algo que ainda estamos muito longe de fazer, mas que deve ser possível daqui a várias décadas. Seria algo parecido com o filme O Parque dos Dinossauros, em que cientistas usam sangue de dinossauro preservado em âmbar para reconstruir os bichões. A diferença é que, na vida real, encontrar isso é impossível: o DNA se decompõe em pouco tempo. O que Haussler está fazendo é apelar para computadores e reconstruir a evolução de trás para a frente. A técnica consiste em comparar o DNA dos mamíferos modernos em busca de seqüências genéticas em comum: os trechos em comum provavelmente vieram do animal que deu origem a todos eles. Os cientistas acreditam que, assim, reconstruirão o genoma do B. ancestral com 98% de exatidão – de longe, o mais preciso a que já se chegou, mas que ainda deixa margem para 120 milhões de erros que poderiam levar a mutações. É por isso que, segundo Haussler, o objetivo por enquanto é mais entender a evolução genética dos mamíferos do que reconstruir esse animal. A pesquisa pode ajudar a entender, por exemplo, por que os humanos são suscetíveis a algumas doenças que parecem não atacar outros animais. Mas, no dia em que tivermos um mapa detalhado, experiências para reconstruir o bicho parecerão inevitáveis.
Pai de todos
Como um animal deu origema quase todos os mamíferos – eo caminho para reconstruí-lo
Há cerca de 70 milhões de anos – 5 milhões de anos antes de os dinossauros desaparecerem do planeta –, viveu esse pequeno animal peludo e de hábitos noturnos. Era o Boreoeutherian ancestral, o animal que deu origem a todos os mamíferos que nascem em placentas (cangurus e coalas não estão nesse grupo). Dele evoluíram todos os animais abaixo – e é analisando as semelhanças entre todos eles que os cientistas pretendem rebobinar a evolução e reconstruir o seu genoma.
Primatas
O biólogo Charles Darwin abalou o mundo quando mostrou que viemos desse ramo evolutivo, o dos primatas.
Come-bicho
Formado por mamíferos que comem insetos. Um dos ancestrais foi o deinogalerix, um porco-espinho com mais de meio metro, que viveu na Europa há 15 milhões de anos.
Caninos
Um dos membros desse ramo foi o tomarctus, animal parecido com um lobo, que existiu há cerca de 10 milhões de anos e deu origem aos cães.
Felinos
Fizeram parte desse ramo vários tipos de tigres- dentes-de-sabre, alguns dos quais viveram até há cerca de 10 mil anos.
Aquáticos
Aqui estão mamíferos que fizeram a transição da terra para o mar, há mais de 36 milhões de anos.
Pesos-pesados
Esses ramos evolutivos reúnem verdadeiros gigantes. Fizeram parte dessa classe várias espécies de mamutes.

3382 – Física- Enxergando o quase nada


A 1 000 metros de profundidade, em uma antiga mina nos alpes japoneses, está este tanque com mais de 50 milhões de litros de água pura. É o laboratório Super-Kamiokande. Ele foi inaugurado em 1996 para estudar os neutrinos, partículas tão minúsculas que 60 bilhões delas atravessam cada centímetro da sua pele todos os segundos. Em 2001, uma operação de manutenção como esta gerou uma onda de choque que destruiu metade do aparelho. A reforma só acabou no mês passado. As 11 200 bolhas são aparelhos que detectam a minúscula quantidade de luz que os neutrinos geram ao colidirem com a água. Essa técnica permitiu verificar em 1998 que essas partículas têm massa, algo em discussão na época. Agora é hora de revelar ainda mais mistérios sobre elas.

3381- A História do Chocolate


Diamante Negro, criado em homenagem a Leônidas da Silva

Nasceu como bebida dos deuses e virou moeda para os astecas. se tornou barra na Europa no século 19; alimentou o exército americano na 2ª Guerra mundial e a ciência descobriu sua capacidade antidepressiva.
250-900 – No México, os maias utilizavam o cacau como oferenda aos deuses. A semente é processada e depois fermentada, secada, tostada e moída, é obtida uma pasta que é misturada a água, pimenta e farinha de milho. Surgia a primeira forma de chocolate.
1400 – Os astecas dominaram a civilização maia. O cacau virou moeda. 10 Sementes pagavam uma prostituta.
1521-1799 – O chocolate quente foi misturado ao açúcar e virou sensação na Europa, a rainha Anna, da Áustria, se tornou chocólatra. A base do trabalho braçal de escravos africanos, a Espanha e Portugal surgiram como principais fornecedores.
1828 – O holandês Conrad Van Houten criou a máquina que extrai manteiga de cacau. Surgiu o chocolate sólido.
1847 – A primeira barra industrial foi produzida pela inglesa Fry e Songs e tinha sabor amargo. Anos depois, em 1873 inventou o ovo de páscoa.
1981- Surgia a 1ª fábrica de chocolate no Brasil, a Neugebauer, fundada por imigrantes alemães no Rio Grande do Sul.
1913 – O chocolate branco foi criado. Em 1938, o Diamante Negro foi produzido em homenagem ao craque brasileiro Leônidas da Silva. Lançado o bombom Sonho de Valsa e 4 anos depois, o Bis.
1937 – O poder energético e anti-depressivo do chocolate foi reconhecido pelo exército americano e começou a fazer parte da ração D, levada para a guerra pelos soldados.
1997 – O artista brasileiro Vik Muniz, radicado em NYC lançou quadros desenhados com chocolate derretido.
2005 – Pesquisadores da Universidade Di L’áquila na Itália demonstraram que o consumo de chocolate meio amargo combatia a hipertensão.
2009 – Surgiu um chocolate inalável e livre de calorias, numa embalagem parecida com uma carteira de cigarros.

3380 – Ecologia – O Barulho que Produz Energia


A engenhoca que transforma barulho em energia

Os designers do mundo todo parecem, mesmo, estar a fim de usar a criatividade para ajudar a salvar o planeta. Dessa vez, o japonês Hung-Uei Jou inventou um jeito de revolucionar a produção de energia limpa com o Green Noise, um aparelho que ele projetou e que promete produzir eletricidade a partir de barulho.
De acordo com o designer, o equipamento é capaz de captar sons altos e convertê-los em energia elétrica. O protótipo conta com uma espécie de tomada, que dá ao usuário duas opções de uso: a eletricidade produzida pode ser utilizada para iluminar o próprio aparelho ou, então, para alimentar outros eletroeletrônicos.
A ideia inicial de Hung-Uei é implantar o Green Noise nas pistas de pouso e decolagem dos aeroportos. Segundo ele, o barulho produzido pelas turbinas dos aviões pode chegar até 120 decibéis, o que seria suficiente para produzir energia elétrica para iluminar o aparelho e utilizá-lo como sinalizador das pistas. Que tal?
Vale lembrar que essa é, apenas, uma sugestão. Se a invenção do designer realmente funcionar, qualquer barulho alto poderá ser transformado em energia limpa. Nossa sugestão é implantar o Green Noise nas barulhentas avenidas das grandes cidades.

3379 – Deu água na lei seca – Saiba porque não funcionou


No começo, foi aquele susto, e ela parecia funcionar. A lei seca entrou em vigor dia 20 de junho de 2008, uma sexta, e no mesmo fim de semana a imprensa cobriu o assunto em várias reportagens, com cenas de fiscalização com bafômetros, multas e prisões. Quem sairia para beber ficou em casa. Os botecos esvaziaram, os serviços de emergência descansaram. “Naquele mês, a venda de cerveja caiu 30% nos bares”, diz Ênio Rodrigues, superintendente do Sindicato Nacional da Indústria de Cerveja. As ambulâncias, que costumam atender acidentes de carro, tiveram 20% a menos de trabalho em algumas capitais. Você se lembra: não faltou quem deixasse de ir a um bar ou de beber numa festa por medo de ser pego com a boca no bafômetro.
Afinal, a lei é dura. Tolerância quase zero: R$ 957,70 de multa e suspensão da carteira por um ano para quem tiver até 6 decigramas de álcool por litro de sangue – dois chopes. E até 3 anos de cadeia para quem beber mais do que isso antes de pegar no volante. Aí bares e bebedores trataram de dar um jeito. Surgiram os serviços de “devolução da freguesia”, aqueles em que estabelecimentos levam os clientes de volta para casa, e a procura por táxis disparou: “No começo, o movimento aumentou uns 30%”, diz o presidente da Ouro Táxi, uma das maiores cooperativas de São Paulo, com frota de 250 carros.
Mas tudo isso está virando água. A maioria dos bares que ofereciam transporte aos clientes, por exemplo, cortou o serviço por falta de procura. E isso não quer dizer que está todo mundo voltando para casa de táxi. “O movimento esfriou. Está um pouco melhor, mas no máximo uns 5% a mais do que era antes da lei”, diz Oliveira. Outro indicador de que as coisas voltam a ser como antes está nos atendimentos de hospitais a vítimas de acidentes de trânsito, já que 49% das 35 mil mortes anuais causadas por eles têm pelo menos um motorista que bebeu na história. Nos hospitais municipais de São Paulo, o número de atendimentos a vítimas de trânsito caiu 22% no primeiro mês da lei em vigor, comparado com o mesmo período de 2007. Ótimo. Mas depois a diferença foi diminuindo, até que em dezembro, bum: o número de atendimentos foi 39% maior que em 2007.
A lei, de fato, não pegou como o planejado. E o maior motivo está na cara: falta de fiscalização. Quando ela entrou em vigor, o Brasil inteiro tinha só 902 bafômetros. Desses, 500 eram da Polícia Rodoviária Federal, que só patrulha estradas. Logo, sobravam 402 para as nossas 5 mil cidades. Alguns estados, como Tocantins e Amapá, nem têm bafômetro. E mesmo a cidade de São Paulo, uma das mais bem preparadas, tinha até dezembro 51 para fiscalizar sua frota de 6 milhões de carros: um para cada 116 mil automóveis. De fato, em 6 meses de fiscalização, só um em cada 300 motoristas da cidade foi submetido a um bafômetro.
“É preciso uma fiscalização intensa e contínua. A sensação de que ela é pequena e aleatória faz com que mais pessoas se arrisquem”, diz o engenheiro Jaime Waisman, da USP, especialista em trânsito. Nos EUA, por exemplo, só a polícia da Califórnia prende 200 mil pessoas por ano por beber e dirigir. Na cidade de São Paulo, desde que a lei seca entrou em vigor, foram 226 prisões, um índice 100 vezes menor que o de lá se considerarmos a proporção das duas populações.
Resultado: o índice de morte em acidentes de trânsito nos EUA equivale a um terço do nosso. Não que prender a torto e a direito seja a panaceia. O que conta aí é fazer cada motorista ter a sensação de que tem grande chance de acabar punido se dirigir bêbado. A lei que obriga a usar cinto de segurança, por exemplo. Ela só pegou por causa da fiscalização pesada. O risco de ser multado era (e continua sendo) real para quem desobedecesse. E o saldo foi impressionante: o número de mortes por veículo caiu pela metade nos anos 90, quando a lei foi imposta.
E como deixar claro que existe possibilidade de punição? Pela estimativa de Waisman, se a fiscalização atingir 5% dos motoristas a cada ano (contra 0,66% da média atual em São Paulo), será o bastante. Então vamos lá: para fazer isso numa cidade como a capital paulista, com 4,5 milhões de motoristas, a polícia precisaria fazer 8 vezes mais blitze. Levando em conta o que gastam para fazer cada operação, incluindo salários e equipamentos, o extra seria de R$ 35 milhões anuais. Por mais que seja complicado alocar tanto dinheiro para uma única atividade da polícia, também é fato que isso representa só uma fração dos R$ 6,1 bilhões que o governo paulista destinou ao policiamento militar para 2009.
Além de melhorar a estrutura de fiscalização, educar também ajuda. Em alguns estados americanos, motoristas envolvidos em acidentes graves passam por cursos com direito a sessões de filmes tenebrosos, com cenas de vítimas de batidas. Esse tipo de “lavagem cerebral” pode ser exagero, claro. Mas sempre é bom lembrar que o carro, além de ser uma das maiores invenções da humanidade, também é uma máquina de matar, que tira 1,2 milhão de vidas por ano.

3378 – Limite Seguro em Relação ao Álcool


Quanto maior e mais frequente a quantidade de álcool ingerido, maior o risco de danos a órgãos e dependência. Os riscos são ligados a quantidade e hereditariedade. Filhos de alcoólatras nunca deveriam beber e na mulher a tolerância é ainda menor. Quando se bebe rápido, o organismo tem menos tempo para distribuir o álcool aos diferente tecidos e iniciar a metabolização. Os destilados são absorvidos mais rapidamente.
Para eliminar o álcool contido em uma dose é necessário uma hora. Se muitas doses forem tomadas, até a manhã seguinte ainda haverá álcool no sangue; alimentos retardam sua absorção, isso significa que quem bebe comendo algo terá menor nível de álcool no organismo.
Como escapar do bafômetro?
Só se deve dirigir quatro horas depois de beber
Depois de um copo de vinho ou cerveja, quanto tempo o álcool leva para sair do corpo e escapar do bafômetro?

R: Varia muito, conforme o bebedor. A tonteira da embriaguez acontece enquanto o álcool age sobre o sistema nervoso. Os dois fatores mais importantes são o sexo e o peso. “Sabemos que a mulher é mais sensível do que o homem”, diz a hepatologista Edna Strauss, presidente da Associação Latino-americana para Estudo do Fígado. “Na mulher, as enzimas que metabolizam o álcool são menos ativas. Com isso, quase tudo vai para a circulação.” Os magros também ficam embriagados com mais facilidade porque o álcool se dissolve em gordura. Os gordos absorvem melhor. A duração da embriaguez também depende do hábito de beber. Aqueles mais acostumados desenvolvem uma certa resistência. Em geral, são necessárias 4 horas para o álcool ser totalmente eliminado (veja infográfico abaixo).
Logo após o primeiro gole, a bebida vai para o tubo digestivo e para a corrente sanguínea.

Minutos depois, o álcool age sobre o sistema nervoso, causando tonteira e diminuindo a coordenação.

Até ser processado pelo fígado e eliminado, passam-se cerca de 4 horas. Só então dá pra passar pelo bafômetro.

3377 – Por que não dá para ir mais rápido que a velocidade da luz?


É o que a Teoria da Relatividade ensina: quanto mais um objeto é acelerado, mais massa ele ganha. Isso porque energia e massa são duas faces da mesma moeda – podem ser convertidas uma na outra.
Porque, quanto mais você corre, mais gordo você fica. Isso mesmo. E, antes de a velocidade do seu corpo chegar a 1,08 bilhão de km/h (a velocidade da luz), ele já terá mais massa que o Universo inteiro. Aí não há, nem nunca haverá, um motor forte o bastante para acelerá-lo. É o que a Teoria da Relatividade ensina: quanto mais um objeto é acelerado, mais massa ele ganha. Isso porque energia e massa são duas faces da mesma moeda – podem ser convertidas uma na outra. Bom, conforme um objeto vai aumentando de velocidade, a energia contida no movimento dele vai se transformando em massa. Você não percebe, mas isso acontece o tempo todo com tudo o que existe. Inclusive com o seu corpo, quando você dá um sprint na pista de cooper. Mas calma: o aumento de massa que a relatividade proporciona nessas condições não vai ameaçar sua dieta, já que ele é menor que 1 bilionésimo de grama. Se você correr a 1,07 bilhão de km/h, o equivalente a 99,9% da velocidade da luz, aí, sim, a situação fica preocupante: um homem com 80 kg passa a ter 2 toneladas. A exatamente 99,99999999%, a massa desse sujeito chegaria a 5 600 toneladas. E por aí vai: se desse para chegar a 100% da velocidade da luz, sua massa ficaria infinita. E tem outro problema: a relatividade mostra que, quanto mais rápido um corpo estiver, mais devagar ele envelhece. Aí, quando você chega perto do 1,08 bilhão de km/h, acontece um absurdo lógico: o tempo passa tão lentamente para você que, quando seu relógio tiver marcado um segundo, o fim dos tempos já terá chegado. Quer dizer: não existe tempo disponível no Universo para que você chegue à velocidade da luz. Nem nunca vai existir.

3376 – Como funciona a bomba atômica?


Na convencional, uma carga de dinamite faz com que átomos de urânio ou de plutônio a, relativamente fáceis de “quebrar”, se rompam – por causa disso, o nome dela é bomba de fissão.
Depende. É que existem dois tipos: a bomba atômica convencional, que nem as que destruíram as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945, e a apocalíptica bomba de hidrogênio, até 6 mil vezes mais poderosa que a outra – e que você vê aqui ao lado. Então vamos por partes. Na convencional, uma carga de dinamite faz com que átomos de urânio ou de plutônio a, relativamente fáceis de “quebrar”, se rompam – por causa disso, o nome dela é bomba de fissão. Mas quebrar um núcleo atômico não é igual a quebrar uma pedra. É que o peso somado dos cacos fica menor que o do átomo original. Depois da quebra, parte da matéria que o formava se transforma em energia pura b.
Olhando no zoom lá em cima, não parece grande coisa. Mas o fato é que qualquer grão de matéria contém uma quantidade absurda de energia. Tanto que bastou um montinho de urânio do tamanho de uma bola de tênis para a que a bomba de Hiroshima produzisse uma força equivalente à de 15 mil toneladas de dinamite (ou 15 quilotons) e levantasse um cogumelo atômico de 8 km. Hoje, a potência das bombas de fissão está na faixa dos 500 quilotons. Achou muito? Então você ainda não viu nada.
Em 1949, a União Soviética testou sua primeira bomba atômica. Os EUA, então, responderam com fogo. Muito fogo: a bomba de hidrogênio. Ela funciona de um jeito oposto ao da bomba de fissão: em vez de quebrar átomos, os gruda uns nos outros. É um jeito mais eficiente de arrancar energia a partir de matéria – tanto que esse é o método usado pelo próprio Sol para gerar calor. Bom, para começar, a espoleta c dela é uma bomba de fissão. Ela serve para que a temperatura lá dentro da ogiva fique equivalente à do interior do Sol (uns 15 000 000 oC).
O combustível da bomba é o mesmo do Sol: átomos parentes hidrogênio (que têm só um próton). Eles embarcam na bomba “impressos” num cilindro de metal d. Quando você coloca esses átomos sob temperatura e pressão infernais, eles tendem a se juntar e. A fusão forma um átomo de hélio f e um nêutron g. De novo, a soma do peso do que sobra é menor que o dos átomos originais. E essa diferença vira energia. Só que desta vez é muito mais: a primeira bomba de hidrogênio, de 1952, tinha 20 mil quilotons (ou 20 megatons) e gerou um cogumelo de 41 quilômetros de altura. Se fosse jogada em São Paulo, mataria pelo menos 2 milhões de pessoas. E olha que as maiores bombas da história chegam a 100 megatons.

3375 – Armas nucleares:clube da bomba


No mundo é assim: manda quem pode,obedece quem não tem arma atômica. Conheça a força das potências nucleares.
Arsenal Nuclear
Cabe às nações mais armadas do mundo zelar pela paz na Terra. Pode parecer estranho, mas os 5 países com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU são exatamente os únicos capazes de atingir qualquer parte com suas armas nucleares. EUA, China e Rússia têm mísseis intercontinentais, os temidos ICBMs. França e Reino Unido reúnem a força em submarinos, capazes de se deslocar pelo mar em busca de alvos. O clube, porém, tem outros sócios. Israel, Paquistão e Índia já têm suas bombas. Coréia do Norte e Irã fazem pesquisas e podem estar chegando lá. Tudo em nome da paz mundial, é claro.
EUA
Ninguém investe mais em armas nucleares: são US$ 6,4 bilhões por ano.
Ogivas operacionais:5 235
Principal míssil: Minuteman 3
Poder de destruição:3 ogivas de 335 quilotons
Lançamento: Em 1 min
Velocidade: 24 000 km/h
Alcance: 10 000 km
Tempo para impacto: Pequim: 23 min / Moscou: 20 min
Rússia
Tem o melhor míssil do mundo, impossível de ser interceptado.
Ogivas operacionais:3 500
Principal míssil: Topol-M
Poder de destruição:1 ogiva de 550 quilotons
Lançamento: Em 2 min
Velocidade: 24 000 km/h
Alcance: 10 500 km
Tempo para impacto: Nova York: 20 min / Los Angeles: 26 mm
China
Sem bases no exterior, o país teve de construir o míssil com maior alcance.
Ogivas operacionais: 130
Principal míssil: DF-5A
Poder de destruição: 1 ogiva de 4 000 quilotons
Lançamento: 45 a 60 min
Velocidade: 24 000 km/h
Alcance: 13 000 km
Tempo para impacto: Washington: 31 min / Los Angeles: 28 min
França
83% de seu arsenal está em submarinos, que se aproximam dos alvos pelo mar.
Ogivas operacionais: 350
Principal míssil: M45
Poder de destruição: 6 ogivas de 100 quilotons
Lançamento: Em até 15 min
Velocidade: 12 000 km/h
Alcance: 6 000 km
Tempo para impacto: Depende da localização do submarino.
Reino Unido
Os 4 submarinos Vanguard são as únicas bases de lançamento britânicas.
Ogivas operacionais: 200
Principal míssil: Trident 2 D5
Poder de destruição: 3 ogivas de 100 quilotons
Lançamento: Em até 15 min
Velocidade: 21 000 km/h
Alcance: 7 400 km
Tempo para impacto: Depende da localização do submarino.
Índia
Sabe-se pouco sobre seu arsenal, mas já fez testes nucleares bem-sucedidos.
Ogivas operacionais: Entre 40 e 50
Principal míssil: Agni 2
Poder de destruição: Testes mostram potência de até 25 quilotons.
Lançamento: Em 15 min
Velocidade: 11 000 km/h
Alcance: 2 500 km
Tempo para impacto: Islamabad: 4 min / Chongqing: 10 min
Paquistão
A fronteira com a Índia é um dos mais possíveis cenários de guerra nuclear.
Ogivas operacionais: Entre 30 e 50
Principal míssil: Shaheen 2
Poder de destruição: Testes mostram potência de até 12 quilotons.
Lançamento: Em 7 min
Velocidade: 12 240 km/h
Alcance: 2 500 km
Tempo para impacto: Nova Délhi: 3 min / Dhaka: 10 min
Israel
A política oficial é não negar nem confirmar a posse de armas nucleares.
Ogivas operacionais: 200
Principal míssil: Jericho 2
Poder de destruição: Não se sabe
Lançamento: Não se sabe
Velocidade: 10 800 km/h
Alcance: 1 500 km
Tempo para impacto: Teerã: 9 min / Cairo: 3 min
Os suspeitos
Irã
Sem dominar o ciclo do urânio, tem mísseis capazes de carregar ogivas.
Ogivas operacionais: Não possui
Principal míssil: Shahab 3
Poder de destruição: Não se sabe
Lançamento: Não se sabe
Velocidade: 13 000 km/h
Alcance: 1 500 km
Tempo para impacto: Tel-Aviv: 6 min / Istambul: 6 min
Coréia do Norte
Diz estar no grupo, mas seu arsenal nuclear, se é que existe, é um mistério.
Ogivas operacionais: Não se sabe
Principal míssil: Taepo Dong 1
Poder de destruição: Não se sabe
Lançamento: Não se sabe
Velocidade: 18 000 km/h
Alcance: 2 000 km
Tempo para impacto: Tóquio: 3,5 min / Okinawa: 5 min

3374 – Josiah Willard Gibbs:o mais brilhante joão-ninguém


Ele revolucionou a física e antecipou trabalhos de Einstein. O problema é que ninguém ficou sabendo.

O cientista americano J. Willard Gibbs foi um dos sujeitos que, no século 19, assentou as bases da física moderna. Mas ninguém ouviu falar dele. Não é de estranhar: Gibbs talvez tenha sido o cientista mais tímido da história contemporânea. Quase nunca arredou pé do lugar em que nasceu, em 1839: morou a vida toda ao lado da Universidade Yale, em Connecticut, EUA, onde lecionava. Vivia a 3 quarteirões da universidade e, a não ser por uma temporada de estudos na Europa – Paris, Berlim e Heidelberg, entre 1866 e 1869 – não se sabe que tenha saído dessa pequena área.
Ao voltar da Europa, Gibbs assumiu a cadeira de física matemática em Yale. E começou a fazer uma descoberta atrás da outra. Entre 1876 e 1878, escreveu uma série de trabalhos geniais sobre termodinâmica, reunidos num volume de nome Sobre o Equilíbrio de Substâncias Heterogêneas. Mostrou que a entropia (a tendência de todas as coisas ao caos) podia ser descrita estatisticamente e aplicada a todas as coisas, de átomos a galáxias. E que, quando levada a um valor máximo, fazia o sistema voltar ao equilíbrio (como se um quarto, de tão bagunçado, voltasse a ficar em ordem). A descoberta era genial, mas o tímido Gibbs decidiu publicá-la numa revista editada pelo seu cunhado, um bibliotecário de Yale, desconhecida até mesmo em Connecticut. Ninguém leu, ninguém ficou sabendo. Quinze anos depois, essas mesmas descobertas seriam feitas por Max Planck, que mais tarde viria a se tornar o fundador da física quântica. Planck ficou estarrecido ao saber que algumas de suas primeiras descobertas haviam sido feitas originalmente pelo americano.
A timidez atrapalhava Gibbs até nas finanças. Nos primeiros 10 anos como professor, não recebeu salário nem reclamou – afinal, sua média de alunos por semestre era pouco superior a um. Solteirão, morava com a irmã e o cunhado e não fazia questão de muito dinheiro. Depois do trabalho sobre entropia, Gibbs inventou o cálculo vetorial (que usou para descrever a órbita de cometas). Em 1901, escreveu um trabalho sobre o comportamento de partículas atômicas. De novo, ninguém leu e, entre 1902 e 1904, as mesmas idéias seriam descobertas por Albert Einstein. Gibbs poderia ter ganho o Nobel, mas morreu em 1903 quase desconhecido.
Grandes momentos
• Gibbs era de uma família de 7 gerações de eruditos americanos. Seu pai, teólogo em Yale, esteve envolvido no caso Amistad (que inspirou um filme de Steven Spielberg). Geniozinho precoce, J. Willard ganhou prêmios na juventude em matemática e latim.
• Em vida, 3 cientistas o entenderam, todos europeus: o escocês James Clerk Maxwell, o francês Henri Louis le Chatelier e o alemão Wilhelm Ostwald.
• Bill Bryson, autor de Uma Breve História de Quase Tudo, o descreveu como “o mais brilhante ilustre desconhecido da história”.

3373 – Idéias perigosas


Teorias que, se provadas,podem revolucionar o mundo, mas também trazer prejuízos.
Quando disse que havíamos evoluído dos primatas, Darwin não imaginou que sua idéia seria usada por Hitler para promover uma disputa entre “raças” humanas. Einstein também não queria dar um passo em direção à bomba atômica quando pensou a Teoria da Relatividade. Mas são problemas pelos quais todas as grandes idéias passam: ao mudar mentalidades, trazem conseqüências não desejadas. Casos assim inspiraram o fórum de discussões entre cientistas Edge (www.edge.org) a perguntar para 119 cientistas: “Qual é a sua idéia perigosa?” São teorias que, se confirmadas, podem mudar o mundo para o bem e para o mal. E a SUPER separou para você alguns dos melhores trechos.
1. Antidepressivos podem acabar com o amor humano
Por Helen Fisher, antropóloga da Universidade de Rutgers, EUA, e autora de livros sobre amor e sobre as diferenças entre homens e mulheres.
“Antidepressivos que aumentam a produção de serotonina (como o Prozac) podem colocar em xeque sentimentos de amor romântico. Pesquisas mostram que essas drogas suprimem o desejo sexual e os orgasmos em até 73% dos usuários, diminuem a produção de alguns hormônios no ovário das mulheres e, nos homens, podem levar à infertilidade: o clomipramine, outro forte antidepressivo, afeta o volume e mobilidade dos espermatozóides.
O Homo sapiens tem 3 sistemas cerebrais para a reprodução. O primeiro, o desejo sexual, evoluiu para motivar homens e mulheres a ter contato com uma gama de parceiros em busca do ideal. Já o amor romântico surgiu para as pessoas focarem o cortejo em apenas um parceiro, enquanto o amor familiar permite que um casal cuide de seu filho durante a infância. A complexa dinâmica entre esses 3 sistemas cerebrais sugere que qualquer medicação que mude o equilíbrio químico pode alterar a capacidade de cortejar, namorar e de ser um bom pai ou mãe.
Essa idéia é perigosa porque há uma forte indústria de drogas que investe em vender essas drogas. Milhões de pessoas já usam esses remédios no mundo inteiro e, à medida que eles viram genéricos, novas pessoas irão usá-los, inibindo suas habilidades de se apaixonar e continuar amando. E, se os padrões amorosos humanos mudarem, todo tipo de atrocidades sociais e políticas podem aumentar.”
2. Revelar a base genética da personalidade criará conflitos sociais
Por J. Craig Venter, pesquisador de genética e pioneiro na pesquisa do genoma humano.
“Estamos nos aproximando da época em que teremos bancos de dados com milhões de genomas completos. Mas, quando eles estiverem disponíveis, a sociedade – em sua maioria ignorante e com medo da ciência – estará pronta para as respostas que provavelmente obteremos?
Por exemplo, sabemos por experiências com moscas de frutas que muitos genes controlam o comportamento, incluindo o sexual. As diferenças genéticas em cada raça de cachorro levam umas a serem mais agressivas e terem comportamento diferente de outras. Mas quando o assunto são os seres humanos, parecemos gostar da noção de que todos fomos criados de maneira igual, ou de que toda criança é uma folha em branco. À medida que as pesquisas sobre nossos genes avançam, seremos forçados a deixar de lado interpretações politicamente corretas e reconhecer a influência dos genes em nosso comportamento, incluindo personalidade, inteligência, preferências sexuais, memória, força de vontade, habilidades atléticas etc.
O perigo mora justamente no que já sabemos: que não nascemos todos iguais. Um perigo, mais à frente, virá na nossa habilidade de quantificar e medir as variáveis genéticas antes de conseguir avaliar os componentes que o ambiente traz para a existência humana, o que é muito mais difícil. Os adeptos do determinismo genético parecerão estar ganhando, mas não podemos deixá-los esquecer o enorme potencial de conquistas do ser humano a partir de um repertório genético limitado.”
3. O livre-arbítrio está desaparecendo
Por Clay Shirky, pesquisador dos efeitos sociais e econômicos da internet e professor da Universidade de Nova York, EUA.
“Em 2002, um grupo de adolescentes processou o McDonald’s por torná-los gordos, acusando, entre outras coisas, a lanchonete de usar técnicas para fazê-los comer mais do que deviam. O processo foi atacado por ir contra o senso de livre-arbítrio, nossa capacidade de decidir o que queremos da vida. O que ninguém viu foi que os garotos estavam dando uma descrição do comportamento humano.
A estratégia do supersize – a oferta irresistível de uma refeição maior por alguns centavos a mais – foi criada para subverter o julgamento consciente. Companhias de fast food descobriram como tirar proveito de fraquezas do nosso aparelho analítico, falhas que têm sido documentadas em estudos psicológicos. A discussão não é importante só para adolescentes gordos. Nosso sistema político, legal e econômico assume que as pessoas são capazes de conscientemente modificar seu comportamento. Como resultado, nós consideramos válidas as decisões – nas eleições, por exemplo – e as julgamos responsáveis pelas ações que tomam.
Sabemos que homens tomam decisões mais agressivas ao ver fotos de mulheres atraentes. E que mulheres têm mais propensão à infidelidade em seus dias férteis, ou que o desenho de uma cédula eleitoral afeta a escolha do eleitor. E ainda estamos começando a entender esses efeitos, quanto mais desenvolver mecanismos – de estratégias de venda a novas drogas – para aproveitá-los. Nas próximas décadas, o nosso livre-arbítrio será destruído. Podemos esperar ou pensar em que sistemas precisaremos.”
4. O Governo é o problema, não a solução
Por Matt Ridley, autor de livros sobre genética e comportamento humano.
“Sempre houve governos demais em toda a história. Hoje sabemos que a prosperidade vem da livre troca de bens e idéias e da conseqüente invenção de novas tecnologias. Esse é o processo que nos trouxe saúde, riqueza e sabedoria numa escala sequer imaginada pelos nossos ancestrais. Ele não só melhora o nosso padrão de vida, mas também favorece a integração social, a justiça e a caridade. Nenhuma sociedade ficou mais pobre ou mais desigual por meio do comércio, de trocas e de invenção.
Pense na Inglaterra do século 18 em comparação com a França de Luís 14, EUA do século 20 contra a Rússia de Stálin, ou o Japão pós-guerra, Hong Kong e Coréia comparados com Gana, Cuba e Argentina. Em todos os casos, governos fracos e descentralizados, mas com um comércio forte e livre, levaram prosperidade a todos, enquanto governos fortes só enriqueceram eles próprios e os clientes parasitas de suas burocracias com impostos altos, poucas inovações, declínio econômico e, normalmente, guerra.
Em todas as épocas, existiram pessoas que disseram que precisamos de mais regulações. Mas governo é um brinquedo muito perigoso. Foi usado para travar guerras, enriquecer governantes. É possível, claro, ter governo de menos, mas esse não tem sido o problema mundial dos últimos milênios. Depois do século de Mao, Hitler e Stálin, alguém pode dizer que o risco de pouco governo é maior que, o risco de muito? A idéia perigosa é que, quanto mais limitarmos o crescimento do governo, melhor todos nós ficaremos.”
5. O fim das escolas
Por Roger C. Schank, psicólogo e cientista da computação da Universidade Trump. Autor de mais de 20 livros sobre educação, memória, linguagem e inteligência artificial.
“Depois de um desastre natural, os apresentadores dos jornais anunciam com empolgação que as crianças já podem voltar às aulas. Coitadas delas. A minha idéia perigosa é uma que muitas pessoas rejeitam de imediato, sem pensar direito: a escola faz mal para as crianças – as deixam tristes e, como mostram as pesquisas, não ensinam muito.
Quando você ouve crianças falar sobre a escola, descobre o que elas pensam quando estão lá: quais colegas gostam delas, quais não gostam, como aumentar a posição social, fazer o professor tratá-las bem ou ganhar boas notas.
As escolas estão estruturadas hoje da mesma maneira que séculos atrás. Elas são uma má idéia e deveriam deixar de existir da forma como as conhecemos. O governo precisa parar de pensar que sabe o que as crianças têm que saber e desistir de testá-las para ver se regurgitam o que quer que tenha sido ensinado. As escolas precisam ser substituídas por lugares onde a criança possa aprender a fazer o que lhe interessa. Precisamos parar de produzir uma nação estudantes estressados, que agradam ao professor em vez de agradarem a si mesmos. Temos que produzir adultos que amem aprender, não adultos que evitam o aprendizado porque isso os lembra dos horrores da escola. O interesse deve guiar o aprendizado. As crianças não têm que aprender as mesmas coisas. E precisamos criar adultos que possam pensar por si mesmos. Acabem com as escolas. Transformem-nas em apartamentos.”
6. Almas não existem
Por Paul Bloom, Psicólogo da universidade Yale, EUA e pesquisador da linguagem
“Se o que você entende por alma é algo imaterial e imortal, que funciona de forma independente do nosso cérebro, então alma não existe. Isso é dado como certo pela maioria dos psicólogos e dos filósofos. Nada estranho, coisa básica das aulas na universidade. O problema é que a rejeição de uma alma imaterial é não-intuitiva, impopular, e para muitas pessoas, simplesmente repulsiva. Alguns pesquisadores estão certos ao acreditar que desistir da idéia de alma significa ignorar a diferença entre humanos e outras criaturas. Esse conceito teria conseqüências bastante reais. Mudaria o que pensamos de pesquisas com células-tronco, aborto, eutanásia, clonagem, e uma série de outras coisas. Haveria implicações substanciais no meio legal.
A rejeição da alma é muito mais importante do que a polêmica que nos manteve ocupados no último ano, sobre a verdade ou não da teoria da seleção natural. A batalha entre evolucionistas e criacionistas é importante, já que é onde a ciência triunfa sobre a superstição. Mas, assim como a origem do Universo, a origem das espécies é um assunto de grande importância intelectual, mas pouca relevância prática. Se todos fôssemos darwinianos sofisticados, nossas vidas mudariam muito pouco. Em contraste, a rejeição generalizada do conceito de alma teria profundas conseqüências legais e morais. Também obrigaria as pessoas a repensar o que acontece a elas quando morrem, e desistir da idéia (compartilhada por 90% dos americanos) de que a alma sobrevive à morte corporal e ascende ao Céu.”
7. Povos tribais também destróem o meio ambiente e travam guerras
Por Jared Diamond, geógrafo, autor de Colapso.
“Por que essa idéia é perigosa? Porque muitas pessoas acreditam hoje que a razão por que não devemos maltratar povos tribais é que eles são muito legais, sábios ou pacifistas para fazer essas coisas ruins que nós cidadãos dos estados organizados fazemos. Se você acredita que essa é uma boa razão para preservar ou não destratar povos tribais, então a prova de que a minha idéia é verdadeira poderia sugerir que, tudo bem, nós podemos deixar de tratá-los bem e dar a eles regalias. Aliás, as provas para apoiar minha teoria – como, por exemplo, a extinção de povos inteiros no passado por terem acabado com seus escassos recursos naturais – parecem extremamente fortes. Mas, no final, a razão pela qual devemos tratar todos bem é ética, e não tem a ver com teorias antropológicas ingênuas que quase certamente se provarão falsas no futuro.”
8. Não Devemos punir os humanos “defeituosos”
Por Richard Dawkins,biólogo da Universidade de Oxford, Reino Unido, e autor de O Gene Egoísta.
“Pergunte às pessoas por que elas apóiam a pena de morte ou longas prisões e as razões normalmente envolverão retribuição. Elas querem matar um criminoso como troco pelos horrores que fez, ou para dar “satisfação” às vítimas do crime. Mas retribuição como princípio moral é incompatível com a visão científica do comportamento humano. Acreditamos que nossos cérebros – ainda que não funcionem como computadores – são governados pelas leis da física. E, quando um computador não funciona, não o punimos: o consertamos. Será que um assassino não é apenas uma máquina com um componente defeituoso? Ou uma educação defeituosa? Ou genes defeituosos?
Por que é quase impossível aceitar essas idéias? Talvez atribuir culpa e responsabilidade, bem e mal, sejam constructos mentais de milênios de evolução. Minha idéia perigosa é que um dia vamos amadurecer e até rir das punições de hoje. Mas duvido que eu consiga chegar lá.”

3372 – Psicologia – Cuidado com os “amigos da Onça”


O psicólogo Robert Hare tinha acabado de sair da faculdade, na década de 1960, quando arranjou um emprego no presídio de Vancouver. Função: atender os presos com problemas e montar diagnósticos de sanidade para pedidos de condicional. Lá conheceu o simpático Ray, um dos presos. Era um sujeito legal, contava histórias envolventes e tinha um sorriso que deixava qualquer um confortável. Como o sujeito parecia aplicado e dedicado a ter uma vida correta depois da prisão, o doutor resolveu ajudá-lo em pedidos de transferência para trabalhos melhores na cadeia, tipo a cozinha e a oficina mecânica. Os dois ficaram amigos. Mas Ray não era o que parecia. Hare descobriu que o homem usava a cozinha para produzir álcool e vender aos colegas. Os funcionários do presídio também alertaram o psicólogo dizendo que ele não tinha sido o primeiro a ser ludibriado pelo “gente boa” Ray. E que a falta de escrúpulos do preso não tinha limites. Pouco depois, Hare sentiu isso na pele: teve os freios de seu carro sabotados pelo “amigo” presidiário.
Ray não era único ali. Boa parte de seus colegas no presídio de Vancouver era formada por sujeitos alegres, comunicativos e cheios de amigos que também eram egocêntricos, sem remorso e não mudavam de atitude nem depois de semanas na solitária. Nas prateleiras sobre doenças mentais, havia várias descrições parecidas. O francês Philip Pinel, um dos pais da psiquiatria, escreveu no século 18 sobre pessoas que sofriam uma “loucura sem delírio”. Mas o primeiro estudo para valer sobre psicopatia só viria em 1941, com o livro The Mask of Sanity (“A Máscara da Sanidade”, sem tradução para o português), do psiquiatra americano Hervey Cleckley. Ele dedica a obra a um problema “conhecido, mas ignorado” e cita casos de pacientes com charme acima da média, capacidade de convencer qualquer um e ausência de remorso. Com base nesses estudos, Robert Hare passou 30 anos reunindo características comuns de pessoas assim, até montar sua escala Hare, o método para reconhecer psicopatas mais usado hoje.
Trata-se de um questionário com perguntas sobre a vida do sujeito, feito para investigar se ele tem traços de psicopatia. Seja como for, não é fácil identificar um. Psicopatas não têm crises como doentes mentais: o transtorno é constante ao longo da vida. Outras funções cerebrais, como a capacidade de raciocínio, não são afetadas. Algumas características, no entanto, são evidentes.
Segredos e mentiras
Atributo número 1: mentir. Todo mundo mente, mas psicopatas fazem isso o tempo todo, com todo mundo. Inclusive com eles mesmos. São capazes de dizer “Já saltei de pára-quedas” e, logo depois, “Nunca andei de avião”, sem achar que existe uma grande contradição aí. Espertos, não se contentam só em dizer que são neurocirurgiões, por exemplo, sem nunca ter completado o colegial: usam e abusam de termos técnicos das profissões que fingem ter. Se o sujeito finge ser advogado, manda ver nos “data venias” da vida. Se diz que estudou filosofia, vai encher o vocabulário de expressões tipo “dialética kantiana” sem fazer idéia do que isso significa. Sim, eles são profissionais da lorota.
“Depois que descobri as mentiras que ele me contou, passei um tempo me perguntando como tinha sido tão burra para acreditar naquilo”, diz a professora carioca Ana*. Há 9 anos, ela conheceu um cara incrível. Ele dizia que, com apenas 27 anos, era diretor de uma grande companhia e que, por causa disso, viajava sempre para os EUA e para a Europa. Atencioso e encantador, Cláudio era o genro que toda sogra queria ter. “Em 5 meses, a gente estava quase(casando. Então a mãe dele revelou que era tudo mentira, que o filho era doente, enganava as pessoas desde criança e passava por um tratamento psiquiátrico.”
Ana largou Cláudio e foi tocar a vida. Mas nem sempre quem passa pelas mãos de um psicopata “pacífico” tem tempo para reorganizar as coisas. Que o digam as pessoas que cruzaram o caminho de Alessandro Marques Gonçalves. Formado em direito, ele resolveu fingir que era médico. E levou esse delírio às últimas conseqüências: forjou documentos e conseguiu trabalho em 3 grandes hospitais paulistas. Enganou pacientes, chefes e até a mulher, que espera um filho dele e não fazia idéia da fraude. Desmascarado em fevereiro de 2006, Alessandro aleijou pelo menos 23 pessoas e é suspeito da morte de 3.
“Ele usa termos técnicos e fala com toda a naturalidade. Realmente parece um médico”, diz o delegado André Ricardo Hauy, de Lins, que o interrogou. “Também acha que não está fazendo nada de errado e diz, friamente, que queria fazer o bem aos pacientes.” Quando foi preso, Alessandro não escondeu a cabeça como os presos geralmente fazem: deixou-se filmar à vontade.
“O diagnóstico de transtorno anti-social depende de um exame detalhado, mas dá para perceber características de um psicopata nesse falso médico. É que, além de mentir, ele mostra ausência de culpa”, afirma o psiquiatra Antônio de Pádua Serafim, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
E esse é um atributo-chave da mente de um psicopata: cabeça fresca. Nada deixa esses indivíduos com peso na consciência. Fazer coisas erradas, todo mundo faz. Mas o que diferencia o psicopata do “todo mundo” é que um erro não vai fazer com que ele sofra. Sempre vai ter uma desculpa: “Um cara que matou 41 garotos no Maranhão, Francisco das Chagas, disse que as vítimas queriam morrer”, conta Antônio Serafim.
Justamente por achar que não fazem nada de errado, eles repetem seus erros. “Psicopatas reincidem 3 vezes mais que criminosos comuns”, afirma Hilda Morana, que traduziu e adaptou a escala Hare para o Brasil. “Tem mais: eles acham que são imunes a punições.” E isso vale em qualquer situação. Até na hora de jogar baralho.
Foi o que mostrou o psicólogo americano Joe Newman num experimento em 1987. No laboratório, havia 4 montes de cartas. Sem que os jogadores soubessem, um deles estava cheio de cartas premiadas. Ou seja: quem escolhesse aquele monte ganhava mais dinheiro e continuava no jogo. Aos poucos, porém, a quantidade de cartas boas rareava, até que, em vez de dar vantagem, escolher aquele monte passava a dar prejuízo. Pessoas comuns que participaram da pesquisa logo perceberam a mudança e deixaram de apostar nele. Psicopatas, porém, seguiram tentando obter a recompensa anterior. “Pessoas comuns mudam de estratégia quando não obtêm recompensa”, afirma o neurocientista James Blair, autor do livro The Psychopath – Emotion and the Brain (“O Psicopata – Emoção e o Cérebro”, sem edição brasileira). “Mas crianças e adultos com tendências psicopáticas continuam a ação mesmo sendo repetidamente punidos com a perda de pontos.”
Psicopatas não aprendem com punições. Não adianta dar palmadas neles.
Além disso, psicopata que se preze se orgulha de suas mancadas. Esse sujeito pode ser o marido que trai a mulher e se gaba para os amigos. Ou coisa pior. Veja o caso do promotor de eventos Michael Alig. Querido por todos, ele difundiu a cultura clubber em Nova York, organizando festas itinerantes. E em 1996 ele matou um amigo em casa. Quando o corpo começou a feder, retalhou-o e jogou os pedaços no rio Hudson. Dias depois, em um programa de TV, Alig simplesmente descreveu o assassinato, todo pimpão. Os jornalistas acharam que era só uma brincadeira besta, claro. Dias depois, a polícia achou o corpo do amigo de Alig no rio. Ele foi condenado a 20 anos de prisão – sem perder a pose.
Isso é lugar-comum entre os psicopatas. O próprio psiquiatra Antônio Serafim está acostumado com relatos grandiosos de carnificinas: “Quando você pergunta sobre a destreza com que cometeram os crimes, eles contam detalhes dos assassinatos, cheios de orgulho.”
Zumbis
Se você estivesse indo comprar cerveja perto de casa e se desse conta que esqueceu a carteira, o que faria? Em vez de voltar para buscar dinheiro, um psicopata da Califórnia preferiu catar um pedaço de pau, bater num homem e levar o dinheiro dele. Também tem o caso de uma mulher que deixou a filha de 5 anos ser estuprada pelo namorado. Perguntada por que deixou aquilo acontecer, ela disse: “Eu não queria mais transar, então deixei que ele fosse com a minha filha.”
Eis mais um traço psicopático. “Eles tratam as pessoas como coisas”, afirma o psiquiatra Sérgio Paulo Rigonatti, do Instituto de Psiquiatria do HC. Isso acontece porque eles simplesmente não assimilam emoções. Para entender isso melhor, vamos dar um passeio pelo inferno.
Corpos decapitados, crianças esquálidas com moscas nos olhos, torturas com eletrochoque, gemidos desesperados. Só de imaginar cenas assim, a reação de pessoas comuns é ter alterações fisiológicas como acelerar as batidas do coração, intensificar a atividade cerebral e enrijecer os músculos. Em 2001, o psiquiatra Antônio Serafim colocou presos de São Paulo para assistir a cenas assim. Cada um ouvia, por um fone, sons desagradáveis, como gritos de desespero. “Os criminosos comuns tiveram reações físicas de medo”, diz ele. “Já os identificados como psicopatas não apresentaram sequer variação de batimento cardíaco.”
Mais: uma série de estudos do Instituto de Neurociência Cognitiva, nos EUA, mostrou que psicopatas têm dificuldade em nomear expressões de tristeza, medo e reprovação em imagens de rostos humanos. “Outros 3 estudos ligaram psicopatia com a falta de nojo e problemas em reconhecer qualquer tipo de emoção na voz das pessoas”, afirma Blair.
É simples: assim como daltônicos não conseguem ver cores, psicopatas são incapazes de enxergar emoções. Não as enxergam nem as sentem, pelo menos não do mesmo jeito que os outros fazem. Em vez disso, eles só teriam o que os psiquiatras chamam de proto-emoções – sensações de prazer, euforia e dor menos intensas que o normal. “Isso impede os psicopatas de se colocar no lugar dos outros”, diz Hilda Morana.
Um dos pacientes entrevistados por Hare confirma: “Quando assaltei um banco, notei que uma caixa começou a tremer e a outra vomitou em cima do dinheiro, mas não consigo entender por quê”, disse. “Na verdade, não entendo o que as pessoas querem dizer com a palavra ‘medo’ ”.
No livro No Ventre da Besta – Cartas da Prisão, o escritor americano Jack Abbott descreve com honestidade o que acontece na sua cabeça de psicopata: “Existem emoções que eu só conheço de nome. Posso imaginar que as tenho, mas na verdade nunca as senti”.
É como se eles entendessem a letra de uma canção, mas não a música. Esse jeito asséptico de ver o mundo faz com que um psicopata consiga mentir sem ficar nervoso, sacanear os outros sem sentir culpa e, em casos extremos, retalhar um corpo com o mesmo sangue-frio de quem separa as asinhas do peito de um frango assado.
Para a neurologia, a coisa é mais objetiva: os “circuitos” do cérebro de um psicopata são fisicamente diferentes dos de uma pessoa normal. Uma descoberta importante foi feita pelo neuropsiquiatra Ricardo de Oliveira-Souza e pelo neurologista Jorge Moll Neto, pesquisador do Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos dos EUA. Em 2000, os dois identificaram, com imagens de ressonância magnética, as partes do cérebro ativadas quando as pessoas fazem julgamentos morais. Os participantes da pesquisa tiveram o cérebro mapeado enquanto decidiam se eram certas ou erradas frases como “podemos ignorar a lei quando necessário” ou “todos têm o direito de viver”, além de outras sem julgamento moral, como “pedras são feitas de água”. A maioria dos voluntários ativou uma área bem na testa, chamada Brodmann 10, ao responder às perguntas.
E aí vem o pulo-do-gato: a dupla repetiu o estudo em 2005 com pessoas identificadas como psicopatas, e descobriu que elas ativam menos essa parte do cérebro. Daí a incompetência que os sujeitos com transtorno anti-social têm para sentir o que é certo e o que é errado. Agora, resta saber se essas deficiências vêm escritas no DNA ou se surgem depois do nascimento.
Seja nas empresas, nas ruas, ou numa casinha de sapê, nossos amigos com transtorno anti-social são tecnicamente incapazes de frear seus impulsos sacanas. Mas, para os psiquiatras, essa limitação não significa que eles não devam ser responsabilizados pelo que fazem. “Psicopatas têm plena consciência de que seus atos não são corretos”, afirma Hare. “Apenas não dão muita importância para isso.” Se cometem crimes, então, devem ir para a cadeia como os outros criminosos.
Só que até depois de presos psicopatas causam mais dores de cabeça que a média dos criminosos. Na cadeia, tendem a se transformar em líderes e agir no comando de rebeliões, por exemplo. “Mas nunca aparecem. Eles sabem como manter suas fichas limpas e acabam saindo da prisão mais cedo”, diz Antônio de Pádua Serafim.
Por conta disso, a psiquiatra forense Hilda Morana foi a Brasília em 2004 tentar convencer deputados a criar prisões especiais para psicopatas. Conseguiu fazer a idéia virar um projeto de lei, que não foi aprovado. Nas prisões brasileiras, não há procedimento de diagnóstico de psicopatia para os presos que pedem redução da pena.