3066 – Cinema – O Advogado do Diabo


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Trata-se de um filme norte-americano de 1997, do gênero drama, dirigido por Taylor Hackford.
Kevin Lomax, advogado de uma pequena cidade da Flórida, que nunca perdeu um caso, é contratado por John Milton, dono da maior firma de advocacia de Nova York. Kevin passa a receber um alto salário e a contar com diversas mordomias, porém sofre a desaprovação de sua mãe, Alice Lomax, uma religiosa fervorosa que compara Nova York à Babilônia.
No início, tudo parece correr bem, mas logo Mary Ann, esposa de Lomax, passa a sentir saudades de sua antiga casa e ter visões demoníacas. No entanto, Kevin, empenhado em defender as causas de seus clientes, entre eles um acusado de triplo homicídio, dá pouca atenção à mulher, enquanto seu misterioso chefe parece sempre saber como contornar cada umas das situações que perturbam o jovem advogado.
Elenco Principal
Al Pacino ….
John Milton Keanu Reeves ….
Kevin Lomax Charlize Theron ….
Mary Ann Judith Ivey ….
Alice Lomax Jeffrey Jones ….
Ed Barzoon
Inicialmente Advogado do Diabo seria estrelado por Brad Pitt, que interpretaria o personagem Kevin Lomax e seria dirigido pelo diretor Joel Schumacher. A cena que Kevin Lomax e John Milton assistem uma luta de boxe em determinada parte do filme não foi montada. Realmente os atores Keanu Reeves e Al Pacino rodaram essa cena durante a realização de uma disputa pelo título mundial de boxe, mais exatamente a luta em que Roy Jones Jr. derrotou Bryant Brannon ocorrida em 4 de outubro de 1996. Apesar de não ter se saído muito bem nas bilheterias americanas, Advogado do Diabo foi um grande sucesso nos cinemas brasileiros, tendo levado mais de um milhão de espectadores aos cinemas. A versão do filme em DVD possui 25 cenas inéditas, comentadas pelo diretor.

3065 – Avanços Científicos do Século 20 – Capítulo 4


Inventado na década de 70, só chegou em meados da década de 90 no Brasil. Era para o discão substituir os vídeos k7, mas a onda não colou e tivemos que aguardar os DVDs.

Medicina
Cooper usava o marcapasso cerebral para tratar o mal de Parkinson, a epilepsia e as hemiplegias, em 1972. Já no ano de 1976, foi descoberta a causa da esclerose múltipla: um vírus ainda não descrito. Um chinês sintetizou o hormônio de crescimento humano.
Na Universidade de Virgínia isolou-se o GRF, substância capaz de induzir a produção natural do hormônio de crescimento. Baseadas em pesquisas de Robert Gallo, foi isolado o vírus que produz a leucemia do tipo células T.
Desenvolvimento Tecnológico – A Philips holandesa criava o vídeo disco a laser ainda em 1972, mas só viria a ser comercializado com sucesso a partir da década de 1980 e somente nos EUA. Os brasileiros tiveram que esperar um pouco mais e pagar mais caro, como sempre.
Últimas do século fechando o Megabloco
Foram descobertos danos na camada de ozônio causados pelo CFC. A Philips e a Sony desenvolveram o CD, abreviatura de Compact Disc, que com o tempo tornaria obsoleto os velhos discos de vinil. Foi lançado o Walkman, a coqueluche dos anos 80. A Mitsubish anunciou ter fabricado um osso artificial feito de cerâmica.
A Nasa lançou a nave recuperável Discovery, com a missão de reaver satélites artificiais. A Cjalleger, uma nave recuperável americana explodiu no 25° vôo do programa, matando os 7 tripulantes. Um cosmonauta russo foi enviado a Estação Mir e bateu o recorde de permanência no espaço = 326 dias. Observada a primeira explosão de uma supernova.
Nos anos 90, se popularizou o uso dos celulares, a Microsoft lançou o sistema operacional para PCs Windows e surgiu a Internet, que causaria uma revolução nas comunicações. Foi desenvolvida uma forma eficaz no tratamento da AIDs e surgiram o Prozac (antidepressivo), Viagra e Xenical.
Já no início do século 21, foi concluído o Projeto Genoma, que consumiu uma montanha de dinheiro, mas sem benefícios práticos até agora.

☻ Nota do Autor
Como dissemos no início do bloco, as invenções e descobertas não se limitam as que citamos, pois realizamos um breve resumo, uma vez que o número total de nomes e inventos é muito grande. Em capítulos seguintes, falaremos com detalhes de avanços atuais e em que linha de pesquisa trabalham os cientistas.

3064 – Cardiologia: Dr Eurícledes de Jesus Zerbini


Em 1968, Eurícledes de Jesus Zerbini (1912-1993), tornou-se o 6º cardiologista do mundo a realizar o transplante de coração. Nos anos 40, nos EUA, aprendeu técnicas de cirurgia quando ninguém operava o músculo vital. Em 1947, montou o primeiro grupo de cardiologistas do hospital das clínicas em SP. Em 1975, inaugurou o instituto do coração.
Ele fez Medicina apenas por sugestão paterna, odiou o início da faculdade, quase desmaiou ao assistir a uma operação. Mas, graças à mania de ser sempre o primeiro aluno da classe, acabou se transformando em um dos pioneiros da cirurgia cardíaca em todo o mundo.
Em um dicionário inglês-português, Zerbini seria a melhor tradução para o termo workaholic (maníaco por trabalho). Graças ao seu esforço concentrado na Medicina, ele foi um dos pioneiros nas cirurgias do coração, em todo o planeta. Pois esse órgão que hoje em dia os médicos mexem e remexem com desenvoltura, para consertar defeitos e desobstruir suas passagens era considerado intocável até o início dos anos 40. Duas décadas mais tarde, Zerbini também foi o primeiro médico na América Latina a fazer um transplante cardíaco.
O magnífico feito do cirurgião chegou a ser explorado como imagem ufanista pelo regime militar. O transplante brasileiro ocorreu no dia 27 maio de 1968. E 1968 foi o ano em que a linha-dura do Exército colocava as mangas de fora. Dois meses antes de Zerbini trocar o coração do peão mato-grossense João Ferreira da Cunha, mais conhecido por João Boiadeiro, um estudante carioca morria assassinado por soldados, marcando o início da pior fase de repressão na história do país. Instalava-se, ainda, a Operação Bandeirantes (Oban), para investigar suspeitas de movimentos políticos. Depois disso, para homenagear a equipe de Zerbini e à revelia deste , o governo publicava um anúncio com o slogan Pulsa o coração do novo Brasil. Ah, eles fizeram isso?, retrucava Zerbini, quando indagado sobre o episódio, sem levantar os olhos, ocupados com alguns papéis.
Naquele tempo, no ano de 1929, já era dificílimo conseguir uma vaga para ser médico. Havia menos candidatos do que hoje em dia, é verdade, mas a Faculdade de Medicina do Estado era a única de todo o São Paulo. Só aceitava cinqüenta pessoas por ano e Zerbini passou em décimo lugar, nos exames de avaliação. Na sua turma existia apenas uma mulher afinal, na época, as médicas eram exemplares raros. No começo do curso, a minha adaptação foi péssima, revelou Zerbini. A matéria que lhe agradava mais ou, melhor, a que lhe desagradava menos era Anatomia. Por isso, o estudante resolveu assistir a uma operação para ver se, finalmente, se entusiasmava pelos estudos. Quem imagina que ele saiu do centro cirúrgico como quem encontrou a sua tão perseguida vocação, se engana. Saí de lá quase desmaiado. Achei tudo aquilo um horror.
No início da carreira, ele se dedicou à cirurgia dos pulmões até porque os médicos só tocavam em um coração quando estavam diante de uma mesa de necrópsia. Era um tabu, que Zerbini teve a oportunidade de quebrar no dia 26 de fevereiro de 1942. O menino Disnei Zanoline, então com 7 anos, brincava na oficina do pai. Bastou um golpe com um martelo e uma lasca de ferro atravessou seu peito, ficando presa no coração. A criança chegou à Santa Casa em estado de coma. E Zerbini, o médico de plantão, não teve outra alternativa, a não ser abrir-lhe o tórax, para tentar estancar a hemorragia. Deu certo.
Até o século passado, o tratamento de cardíacos era baseado em repouso e sangrias. Dessa maneira, 90% dos pacientes morriam. Por isso, alguns cirurgiões europeus passaram a sugerir o uso de intervenções, numa tentativa de aumentar as chances de sobrevivência. Apesar de esse aumento ser evidente, até os anos 40, quando o menino ferido apareceu diante de Zerbini, operar o coração ainda era visto como ousadia ímpar, válida em casos de total desespero.
Só dois anos mais tarde, quando conseguiu uma bolsa para estagiar nos Estados Unidos, Zerbini trocou os pulmões pelo coração. Os americanos criavam as primeiras técnicas da cirurgia cardíaca.Tratava-se da chamada era cega: os médicos não dispunham de equipamentos, como os que surgiriam mais tarde, para enxergar o coração por dentro. Abrir o músculo cardíaco, nem pensar, porque poderia provocar hemorragia fatal. Então, o jeito era literalmente enfiar o dedo no coração.
Em 1967, Shumway estava esperando o paciente ideal para experimentar a cirurgia, desenvolvida por ele, com um ser humano. Ousado, Barnard passou a perna no criador dos transplantes. Segundo Marques, a equipe brasileira poderia ter feito o mesmo em duas oportunidades, no início de 1967. Mas os conselheiros da Santa Casa negaram autorização por cautela. É uma pena, porque o Zerbini merecia ter sido o primeiro.
A morte de Zerbini
Morreu no último dia 23 de outubro de1993, aos 81 anos, o cardiologista paulista Euryclides de Jesus Zerbini, responsável pelo primeiro transplante cardíaco brasileiro, realizado em maio de 1968. Vítima de um tumor generalizado, ele havia sido operado, em fevereiro, para retirar um nódulo do cérebro. Mas logo voltou à rotina de operar quatro vezes por dia. Em sua última entrevista,em junho, Zerbini só reclamou de ter de almoçar em casa, por ordem médica: “Antes, fazia um lanche, sem perder tempo.”

Cardiologia – O coração da vanguarda
A despeito dos atuais problemas de má administração, o instituto do coração foi e é a vanguarda da cardiologia brasileira. Foi o 1º a fazer implante de ventrículo esquerdo e já fez mais de 12 mil transplantes de rins. Mesmo com dificuldades financeiras desenvolve 98 projetos de pesquisa.
___ O prof. Hilton Rocha criou em BH, o maior centro oftalmológico da Am. Latina. O instituto com seu nome realiza 1500 cirurgias oculares por mês e foi um dos primeiros a fazer transplante de córnea. Criou técnica inovadora para aproveitar partes de uma mesma córnea em 2 pacientes. A pesquisa oftalmológica avança para transportar córneas de animais em pessoas

3063 – Física – Plasma, o 4° estado da matéria


Lâmpada de plasma

Difere-se dos sólidos, líquidos e gasosos por ser um gás ionizado, constituídos por átomos ionizados e elétrons em uma distribuição quase-neutra (concentrações de íons positivos e negativos praticamente iguais) que possuem comportamento coletivo. A pequena diferença de cargas torna o plasma eletricamente condutível, fazendo com que ele tenha uma forte resposta a campos eletromagnéticos.
Dentre suas características, a mais importante é a tendência que esse estado tem de permanecer eletricamente neutro, equilibrando sua carga elétrica negativa e positiva em cada porção de volume de matéria. Caso ocorra um desequilíbrio entre as densidades de cargas, estas dão lugar a forças eletrostáticas que, pela alta condutividade elétrica, atuam rapidamente de modo a restaurar o estado inicial de neutralidade.
O Plasma emite luz sempre que entra em contato com alguma excitação elétrica e campos magnéticos. As auroras polares são um exemplo típico deste fenômeno. Também pode ser vista nas descargas atmosféricas da ionosfera.
A área geral do estudo de Plasma, onde as interações dos gases ionizados com campos elétricos são dependentes do tempo, denomina-se dinâmica do plasma
A denominação “o quarto estado fundamental da matéria” foi dada pelo físico inglês William Crookes, que assim o chamou por conter propriedades diferentes do estado sólido, líquido e gasoso.
Esta mudança de estado físico acontece da seguinte forma: ao transferirmos energia em nível atômico (calor, por exemplo) a um corpo de massa sólida, este aumenta sua temperatura até o ponto de fusão, tornando sua massa líquida; se transferirmos ainda mais energia, este atingirá a temperatura de ebulição e sua massa tornar-se-á gasosa, ainda se aumentarmos a energia transferida ao gás a altíssimas temperaturas, obteremos o plasma. Sendo assim, se colocarmos os estados físicos da matéria em ordem crescente, conforme a quantidade de energia que possui, teremos:
Condensado de Bose-Eisntein »sólido» líquidi» gasoso
Como o plasma está em uma temperatura muito alta, a agitação de seus átomos é tão grande que as colisões entre partículas são frequentes, não podendo mais o átomo ser mantido coeso.
O primeiro cientista a iniciar as pesquisas efetivas sobre plasma foi Michael Faraday, em 1830.
Com a descoberta do elétron e o aperfeiçoamento dos tubos de descarga a vácuo, estudos com gases à baixa pressão, conduzidos pelos cientistas Langmuir e Crookes, permitiram a elaboração dos primeiros modelos teóricos para ionização, recombinação, difusão, colisões elétron-íon e a formação de íons negativos.
O termo scooby-doo foi utilizado algum tempo depois (1920), por Irving Langmuir e H. Mott-Smith, para designar gases ionizados. Como plasma se refere à matéria moldável, os cientistas provavelmente se referiram à propriedade que o plasma tem de reagir a campos eletromagnéticos, podendo ter sua trajetória modificada, como se fosse um “fio de luz”. Em 1929, estudos com sondas eletrostáticas, no diagnóstico de plasmas em descargas a baixa pressão, foram precursores dos tubos de descarga com mercúrio gasoso para iluminação – as futuras lâmpadas fluorescentes.
A partir da década de 1930, o plasma foi examinado pela ciência e seus fundamentos teóricos foram edificados. O interesse na obtenção de novas fontes de energia relevou a importância do plasma no processo de fusão nuclear.
Em 1961, surgiu o primeiro conceito bem sucedido de confinamento magnético de plasmas. Pouco tempo depois, a União Soviética construiu a primeira máquina capaz de confinar o plasma e obter energia oriunda de fusão nuclear, batizado de Tokamak. O Tokamak é pesquisado até hoje e acredita-se ser, teoricamente, o melhor candidato à nova fonte de energia desse século.
Em 1970, foram instauradas as primeiras tecnologias de pesquisa em plasmas, como exemplos, as lâmpadas especiais, arcos de plasma para solda e corte, chaves de alta tensão, implantação de íons, propulsão espacial, laser a plasma e reações químicas com plasmas reativos. Deixava de ser apenas teórico e passava a ter utilidade prática.
Em 1994, vem ao público o uso do plasma em terminais de vídeo plano, em Osaka, no Japão. Era a ideia matriz das TVs de plasma.Em 1999, verificou-se que a utilização de filtros a plasma eliminava 90% de gases poluentes de veículos automotores.
Em 2000, ocorreu com sucesso a utilização de propulsores iônicos para propulsão primária com xenônio na aeronave Deep Space 1.
No começo de 2005, o sucesso da venda dos televisores de plasma, em função da altíssima resolução que possuem (HDTV), tornou a tecnologia atrativa e economicamente importante, acarretando em investimentos em pesquisa por parte de grandes empresas, como a Panasonic, Philips, Sony e LG.
Os plasmas são gerados principalmente através de vários processos de ionização. A maioria destes processos é colisional. Dependendo da natureza da colisão, pode ou não ocorrer a ionização do átomo ou molécula neutra.
Para um gás em temperatura alta o suficiente, as colisões térmicas entre os átomos, em função de suas altíssimas energias cinéticas, irão ionizar alguns deles. Um ou mais elétrons que estão normalmente ligados ao átomo, em órbitas ao redor do núcleo, serão “ejetados” do átomo e converterão o gás numa região onde coexistem elétrons livres, íons cátions e átomos neutros, formando o plasma.
A retirada do elétron do átomo ocorre pela absorção de energia, expressa em elétron-volt (eV). Em condições normais, cada elemento químico tem seu próprio número de prótons e elétrons e, conseqüentemente, uma força eletrostática característica, que vai determinar a quantidade de energia requerida para “arrancar” certo elétron do átomo. Freqüentemente, seu valor, denominado de energia de ionização, se refere à energia necessária para arrancar definitivamente um elétron mais externo, que sofre menos atração pelo núcleo, de seu átomo isolado, gasoso e no estado fundamental.
Quando aquecemos um gás ou o atingimos com descargas elétricas, as colisões entre os elétrons e os átomos neutros podem ser elásticas ou inelásticas:
As colisões elásticas ocorrem onde existe uma conservação da quantidade de movimento e da energia do elétron. Nesse processo não ocorre ionização.
Como exemplo, citemos um jogo de bola de gude: quando uma bolinha atinge a outra, ambas se movem. Assim, não houve absorção ou emissão de energia, ou seja, somente a quantidade de movimento foi compartilhada, permanecendo, no conjunto, nula.
Já as colisões inelásticas ocorrem onde toda ou parte da energia cinética do elétron é transferida para o átomo ou molécula neutra sem que este se desloque igualmente para manter a quantidade de movimento. Como resultado, a energia é absorvida pelo átomo ou molécula neutra, ocasionando saltos quânticos dos elétrons nas camadas de energia da eletrosfera. Dependendo da energia transferida pelo choque, o átomo poderá absorver tanta energia que esta terminará por se igualar à da força com que os prótons atraem o elétron; ele então “pulará” para fora do átomo, quebrando o equilíbrio eletrostático. Ocorre, então, ionização: o átomo se converte numa partícula positivamente carregada – o cátion – e os elétrons ficam circulando livremente pelo perímetro.
Como exemplo, podemos citar um tiro numa parede de concreto: quando o projétil a atinge, ela não se desloca; e energia de sua velocidade, natureza mecânica, é transferida (absorvida) para a parede no momento de colisão, ocorrendo a fragmentação.
À ionização do gás, alguns fenômenos estão correlacionados:
Relaxação: ocorre após a estimulação do átomo por meio de uma energia externa, quando o elétron que realizou o salto quântico (para camadas mais energéticas), pelo fato de não possuir energia natural para se manter nesse estado, retorna ao seu lugar de origem. Esse retorno do elétron se dá pela devolução da energia adquirida, emitida na forma de radiação eletromagnética. Isso explica o porquê do plasma emitir luz e radiação;
Dissociação molecular: quebra de moléculas por algum processo colisional de ionização;
Captura eletrônica: processo inverso ao da ionização, pois o íon captura o elétron perdido na ionização. Os elétrons livres do gás, em função da defasagem do equilíbrio de cargas, reocupam, vezes ou outras, as camadas de onde os elétrons foram arrancados, devolvendo energia em forma de fótons, similar ao fenômeno de relaxamento.
Atualmente, no entanto, a ionização também se concretiza por outros métodos, de natureza radiativa. Na fotoionização, a ionização ocorre pela interação entre fótons e os átomos de um gás, ou seja, o átomo absorve energia através de ondas eletromagnéticas, como a radiação ultravioleta ou infravermelha.
A eficiência na fotoionização está relacionada com a secção de choque σ do átomo e também ao comprimento de onda λ da radiação luz incidente (quanto menor o comprimento, maior a energia).
A ionização por ruptura eletrônica reside na ionização induzida por um campo elétrico aplicado que, inicialmente, polariza as cargas do átomo ou molécula e depois as ioniza. É assim que o plasma é gerado na ampola de Crookes.
O desenvolvimento tecnológico envolvendo plasmas tem fundamental importância nas indústrias eletrônica, aeroespacial, metalúrgica, biomédica, e de tratamento de resíduos e detritos. Alguns resultados obtidos na indústria moderna só foram possíveis graças à utilização de técnicas que utilizam plasmas e que foram desenvolvidas, em sua maior parte, nas últimas décadas. Diversas aplicações do plasma têm se tornado cada vez mais importantes por reduzir o tempo e o custo de processos, devido à alta reatividade e à eficácia que promove.
Para diferentes aplicações, exige-se também plasmas de diferentes densidades, temperaturas e íons:
para plasmas densos, quentes e de íons leves, temos a fusão termonuclear controlada (FTC) dos isótopos leves do hidrogênio e hélio.
para plasmas densos, mornos e de íons pesados, propulsão e tochas a plasma
Pelo senso comum, tem-se a idéia de que o plasma é algo difícil de ser produzido (a julgar, principalmente, pelo preço dos televisores) e extremamente raro. A verdade é que 99% do Universo visível conhecido estão em estado de plasma, sendo que o 1% restante é constituído de todos os outros estados de agregação da matéria, dentre eles o sólido, líquido e gasoso.
Como exemplos do plasma, podemos citar:
galáxias e nebulosas que contém gás e poeira cósmica interestelar, em estado eletrificado, ou ionizado;
o vento solar ou fluido ionizado, constantemente ejetado pelo sol;
plasmas gerados e confinados pelos Cinturões de Radiação de Van Allen, nas imediações do planeta Terra;
a ionosfera terrestre, que possibilita as comunicações via rádio;
as auroras Austral e Boreal, que são plasmas naturais e ocorrem nas altas latitudes da Terra, resultantes da luminescência visível resultante da excitação de átomos e moléculas da atmosfera, quando bombardeados por partículas carregadas expelidas do Sol e defletidas pelo campo geomagnético;
as lâmpadas fluorescentes;
as descargas atmosféricas (raios), que não passam de descargas elétricas de alta corrente (dezenas a centenas de quiloamperes) que ocorrem na atmosfera com uma extensão usual de alguns quilômetros.
A propulsão utiliza a aceleração iônica para deslocar veículos espaciais, enquanto que as tochas a plasma utilizam desta aceleração para cortar ou soldar materiais.

3062 – Extinção Humana – Veja quais os 6 candidatos a carrasco


Espécie nenhuma é imortal. Assim como os dinossauros, o mamute, o homem de Neandertal e a preguiça-gigante, o Homo sapiens um dia também vai se extinguir. Saiba como e quando

Animais maiores e mais fortes que o homem já desapareceram do planeta – não há por que acreditar que vá ser diferente conosco.Pode acontecer na semana que vem, se um ditador lunático muito poderoso acordar de mau humor; pode ser daqui a cinco bilhões de anos, quando o Sol explodir. Mas um dia o Homo sapiens, que, bem ou mal, tem se mantido vivo pelos últimos 220 000 anos, encerrará seus felizes dias sobre a Terra.
“A espécie humana tem 30% de chances de desaparecer nos próximos quatro séculos”, afirma o filósofo canadense John Leslie, autor de The End of the World. O principal candidato a nos exterminar? Nós mesmos. “As nossas chances melhoram se nos preocuparmos com o ambiente e proibirmos tecnologias perigosas. Em 1993, Edward Wilson, um dos mais conceituados biólogos do mundo, levantou a hipótese de que toda a inteligência é suicida – seres “espertos” demais tendem a esgotar os recursos rápido e, contraditoriamente, tornam-se alvo fácil da impiedosa seleção natural. Para entender como isso pode acontecer, reuniram-se as opiniões de gente importante do mundo da ciência e elegeu os seis maiores candidatos a carrascos da humanidade.
Asteróides
Nosso fim pode vir do espaço, como aconteceu com muitos bichos antes de nós. Cometas ou asteróides, ao colidir com a Terra, levantariam tanta poeira que cobririam a luz do Sol por anos, matando as plantas primeiro e, depois, os animais que dependem delas – nós inclusive. Um desastre global só aconteceria se fôssemos atingidos por um asteróide de, no mínimo, 1 quilômetro de diâmetro – um décimo daquele que provavelmente matou os dinossauros há 65 milhões de anos. Pancadas desse tipo acontecem, em média, uma vez a cada 100 000 anos.
Segundo um antropólogo da Universidade John Moores, na Inglaterra, a humanidade já enfrentou um impacto desses. Um meteoro teria sido responsável pelo declínio de civilizações no Egito, na Mesopotâmia e na China em 2300 a.C. “Ele causou mudanças climáticas e terremotos que desestruturaram essas civilizações”, diz Peiser. Felizmente, sobrou gente para contar a história e propagar a espécie. Apesar de muitos pesquisadores discordarem da teoria de Peiser, ninguém duvida que astros desgovernados sejam uma séria ameaça ao nosso planeta – e à nossa espécie.
Guerra nuclear
Em 25 janeiro de 1995, os técnicos de uma estação de radares russa receberam o aviso de que um foguete vinha em direção ao país. Pânico. A situação foi levada ao então presidente Boris Ieltsin, que tornou-se o primeiro líder da história a abrir a maleta onde fica o famigerado botão que ordena o lançamento de mísseis nucleares. Os russos tinham apenas oito minutos para decidir se contra-atacavam ou não.
Naquele momento, eu e você estivemos bem perto da morte. Tivesse Ieltsin tomado uma dose de vodca a mais, entrariam em guerra duas potências atômicas que dominam 30 000 das 31 000 bombas nucleares do mundo, um arsenal equivalente a 250 000 bombas de Hiroshima. Mais do que suficiente para tampar a luz solar por meses. Seria nosso fim. “Uma guerra de proporções globais começaria”, diz Stephen Young, diretor da Coalizão para Redução de Perigos Nucleares, em Washington, Estados Unidos.
Felizmente, segundos antes de o russo apertar o botão, alguém notou que o míssil estava muito alto e distante de alvos estratégicos para representar uma ameaça. Ieltsin fechou a maleta. Descobriu-se depois que era apenas o lançamento de um satélite científico americano.
Russos e americanos hoje cooperam em vários programas e já não têm tantas armas apontadas uns para os outros. Mas o risco nuclear continua, talvez maior que antes.
Para piorar, países com governos radicais e rivalidades históricas, como a Índia e o Paquistão, já têm suas bombinhas. Iraque e Coréia do Norte talvez também estejam perto de conseguir as suas. Outro risco é que terroristas consigam tomar posse de uma ogiva nuclear. Escapamos da morte atômica em 1995. Sabe-se lá por quanto tempo.
Colapso ambiental
A década de 90 foi a mais quente da História – passamos de uma média planetária de 13,84ÞC em 1950 para 14,58ÞC em 1998. Embora o fenômeno ainda não seja bem compreendido, tudo indica que o calor é conseqüência do efeito estufa, o abafamento causado pelo acúmulo de gases poluentes na atmosfera. A continuar assim – e nada indica que vá melhorar, existe a possibilidade de literalmente morrermos torrados. Ou inundados.
Espera-se que o aquecimento derreta metade das massas de gelo em montanhas até 2100, o que elevará o nível de rios e inundará muitas regiões. Mas a maior preocupação é que os mantos de gelo da Antártica derretam. Se isso acontecer, o nível do mar se elevaria 60 metros, o que jogaria debaixo d’água todas as cidades litorâneas, onde mora metade da população mundial. A longo prazo, a temperatura poderá aumentar até o ponto de transformar o planeta em uma sauna. “Temo que a atmosfera continue a se aquecer até chegarmos no estado de Vênus, em que o ácido sulfúrico entra espontaneamente em ebulição”, afirmou à imprensa inglesa Stephen Hawking, o físico mais renomado do mundo.
Mas o aquecimento não é o único dano que causamos ao ambiente e que pode nos matar. Os 8,9 bilhões de pessoas que habitarão o planeta em 2050 (hoje há 6 bilhões) enfrentarão problemas que vão muito além das filas no supermercado. “O crescimento populacional aumentará a emissão de poluentes e tornará mais escassas as terras aráveis e a água potável”, afirma Brian Halweil, biólogo do Instituto Worldwatch. A poluição poderá vir dos lugares mais inesperados, até dos telefones. “Os novos sistemas de comunicação utilizarão freqüências cada vez mais altas, que são nocivas ao ser humano”, diz o físico Inácio Malmonge Martin, da Unicamp. “Existe o perigo de um envenenamento global por meio das telecomunicações.”
Doenças
Este ano, o vírus do Nilo, que mata por encefalite, saiu do oeste da África e apareceu em Nova York. O caso é um exemplo de por que epidemias são cada vez mais perigosas. “A facilidade de transporte permite espalhar a doença para qualquer parte do mundo muito rapidamente”, afirma o epidemiologista Stefan Ujvari, do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo. Para piorar, a aglomeração urbana facilita bem o contágio.
Imagine o que aconteceria se fosse um vírus mais letal, como o Ebola, que é transmitido facilmente de pessoa para pessoa (sem a necessidade de um mosquito, como a febre do Nilo) e mata mais da metade das vítimas. Apesar de já ter sido controlado várias vezes, ele ressurge misteriosamente de tempos em tempos. Existe também o risco de que epidemias ainda mais perigosas sejam passadas por animais. “Um novo vírus pode ser transmitido por porcos ou galinhas para o homem”, diz Ujvari. O perigo aumenta se pusermos em prática a idéia de transplantar órgãos de animais para pessoas.
O homem também pode piorar esse cenário se inventar novos vírus com a engenharia genética. “O desenvolvimento de armas biológicas é a principal ameaça para a humanidade nos próximos séculos”, afirma o filósofo Leslie. Os humanos não teriam defesas imunológicas para um ser artificial, que, por isso, seria mais perigoso do que qualquer microorganismo existente.
Tecnologias
É possível que muitos riscos para a humanidade sejam resolvidos pelas novas tecnologias. A engenharia genética combaterá a fome no mundo, a robótica gerará autômatos que desempenharão as atividades humanas com eficiência e a nanotecnologia fará máquinas minúsculas para manipular átomos um por um. Esses pequenos aparelhos serão colocados dentro do corpo para curar as doenças, ou subirão até a estratosfera para consertar a camada de ozônio.
Mas as mesmas tecnologias podem ser nossa perdição. “Robôs, organismos geneticamente modificados e nanorrobôs possuem um fator perigoso: podem se reproduzir”, afirmou Bill Joy, o brilhante cientista-chefe da Sun Microssystems, em um artigo assustador publicado na revista Wired. Uma vez na natureza, as “superplantas” competirão com outras espécies e poderão levá-las à extinção, o que causaria um imenso desequilíbrio no ecossistema. Nanomáquinas podem destruir o mundo, átomo por átomo. Robôs podem evoluir e dominar os humanos. Pura ficção científica? Nem tanto. Em agosto deste ano, cientistas da Universidade de Brandeis, em Massachusetts, Estados Unidos, conseguiram que um robô construísse outro, tendo informado a ele só algumas leis da Física e os materiais com que poderia trabalhar.
Sabe Deus
Há dois séculos, ninguém tinha dúvidas: o mundo acabaria quando Deus quisesse. Essa visão mística anda meio por baixo nestes tempos cientificistas. Um grupo californiano, porém, não só continua acreditando nela, como tenta acelerar a vontade divina. Ele planeja extrair de relíquias espalhadas pelo mundo o DNA de Jesus Cristo e cloná-lo. Isso provocaria o Juízo Final – afinal, seria a volta de Cristo. Uma espécie de apocalipse turbinado pela biotecnologia. Melhor não duvidar.

3061 – Paleontologia:Dinossauro chocava ovos como galinha


A fêmea do oviraptor, um dinossauro carnívoro, se comportava de modo idêntico a uma galinha no momento da reprodução. Essa foi a conclusão da equipe de paleontologistas do Museu Americano de História Natural e da Academia de Ciências da Mongólia ao estudar um fóssil de oviraptor aninhado sobre seus ovos no Deserto de Gobi. No “ninho”, os ossos das pernas e dos braços do animal estão dispostos numa posição protetora sobre os ovos. “Isto revela que a atitude de aninhar se originou muito antes do surgimento das espécies modernas de aves”, afirmou Norell, chefe da pesquisa.
Os dinossauros da espécie oviraptor não comiam ovos de outra espécie, apenas cuidava. Foi descoberto o Australopitecus Ramidus, que passou a ser o mais antigo ancestral do homem.
Um pesquisador canadense tem uma teoria simples para o fim da vida na Terra há 245 milhões de anos: a fome.
Uma americana está defendendo a idéia de que animais como mamutes e mastodontes foram extintos da face da Terra por causa de vírus humano. Foram encontradas pegadas fossilizadas no oeste da Austrália, desmentindo a teoria de que plantas assentaram as raízes em terra muito antes que qualquer animal.

3060 – Astronomia – Misteriosos Anéis


Raio do Universo

A supernova 1987A foi a explosão estelar de grandes proporções mais próxima a Terra nos últimos 400 anos. Aconteceu a 169 mil anos-luz, em fevereiro de 1987. Uma foto revelou que os restos da explosão não formaram apenas um anel como o esperado, formaram 3. Estão iluminados, provavelmente, por uma outra estrela, pequena e super compacta, vizinha a primeira.
Há 5 milhões de anos o Sistema Solar pode ter sido abalado pela detonação de uma supernova, a forma mais violenta de explosão estelar. Segundo o astrofísico Wolfgang Hillebrandt, do Instituto Max Planck, na Alemanha, o desastre ocorreu a 850 trilhões de quilômetros daqui. Assim, os primeiros hominídeos devem ter visto no céu uma estrela vinte vezes maior que a Lua. O estouro foi tão forte que jogou até alguns resíduos sobre a Terra. Os cientistas concluíram isso depois de descobrir no fundo dos mares amostras de ferro radioativo, um subproduto comum dessas detonações. Hillebrandt disse à revista americana Science que “é a primeira vez que se acham sinais de uma supernova tão perto de nós”.

Como nasceu o sistema solar?

Clic e amplie

O sol e os planetas nasceram ao mesmo tempo. Todos vieram de uma nuvem de gás e poeira perdida no espaço. Mas nem você nem nada estaria aqui agora se não fosse uma baita explosão nuclear.

A massa do universo

3059 – Geofísica – Energia Geotérmica


Clic e amplie

Apesar do Sol ser a mais importante fonte de energia para a superfície da Terra, sabe-se que seu calor penetra em apenas uma pequena distância nas rochas e solos. A litosfera tem espessura de 10 a 50 km e constitui-se principalmente rochas claras como granitos. Em seguida temos o manto com 2900 km de espessura, apresentando sua camada externa sólida enquanto a interna supõe-se estar em estado plástico. Finalmente no centro acha-se o núcleo, onde é gerado elevado calor que forma correntes de convenção no manto plástico, reponsáveis pelo movimento da crosta. O calor do núcleo seria o existente em todo o planeta quando ele se formou. Mas por volta de 1900, considerou-se que parte dele resultaria da desintegração de átomos instáveis existentes no interior do planeta. Mas tudo são hipóteses. Os estudos a respeito do calor interno do planeta ainda são campo aberto de especulações. Desde a década de 1970 vem sendo realizado na Rússia um vasto programa científico e tecnológico destinado a explorar as camadas profundas do planeta com a ajuda de perfurações. O 1° já ultrapassou a profundidade de 12 km. As Filipinas estão executando um programa destinado a aumentar em 30% sua produção de energia geotérmica. Nos EUA, a média diária de uso dessa energia em 1988 foi de 50 trilhões de joules, o que corresponde a um aumento de 58% sobre o total, usado em 1980.
Devido a necessidade de se obter energia elétrica de uma maneira mais limpa e em quantidades cada vez maiores, foi desenvolvido um modo de aproveitar esse calor para a geração de eletricidade. Hoje a grande parte da energia elétrica provém da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral, porém, esses métodos são muito poluentes.
Para que possamos entender como é aproveitada a energia do calor da Terra devemos primeiramente entender como nosso planeta é constituído. A Terra é formada por grandes placas, que nos mantém isolados do seu interior, no qual encontramos o magma, que consiste basicamente em rochas derretidas. Com o aumento da profundidade a temperatura dessas rochas aumenta cada vez mais, no entanto, há zonas de intrusões magmáticas, onde a temperatura é muito maior. Essas são as zonas onde há elevado potencial geotérmico.
A primeira tentativa de gerar eletricidade de fontes geotérmicas se deu em 1904 em Larderello na região da Toscana, na Itália. Contudo, esforços para produzir uma máquina para aproveitar tais fontes foram mal sucedidos pois as máquinas utilizadas sofreram destruição devido a presença de substâncias químicas contidas no vapor. Já em 1913, uma estação de 250 kW foi produzida com sucesso e por volta da Segunda Guerra Mundial 100 MW estavam sendo produzidos, mas a usina foi destruída na Guerra.
Por volta de 1970, um campo de gêiseres na Califórnia estava produzindo 500 MW de eletricidade. A exploração desse campo foi dramática, pois em 1960 somente 12 MW eram produzidos e em 1963 somente 25 MW. México, Japão, Filipinas, Quénia e Islândia também têm expandido a produção de eletricidade por meio geotérmico.
Na Nova Zelândia o campo de gases de Wairakei, na Ilha do Norte, foi desenvolvido por volta de 1950. Em 1964, 192 MW estavam sendo produzidos, mas hoje em dia este campo está acabando.
Portugal conta com uma moderna central geotérmica em funcionamento na Ilha de São Miguel, Açores. Esta central foi construída pela multinacional israelita Ormat. Isto para além outra mais antiga, e está a ser acabada uma nova na Ilha Terceira, Açores .
Quando não existem gêiseres, e as condições são favoráveis, é possível “estimular” o aquecimento d’água usando o calor do interior da Terra. Um experimento realizado em Los Alamos, Califórnia , provou a possibilidade de execução deste tipo de usina. Em terreno propício, foram perfurados dois poços vizinhos, distantes 35 metros lateralmente e 360 metros verticalmente, de modo que eles alcancem uma camada de rocha quente. Em um dos poços é injetada água, ela se aquece na rocha e é expelida pelo outro poço e quando esta função acontece a água predominante na pedra penetra na mesma ocorrendo o processo de metabolização geotermica.
Esta é a melhor maneira de obter energia naturalmente. É necessário perfurar um poço que já contenha água e a partir daí a energia é gerada normalmente.
Vapor seco
Em casos raríssimos pode ser encontrado o que os cientistas chamam de fonte de “vapor seco”, em que a pressão é alta o suficiente para movimentar as turbinas da usina com excepcional força, sendo assim uma fonte eficiente na geração de eletricidade. São encontradas fontes de vapor seco em Larderello, na Itália e em Cerro Prieto, no México.
Prós e Contras
Aproximadamente todos os fluxos de água geotérmicos contém gases dissolvidos, sendo que estes gases são enviados a usina de geração de energia junto com o vapor de água. De um jeito ou de outro estes gases acabam indo para a atmosfera. A descarga de vapor de água e CO2 não são de séria significância na escala apropriada das usinas geotérmicas.
Por outro lado, o odor desagradável, a natureza corrosiva, e as propriedades nocivas do ácido sulfídrico (H2S) são causas que preocupam. Nos casos onde a concentração de ácido sulfídrico (H2S) é relativamente baixa, o cheiro do gás causa náuseas. Em concentrações mais altas pode causar sérios problemas de saúde e até a morte por asfixia.
É igualmente importante que haja tratamento adequado a água vinda do interior da Terra, que invariavelmente contém minérios prejudiciais a saúde. Não deve ocorrer simplesmente seu despejo em rios locais, para que isso não prejudique a fauna local.
Quando uma grande quantidade de fluido aquoso é retirada da Terra, sempre há a chance de ocorrer subsidência na superfície. O mais drástico exemplo de um problema desse tipo numa usina geotérmica está em Wairakei, Nova Zelândia O nível do superfície afundou 14 metros entre 1950 e 1997 e está deformando a uma taxa de 0,22 metro por ano, após alcançar uma taxa de 0,48 metros por ano em meados dos anos 70. Acredita-se que o problema pode ser atenuado com re-injeção de água no local.
Há ainda o inconveniente da poluição sonora que afligiria toda a população vizinha ao local de instalação da usina, pois, para a perfuração do poço, é necessário o uso de maquinário semelhante ao usado na perfuração de poços de petróleo.

Usina geotérmica na Islândia

3058 – Prêmio Ig Nobel: a ciência ri da ciência


Temido por muitos pesquisadores do mundo inteiro, o IgNobel é o Prêmio Nobel às avessas. Seus ganhadores são pessoas ou institutos que gastaram tempo e dinheiro produzindo trabalhos inúteis, engraçados ou definitivamente absurdos.
Há cientistas que fazem coisas geniais. Mas, como todos os seres humanos, eles às vezes cometem besteiras. E que besteiras. Robert A. Lopez, um veterinário de Westport, Nova York, por exemplo, coletou amostras do parasita Otodectes cynotis, comum em gatos, e, para ver o que acontecia, as colocou no próprio ouvido, um método discutível cientificamente e com certeza perigoso. Ainda pior fez a Agência Meteorológica Japonesa, que passou sete anos estudando a influência do movimento da cauda dos peixes sobre os terremotos.
Desde 1991, os autores de asneiras desse tamanho passaram a ser homenageados com o IgNobel, cujo nome é formado com um trocadilho das palavras ignóbil e Nobel, referência ao famoso prêmio oferecido pela Real Academia da Suécia.Ganhar o IgNobel se transformou num temor permanente para muitos estudiosos. O antiprêmio foi criado por iniciativa do jornalista Marc Abrahams e de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusets (MIT), nos Estados Unidos. Abrahams é editor do Anais da Pesquisa Improvável e ex-editor do Jornal dos Resultados Irreproduzíveis.
O físico Edward Teller também ganhou o IgNobel o da Paz porque criou a bomba de hidrogênio americana, um instrumento de guerra. Foi uma brincadeira dos organizadores do evento. Vê-se, então, que nem tudo é besteira, no sentido puro e simples da palavra. Costumam participar da cerimônia de premiação alguns cientistas que ganharam o outro prêmio, muito mais cobiçado (o Nobel), dos quais o próprio MIT, aliás, tem uma galeria respeitável. Ela acontece sempre no mês de outubro, na mesma época do ano em que são divulgados os vencedores do Nobel.
E o IgNobel vai para…
A seguir, alguns dos ilustres ganhadores. Gênios incontestáveis, para o bem, para o mal, ou simplesmente para o mais completo ridículo.
1991
Biologia
Robert Graham, porque inventou um banco de sêmen que aceitava doações de esperma de ganhadores do outro prêmio, o Nobel (o de verdade). A idéia até parece boa, mas soa como um segregacionismo aos modos de Hitler. Além disso, o fato de ter sido gerado com o sêmen de um gênio não significa que uma criança receba como herança essa virtude.
Paz
O físico Edward Teller, por ter criado a bomba de hidrogênio americana. Teller também é o mentor do programa Guerra nas Estrelas de defesa espacial contra mísseis balísticos.
Economia
Michael Milken, operador da Bolsa de Valores de Nova York, que criou ações fantasmas e faturou milhões de dólares até ser descoberto. Por isso, foi condenado a 20 anos de cadeia e não pôde ir receber o prêmio.
1992
Medicina
Uma equipe japonesa do Centro de Pesquisa Shisedo, de Yokohama, pelas valiosas pesquisas sobre as causas do chulé. De fato a pesquisa, em si, é séria. O engraçado foi a conclusão do trabalho, que parece não concluir nada: Quem acha que tem chulé, sempre tem, e quem acha que não, não tem mesmo.
Arqueologia
Um grupo de escoteiros, o Éclaireurs de France, que apagou importantes pinturas pré-históricas em uma caverna achando que eram pichações, quando realizavam uma cruzada pela limpeza.
Literatura
Yuri Struchkov, por ter participado como co-autor de 948 artigos ciêntíficos, de 1981 a 1990, o que dá uma boa média de produção intelectual: um artigo a cada 3,7 dias. Mas Struchkov é um simples operador de um equipamento e acabou ganhando os créditos, como co-autor, até em algumas pesquisas das quais não entende patavina.
Biologia
O médico americano Cecil Jacobson, pelo seu método de controle de qualidade do sêmen na inseminação artificial. Ele só inseminava mulheres com o próprio sêmen.
1993
Medicina
Os médicos James Nolan, Thomas Stilwell e John Sands Jr. Eles fizeram trabalhos, publicados em duas revistas de medicina sérias, explicando a seus colegas de profissão como se deve proceder nos casos em que um pênis fica preso em um zíper.
Química
James e Gaines Campbell, que inventaram o odioso método de se colocar perfume nas páginas de revistas.
Literatura
São 972 ganhadores, que fazem parte de uma equipe que fez uma pesquisa médica internacional, em 15 países. O resultado saiu em uma das mais prestigiosas revistas médicas do planeta, a The New England Journal of Medicine, assinado pelos 972 co-autores.
1994
Física
Agência Meteorológica Japonesa, por um estudo de sete anos sobre possíveis terremotos causados pelo movimento de peixes rebolando suas caudas.
Economia
Juan Pablo Davila, corretor e ex-empregado da Codelco, uma empresa do governo do Chile. Ele instruiu seu computador para comprar quando queria vender, provocando um enorme prejuízo à estatal. Em seguida, fez negócios desastrados tentando recuperar o prejuízo que causou.
Entomologia
Robert A. Lopez, veterinário de Westport, Nova York, que coletou parasitas Otodectes cynotis, comum em gatos, e os colocou no próprio ouvido, para ver o que acontecia.
Medicina
Richard C. Dart, do Centro de Veneno de Rocky Mountain, Richard A. Gustafson, da Universidade de Arizona, e o paciente, um ex-fuzileiro naval cujo nome foi omitido. Os médicos levaram o prêmio pelo seu artigo Fracasso do Tratamento com Choque Elétrico para Envenenamento por Cascavel, e o paciente, por ter sido picado por sua cobra de estimação e pedido para ser tratado com choques no lábio.
Paz
John Hagelin, da Universidade Maharishi e do Instituto de Ciência, Tecnologia e Política Pública, de Washington, DC, pela sua conclusão de que uma meditação feita por 4 000 pessoas na capital dos Estados Unidos baixou em 18% o crime violento na cidade.
Matemática
A Igreja Batista Sulista de Alabama, pela sua contagem precisa, em cada um dos municípios do Alabama, de quantos cidadãos poderão ir para o inferno caso não se arrependam de seus pecados.
Biologia
W. Brian Sweeney, Brian Kratte-Jacobs, Jeffrey W. Britton e Wayne Hansen, pelo revolucionário estudo O soldado com prisão de ventre: Prevalência entre tropas dos EUA, publicado em Military Medicine.
Psicologia
Lee Kuan Yew, ex-primeiro-ministro de Cingapura, por punir seus cidadãos toda vez que eles cospem, mascam chiclete ou alimentam pombos.
Literatura
L. Ron Hubbard, pela sua ficção científica, por ter fundado a Cientologia e escrito o livro Dianética, altamente lucrativo para a humanidade (ou uma parte dela).
Química
Bob Glasgow, senador estadual texano, por promover uma lei de 1989 para controlar drogas que tornou ilegal comprar tubos de ensaio e outros frascos de vidro para laboratório sem a devida licença.

3057 – Biodiversidade – Ilha de Alcatrazes


Ilha de Alcatrazes

Para quem olha do litoral, Alcatrazes é apenas uma manchinha escura no horizonte, a 33 quilômetros da costa de São Paulo. Difícil acreditar que já foi possível chegar lá a pé, antes que acabasse a última glaciação, uns 8 500 anos atrás. Hoje, as doze ilhas, ilhotas e lajes se mantêm praticamente intocadas. O gelo derreteu, a água do mar subiu e o isolamento transformou o arquipélago num lugar inóspito para o homem.
Mas não foi só isso. Ao mudar o ecossistema da região, a natureza começou a fazer experiências, criando cobras com um veneno diferente, pererecas que só existem por lá e até um novo tipo de orquídea. Isolado, Alcatrazes também ficou atraente para aves e peixes. É visitado por golfinhos, hospeda centenas de espécies aquáticas e tem o maior ninhal de fragatas do país.
A ilha é um paraíso para aves marinhas
A maior ilha do arquipélago, que leva o mesmo nome, com 1,94 quilômetro quadrado, é literalmente dos alcatrazes, palavra que vem do árabe: algatttãz (mergulhador). Conhecidas também como fragatas, as aves dominam o lugar: são mais de 15 000. Elas só não mergulham. Quem entra na água mesmo é o atobá, corretamente apelidado de mergulhão. A fascinante relação de amor e ódio entre as duas espécies (veja o infográfico ao lado) é uma das curiosidades pesquisadas pelos biólogos do Projeto Alcatrazes, organização não-governamental sediada em São Paulo que deseja transformar o lugar em parque ecológico.
A jararaca que se arrasta em Alcatrazes é diferente das outras. Tem metade do tamanho de sua prima do continente mas, segundo o Instituto Butantan, em São Paulo, guarda um veneno dez vezes mais eficiente para coagular o sangue e duas vezes mais para quebrar proteínas. Isso modifica o efeito do soro antiofídico produzido no instituto. Embora menos letal, para uma picada da cobra alcatrazense é necessária uma dose dupla do antídoto fabricado para combater o ataque da sua parente continental.
Essa transformação aconteceu pela necessidade de adaptação da jararaca às mudanças ambientais do arquipélago ao longo do tempo. Há cerca de 16 000 anos, no auge da última glaciação, havia três vezes mais gelo sobre a Terra. O nível do mar chegou a ser 130 metros mais baixo do que é hoje e todas as ilhas do sudeste brasileiro faziam parte do continente. Durante milênios, o arquipélago foi habitado pelas mesmas espécies animais e vegetais da Mata Atlântica. Depois do degelo, a distância fez com que a fauna e a flora perdessem o contato com as espécies do litoral, com exceção das aves e plantas cujas sementes podiam ser carregadas pelo vento.
Antes, quando ilha e continente eram uma coisa só, a Serra do Mar barrava as nuvens e provocava chuvas. Agora chove muito pouco porque os morros não são altos o suficiente para barrar partículas de água ou ter neblina. Com isso, os mamíferos se extinguiram, com exceção do morcego. Por falta de roedores, a jararaca teve de se contentar em comer lacraias. Seu tamanho diminuiu justamente por não precisar mais caçar animais maiores. Para os biólogos, também foi a nova dieta que alterou o teor de seu veneno – só não se sabe, ainda, como isso aconteceu.
Temporada de turistas
Mais de sessenta espécies de pássaros visitam Alcatrazes todo ano
O albatroz-viageiro, habitante das ilhas subantárticas que chega a ter a maior envergadura de asa entre todas as aves (3,5 metros), voa para o norte no inverno e faz uma conexão, às vezes longa, no arquipélago. Mas há pássaros bem brasileiros (fotos), vindos do continente, que descem a Serra do Mar em busca de alimento. O biólogo Fábio Olmos, do Instituto Florestal de São Paulo, diz que alguns preferem se afastar da costa para evitar os concorrentes nas épocas de migração.
Bibelôs da casa
Algumas espécies que só foram observadas na ilha são a diminuta Scinax alcatraz, ou perereca-de-alcatrazes (em cima), que mede pouco mais de três centímetros, e as três centopéias que medem entre três e cinco centímetros: Eurydesmus alcatrazensis (embaixo), Cladostreptus thalattophilus e Pseudonannolene halophila. A mudança genética destes animais ainda é um mistério para os biólogos.
Pequena e perigosa
Desde a extinção dos roedores, a jararaca da ilha (que ainda não recebeu nome científico porque está sendo classificada) só come lacraias. Esse tipo de alimentação fez com que ela crescesse menos do que as jararacas do continente e mudou a qualidade de seu veneno. Para uma picada desta cobra são necessárias duas doses do antídoto produzido pelo Instituto Butantan.
Um tipinho à toa
O teiú, que em tupi significa “comida de gentalha”, mas está catalogado cientificamante como Tupinambis teguixin (foto), é um lagarto que vive em buracos nas rochas e pode medir até 2 metros de comprimento. Ele é comum em todo o Brasil. Mas em Alcatrazes ele é mais comum ainda. É o típico exemplo de espécie animal pouco exigente que resistiu às mudanças ambientais e, sem predadores ou concorrência, se expandiu.
Área de tiro ao alvo
Ambientalistas querem suspender o treinamento praticado pela Marinha
Desde 1982 o arquipélago dos Alcatrazes é local oficial de treinamento de tiro e desembarque da Marinha brasileira. Foi essa força que construiu uma casa, um ponto de observação e um heliporto no Morro da Boa Vista (veja o mapa na página anterior). Logo abaixo, o paredão de rocha conhecido como Saco do Funil tem vários alvos pintados. Para realizar o treinamento cerca de dez vezes por ano, disparando entre 3 000 e 4 000 tiros no total, os navios costumam ancorar de 7 a 15 quilômetros de distância da ilha. Mas nem sempre foi assim. Em 1992 e 1993 a Marinha ficou impedida de atirar no paredão, que abriga ninhos de atobás. Por iniciativa do Projeto Alcatrazes, a ONG que desde 1989 quer proteger a fauna e a flora da região, uma liminar suspendeu os exercícios militares. Mas a Marinha derrubou a liminar e voltou a fazer o treinamento. Ela argumenta que o tiroteio não afeta as aves nem a vegetação porque as balas são cheias de areia, evitando que se estilhassem e que provoquem incêndios. Os ambientalistas dizem que já foram encontradas balas em locais afastados dos alvos, algumas até encravadas nas pedras. As duas partes só concordam em um ponto. Tenha o destino que tiver, acham que Alcatrazes precisa ser preservada a todo custo do turismo indiscriminado.

3056 – Biologia – Cogumelo Gigante Superou Dinossauro


Foi encontrado nos bosques do estado americano de Michigan aquele que pode ser o maior e mais antigo ser vivo da Terra. O organismo em questão é um gigantesco fungo, formado por uma série incontável de cogumelços silvestres que, supostamente são tentáculos de uma única matriz, nascida entre 1500 e 10 mil anos atrás e que hoje cobre uma área de mais de 12 hectares. Apesar de a aparência sugerir uma colônia de diferentes e minúsculos indivíduos, os estudos demonstraram tratar-se, na verdade, de um mesmo fungo, o armilaria bulbosa, geneticamente uniforme de uma ponta a outra da área em que se encontra. Esse gigante que se alimenta de madeira morta e detritos, supera os dinossauros e outros animais tidos como os maiores seres vivos do passado, não só em tamanho como em longevidade.

3055 – Mundo: A globalização do medo


Os Estados Unidos e todas as potências da Europa uniram-se numa “guerra santa” contra esse inimigo. Desde o fatídico 11 de setembro, o então presidente George W. Bush vinha produzido discursos em que a velha retórica belicista americana aproxima-se do tom pouco amigável dos xerifes do Velho Oeste retratados por Hollywood. Num pronunciamento na TV, Bush declarou queria capturar Osama bin Laden “vivo ou morto”.
Os atentados contra os Estados Unidos comprovaram um fato que vem sendo observado pelos analistas políticos: as próximas guerras não se darão somente entre Estados-Nações, mas entre países e grupos terroristas. A tragédia americana demonstra que a guerra tradicional pode ter acabado. O novo fronte é formado por uma série de conflitos internos provocados por grupos políticos bem armados e, em muitos casos, contando com o respaldo de alguns Estados organizados.

O principal combustível das guerras do passado era a animosidade entre nações e blocos econômicos. Hoje, o que insufla novos e sangrentos conflitos é o descontentamento com políticas externas e posturas econômicas hegemônicas. Antecipada em livros como Os Demônios, do escritor russo Fiódor Dostoiévski (que mostra o nascimento do terrorismo entre os opositores do czar na Rússia do século XIX), e O Agente Secreto, do polonês naturalizado britânico Joseph Conrad (no qual um grupo de anarquistas ingleses tenta explodir uma bomba em Londres), a guerra terrorista é sempre motivada pela paranóia, seja ela política ou religiosa. É o temor de ver determinado território ocupado, é a desconfiança em relação àqueles que não partilham dos mesmos credos religiosos. É a guerra do fanatismo, da intolerância e da insatisfação.

Grande parte dos exércitos ainda não está preparada para essa nova forma de guerrear. Antigas estratégias, desenhadas quando a perspectiva de combate era observada atentamente no mapa-múndi e não nos mapas de grandes centros urbanos como Nova York, Paris ou Londres, envelheceram muito nas últimas semanas. O terrorismo é um inimigo sem país determinado e muitas vezes com “posições” dentro do território do oponente. As nações dispostas a enfrentá-lo devem aprender a lidar com táticas de guerrilha e a estabelecer limites de segurança mais rigorosos em locais tumultuados como aeroportos, estações de metrô e avenidas comerciais.

“A batalha contra o terrorismo terá que ser global, envolvendo cooperação não apenas de Estados, mas de organizações sociais e religiosas. Será uma aliança global”, afirma o jurista americano Christopher Kutz, professor de jurisprudência e política social na Universidade de Berkeley, no Estado americano da Califórnia, uma instituição de ensino historicamente ligada à esquerda e aos movimentos sociais. Mas essa “aliança global” não poderá provocar uma paranóia igualmente mundial, em que os direitos individuais serão podados em nome da paz? Kutz enxerga esse risco, mas prefere acreditar na sobrevivência de valores como a liberdade e a privacidade. Ele teme por algumas conseqüências da desconfiança generalizada em relação a qualquer indivíduo que pareça islâmico.

3054 – Existe terrorismo bom?


Nelson Mandela

Violência contra civis é uma tática horrível. Mas será que, no fundo, você não simpatiza com ela?

Rolihlahla criou uma milícia em seu país, apesar da oposição dos companheiros, que condenavam a violência. Ele vestiu-se com trajes militares, escondeu-se com seus homens na mata e distribuiu armas. Seu grupo começou a explodir bombas, sabotar fábricas, atirar em guardas desprevenidos e espalhar o pavor entre a população civil. Rolihlahla incitava a violência contra membros da elite e muita gente acabou sendo assassinada na onda de atentados que se seguiu. Até que prenderam Rolihlahla.
Sujeito horrível esse Rolihlahla, não é? Terrorista da pior espécie, não há dúvida. Por sorte, ele foi condenado à prisão perpétua. Aliás, talvez você já tenha ouvido falar dele. Ele é mais conhecido pelo nome inglês que adotou depois do batismo cristão: Nelson. Nelson Mandela. Depois de mais de um quarto de século cumprindo pena, Mandela foi solto em 1990, elegeu-se presidente em 1991 e hoje, já aposentado, é talvez a personalidade política mais admirada do planeta. Aposto que você gosta dele.
Em 1993, Mandela pendurou no pescoço a medalha dourada do Prêmio Nobel da Paz. Mas espera aí, um Nobel da Paz para um terrorista? Pode? Claro que pode. Mandela não foi nem o primeiro nem o único terrorista agraciado com o prêmio mais importante do mundo. Também há diplomas da Fundação Nobel nas salas de estar de Menachem Begin e de Yasser Arafat.
Begin e Arafat têm trajetórias bastante parecidas – ambos dedicaram a juventude à luta pela criação de um Estado para o seu povo. Ambos explodiram bombas, mataram uma porção de civis e espalharam pânico. Ambos conseguiram chamar a atenção da comunidade internacional para suas causas graças à violência e acabaram escolhidos líderes de seus povos depois de abandonarem o terrorismo.
Por fim, ambos foram agraciados com o Nobel da Paz por conseguirem uma trégua no conflito que ajudaram a começar. Mas Begin e Arafat têm uma diferença significativa: estão em lados opostos. (Begin liderava o Irgun, grupo terrorista judaico dos anos 40 que pretendia expulsar os ingleses da Palestina e criar o Estado de Israel. Acabou se tornando primeiro-ministro do país e ganhou o Nobel de 1978, pelo acordo de paz com o Egito. Arafat criou a Al Fatah, a primeira das organizações islâmicas a explodir bombas na Israel de Begin. Terminou como chefe da Autoridade Palestina e ganhou o Nobel de 1994, pela paz – breve – obtida com Israel.)
Begin, Arafat e Mandela não demonstram nenhum arrependimento pelos atos violentos cometidos no passado. Os três garantem que foram forçados a chegar a esses extremos por uma boa causa. Muito bem. Poucas causas são tão “justas” quanto a defesa da natureza. Ninguém que não seja muito inconseqüente ou politicamente incorreto é a favor da extinção de animais, por exemplo. Isso quer dizer que todo tipo de atentado pode ser cometido em nome dessa causa?
A ONG Sea Shepherd, por exemplo, costuma arremessar sua traineira contra baleeiros em alto-mar. Já afundou oito deles e não pretende parar. Sua tática é terrorista – espalha pânico entre os caçadores de baleias para fazê-los desistir da atividade. A Sea Shepherd nunca machucou ninguém durante os ataques, mas Paul Watson, seu fundador, em entrevista publicada em novembro de 2000, disse com todas as letras que não hesitaria em matar alguém se fosse absolutamente necessário para salvar uma baleia. “A sobrevivência da espécie é anterior aos direitos do indivíduo”, afirmou.
A Frente de Libertação da Terra (ELF) e a Frente de Libertação dos Animais (ALF) são ainda mais radicais. Ambas adotam expedientes como incendiar casas em bairros onde haja vida silvestre ou depredar lojas do McDonald’s porque defendem a idéia de que todos devemos ser vegetarianos. Este ano, militantes da ALF espancaram o diretor de um laboratório científico que fazia testes com animais. O incêndio de lojas do McDonald’s virou moda e foi adotado por ativistas antiglobalização, como o francês José Bové, aquele que, em janeiro, comandou, no Brasil, destruição de uma lavoura da Monsanto sob a alegação de que eram plantas transgênicas. Outra “causa justa”.
“Sou totalmente a favor das causas ecológicas”, afirma o sociólogo Gabriel Cohn, da Universidade de São Paulo. “Mas seja qual for a causa, ela não será vencida com violência. Se o McDonald’s tem um valor simbólico para os manifestantes ecológicos ou antiglobalização, é justo que alguém faça um protesto simbólico, com faixas ou pixações, por exemplo. No momento em que se fazem ataques reais, ameaçando vidas humanas, os manifestantes se colocam no mesmo nível dos celerados que derrubaram o World Trade Center”.

3053 -Morre o Homem mais procurado do Planeta: Osama Bin Laden


Osama, foto com data desconhecida

Folha de São Paulo

O líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, está morto e seu corpo está em posse das autoridades norte-americanas, confirmou neste domingo, em pronunciamento, o presidente Barack Obama. Antes da fala, a rede de TV CNN já havia noticiado a morte e antecipado que Obama falaria em rede nacional.
“A justiça foi feita”, afirmou Obama ao anunciar oficialmente que os Estados Unidos mataram Bin Laden.
De acordo com ele, a morte decorreu de uma ação de inteligência do Exército dos EUA em parceria com o Paquistão, que localizou o terrorista na última semana. Neste domingo, segundo o presidente, foi dada a ordem para que uma equipe americana capturasse o líder terrorista. “Esse é um dia histórico para as duas nações”, disse Obama.
Assim, Bin Laden foi morto neste domingo em uma mansão nos arredores de Islamabad, após ação de um pequeno grupo de soldados americanos. Obama afirmou que nenhum foi ferido na operação.
Após relembrar a dor dos ataques de 11 de Setembro de 2001, Obama disse que capturar o terrorista era uma das prioridades de seu governo. “Nós podemos dizer para todas as famílias que perderam entes queridos que a Justiça foi feita.”
Centenas de pessoas estão concentradas na frente da Casa Branca, em Washington, para comemorar com gritos de alegria e mensagens patrióticas a morte. Seguram bandeiras, cantam o hino nacional e bradam “USA”.
O obscuro ex-colaborador da CIA tornou-se sinônimo de terrorismo na década. Engenheiro civil, é um dos cerca de 50 filhos do construtor saudita Mohammed bin Laden.
Osama bin Laden iniciou sua carreira no Afeganistão nos anos 70, ajudando os EUA a expulsar tropas soviéticas. Criou a Al Qaeda (a base, em árabe) em 1998 e no mesmo ano mostrou seu cartão de visitas explodindo embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia.
Em 2001 veio sua ação mais espetacular, contra as Torres Gêmeas e o Pentágono. Virou alvo número um dos Estados Unidos, procurado vivo ou morto. Esteve por trás, ou serviu de inspiração, para ataques em países tão diversos como Espanha, Indonésia, Marrocos e Turquia.
Suas mensagens mobilizam radicais pelo mundo todo. Sua ação mudou a forma como se faz guerra, como se protegem liberdades e como se inspecionam bagagens.
O Movimento Taleban do Paquistão, braço do grupo radical islâmico no país, prometeu nesta segunda-feira vingar a morte do líder da aliada rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden. O grupo ameaçou atacar alvos americanos e do governo paquistanês.
Bin Laden foi morto neste domingo em uma operação militar dos Estados Unidos que levou cerca de 40 minutos. O líder terrorista foi atacado dentro de seu refúgio, uma mansão em um complexo na cidade de Abbottabad, a apenas 70 km da capital paquistanesa, Islamabad.
O Taleban ameaçou atacar os líderes do governo paquistanês, incluindo presidente Asif Ali Zardari, além do Exército paquistanês e os EUA.
“Agora os comandantes paquistaneses, o presidente Zardari e o Exército serão nossos primeiros alvos. A América vai ser nosso segundo alvo”, disse Ehsanullah Ehsan, porta-voz do grupo, em entrevista por telefone à agência de notícias Reuters.
Corpo Jogado no Mar
O corpo do terrosita Osama bin Laden, morto neste domingo em ação militar dos EUA, foi jogado ao mar, como manda a lei e tradição islâmicas, disseram à rede de televisão local NBC fontes oficiais americanas. Ainda não há confirmação oficial.
Em discurso na TV, o presidente dos EUA, Barack Obama, confirmou a morte. “Depois de um tiroteio, eles [soldados americanos] mataram Osama bin Laden e assumiram a custódia de seu corpo”, detalhou.
As práticas islâmicas requerem que o corpo seja enterrado nas 24 horas posteriores a morte. O canal ABC, por sua vez, citando outros interlocutores do governo americano, disse que a decisão foi tomada porque encontrar um país disposto a sepultar o terrorista mais procurado do mundo parecia uma missão complicada demais.
“Os americanos tomaram o corpo de Bin Laden em custódia depois do tiroteio, o levaram ao Afeganistão em helicóptero e confirmaram sua identidade. Um funcionário dos EUA disse que foi jogado no mar às 2h, hora de Washington (3h em Brasília), de conformidade com a prática islâmica”, informa a rede ABC.
Outros meios de imprensa americanos, como jornal “The New York Times”, também afirmaram que o corpo de Bin Laden foi “jogado ao mar”, sem oferecer mais detalhes. A CNN, primeira a noticiar a morte do terrorista líder da Al Qaeda, citando um funcionário da Administração dos EUA, explicou que o cadáver foi sepultado “segundo a tradição islâmica”.
“Um alto funcionário de segurança nacional acrescentou que tinham várias confirmações de que o corpo era o de Bin Laden, incluindo imagens do corpo e do rosto”, disse a CNN, embora o oficial não tenha explicado se foram realizados testes de DNA.
Pronunciamento do Presidente Obama
“Nesta noite tenho condições de dizer aos americanos e ao mundo que os Estados Unidos conduziram uma operação que matou Osama bin Laden, o líder da Al Qaeda e terrorista responsável pelo assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.” “A justiça foi feita”, afirmou o presidente dos EUA.
Foi neste domingo, segundo o presidente, que deu a ordem para uma equipe de soldados dos EUA capturar Bin Laden. Obama afirmou que nenhum americano foi ferido. Funcionários do governo dos EUA detalharam que outros três homens e uma mulher teriam morrido no ataque.
“Finalmente, na última semana, eu determinei que nós tínhamos informações suficientes para agir (…) Depois de troca de tiros, eles mataram Osama bin Laden e tomaram seu corpo sob custódia”, afirmou Obama.
“Nós não vamos tolerar ameaças a nossa segurança nacional ou aos nossos aliados. Não há dúvidas que a Al Qaeda continuará a atacar”, disse ainda durante o pronunciamento, ressaltando o que disse George W. Bush quando presidente: que a “Guerra ao Terror não é contra o Islã”. “A Al Qaeda é um destruidor em massa de muçulmanos”, afirmou.
Enquanto ele falava, centenas de pessoas estavam concentradas em frente à Casa Branca, em Washington, para comemorar com gritos de alegria e mensagens patrióticas a morte. Seguravam bandeiras, cantavam o hino nacional e bradavam “USA”. Na Times Square, em Nova York, outra multidão tomou as ruas.

3052 – Geofísica – Catástrofes Naturais


A natureza em fúria

Um desastre natural é uma catástrofe que ocorre quando um evento físico perigoso (tal como uma erupção vulcânica, um sismo, um desabamento, um furacão, inundação, incêndio, ou algum dos outros fenômenos naturais listados abaixo) provoca direta ou indiretamente danos extensos à propriedade, faz um grande número de vítimas, ou ambas. Em áreas onde não há nenhum interesse humano, os fenômenos naturais não resultam em desastres naturais.
Um desastre é um rompimento social que pode ocorrer ao nível do indivíduo, da comunidade, ou do estado (Kreps 1986).
A extensão dos danos à propriedade ou do número de vítimas que resulta de um desastre natural depende da capacidade da população a resistir ao desastre (Bankoff et al. 2004). Esta compreensão é cristalizada na fórmula: os “desastres ocorrem quando os perigos se encontram com a vulnerabilidade” (Blaikie, 1994).
Bangladesh foi devastada em 1991 por vários ciclones e vítima de inundações e tempestadades. O serviço de meteorologia da capital Daca anunciou que localizou uma depressão no Mar de Adamã, 1300 km ao sul de Chitagong, região de onde veio o ciclone que atingia Bangladesh em 29 de abril daquele ano. Inundações posteriores atingiram pelo menos 500 km ² de distritos. Fortes chuvas fizeram com que 6 rios da região inundassem plantaçõesde arroz e milhares de habitações. Pelo menos 140 mil pessoas morreram em consequência do ciclone. Autoridades sanitárias disseram que a diarréia por causa do consumo de água contaminada havia matado 950 pessoas em várias localidades em 2 semanas. No mesmo ano, 2 terremotos nas Filipinas, um em Manila e outro na Ilha de Luzon, ondeestá situado o Monte Pinatubo e que voltou a entrar em erupção após 600 anos de inatividade.
Natureza em fúria
Além de causar destruição, as piores catástrofes naturais de todos os tempos ajudaram a moldar nossa história
Tais desastres acontecem quando as placas tectônicas (as “balsas” de rocha sobre as quais os continentes se apóiam) se chocam criando vulcões, terremotos e ondas gigantes chamadas tsnunamis, novas rochas e solos nascem. “A água, o dióxido de carbono e o enxofre essenciais para a criação e manutenção da vida são reciclados pelos vulcões.Além de provocar mortes e mudanças físicas no planeta, os grandes desastres ajudaram também a virar do avesso a história humana. Com isso em mente, fizemos uma lista dos mais assustadores ataques de fúria da natureza e chegamos a cinco que podem ser considerados os mais marcantes de todos os tempos. Candidatos fortes ficaram de fora, como o terremoto que teria matado 830 mil pessoas na província chinesa de Shensi, em 1556. Mas, além da conta assustadora de vítimas, outros espasmos atmosféricos e geológicos inspiraram revoluções, derrubaram governos e fizeram o homem repensar a sua relação com a natureza. Com vocês, as cinco piores e mais transformadoras catástrofes naturais da história.
O povo que sofreu a pior catástrofe natural do século 20 convivia com uma espécie de bomba-relógio. Afinal, o litoral quente e úmido de Bangladesh (na época, Paquistão Oriental) sempre foi um celeiro de ciclones (tipos de redemoinhos gigantes). Era comum que a força de tempestades tropicais perturbasse o oceano e criasse marés altas. Na noite do dia 12 de novembro, porém, esse fenômeno chegou ao extremo. O redemoinho nasceu nas águas do golfo de Bengala e avançou para a costa, criando ondas de até 6 metros. Elas avançaram pelas regiões densamente povoadas do delta do rio Ganges na manhã do dia 13. Muitos se afogaram enquanto ainda dormiam. Só na ilha de Bhola (nome que batizou o ciclone), 100 mil pessoas morreram.
Fazia décadas que os paquistaneses orientais estavam descontentes com o governo central do Paquistão e o auxílio precário às vítimas só aumentou a revolta deles. Os principais políticos do lugar afirmaram que a união com o Paquistão era coisa do passado. Em 26 de março de 1971, Bangladesh se declarou independente e ganhou esse nome.
A catástrofe também inaugurou a era dos grandes shows de música pop em prol de uma causa – cortesia do ex-beatle George Harrison, fã da tradição cultural e religiosa da região. Em Nova York, nos Estados Unidos, ele reuniu estrelas como Bob Dylan, Eric Clapton e o indiano Ravi Shankar e conseguiu cerca de 10 milhões de dólares para as vítimas do ciclone.
Mortos*: 500 mil
Duração: dois dias
Intensidade: ventos de 190 km/h
Causa: tempestade tropical, seguida de ondas e enchente
*Número estimado
Era 1º de novembro, dia de Todos os Santos, e as igrejas e casas da capital portuguesa estavam cheias de velas. Os cerca de 275 mil moradores de Lisboa logo desejariam que elas estivessem apagadas quando três tremores violentos, que começaram às 9h30, abriram fissuras no chão e derrubaram prédios. “O tipo de solo contribuiu para a gravidade do terremoto”, afirma o geólogo Caetano Juliani, do Instituto de Geociências da USP. “Em bacias sedimentares, como em Lisboa, o material do solo é muito plástico e chacoalha mais.”
Nos escombros, o fogo das velas e lareiras iniciou um incêndio. Muitos fugiram para o porto – e foram engolidos pelo tsunami que varreu a cidade meia hora depois. Igrejas e palácios, inclusive a residência do rei dom José I, desapareceram sob as ondas de até 6 metros.
O norte da África e países como a França, a Espanha e a Inglaterra também foram atingidos.
Mortos*: 100 mil
Duração: cerca de 10 minutos
Intensidade: 8,7 graus Richter
Causa: colisão de placas tectônicas
*Número estimado
A atitude não podia ser mais inocente: quando o recuo anormal do mar anunciando o tsunami aconteceu, muita gente – especialmente crianças – avançou para a praia e se pôs a coletar peixes deixados pelas ondas. A tragédia de 26 de dezembro do ano passado só foi tão devastadora porque o oceano Índico não tem um sistema de aviso eficaz, nem está acostumado a esse tipo de onda – sem falar na alta densidade populacional das áreas atingidas (15 países na Ásia e na África, sendo que os que mais sofreram foram Indonésia e Sri Lanka), ainda mais inflada pelos turistas.
As ondas de 10 metros de altura nasceram de um terremoto poderosíssimo. A partir do epicentro (ponto atingido em primeiro lugar), cerca de 160 quilômetros a oeste da ilha indonésia de Sumatra, surgiram marolas de 60 centímetros que cresciam cada vez mais conforme a profundidade diminuía e viajavam a 800 km/h. A energia total liberada pelo evento foi equivalente a 37 mil bombas atômicas de Hiroshima.
Ainda é cedo para uma conta fechada dos milhares de mortos e milhões de desabrigados. O certo é que gente de todas as condições sociais e origens – das tribos quase pré-históricas da ilha de Andaman, na costa da Índia, aos turistas escandinavos na Tailândia – foi atingida pelo desastre. Nações do mundo todo reagiram à tragédia com generosidade, enviando dinheiro, donativos e voluntários com rapidez sem precedentes.
Mortos*: mais de 280 mil
Duração: cerca de 7 horas
Intensidade: 9 graus Richter
Causa: terremoto
*Número estimado
Hoje, parece impossível viver à beira de um vulcão e não se dar conta do perigo. Mas era assim que os moradores do balneário romano de Pompéia levavam a vida no ano de 79, pois já fazia quase 2 mil anos que o monte Vesúvio não entrava em erupção. Quando a montanha soltou um estrondo, o chão tremeu e uma nuvem preta encobriu o sol, as pessoas saíram para a rua, curiosas.
Alguns minutos depois do primeiro rugido, o vulcão lançou uma saraivada de pedras e começou a fazer as primeiras vítimas. Outros morriam ao respirar a fumaça: “A explosão superaquecida causa o fenômeno da fluidização”, afirma o geólogo Caetano Juliani. “É como se as partículas virassem um líquido, que causa sufocamento.” De Miseno, a 30 quilômetros de Pompéia, o naturalista romano Plínio, o Velho, observava tudo. Protótipo de cientista, ele não resistiu à tentação de ver o fenômeno de perto e navegou até Estábia, mais próxima do Vesúvio. “Teve medo? Parece que não, já que ficou o tempo todo atento aos movimentos e formas daquela nuvem maligna”, disse o sobrinho dele, Plínio, o Jovem, que sobreviveu à tragédia.
No fim do processo, duas avalanches cobriram Pompéia com 6 metros de cinzas e pedras. Em Herculano, outra cidade próxima, a enxurrada de detritos chegou a 23 metros. Muitos dos que conseguiram fugir até o mar morreram sufocados, inclusive Plínio, o Velho. A coisa foi tão rápida que as cidades ficaram congeladas no tempo, tornando-se os registros mais detalhados da era romana que chegaram até nós.
Mortos*: 16 mil
Duração: dois dias
Intensidade**: 5 no IEV***
Causa: presença de um vulcão
*Número estimado
**Valor estimado com base em relatos da época
***Índice de Explosividade Vulcânica (o máximo é 8)
A ilhota entre Java e Sumatra, na Indonésia, deixou claro que estava passando por uma fase de mau humor vulcânico. Relatos de navios davam conta de uma chuva de cinzas e de um mar coalhado de pedras-pomes flutuantes. Tudo não teria passado de uma nota de rodapé no jornal londrino The Times de 24 de maio se os três cumes da ilha de Krakatoa – aliás, Krakatau, pois foi por erro de telegrafistas e jornalistas que o nome ganhou a forma atual – tivessem sossegado, como pareceu a princípio.
Mas não sossegaram. Num domingo, 26 de agosto, “simplesmente ouvimos o ronco de um terremoto à distância”, afirmou um sobrevivente. A fumaça lançada pelo vulcão fez com que a “noite” chegasse às 2 da tarde. Nas áreas mais próximas, muita gente morreu por causa do calor. Mas o maior assassino foi o tsunami que a erupção gerou: há relatos de ondas de 30 metros, que carregaram um navio para o meio da ilha.
Na explosão final, Krakatoa se autodestruiu num estrondo que foi ouvido a quase 5 mil quilômetros dali, nas ilhas Maurício. Foi a primeira catástrofe acompanhada minuto a minuto pelo mundo, graças à invenção do telégrafo submarino. Na época, a Indonésia era colônia holandesa, e seus habitantes muçulmanos, arrasados pela tragédia, começaram a ver com maus olhos os dominadores cristãos. No mesmo ano do desastre, fundamentalistas islâmicos assassinaram soldados da Holanda. Em 1888, uma rebelião explodiu e foi sufocada – mas a chama do islamismo inspiraria a independência indonésia, no século 20.
Mortos*: 36.417
Duração: cerca de 100 dias
Intensidade: 6,5 no IEV***
Causa: presença de um vulcão
*Número estimado
**Valor estimado com base em relatos da época
***Índice de Explosividade Vulcânica (o máximo é 8)

Pompéia, as ruínas de uma cidade sepultada por uma erupção vulcânica