3327 – Exposição traz peças memoráveis do cinema


Armadura em exposição no Shopping

Repleta de raridades, a mostra gratuita “No Escurinho do Cinema”, no shopping Villa Lobos (zona oeste de São Paulo), apresenta objetos e adereços exclusivos, trazidos diretamente dos estúdios de Hollywood (Los Angeles, EUA).
Até 12 de junho, os cinéfilos poderão ver itens usados durante a filmagem de diversos sucessos do cinema, como Rocky Balboa, Matrix e Senhor dos Anéis.
Entre os objetos expostos, podem ser vistos o busto da armadura do Homem de Ferro, o figurino de Indiana Jones, a varinha de Harry Potter, a jaqueta de Tom Cruise, no filme “Top Gun”, e o protótipo do robô R2D2, do Star Wars.
A praça de eventos do shopping foi decorada com inspiração nas bilheterias antigas, incluindo elementos de sets e antigas salas, originais das décadas de 1930, 1960 e 1970.
No Escurinho do Cinema – Shopping VillaLobos, Praça de Eventos (piso 1): av. das Nações Unidas, 4.777, Alto de Pinheiros, São Paulo, SP. Seg. a sáb., das 10h às 22h. Dom., das 14h às 20h. Grátis

3326 – Arqueologia – O Primeiro Abecedário


Escavações realizadas no final dos anos 90 no México revelaram a primeira evidência de escrita nas Américas. A descoberta foi baseada em glifos (pictogramas gravados em pedra) encontrados num selo cilíndrico de cerâmica de 7 centímetros de comprimento e em fragmentos de uma placa de pedra verde. Os artefatos estavam no sítio arqueológico de San Andrés, perto de La Venta, na região do Golfo do México. Eles mostram que os olmecas, uma das primeiras civilizações da Mesoamérica (região que compreende o México e parte da América Central), já utilizavam a escrita em 650 a.C. – cerca de 350 anos antes do que se imaginava até então. A descoberta foi feita por um trio de arqueólogos americanos. Segundo os pesquisadores, a forma de comunicação dos olmecas provavelmente deu origem à escrita de outras civilizações, como a dos maias. Na inscrição do selo de cerâmica aparece um pássaro e sinais que saem de seu bico, que significam: “Rei 3 Ajaw”. Para desvendar o prosaico significado, os pesquisadores fizeram associações dos pictogramas olmecas com hieróglifos maias. Um dos caracteres designa a palavra “rei”. O outro é uma data: 3 ajaw, ou o terceiro dia do “mês” ajaw, uma das subdivisões do “ano” olmeca. Os povos da Mesoamérica possuíam dois calendários: um astronômico, de 365 dias, e um religioso, de 260. Os reis tinham o hábito de adotar como nome a data de seu nascimento no calendário ritual. Pohl acredita que o selo seria utilizado para imprimir o símbolo do Rei 3 Ajaw em vestimentas, para os súditos mostrarem lealdade ao monarca.
Um enigma
Depois do apogeu,não se sabe como a civilizaçãochegou ao fim
Os olmecas (1300 a.C. a 400 a.C.) foram uma das primeiras civilizações pré-colombianas na Mesoamérica. Tidos como responsáveis por algumas das principais inovações culturais na região, como a construção de grandes centros urbanos, eles viveram nas terras quentes e úmidas da costa do Golfo do México, onde hoje estão localizados os Estados de Vera Cruz e Tabasco,no sul do país. As primeiras evidências da arte olmeca foram localizadas em San Lorenzo e datam de 1150 a.C.. O local é marcado por monumentos de pedra, entre os quais se destacam cabeças esculpidas com rostos lisos, lábios grossos e uma espécie de capacete. As esculturas, conhecidas como Cabeças Colossais, têm até 3 metros de altura. Entre 110 a.C. e 800 a.C., os olmecas expandiram sua influência cultural em direção ao Vale do México e a regiões da América Central. Não se sabe ao certo o que aconteceu depois com eles. Na região de Tabasco, provavelmente as enchentes provocadas pela mudança do curso dos rios levaram ao abandono do assentamento em San Andrés. Também é possível que os olmecas tenham sido dominados pelos maias, o que teria provocado o fim da civilização.
O impacto da descoberta
As figuras em artefatos encontrados no México evidenciam que a escrita já existia nas Américas pelo menos 350 anos antes do que se supunha. E provavelmente estão na origem de outros sistemas de escrita.

3325 – A descoberta do peixe-dinossauro


O peixe dinossauro

Celacanto, o peixe-dinossauro, desafia a evolução das espécies e a imaginação do homem

Uma das maiores descobertas da zoologia no século 20 foi feita passo a passo. Tudo começou em 1938, quando um pescador fisgou um peixe diferente no Oceano Índico, na costa da África do Sul. O peixe era tão estranho que foi parar no museu marítimo local. Por comparações com fósseis, chegou-se a uma conclusão fantástica: tratava-se de um ser pré-histórico, o celacanto, originado há 410 milhões de anos e que se imaginava extinto há 65 milhões de anos. Chamada de “fóssil vivo”, a criatura é um parente próximo dos peixes que saíram do mar e se tornaram répteis em terra firme, dando origem, entre outras coisas, aos seres humanos. Mas o máximo que se sabia era sua idade aproximada.
No ano 2000, o cientista alemão Hans Fricke, um dos maiores estudiosos do celacanto, descobriu uma colônia inteira do peixe no fundo do mar, na costa da África do Sul, a mais de 200 metros de profundidade. Foi a primeira vez que se pôde observar vários peixes-dinossauros juntos. Sensores elétricos colocados nos celacantos permitiram estudar seus hábitos, que são bem diferentes dos de outras espécies marinhas e fluviais. Eles têm, por exemplo, um timing único entre os peixes. A cada final de tarde saem das cavernas onde moram, no mesmo horário, para buscar comida – geralmente, peixes pequenos. Também foi possível observar in loco seus movimentos. E os cientistas envolvidos no estudo da evolução das espécies vibraram: as nadadeiras do peixe-dinossauro movem-se de um jeito parecido ao dos braços e pernas dos humanos.
Os celacantos também conseguem levantar um pouco a cabeça, graças a um simulacro de espinha dorsal – como nos mamíferos –, além de terem um rabo largo e comprido jamais visto antes em outro peixe. O celacanto pode medir mais de 1,5 metro e pesar 90 quilos. Os estudos continuam. Fricke e cientistas dos mais renomados centros de pesquisa do mundo agora querem descobrir como o celacanto conseguiu sobreviver ao fenômeno que provocou o desaparecimento dos dinossauros, há 65milhões de anos, e de que forma ele se relaciona com a cadeia evolutiva que deu origem ao ser humano.
O impacto da descoberta
A colônia de peixe-dinossauro encontrada nas profundezas do Oceano Índico, em 2000, lançou luz sobre uma espécie que está diretamente relacionada ao processo evolutivo que deu origem ao homem
Parentes
Primos mais evoluídos foramencontrados na Indonésia
Em 1998, os cientistas Mark Erdmann e Roy Caldwell, da Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), descobriram, para surpresa geral, uma nova espécie do peixe-dinossauro na Indonésia. Até então, acreditava-se que o celacanto vivia apenas nas águas da África do Sul, no Oceano Índico, onde havia sido encontrado inicialmente. Testes de DNA indicaram se tratar de um parente evoluído, originado entre 4 e 6 milhões de anos atrás. É uma descoberta importante não apenas para a biologia, mas também para a geologia.
Separados por 10 000 quilômetros de oceano, distância entre a África do Sul e a Indonésia, os primos apresentam nove características físicas diferentes, checadas em testes de DNA. Segundo os cientistas, deve ter havido um impactante evento geológico capaz de ter afastado as espécies há mais de 6 milhões de anos. “Os testes mostraram que os primos mais novos evoluíram, enquanto os mais antigos pouco ou nada mudaram, o que denota que eles foram separados”, diz Erdmann.
Os cientistas continuam escarafunchando as profundezas do Índico, na Ásia e na África, em busca de novas colônias do peixe-dinossauro – hoje, estima-se que existam 1 000 exemplares, principalmente na costa africana.