3333 – Como surgiu e como se luta o Sumô?


Você pode até achar estranho ver dois gigantes quase pelados se agarrando num ringue. Mas não faça piada sobre o sumô para um japonês porque vai dar confusão na certa. Inspirado na briga dos ursos da Ilha de Hokkaido, há registros de combates de sumô há mais de dois mil anos. “No início, as lutas eram rituais dedicados aos deuses”, diz Vander Ramos, um dos três lutadores de sumô brasileiros em Tóquio. “Mas foi no período Nara, no século VIII, que o sumô ganhou uma importância maior, quando passou a fazer parte das cerimônias imperiais.” Sob o patrocínio do imperador, a luta ganhou uma importância tão grande que os astros desse esporte têm hoje status comparado ao de ministros de Estado. Quem se torna um yokozuna (o mais alto estágio que um atleta pode alcançar) vira uma espécie de divindade no país. Os primeiros campeonatos profissionais surgiram em 1927. Hoje, são seis torneios realizados por ano com cerca de 800 lutadores.
Nas principais disputas, que acontecem em Tóquio, os troféus são entregues pelo primeiro-ministro japonês e, em ocasiões muito especiais, pelo próprio imperador. Quem vê a aparência rechonchuda dos lutadores não imagina a dura rotina de treinos que eles enfrentam. Às 6 horas da manhã, eles vão para a arena (dohyo) onde começam a se aquecer para o treino pesado que inclui abdominais, flexões de braço e uma série extenuante de outros exercícios e lutas. Depois de quatro horas de treino, eles param para o almoço, cujo prato principal é o chankonabe, um ensopado de legumes, verduras, carne com osso e macarrão. A combinação perfeita para repor as energias e voltar à luta.

Dieta reforçada
Apesar da desgastante rotina de treinos, o lutador de sumô pesa, em média, 160 quilos. O segredo: uma dieta reforçada de 16 mil calorias (o que uma pessoa normal come na semana inteira).
Fio-dental
Chamada de mawashi, a (pouca) roupa se resume a uma faixa de pano amarrada na cintura com uma espécie de avental com cores representando a região de origem do lutador.
Sal para purificar
Antes do início da luta os lutadores seguem um ritual que pode durar mais de cinco minutos: bebem o chikaramizu (água comum, que eles acreditam ser fonte restauradora de força), jogam sal diante de si e no ringue
Olho no olho
Depois do ritual, os dois lutadores ficam agachados se encarando, de joelhos abertos, procurando maior equilíbrio até que a luta começa.
Últimos segundos
A luta é simples e geralmente não dura mais que 30 segundos. Ganha aquele que fizer com que o oponente toque qualquer parte do corpo no chão (além do pé) ou saia do ringue. Assim que isso acontece, o juiz levanta o braço com uma espécie de leque e a luta acaba.

3332 – O Sangue Artificial


Em ciência, a voz do povo muitas vezes está errada. Há 130 anos os cientistas querem encontrar um substituto para o sangue que, como ele, transporte o oxigênio para as células. Até agora, nada. Em 1868, médicos da Universidade Cambridge, na Inglaterra, experimentaram em cachorros injeções de hemoglobina de outro cão. Os receptores morreram com os rins em frangalhos.
Outra história antiga, de 1960, é a do ratinho que, por acidente, mergulhou no vidro repleto de um líquido transparente e continuou respirando submerso. Foi na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, e o tal líquido era o perfluorcarbono (PFC), que, diferentemente da água, absorve o oxigênio do ar e por isso pode oferecê-lo aos pulmões tanto quanto a atmosfera. Com o rato escafandrista, os cientistas descobriram também que o PFC soltava o oxigênio nas quantidades necessárias. Até hoje os pesquisadores persistem nesses dois caminhos. Alguns testam fórmulas à base da molécula de hemoglobina. Outros aprimoram versões usando o PFC. Só que agora a corrida está mais acirrada, desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1997, deu o alarme: os bancos de sangue do mundo inteiro vão logo, logo ficar no vermelho.
Nos Estados Unidos e na Europa, a quantidade de gente que doa sangue está caindo, em média, 5% ao ano. No Japão, a situação é pior: a queda é de aproximadamente 7%. Ninguém sabe ao certo por que está havendo queda nas doações, mas a explicação deve ser o medo ao contágio. “No Brasil não sabemos se isso está acontecendo, porém é provável”, diz o hematologista mineiro Hélio Moraes de Souza, que em outubro do ano passado se mudou para Brasília para estar à frente da Coordenadoria de Sangue e Hemoderivados (COSAH) do Ministério da Saúde. Uma de suas metas é botar ordem na casa. Até hoje o governo só tem (alguma) noção sobre o volume e a qualidade do sangue na rede pública, deixando de contabilizar os hospitais privados. Sem um retrato dos bancos de sangue em geral, não se sabe se a oferta aqui está caindo, como no resto do mundo.
Por motivos como esse, o mundo precisa de 7,5 milhões de litros de sangue a mais por ano e, se continuar assim, por volta do ano 2020 vão faltar 9 milhões de litros em seu estoque. Diante desse quadro anêmico, o sangue artificial seria a salvação. “Além de não oferecer risco de contaminação, o sangue artificial seria abundante”, diz o imunologista Peter Collins, da agência do governo americano que controla a busca de novos tratamentos, a FDA (Food and Drug Administration).
Nos bancos de sangue, os glóbulos vermelhos não duram mais do que 42 dias. Mas o material com prazo de validade vencido está sendo aproveitado por dois laboratórios americanos para a extração da hemoglobina. Um deles está revestindo a molécula transportadora do oxigênio com uma grossa capa de polímero. A idéia é transformar a pequena hemoglobina numa molécula grandalhona. Caso contrário, ela se enfia nos minúsculos canais dos rins, deixando-os fatalmente entupidos. Aumentar o tamanho da hemoglobina é um dos desafios de quem pesquisa sangue artificial.
Já a empresa de biotecnologia Somatogen, em Boulder, no Colorado, preferiu botar bactérias Eschirichia coli para trabalhar. Há catorze anos, o cientista japonês Kiyoshi Nagai descobriu uma manobra para transformar esses micróbios em fabriquetas de hemoglobina, modificando o seu código genético. Mas a hemoglobina das bactérias, sem as enzimas do glóbulo vermelho por perto, pegavam o oxigênio no pulmão e não o largavam mais.
Para agilizar a hemoglobina fabricada nas bactérias, a gente reproduziu essa alteração.” O sangue da Somatogen, que já tem até nome, Optro, está sendo usado em pequenas doses durante cirurgias e em pacientes com anemias graves.
Por enquanto, os sangues que estão sendo avaliados costumam causar enjôos, dor de estômago, hipertensão e aceleração dos batimentos cardíacos. Sem contar o preço, que é de fazer qualquer um ficar pálido de susto: hoje, uma unidade de sangue verdadeiro custa entre 60 e 85 dólares, por causa de todo o processo a que é submetido. O preço estimado do sangue artificial é de 240 dólares por unidade.

Para levar o oxigênio da respiração pelo corpo, em cada glóbulo vermelho existem 250 milhões de moléculas de hemoglobina. No pulmão, que é pressurizado, cada hemoglobina agarra quatro moléculas de oxigênio. Nos outros tecidos, como a pressão é menor, essas moléculas são liberadas.
A hemoglobina percebe a diferença de pressão, agarrando ou soltando o gás, graças a enzimas que existem dentro do glóbulo de sangue, conhecidas por DPG. Sem estar cercada por elas dentro do glóbulo, a hemoglobina perde eficácia.
Os substitutos à base de hemoglobina liberam o oxigênio com dificuldade. Talvez mudar a ordem dos 145 aminoácidos que, enfileirados, formam a hemoglobina melhore a sua performance quando está isolada.
Outro desafio é que, solta na circulação, a hemoglobina se parte ao meio. Os cientistas testam polímeros que, feito cordas, amarram os pontos frágeis onde a molécula pode se quebrar.

O sangue doado por um indivíduo serve para quatro doentes.
Uma gota de sangue é a primeira prova. Se for pálida, o candidato a doador será dispensado por estar anêmico.
Se está aparentemente saudável, é jovem e não pertence a grupos de risco de doenças como a Aids, o indivíduo pode doar uma unidade, ou seja, uma bolsa de 480 mililitros de sangue.
Uma seringa do sangue colhido é usada para investigar treze doenças, entre elas a Aids, as hepatites B e C e o mal de Chagas.

O sangue ainda deve passar por outros exames, para saber se ele tem uma proteína chamada A ou uma proteína chamada B ou as duas, sendo do tipo AB. Se não tiver nenhuma delas será tipo O. Qualquer um desses tipos anguíneos pode conter ainda outra proteína, a Rh, sendo então rotulado de positivo. Se não tiver a proteína Rh, será negativo.
Devidamente classificado, o sangue é centrifugado. As células vermelhas e brancas são mais pesadas e ficam no fundo. Elas são separadas do restante.
O líquido amarelado que sobrou é centrifugado de novo. Agora as plaquetas, que ficam no fundo, vão ser retiradas.
O que sobra é o plasma e ele é congelado. Ao sair do freezer, fica com uma casquinha esbranquiçada formada pelos chamados fatores de coagulação.
Os fatores de coagulação são separados do plasma. Com isso, uma única bolsa de sangue pode ser usada por quatro pacientes com necessidades diferentes: glóbulos vermelhos, plaquetas, fatores de coagulação e plasma.

Proteínas plasmáticas
São três tipos. A albumina ajuda a regular as trocas de substâncias entre as células. O fibrinogênio participa da formação dos coágulos. E os anticorpos ajudam a destruir micróbios nocivos.

Células
Os 45% sólido

Glóbulos vermelhos
Existem 5 a 6 milhões deles em uma gota de 1 milímetro cúbico de sangue. Sua função é transportar os gases da respiração. O que se entende por sangue artificial quer suprir o papel desses glóbulos.

Glóbulos brancos
Responsáveis pela defesa do organismo, existem 5 000 a 10 000 deles em uma gota de 1 milímetro cúbico de sangue. Sua função é insubstituível e, por isso, nenhum sangue artificial é capaz de evitar infecções.

Outras substâncias
Os hormônios, os nutrientes da alimentação, o colesterol, assim como todo o lixo produzido pelas células do corpo, navegam pelo sangue. Os testes com sangues artificiais levam isso em conta. Afinal, não basta conseguir transportar o oxigênio direito. Os cientistas querem saber se o sangue de laboratório não atrapalharia o transporte de todo o resto.

Plaquetas
Células responsáveis pela coagulação, elas ainda não são imitadas em laboratório. Existem entre 250 000 e 400 000 plaquetas em 1 milímetro cúbico de sangue. O máximo que os médicos conseguem é extrair as moléculas que elas produzem, chamadas fatores de coagulação, para transformá-las em pó. Desse jeito, usando fatores de coagulação processados industrialmente, pacientes como os hemofílicos, que padecem da falta dessas moléculas, podem abrir mão das transfusões. Isso, aliás, já vem sendo feito.

3331 – Astrofísica – Devore-me se puder


O Universo não está na santa paz. Galáxias maiores engolem as menores – e a Via Láctea também está no meio desse pega-pega
Olhando para o céu límpido e azul, o Universo parece um lugar sereno, onde tudo coexiste na mais perfeita harmonia. Não é bem assim. Na verdade, o bicho está pegando. O cosmo é palco também de ferozes interações entre os corpos celestes – e quem pode mais chora menos. Um exemplo da “lei do mais forte” que impera no Universo é o fenômeno do canibalismo galáctico. Sabe-se que as galáxias tendem a formar aglomerados no espaço, como um bando de ovelhas que não querem viver desgarradas de seus semelhantes. A nossa Via Láctea, por exemplo, faz parte do Grupo Local, que reúne cerca de 30 membros. Como as galáxias de um mesmo aglomerado se encontram relativamente próximas umas das outras – a distância entre elas é da ordem de apenas 100 vezes o seu tamanho –, estão em constante interação, uma exercendo sua influência gravitacional sobre a outra. Se duas galáxias possuem tamanhos semelhantes, a proximidade pode resultar numa fusão entre elas. Se uma galáxia muito grande interage com outra muito menor, a primeira pode engolir a segunda, ocorrendo o canibalismo.
Em 2004, uma equipe internacional de astrônomos da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, divulgou a primeira evidência clara de que a galáxia de Andrômeda – “irmã” maior da Vila Láctea – está devorando uma de suas galáxias vizinhas. As imagens mostraram cúmulos estelares que podem ser restos de outras galáxias menores engolidas por Andrômeda, a galáxia mais distante (a 2,2 milhões de anos-luz) visível da Terra a olho nu. A descoberta ajuda a compreender a evolução das galáxias próximas e da própria Via Láctea, pois ambas têm estruturas parecidas, em forma de espiral.
A Via Láctea não é alheia ao fenômeno do canibalismo. Ela mesma adquiriu sua estrutura atual após absorver galáxias menores. E deverá algum dia bater de frente com Andrômeda, que tem o dobro do seu tamanho. Mas não perca o sono com esse cenário. As duas galáxias estão se aproximando uma da outra a cerca de 500 000 quilômetros por hora. Nesse ritmo, a colisão deverá ocorrer dentro de uns… 3 bilhões de anos! Visto de outro ângulo, isso não significará o fim de tudo – mas sim o nascimento de uma megagaláxia.

O impacto da descoberta
A compreensão do fenômeno do canibalismo ajuda a entender a evolução das galáxias, incluindo a Via Láctea. E mostra que o fim de uma galáxia representa, na verdade, o início de uma nova
Berço de estrelas
Choques entregaláxias dão origem anovos corpos celestes
No início de 2004, o Observatório de Raios X Chandra, da Nasa, anunciou a descoberta de ricos depósitos de neônio, magnésio e silício em duas galáxias em colisão, conhecidas como Antenas, localizadas a 60 milhões de anos-luz. O choque entre as duas galáxias é um fenômeno que deve ter-se iniciado há centenas de milhões de anos. O encontro foi de tal forma violento que, de cada uma das galáxias, foram expelidas estrelas e gases em dois longos arcos que lembram antenas, daí o nome dado à dupla.
A observação desse espetacular choque cósmico é importante porque fornece pistas do que poderá ocorrer também quando a Via Láctea colidir com Andrômeda, daqui a 3 bilhões de anos. Os depósitos de neônio, magnésio e silício nas Antenas se encontram em imensas nuvens de gás quente. Quando essas nuvens esfriarem, deverão dar origem a uma grande quantidade de estrelas e planetas. Das novas estrelas assim formadas, aquelas que possuírem massas mais elevadas deverão evoluir mais rápido, em poucos milhões de anos, explodindo como supernovas ao final de suas vidas.
Quando as galáxias colidem, são muitos raros os choques diretos entre estrelas, porque as estrelas se encontram muito espalhadas uma das outras. Na nossa galáxia, o Sol está separado da sua vizinha mais próxima, Centauri, a uma distância correspondente a 30 milhões de vezes o seu diâmetro. Com isso, o Sol teria de viver 100 000 vidas para que houvesse alguma probabilidade de se chocar com sua vizinha.

3330 – Astrofísica – Uma Fonte de Energia


Em 1997, o satélite americano Compton GRO (Compton Gamma Ray Observatory) comprovou a existência de uma enorme fonte de antimatéria bem no centro da Via Láctea. A antimatéria é basicamente a mesma coisa que a matéria, só que com o sinal trocado, pois é constituída de partículas elementares com cargas elétricas inversas às da matéria (leia na página ao lado). Uma hipótese levantada para explicar a produção em grande escala de antimatéria no centro da nossa galáxia é a criação de elementos químicos por estrelas que explodem perto do local.
Coube ao satélite europeu Integral (International Gamma-Ray Astrophysics Laboratory) observar com nitidez a fonte de antimatéria no centro da Via Láctea. Em 2003, os detectores de raios gama do satélite descobriram que essas partículas não são provenientes de uma fonte pontual, mas difusa – distribuindo-se ao longo de mais de 4 mil anos-luz. Os astrônomos acreditam que essa descoberta pode fornecer pistas sobre a origem da matéria e da energia escuras que formam a maior parte do Universo.
Como a antimatéria não se distribui em torno de um só ponto, ela pode ter muitas origens, como supernovas (explosões de estrelas no final de sua vida) e a interação entre raios cósmicos, nuvens de gás e poeira no meio interestelar.
No Universo, a antimatéria é pouco freqüente, mas pode ser criada mediante colisões de alta velocidade entre partículas de matéria. A antimatéria se produz também nas erupções solares, quando as partículas que se movem muito depressa pela explosão se chocam com outras mais lentas na atmosfera solar.

Espelho meu
Quando matéria e antimatéria se encontram, soltam faísca
Antimatéria são os átomos constituídos por antipartículas – elas são idênticas às partículas elementares que compõem a matéria, mas com carga elétrica inversa. Assim, ao elétron, de carga elétrica negativa, corresponde o pósitron, de carga positiva. A mesma relação ocorre com prótons (positivos) e antiprótons (negativos). É como se a antimatéria fosse a imagem da matéria no espelho. Por suas propriedades, matéria e antimatéria não podem coexistir no mesmo espaço: quando se encontram, aniquilam-se mutuamente, virando energia.
A existência da antimatéria foi sugerida pela primeira vez em 1928 pelo físico inglês Paul Dirac. Em 1996, cientistas do Cern (Laboratório Europeu de Física de Partículas), com sede em Genebra, conseguiram produzir 50 000 átomos de anti-hidrogênio em um experimento. Qual o interesse prático de produzir antimatéria? Um dos objetivos é utilizá-la como fonte de energia. Por exemplo, com a aniquilação controlada da antimatéria e sua correspondente matéria, daria para reduzir o tanque de combustíveis das naves espaciais a menos de 10% do tamanho atual, o que possibilitaria viagens mais longas e de maior duração.

O impacto da descoberta
O estudo da antimatéria pode fornecer informações valiosas sobre a origem da matéria e da energia escuras que formam a maior parte do Universo.

3329 – Marte – Procura-se água


Marte tem a metade do tamanho da Terra

Em janeiro de 2004, a sonda Mars Express, da Agência Espacial Européia (ESA), detectou água sob forma de gelo no pólo sul de Marte. Pouco depois, em março, a Nasa, agência espacial americana, anunciou que um de seus veículos-robôs em Marte, o Opportunity, havia encontrado marcas nas rochas e minerais que geralmente se formam em processos de hidratação. Sinais semelhantes foram detectados também pelo Spirit, outro veículo-robô americano que pousou em Marte, no início do ano. Em conjunto, esses vestígios serviram para confirmar uma antiga suspeita: a de que o planeta vermelho já teve água suficiente para permitir a vida.“As evidências são tão grandes que é difícil não acreditar que existe vida em Marte”, diz Enos Picazzio, professor de astronomia da Universidade de São Paulo (USP). A exemplo de muitos outros cientistas, ele não descarta a possibilidade de Marte se encontrar apenas em uma espécie de era glacial prolongada. De fato, os cientistas acreditam que, no início de sua existência, Marte foi bem parecido com a Terra, mas, pela ausência de movimento tectônico de placas e do efeito estufa, a superfície do planeta vermelho é bem mais fria que a da Terra (lá, a temperatura varia entre 53 graus centígrados negativos e 27 graus centígrados).
Tanto para os americanos quanto para os europeus, o grande objetivo de suas missões a Marte, a longo prazo, é enviar homens para lá. Mas a recente descoberta de vestígios de água não significa que o homem já pode começar a pensar em construir cidades no planeta vizinho. Calma lá! Ainda nem foram encontrados traços diretos de vida, quer atual, quer em forma de fósseis. A presença de água em estado líquido é uma condição fundamental para a ocorrência de vida como a conhecemos na Terra. Se Marte possuir uma quantidade razoável de água, isso significaria que a possibilidade de exploração humana de Marte, incluindo a instalação de uma base tripulada permanente em solo marciano, sairia do plano da ficção e ficaria mais próxima da realidade.
As recentes descobertas levantam, contudo, novas dúvidas: o que teria causado o desaparecimento da água em Marte, tornando-o um planeta frio e seco? Por que a temperatura geológica e a pressão atmosférica diminuíram tanto em um espaço de tempo considerado curto, de cerca de 100 milhões de anos? Tempestades solares e uma proteção insuficiente propiciada pela atmosfera marciana podem explicar esses fenômenos. Mas os cientistas não descartam a hipótese de ainda existir água no subsolo marciano, sob pressão e a temperatura adequadas para manter-se em estado líquido.

O impacto da descoberta
As teorias de que pode existir ou ter existido vida no planeta vermelho ganham fôlego com a descoberta de água e elementos orgânicos em marte. O novo enigma dos cientistas é explicar o desaparecimento dessa água
A morada dos Ets
“Canais artificiais”atiçaram a imaginaçãodos terráqueos
Marte sempre despertou a curiosidade e a imaginação dos terráqueos. Afinal, é lá onde vivem os marcianos, aqueles homenzinhos verdes com antenas na cabeça que, de tempos em tempos, vêm nos visitar a bordo de seus discos voadores. As especulações sobre a existência de uma civilização avançada no planeta vizinho ganharam força em 1877, quando o astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli (1835-1910) afirmou ter observado em Marte uma série de linhas semelhantes a canais artificiais. Tais construções, que serviriam para conduzir a água derretida nos pólos durante o verão para irrigar as regiões equatoriais, seriam uma prova inequívoca da existência de vida inteligente no planeta vermelho. Anos mais tarde, o milionário americano Percival Lowell (1855-1916), um astrônomo amador, construiu um observatório em Flagstaff, no deserto do Arizona, e torrou sua fortuna para custear estudos sobre Marte. Influenciado pelas idéias de Schiaparelli, Lowell desenhava apaixonadamente os supostos canais identificados por seu antecessor, acreditando que o planeta vizinho havia sofrido um processo de desertificação. A teoria dos canais ruiu no século XX, quando se observou que eram apenas fissuras naturais e leitos de antigos rios e oceanos que teriam corrido em Marte. Em 1965, a sonda Mariner 4 enviou à Terra imagens apenas de um terreno repleto de crateras semelhantes às da Lua. A estação móvel Mars Pathfinder, que pousou em solo marciano em 1997, já havia descoberto resquícios da presença de água. As evidências de escoamento de água foram liberadas pela Nasa em 2000.

3328 – Medicina – De olho no Coração


Já falamos do engodo das dietas em um outro capítulo. De um modo geral, salvo exceções, elas não funcionam, sobretudo as radicais. Já os exercícios são considerados pilares da prevenção de doenças do coração. Mesmo uma atividade moderada dá bons resultados. Recomenda-se musculação com pouca carga e muitas repetições. Testes genéticos auxiliam os médicos a descobrir mutações que podem levar a infartes em idade precoce.Em 2004 foram mapeados indivíduos com incidência familiar. Habitos inadequados passam também de geração em geração. É do conhecimento médico atual que a angiostensina II é um hormônio que leva ao entupimento das artérias e sua quantidade é determinada pelo fator genético. O contra-ataque: alimentação balanceada, remédios contra o colesterol e distância do cigarro. Omelhor remédio é ainda a prevenção, isto porque a cada 100 pessoas que sofrem infarto, 40 norrem antes de chegar ao hospital. Destes sobreviventes apenas 36% completam 1 ano de sobrevivência. A última novidade no tratamento do colesterol é a rosovastina, com o nome comercial de Crestor. Além de reduzir LDL e triglicerides, aumenta o colesterol bom. É do grupo das estatinas. Outras opções são: Pravastatina sódica, atorvastatina e fiovastina. A ciência com a ajuda de células-tronco, tenta regenerar o coração. Elas são são teoricamente capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo humano. Os testes são ainda preliminares.Alguns cientistas vem tentando rejuvenescer células do próprio coração.