3324 – Túnel do tempo, o sonho secreto dos físicos


Onde vai dar esse funil?

“No fundo, o que todo médico que trabalha com Aids procura é uma vacina em seu laboratório. Assim como os físicos buscam a viagem no tempo. Só que ninguém conta.”
Robert Gallo, virologista americano

“Imaginem a gritaria sobre desperdício de dinheiro público se descobrissem que a National Science Foundation fazia pesquisas sobre viagem no tempo. Por isso, os cientistas tentam disfarçar seu interesse.”
Stephen Hawking, físico inglês
Não existe sonho mais fantástico do que viajar através do tempo, voltar ao passado ou avançar pelas décadas à frente. O problema é que, além de fantástico, esse é um sonho comprometedor. Nenhum cientista pode sonhá-lo em público sem correr o risco sério de dar uma de maluco. Mas agora, para surpresa dos próprios físicos, a possibilidade de atravessar os séculos para a frente e para trás não pode ser de forma alguma descartada. Desde o final da década passada o físico americano Kip Thorne, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, trouxe à tona um objeto simplesmente estupendo: o wormhole, que, em inglês, quer dizer buraco de minhoca. Com esse nome nada futurista, até meio invertebrado, o wormhole pode ser a peça-chave de um futuro ônibus do tempo.
E o que é esse bicho? É uma espécie de túnel que, segundo a teoria, pode existir no Universo. Como se fosse um atalho cósmico, ele ligaria pontos superdistantes de um modo tal que, se alguém pudesse caminhar por ele, chegaria rapidamente à outra extremidade. Ou seja, ganharia um tempo enorme. A idéia de Thorne, então, seria aproveitar esses túneis, deslocando suas extremidades para os pontos desejados e conseguir, com idas e voltas por dentro deles, saltos não apenas no espaço, mas também no tempo.
Por enquanto, essa máquina do tempo só existe na teoria. Mas, exatamente porque só existe na teoria, tem aquele fascínio dos aviões e helicópteros esboçados nas pranchetas do século XV pelo italiano Leonardo da Vinci. Como o velho gênio italiano, Kip Thorne foi além dos limites do que é possível em sua era. Ao virar a página, você vai ler o que Thorne tem a dizer sobre a máquina mais fascinante que o homem já desejou criar.
Ir para a frente é fácil. Duro é andar para trás
Você pode não levar a sério, mas viajar no tempo não é apenas possível. É até inevitável, em certas circunstâncias. A ciência sabe disso desde 1905, data em que o alemão Albert Einstein formulou a Teoria da Relatividade. “O princípio é muito simples”, disse à SUPER o americano Michael Morris, da Butler University, em Indianápolis, pesquisador vital nos mais importantes avanços da atualidade. “Basta embarcar numa nave que alcance velocidade bem próxima à da luz, de 300 000 quilômetros por segundo”, explica Morris. “Automaticamente o tempo na nave vai começar a passar mais devagar do que na Terra.” Na volta, portanto, o viajante estará mais jovem do que os que não voaram. Em números, se o relógio da nave, nessa velocidade, marca a passagem de 12 horas, os da Terra marcam muito mais: uma década. Ou seja, em relação a quem ficou aqui, o viajante terá feito uma travessia de dez anos para o futuro.

Sagan fez um pedido
Já não há dúvida alguma sobre esse efeito, que foi testado e comprovado exaustivamente nos últimos trinta anos. A precisão dos resultados só não é maior porque, como as velocidades usadas são muito inferiores à da luz, o ritmo do tempo também não se altera muito. Assim, as viagens já feitas ao futuro geralmente são curtas, da ordem de frações de segundo. Mas a possibilidade, hoje, é um consenso tranqüilo entre todos os físicos, diz Morris.
Em 1985, ele embarcou numa investigação muito mais complicada: era a possibilidade de viajar para o passado. A história começou com um telefonema do astrofísico, divulgador científico e escritor Carl Sagan, da Universidade Cornell, a um amigo. O amigo era o físico teórico Kip Thorne, do Instituto de Tecnologia da Califórnia. Sagan estava escrevendo o romance Contato, lançado no Brasil em 1986. Queria saber se era cientificamente plausível viajar pelo “hiperespaço”, que na ficção-científica é um meio de cruzar imensas distâncias quase instantaneamente. Foi então que, decidido a mergulhar no assunto, Thorne convocou Morris para ajudá-lo nas pesquisas.
Thorne chegou a uma conclusão extraordinária: o imaginário hiperespaço talvez pudesse viabilizar as expedições no tempo. E com destino ao passado, tanto quanto ao futuro! Em 1994, ele lançou um livro clássico com essas conclusões: Black Holes and Time Warps (Buracos Negros e Dobras no Tempo.

3323 – Mega Ecologia – Peneira de ozônio


As medições de ozônio na atmosfera começaram nos anos 50, com o objetivo de conhecer melhor a dinâmica do planeta. No início da década de 80, percebeu-se que a camada desse gás sobre a Antártida estava diminuindo a níveis que exigiam atenção. Em 1985, uma equipe de cientistas britânicos, liderada pelo físico Joseph Farman, anunciou a descoberta de um buraco na camada de ozônio. E a situação não demorou a se agravar: dos 20% de perda inicialmente verificada, havia locais em que, no verão de 1987, até 50% do ozônio sobre a Antártida tenha se dissipado.
Tudo indicava que essa alteração no comportamento da camada de ozônio fora provocada pela ação do homem. A emissão contínua na atmosfera de um conjunto de compostos químicos chamados clorofluorcarbonetos, ou CFCs, destruía as moléculas de ozônio. Descobertos na década de 30, os CFCs vinham sendo usados em embalagens aerossóis, em motores de geladeiras e no processo de fabricação de tintas e solventes, entre outras aplicações industriais. Naquele mesmo ano, foi redigido um documento internacional, o Protocolo de Montreal, em que os países se comprometiam a reduzir gradativamente a emissão de CFCs na atmosfera e buscar tecnologias alternativas para a indústria. Ainda não se tinha noção da real gravidade do problema, e o documento foi firmado por menos de 40 países.
No início da década de 90, uma descoberta foi fundamental para que se tivesse um quadro mais abrangente do que estava acontecendo: cientistas constataram que havia um outro buraco, dessa vez cobrindo toda a superfície do Ártico e se espalhando por áreas de concentração populacional. E logo descobriram mais buracos, menores, principalmente no Hemisfério Sul.
Com o avanço das pesquisas, os países que se negavam a ratificar o Protocolo de Montreal perderam seus argumentos. Hoje são 180 países signatários do documento, que prevê a proibição total do uso de CFCs e outros gases até 2015. Mesmo assim, a situação é preocupante. Os CFCs têm vida longa e podem levar muitos anos para atingir a camada de ozônio. Se o Protocolo de Montreal for seguido à risca, calcula-se que a camada comece a se recuperar em meados deste século.
O escudo
A barreira invisívelse manteve estável pormilhões de anos
A camada de ozônio é uma espécie de capa protetora da Terra encontrada na atmosfera. Ela filtra os raios ultravioleta, que podem causar doenças nos seres humanos, como o câncer de pele,além de prejudicar toda a biodiversidade do planeta. Se ela não existisse, dificilmente alguma espécie conseguiria sobreviver diretamente exposta à tamanha quantidade de radiação solar. A presença de ozônio se dá a partir de 10 quilômetros da superfície terrestre, mas a maior concentração do gás ocorre entre 20 e 34 quilômetros de distância da crosta, segundo relatório do programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Estável durante milhões de anos, a camada vem diminuindo vertiginosamente e de forma heterogênea nas últimas décadas. Nos locais mais vulneráveis, em que ela tem maior contato com elementos químicos destruidores, são formados os chamados “buracos na camada de ozônio”. Esse fenômeno é dinâmico, varia conforme a temperatura, a emissão de poluentes, as correntes de vento e a localização geográfica. A primavera é a época em que os buracos crescem mais, podendo se retrair nas outras estações. Os pólos são as regiões em que a situação é mais grave.
O impacto da descoberta
Descoberto um imenso buraco na camada de ozônio sobre a Antártida, em 1985, chamou a atenção da comunidade internacional e levou à assinatura do Protocolo de Montreal, que prevê o banimento dos gases que destroem as moléculas de ozônio.

3322 – Reciclagem: Mar de desperdício


Veja como o alumínio é reciclado

O Brasil é um dos primeiros do ranking em reciclagem de alumínio. O Dersa (departamento de trânsito) está substituindo as placas de alumínio por placas de poliéster por motivo de furto. Como já foi vendido a cerca de R$3,00 o quilo (o preço varia com a cotação do dólar). Estimativas conservadoras apontam para 500 mil catadores só na Grande São Paulo( vai ter catador assim lá na China) e a cada lata reciclada se consome 95% menos energia que uma nova, mas falta reciclar o vidro e o isopor.
Os moradores da cidade de Seattle, nos Estados Unidos, passaram a ter mais cuidado com o que põem na lata de lixo desde 1º de janeiro deste ano, quando entrou em vigor uma nova lei municipal que pretende incentivar a separação de material para reciclagem. A quantidade de papel, vidro, plástico e alumínio não poderá mais exceder 10% do volume colocado na lata de lixo comum, em um exame visual. Quem violar essa regra vai receber, neste ano, somente uma advertência. A partir do ano que vem, a prefeitura passará a cobrar uma multa e, em determinados casos, deixará de recolher o lixo de quem não separar os itens recicláveis.
Com essa medida, Seattle quer se firmar como a cidade-modelo nos Estados Unidos em relação à maneira como lida com o lixo. Sua meta é chegar a um índice de 60% de reciclagem até o ano 2010. Para se ter uma idéia, Nova York, apontada como a capital mundial do lixo, com produção de cerca de 11 000 toneladas diárias, recicla menos de 20% dos seus resíduos.
Iniciativas como a de Seattle, que tendem a ser copiadas por outras cidades, tentam evitar que o mundo naufrague em um mar de lixo. É assim que os mais pessimistas vêem a humanidade até o final deste século. Além da população de 9 bilhões de pessoas prevista para o planeta até 2050, eles levam em conta o provável crescimento do nível de consumo por habitante. Quanto maior o consumo, maior o volume de descarte. Essa equação aponta que, nas próximas décadas, a quantidade de resíduos sólidos deve aumentar bem mais do que a população – nos últimos anos, ela cresceu duas vezes mais que a população. No município de São Paulo, por exemplo, o número de habitantes cresceu cerca de 20% na última década. No mesmo período, o volume de lixo aumentou 80%.
O que fazer para não morrer afogado num mar de lixo? Parar de consumir e voltar ao tempo das cavernas? Não é preciso ser tão radical, dizem os especialistas. Basta que os governantes, as empresas e os cidadãos comuns revejam alguns de seus velhos hábitos e procedimentos. As perspectivas não são tão sombrias assim: 90% do que se joga fora poderia ser reciclado e voltar para a sociedade em forma de energia ou novos produtos. Os países da comunidade européia assinaram um acordo para, até 2006, eliminar todos os lixões e aterros sanitários. A idéia é instalar máquinas de reciclagem de resíduos sólidos e biodigestores que transformem resíduos orgânicos em fertilizantes ou energia.
Cada homem produz, em média, cinco quilos de lixo por dia. A maior concentração está nas regiões mais ricas, que consomem mais, e nas mais populosas, pelo acúmulo. Do total produzido, 76% acaba nos lixões a céu aberto. A situação dos oceanos também preocupa. Anualmente, eles recebem 14 bilhões de quilos de resíduos. Cerca de 100 000 mamíferos e um milhão de aves marinhas morrem a cada ano ao se alimentar de lixo, principalmente de sacos plásticos jogados na água.
ATÉ NO ESPAÇO
Há muito mais resíduos do que é visível nos lixões, nas ruas ou nos rios. O lixo industrial (produzido principalmente pelo descarte de eletroeletrônicos, como celulares e computadores) e até o espacial também são preocupantes. De meados do século 20 até o final de 2004, estima-se que tenham sido descartados 315 milhões de computadores no mundo. E quase 3 000 toneladas de lixo espacial – desde fragmentos de foguetes até satélites artificiais desativados – orbitavam a menos de 200 quilômetros da Terra, na virada do século. A Nasa prevê que esse número vá dobrar até 2010.
Muita gente não se dá conta de que, para se livrar do lixo, não é só jogá-lo em uma lixeira e pronto. O lixo não some da sua vida quando você joga aquele pneu ou sofá velho no rio. Quando menos você espera, poderá sofrer os efeitos daquilo que descartou, pois o acúmulo de resíduos nos lixões produz substâncias tóxicas, tanto líquidas como gasosas. A falta de percepção disso é um dos maiores entraves para resolver o problema da destinação do lixo.

3321 – Camada profunda da Terra também tem organismos multicelulares


Uma equipe de cientistas detectou pela primeira vez, em uma mina da África do Sul, organismos multicelulares nas camadas mais profundas da biosfera terrestre.
O estudo, publicado no último número da revista “Nature”, apresenta uma nova perspectiva a respeito da biodiversidade sob a superfície do planeta.
Abaixo da crosta terrestre, a biosfera alcança profundidades de até três quilômetros e abriga uma ampla variedade de organismos unicelulares.
Até agora, no entanto, os cientistas pensavam que os organismos multicelulares não sobreviveriam nesse ambiente devido às altas temperaturas, à falta de oxigênio e ao espaço limitado.
No entanto, a equipe do geólogo da universidade de Princeton (EUA) Tullis Onstott detectou diversos vermes nemátodos, incluindo uma espécie desconhecida (batizada de Halicephalobus mephisto), entre 0,9 quilômetro e 3,6 quilômetros abaixo da superfície terrestre, em uma rachadura formada pela água no interior de uma mina.
Tais criaturas, que medem cerca de meio milímetro, suportam altas temperaturas, se reproduzem de maneira assexuada e se alimentam preferencialmente de bactérias.
Os testes com carbono-14 indicam que a rachadura na qual os nemátodos foram encontrados se formou há entre 3.000 e 12 mil anos.
Os resultados da pesquisa indicam que os ecossistemas localizados sob a superfície terrestre são mais complexos do que se acreditava até agora e podem causar grandes implicações na busca de vida em outros planetas.

3320 – Paleontologia – Quem vai chocar?


Em 1998, pela primeira vez, foram descobertos ovos fossilizados de dinossauros, com idade estimada entre 71 e 89 milhões de anos, dentro de seus próprios ninhos, com os embriões bem preservados. Alguns tinham até a pele, que se assemelha à dos lagartos atuais. Os ovos foram encontrados na Patagônia argentina por uma equipe de paleontólogos americanos e argentinos. “Os embriões são uma descoberta fantástica e vão levar a conclusões importantes sobre a evolução das espécies”.
Os ovos eram de titanossauros, que viveram em quase todos os continentes, entre 65 e 90 milhões de anos atrás. Alguns dos maiores espécimes chegavam a ter 36 metros de largura e a pesar 100 toneladas, segundo Chiappe.
A descoberta dos embriões lançou luz nas pesquisas sobre o desenvolvimento do crânio e da péle dos titanossauros. Até 1998, os paleontólogos haviam se deparado apenas com fósseis desses grandes dinossauros em mau estado de conservação. E o que é pior: na grande maioria dos casos, sem a cabeça.
Graças aos ovos encontrados na Argentina, os cientistas passaram a um outro estágio no estudo dos dinos: agora, têm ferramentas confiáveis para pesquisar a relação entre as variadas espécies e os animais que se originaram nos milênios seguintes, inclusive no que diz respeito a comportamentos sociais. O local onde foram achados os embriões na Patagônia indica que as mamães dinossauros se reuniam em bando para depositar os ovos em locais seguros – elas acertaram tanto na escolha que seus filhotes foram preservados por milhões de anos. Elas improvisavam ninhos no chão e cobriam com plantas para protegê-los dos predadores. Parecido com o que as aves fazem hoje? É exatamente isso, entre outras coisas, que os cientistas querem descobrir.
O impacto da descoberta
Os primeiros embriões de dinossauros descobertos pelo homem podem ajudar a esclarecer a anatomia dos seres pré-históricos e conduzir a outros achados na região onde foram encontrados, na Patagônia argentina
Um ninho de dinos
Local de descobertana Patagônia prometenovas surpresas
O paleontólogo argentino Luis Chiappe, um dos mais renomados do mundo, descobriu não apenas os embriões de dinossauros, mas também a área onde eles se localizam, que batizou de Auca Mahuevo, um jogo de palavras em espanhol que significa “olhe, mais ovos”. O lugar, no norte da Patagônia argentina, era um refúgio natural para a desova dos dinossauros – são tantos os ovos que os cientistas precisam ter muito cuidado para não pisar neles. Durante milhões de anos, as espécies ficaram a salvo dos estragos do tempo graças a camadas de lama que se formavam no local. Em 1999, foi descoberta uma nova espécie de dinossauro em Auca Mahuevo, o Aucasurus garridoi, que era carnívoro. O sítio pode guardar mais surpresas ainda. Equipes de paleontólogos continuam a trabalhar no local, procurando fósseis de todos os tipos.

3319 – Conquista espacial: A aventura no cosmo


Viajar para cada vez mais longe. Essa tem sido uma das grandes obsessões da humanidade. E o céu, com sua aparência de mundo desconhecido e infinito, sempre estimulou nossa imaginação e nosso espírito de aventura. Desde que iniciou a exploração do espaço, o homem já pisou na Lua, enviou sondas para Marte, viveu em estações orbitais e instalou poderosos telescópios para observar o cosmo. Foram várias as conquistas, que nos permitiram conhecer um pouquinho mais sobre uma ínfima parte do Universo. Veja uma seleção dos 12 fatos mais marcantes registrados no último meio século.
1957
4 de outubro
A então União Soviética põe em órbita o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, tornando-se a primeira potência espacial
3 de novembro
A cadela Laika é o primeiro ser vivo enviado ao espaço, a bordo do Sputnik 2, da União Soviética. Ela morre alguns dias depois do lançamento
1958
1º de fevereiro
Os Estados Unidos entram na corrida espacial com o seu primeiro satélite artificial, o Explorer 1
1959
4 de outubro
O satélite soviético Luna 3 transmite as primeiras imagens da face oculta da Lua, jamais vista pela humanidade
1960
3 de novembro
A Nasa, criada em outubro de 1958, lança seu primeiro satélite, o Explorer 8. Começa a história da mais bem-sucedida agência espacial do mundo
1961
12 de abril
O soviético Yuri Gagárin torna-se o primeiro homem no espaço. A bordo da Vostok 1, ele dá uma volta na Terra em 1h48min
1963
16 de junho
A bordo da Vostok 6, a soviética Valentina Terechkova torna-se a primeira mulher no espaço
1969
21 de julho
Neil Armstrong torna-se o primeiro homem a pisar na Lua. A façanha da Apollo 11 é assistida, em todo o mundo, por 600 milhões de telespectadores
1981
12 de abril
A Nasa lança o primeiro vôo tripulado de um shuttle, nave capaz de ir ao espaço e retornar à Terra. É o ônibus espacial Columbia
1986
19 de fevereiro
Lançamento da estação espacial soviética de terceira geração MIR. Ela opera até março de 2001, tornando-se o projeto há mais tempo em órbita da Terra
1990
24 de abril
Lançamento do supertelescópio Hubble, levado ao espaço pelo ônibus espacial americano Discovery
2004
21 de junho
O foguete GoFast é o primeiro projeto amador a alcançar 100 quilômetros de altitude, fronteira da Terra com o espaço

3318 – Big Bang


O mapa mais antigo do Universo foi feito em 1992, pelo radiotelescópio orbital Cobe (abreviatura do inglês Cosmic Background Explorer, ou Explorador do Fundo Cósmico). Na época, com a sua precisão considerada extraordinária, capturou diferenças minúsculas na radiação cósmica de fundo (leia na página ao lado). Em resumo: o Cobe “fotografou” o brilho do Big Bang, o momento mais próximo à origem do Universo. Onze anos depois, o que já era fantástico ficou ainda mais impressionante para os olhos humanos com o mapa montado pela sonda WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe, ou Sonda Wilkinson de Medida da Anisotropia em Microondas), da Nasa. Foi como se os astrônomos tivessem passado uma década olhando para uma fotografia fora de foco e, de repente, recebessem a mesma imagem centenas de vezes mais nítida. Para os leitores de publicações científicas, os mapas do Cobe e da WMAP proporcionaram uma visão espetacular do nosso mundo. Para os cientistas, solidificaram as convicções a respeito do Big Bang, a teoria de que o Universo começou a se expandir depois de uma grande explosão. “A possibilidade de o Big Bang ser descartado em favor de um outro modelo é, na prática, nula”, afirma o astrofísico Ivo Busko, do Space Telescope Science Institute (STSci), nos Estados Unidos.
Agora, pode-se testar modelos cosmológicos com erros mínimos, na casa de algumas unidades percentuais. “Isso está gerando um enorme progresso no estudo do Universo”, diz Busko. Graças ao mapa da WMAP, os cientistas puderam, enfim, cravar a idade do Universo, com uma margem de erro de mero 1%: 13,7 bilhões de anos. Calcularam também que as primeiras estrelas surgiram 200 milhões de anos após o Big Bang.
O impacto da descoberta
Os mapas celestes revelaram a infância do cosmo. Também permitiram cravar a idade do Universo em 13,7 bilhões de anos. Cada vez mais, os cientistas acreditam que tudo começou com uma explosão: o Big Bang
O passado em ondas
Radiação de microondas revela segredos do Universo
O Universo está repleto de radiação de microondas liberada nos seus primórdios. Chamada de radiação cósmica de fundo, surgiu quando elétrons e prótons se juntaram para formar os primeiros átomos de hidrogênio, o elemento mais abundante no cosmo. Essa radiação foi prevista pelo físico russo George Gamow nos anos 40 e observada duas décadas depois pelos astrofísicos americanos Arno Penzias e Robert Wilson. O mapeamento feito pela sonda WMAP indica que esse processo aconteceu 380 000 anos após o Big Bang. Como o Universo tem 13,7 bilhões de anos, a WMAP conseguiu revelar a infância cósmica. A sonda não registrou o céu como uma câmera fotográfica, mas captou ondas de rádio de diferentes direções enquanto girava no espaço. O processamento desses dados permitiu verificar as variações de temperatura da radiação de fundo, com diferenças de apenas milionésimos de grau entre as diversas regiões do Universo. A temperatura varia conforme a distribuição de matéria. Quanto mais matéria presente, mais energia a radiação precisa gastar para escapar de sua atração gravitacional, tendendo ao vermelho. A cor puxa para o violeta onde há menos matéria.

3317 – Astrofísica – Em ritmo acelerado


A cada bilhão de anos, o Universo está se expandindo a um ritmo de 5% a 6%. E deverá crescer para sempre
O ano de 1998 é considerado um marco na história da cosmologia. Duas equipes de astrônomos – o High Z Supernova Search Team, liderado pelo australiano Brian Schmidt, e o Supernova Cosmology Project, chefiado pelo americano Saul Perlmutter – anunciaram a descoberta de que o Universo está em expansão acelerada e crescerá para sempre. Os astrônomos mediram a velocidade de um grande número de galáxias e concluíram que elas estão se expandindo num ritmo crescente. Isso significa dizer que uma força “empurra” o Universo, fazendo com que as galáxias se afastem umas das outras a uma velocidade cada vez maior. A estimativa é que o Universo esteja aumentando cerca de 5% a 6% a cada bilhão de anos.
Antes dessa descoberta, imaginava-se exatamente o contrário: que a expansão do cosmos começaria a se desacelerar até entrar em colapso no futuro. A nova teoria está provocando uma revolução na física. Até porque, de acordo com o astrônomo Amâncio Friaça, do Instituto Astronômico e Geofísico (IAG), da USP, não existe uma física adequada para descrever o vácuo que domina o universo. A novidade obriga também a uma revisão nos cálculos da idade do Universo, pois, tendo no passado uma velocidade de expansão menor do que hoje, ele precisou provavelmente de mais tempo para atingir o tamanho atual.
De acordo com cientistas, com base na atual taxa de expansão, podemos estimar que as galáxias estivessem muito próximas umas das outras há cerca de 13,7 bilhões de anos. As conseqüências de uma expansão acelerada para o futuro do Universo são curiosas. Por exemplo, se de fato uma constante cosmológica (a energia do vácuo) domina a expansão, o número de objetos dentro do horizonte diminuirá com o tempo. Portanto, galáxias que hoje se encontram dentro do nosso horizonte, e das quais recebemos os fótons (luz) que são detectados com nossos telescópios, não serão mais acessíveis no futuro e deixarão de ser vistas.

Os marcos da teoria do Universo em expansão
1916
Albert Einstein, com sua Teoria da Relatividade Geral, introduz uma constante cosmológica para mostrar que o Universo, apesar dos movimentos no seu interior, é estático no seu conjunto
1917
Partindo da teoria elaborada por Albert Einstein, o astrônomo holandês Willem de Sitter demonstra que a constante cosmológica permite supor um Universo em expansão, mesmo desprovido de qualquer matéria
1922
Desafiando a teoria de Einstein sobre um Universo estático, o matemático russo Alexander Friedmann propõe um modelo dinâmico, segundo o qual o cosmo se expande ao longo do tempo
1927
Considerado um dos pais da teoria do Big Bang, o astrofísico belga Georges-Henri Lemaitre apresenta a teoria de que a expansão do Universo significaria que, em seus primórdios, esse mesmo Universo era muito menor
1929
O astrônomo americano Edwin Hubble descobre que as galáxias estão se afastando da Terra com velocidades proporcionais às suas distâncias. Daí se deduz que o Universo como um todo está se expandindo
1948
A noção de que o Universo deveria sempre se apresentar como o vemos hoje dá origem a um modelo conhecido como Universo Estacionário, proposto pelo astrônomo Fred Hoyle
1948
O físico russo-americano George Gamow propõe que o Universo teria inicado sua expansão de uma forma violenta, a partir de um estado de pressão e calor extremos. A teoria passaria a ser conhecida como Big Bang
1964
Quase acidentalmente, os físicos Arno Penzias e Robert Wilson observam a radiação de origem cósmica, uma radiação com pequeno comprimento de onda. A descoberta dá sustentação à teoria do Big Bang
1989
Entra em órbita o satélite americano Explorador do Fundo Cósmico, conhecido como Cobe, sua sigla em inglês. Ele foi projetado para medir a radiação de fundo livre da influência de nossa atmosfera
O impacto da descoberta
A verificação de que o Universo está em expansão acelerada leva a uma revisão nos cálculos de sua idade. Além disso, o número de objetos dentro do nosso horizonte deverá diminuir com o tempo.