3346 – O sal que faz chover


No início da década de 80, o meteorologista canadense Graeme Mather (1934-1997) entrou voando de avião numa tempestade, no interior da África do Sul. Ficou intrigado com o que viu. Gotas gigantescas se espatifando contra o pára-brisa da aeronave, impossíveis de serem encontradas naquele tipo de nuvem, naquela altura, à temperatura de 10 graus negativos Celsius, capaz de congelar a água. Mather não sossegou enquanto não achou a origem do pé-d’água. Depois de examinar a região sobrevoada, concluiu que o fenômeno era produzido por uma fábrica de papel. Suas chaminés lançavam na atmosfera vasta quantidade de sais cujas partículas, ao atingir as nuvens, aglutinavam as moléculas de água do ar, criando gotas tão grandes que despencavam no solo, apesar do frio da atmosfera. A observação serviu para criar um método bem-sucedido de produzir chuvas: espalhar sais, absorvedores de água, sobre as nuvens.

3345 – Câncer artificial


Pela primeira vez, cientistas americanos conseguiram transformar células normais em malignas. Com isso, esperam decifrar como os tumores surgem.

Enquanto a maior parte dos pesquisadores procura um método eficaz de acabar com tumores, a equipe do oncologista William Hahn, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, fez o contrário: descobriu como forçar células sadias a se tornarem malignas. O objetivo é entender a gênese do mal. “Queremos saber como funciona o câncer.
Desde 1980 é sabido que a doença aparece sempre que alguns genes começam a funcionar mal e forçam as células de alguma região do corpo a se multiplicar descontroladamente. Um dos genes envolvidos nesse processo, batizado de RAS, foi descoberto, também em 1980, pelo oncologista Robert Weinberg, da equipe de Hahn. Só que o RAS só funciona com a ajuda de outros genes. Em 1983, a equipe de Hahn e Weinberg construiu um tumor em um rato adicionando a uma célula saudável dois genes: o RAS e o SV40. Mas a experiência deu certo apenas com roedores; com humanos, não funcionou. Até que este ano os cientistas acharam o ingrediente que faltava — outro gene, o hTERT. Com essas três peças na mão, implantadas dentro da célula reproduziram a doença.
Por enquanto o laboratório do MIT fabricou apenas tumores de pele e de rim. Hahn vai continuar testando a mesma seqüência de genes para outros tipos de câncer, como os de mama, cujo desenvolvimento pode obedecer a um mecanismo ligeiramente diferente. “No dia em que formos capazes de compreender o funcionamento de cada tipo da doença, faremos drogas mais eficientes”, “Drogas capazes de deter o tumor.”
Só faltava verificar se as células geneticamente modificadas virariam mesmo um tumor. Para isso, os cientistas precisavam de um organismo que garantisse um bom suprimento de sangue a elas. Tiro e queda: injetadas em um rato, as células alteradas produziram o caroço que identifica a doença.

3344 – Sondas atravessam ‘mar magnético’ para sair do Sistema Solar


Saindo do Sistema Solar

As sondas Voyager, da agência espacial americana Nasa, estão atravessando um ‘mar magnético’ para tentar sair do Sistema Solar.
As duas naves foram lançadas em 1977 e são responsáveis por colher alguns dos dados mais extraordinários da história da Nasa. Elas agora estão a mais de 14 bilhões de quilômetros da Terra, aproximando-se do limite do Sistema Solar.
As sondas Voyager continuam enviando dados para o centro de controle da Nasa, no Estado americano no Texas. Cada mensagem demora 16 horas para atravessar a distância no espaço.
Nas palavras do astrônomo Eugene Parker, da Universidade de Chicago, a fronteira do Sistema Solar possui atividades energéticas intensas, como se fosse uma “banheira de hidromassagem agitada”.
Vários fragmentos de campos magnéticos passam como uma espécie de “vento” pelas sondas. Este processo está formando bolhas magnéticas com dezenas de milhares de quilômetros de largura.
Os pesquisadores afirmam que estas descobertas têm impacto na forma como se entende os raios cósmicos, que são as tempestades de partículas de alta energia que se aceleram na direção da Terra, oriundas de explosões de estrelas e buracos-negros.
É provável que a massa de estruturas magnéticas torne o Sistema Solar mais poroso e suscetível a raios cósmicos.
NOVA MISSÃO
A observação é de interesse não só para astrônomos, mas também para astronautas (eles precisam se precaver contra os efeitos dos raios cósmicos na sua saúde) e para engenheiros preocupados em construir naves e componentes resistentes às partículas de alta energia.
Os pesquisadores foram surpreendidos por alguns dos dados revelados pelas sondas Voyage. Eles esperavam que os limites do Sistema Solar seriam mais serenos e com menos atividades magnéticas.
Esta é mais uma demonstração entre tantas das capacidades extraordinárias das sondas Voyagers, que continuam gerando dados e novos questionamentos mais de três décadas depois de seus lançamentos.
A Voyager 1 chegou ao espaço em 5 de setembro de 1977 e a Voyager 2, em 20 de agosto do mesmo ano.
A missão inicial das sondas era pesquisar os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Depois de completada em 1989, as sondas foram direcionadas rumo ao centro da Via Láctea.
O professor Ed Stone, que trabalha com as Voyager desde o começo da missão, diz que nenhuma outra operação durou tanto tempo. Já são 33 anos de funcionamento, e a Voyager ainda possui energia suficiente para durar mais uma década.
A tecnologia da Voyager é rudimentar para os padrões de hoje. Os transmissores consomem a energia equivalente a de uma lâmpada comum. Um telefone celular moderno possui 10 milhões de vezes mais memória do que a Voyager.
A sua nova missão é explorar os limites do Sistema Solar. Os cientistas não têm certeza sobre o limite final do sistema, onde começaria uma zona de espaço interestelar.