2977 – Acredite se quiser – Você pode ser imortal


Da Super para o ☻Mega

Nascer, reproduzir, morrer – eis o ciclo da vida. Mas isso é só por enquanto. A ciência está trabalhando para que ninguém mais morra de velho. E é possível que dê tempo de você entrar nessa
Morte morrida é coisa que a Turritopsis dohrnii não conhece. A vida dessa espécie de água-viva só acaba se ela for ferida gravemente. Do contrário, a Turritopsis vai vivendo, sem prazo de validade. Suas células se mantêm em um ciclo de renovação indefinidamente, como se voltassem à infância. Podem aprender qualquer função de que o corpo precise. É uma verdadeira (e útil) mágica evolutiva. Parecida com a do Sebates aleutianus, um peixe do Pacífico conhecido como rockfish, e de duas espécies de tartaruga, a Emydoidea blandingii e a Chrysemys picta (ambas da América do Norte). Esse segundo grupo tem o que a ciência chama de “envelhecimento desprezível”. Suas células ficam sempre jovens, por motivos que a ciência ainda quer descobrir.

A imortalidade existe na natureza. Não tem nada de utopia. Pena que nós não desfrutemos dessa boquinha. Ao longo do tempo, nosso corpo se deteriora. Perdemos os melanócitos que dão cor aos cabelos, o colágeno da pele, a cartilagem dos ossos – ficamos grisalhos, enrugados, com dores nas juntas. Velhos. Numa sucessão de baixas, células e órgãos vão deixando de cumprir funções cruciais para o corpo. Até que tudo isso culmina numa pane geral. E nós morremos.
Para impedir que o corpo definhe desse jeito, o homem já tentou de tudo: de mumificação, no Egito antigo, a injeções feitas a partir de testículos de animais, na França do século 19. Só que agora estamos mais próximos do que nunca do sonho da imortalidade. Por causa dessas espécies highlanders, cientistas do mundo todo acreditam que nós também podemos ser imortais. E já têm propostas para isso, divididas em duas linhas: remédios – feitos para aprimorar nossa defesa contra a morte – e inovações tecnológicas que nos tornarão quase robôs. Sabe aquela expressão “de certo na vida, só a morte”? Parece que ela vai perder o sentido em breve. “Em 50 anos não vai mais existir definição para expectativa de vida. Teremos um controle tão completo do envelhecimento que as pessoas viverão indefinidamente”, diz Aubrey de Grey, geneticista da Universidade de Cambridge.

Não é uma tarefa fácil. Essa pesquisa está diretamente relacionada ao estudo do envelhecimento, que a ciência ainda não conseguiu destrinchar completamente. Pelo que se sabe, o corpo funciona como um carro. Depois de muito rodados, ambos acumulam defeitos. A diferença é que, quando quebra, nosso corpo dá um jeito de se consertar. Se você sofre um corte, o sangue estanca em minutos, não é? O problema é que essa manutenção segue bem enquanto somos jovens, mas vai perdendo a eficácia. Com o tempo, células param de se reproduzir, o corpo vai sofrendo ataques do ambiente… e a nossa máquina não dá conta de reparar tudo. Ficamos velhos, fracos, vulneráveis.

Para que possamos viver para sempre, esse sistema de reparos não pode parar. E já apareceu proposta de todo tipo pra isso. Se antes essas ideias eram tidas como fringe science – algo como “ciência marginal”, que tem mais de especulação do que de fato -, agora elas começam a ser vistas com seriedade. Tanto que acabaram de levar um Nobel.

Uma pista: o câncer

Aconteceu recentemente, em outubro de 2009. Três pesquisadores americanos ganharam o Prêmio Nobel de Medicina e US$ 466 mil, cada um, por terem começado a decifrar por que nossas células envelhecem. A chave está numa palavra: telômeros.”O processo de envelhecimento é complexo e depende de vários fatores. Os telômeros são um deles”, declarou a Fundação Nobel, ao anunciar o prêmio.

Pra quem não se lembra das aulas de biologia, aqui vai a cola: telômeros são os fragmentos da ponta dos nossos cromossomos, como tampinhas que os protegem. Quando uma célula se divide, essa tampinha tende a ficar menor – e a célula, a se deteriorar. O processo, repetido a cada divisão celular, faz com que ela envelheça. Ou melhor: que você envelheça.

Mas em células cancerosas isso não acontece: elas se dividem sem sofrer danos. Por quê? Graças a uma enzima que estimula a construção do telômero, a telomerase. Segundo os vencedores do Nobel, a telomerase trabalha mais nas células cancerosas do que em outras, e as protege. Basicamente, é essa enzima que torna o câncer tão poderoso.

Apesar de premiada só agora pelo Nobel, a descoberta é dos anos 80. E fez os cientistas pensar que a telomerase poderia prolongar nossa vida deixando células saudáveis tão resistentes quanto as cancerígenas. A pesquisadora Maria Blasco, do Centro Nacional de Pesquisas Oncológicas da Espanha, testou a hipótese com ratinhos. No seu estudo, ratos com mais telomerase nas células viveram até 50% mais do que os outros. Mas apresentaram mais tumores – acabavam morrendo de câncer. Em 2008, a equipe de Blasco conseguiu controlar a difusão das células cancerígenas, o que abriu espaço para a possibilidade de estudos com humanos. “Se pensarmos num aumento semelhante de expectativa de vida para pessoas, isso significaria morrer entre os 115 e os 120 anos”, diz a pesquisadora.

Ótimo. Mas calma lá: por que só até 120 anos, e não por toda a eternidade? É que, como o pessoal do Nobel disse, o envelhecimento é complexo. A telomerase ajudaria a aniquilar uma causa desse processo. Mas precisaríamos de armas diferentes para combater outras ameaças.

Então a telomerase ajudará as células a não se deteriorar. Mas e se elas já tiverem sido maltratadas?

Aí partimos para outras ideias. Começando pelo básico: renovar o combustível. O geneticista britânico Aubrey de Grey, da Universidade de Cambridge, propõe que façamos isso com células-tronco. Injetadas periodicamente em nosso corpo, elas poderiam assumir o papel das células mortas e daquelas danificadas pelo processo natural de divisão celular. Como as células-tronco têm a capacidade de formar novos tecidos e órgãos, elas funcionariam como um remedinho, tomado de tempos em tempos no consultório do médico, para evitar e aniquilar doenças. “Faríamos um transplante periódico, e as células-tronco seriam iguais às originais de nosso corpo, só que novas em folha”, afirma De Grey. Resultado: teríamos órgãos jovens para sempre.

Não é algo tão distante da realidade. Células-tronco já são usadas na pesquisa de tratamento para doenças como diabetes e esclerose múltipla. O próprio Brasil tem bons resultados. No Centro de Terapia Celular, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, o pâncreas dos voluntários ao tratamento para diabetes voltou a fabricar insulina. E os pacientes deixaram de depender de injeções diárias.

Mas teríamos também de consertar os arranhões que levamos durante a vida. Como os causados pela comida. Não só fritura e carne vermelha, mas comida em geral. É que passar fome – acredite – faz todos nós viver mais.

Está provado desde os anos 30, quando a Universidade Cornell demonstrou que ratos submetidos a uma dieta 30% menor chegam a viver 40% mais. É um processo conhecido como restrição calórica, explicado por uma questão evolutiva. Sempre que o homem passou por momentos de escassez de alimentos na história, os mais adaptados às condições difíceis sobreviveram. A principal teoria é de que, quando passamos fome, nossas células entram num estado de alerta para otimizar os recursos que têm, como proteínas. “É como se o corpo tentasse se proteger do risco”, diz Randy Strong, farmacólogo da Universidade do Texas. Mas, não, ninguém vai ter de viver a pão e água por 300 anos. O que a ciência quer fazer é simular essa esperteza que o corpo adquire quando a fome aperta.

Dentro de 5 anos, já vai dar pra comprar “fome em pílulas” nas farmácias. É o que promete o laboratório Sirtris Pharmaceutical, se tudo correr bem com os testes de um novo remédio que a empresa vem desenvolvendo, baseado no resveratrol. O resveratrol é uma substância encontrada em alguns tipos de uvas (como a pinot noir) que imita a situação de restrição calórica no nosso corpo, de acordo com estudos do médico australiano David Sinclair, pesquisador da Harvard Medical School e cofundador da Sirtris. Na uva, a substância existe em concentrações muito baixas. O trabalho dos pesquisadores é colocar a maior quantidade possível em pequenas pílulas, que serão vendidas com uma grife da indústria farmacêutica: o nome da britânica GlaxoSmithKline, que pagou US$ 720 milhões em 2008 para comprar o Sirtris e virar dona da pesquisa.
As pílulas são a primeira droga contra o envelhecimento testada em humanos. Idosos diabéticos estão recebendo o medicamento, e a expectativa é de que a doença seja curada. Se tudo der certo, as pílulas poderão nos dar cerca de 10 anos extras de vida. O mesmo bônus de vida que cientistas prometem com a rapamicina. Usada contra alguns tipos de câncer e para suprimir o sistema imunológico de quem passa por um transplante, a droga agora é vista como um novo simulador de “fome”. Em ratos, conseguiu prolongar a vida em 30%. Promete ser um concorrente do resveratrol no futuro mercado de restrição calórica.

Mas comida é só um dos fatores que geram danos ao nosso corpo: até respirar faz mal. É que o oxigênio é um dos mais potentes radicais livres, como são chamadas as moléculas que circulam pelo nosso corpo com elétrons instáveis, prontos para roubar elétrons de outras moléculas. Quando os radicais livres conseguem fazer o roubo, as células atacadas ficam danificadas. Envelhecem. É como se tivessem sido tomadas por ferrugem. Até temos um antídoto contra isso: nós produzimos antioxidantes que nos defendem. O problema é que, com o tempo, essa produção cai e ficamos vulneráveis. Até porque sofremos um bombardeio de radicais livres, como o que vem dos alimentos e do ar.

Se conseguirmos fortalecer as ligações químicas e evitar a ação dos radicais livres, dá para evitar que as células envelheçam. É a tese do cientista russo Mikhail Shchepinov, fundador da Retrotope, companhia que pesquisa o assunto. O que ele sugere é que nos alimentemos com comida ou bebida “enriquecida”, ou seja, com moléculas resistentes aos radicais livres que já estiverem no nosso corpo. Água, por exemplo, é um alvo fácil para os radicais – eles quebram a ligação entre os átomos de hidrogênio e o de oxigênio. A molécula de água absorvida pelas células acaba danificada. Por isso, Shchepinov toma, todos os dias, um golinho de uma água diferente – a fórmula dela não é H20, e sim D20. Ao contrário do hidrogênio (H), o deutério (D) tem uma ligação forte com o oxigênio – e mais resistente aos roubos. Segundo o pesquisador, cada gole combate o envelhecimento. Falta saber o quanto podemos tomar sem provocar efeitos tóxicos no corpo.

São só os primeiros passos rumo à imortalidade. Pra vencer a morte, muitos cientistas acreditam que nos transformaremos em máquinas mesmo. Do tipo que troca porcas e parafusos sempre que dá pau.

De uma forma, já vivemos essa realidade. Basta pensar no marca-passo. Mas o que se espera para o futuro é mais sofisticado: produção em massa de órgãos. A Escola de Medicina da Universidade de Wake Forest, nos EUA, está criando bexigas artificiais. Quer dizer, naturais, mas cultivadas fora do corpo. São feitas a partir de células da bexiga que será substituída. E ficam prontas em dois meses.

Para consertos menores, outra solução: um exército de robôs-médicos dentro de nosso corpo para arrumar qualquer defeito. Já existem experimentos na Rice University, nos EUA. Pesquisadores criaram estrututuras microscópicas, pequenas cápsulas, capazes de levar remédio pela corrente sanguínea até células cancerígenas. E sem afetar as sadias.

Esses nanorrobôs podem ter o tamanho de células humanas, ou ser ainda menores. Eles se espalhariam pela corrente sanguínea, limpando nossas artérias muito antes de elas chegarem perto de entupir. Vão também ser capazes de destruir vírus, bactérias, células cancerígenas antes que nosso corpo sofra qualquer dano. Funcionariam como novas pecinhas, responsáveis pela faxina no organismo. “Em duas décadas, os nanorrobôs vão fazer as mesmas funções que as nossas células ou tecidos, mas com uma precisão infinitamente maior”, escreveu o futurologista americano Ray Kurzweil, no livro Transcend, lançado em 2009. (Kurzweil não é qualquer um: previu, nos anos 80, o que seria a internet hoje.)

Se isso parece futurista demais, veja o que está sendo preparado para o cérebro. O neurocientista Anders Sandberg, da Universidade de Oxford, quer fazer um download dos nossos pensamentos. O cérebro seria transformado em um software, com todas as habilidades da versão original.”O programa faria a função de alguma área danificada ou poderia ampliar nossa capacidade de aprendizado e memória.” Para isso, será preciso conhecer exatamente o funcionamento de nossa cabeça. E Sandberg pretende fatiar um cérebro em micropedaços para descobrir a função de cada um.

Com esse arsenal já em produção, estamos no caminho para a imortalidade do corpo e da mente. Será o fim de uma das maiores buscas do homem. E a primeira era de um novo mundo – no qual a morte deixará de cumprir seu papel.

Aí, vencer a morte terá sido só a primeira etapa. A imortalidade trará mudanças profundas na forma pela qual nos relacionamos com a família, com o trabalho e até com nós mesmos. (Veja o quadro da página 49.) Hoje a longevidade da população já é um dos maiores problemas do planeta em termos de espaço, empregos e previdência – a população de centenários deve chegar a 2,2 milhões em 2050 (eram 145 mil em 1999). E isso se a imortalidade não chegar antes. Portanto, prepare-se para uma vida completamente diferente. Mas não se preocupe por enquanto ­ você terá séculos para se acostumar com ela.

A luta contra a morte
Durante 1 000 anos de estudo, a ciência entendeu, aos poucos, como adiar o fim da vida

1000
Nada de limpeza ou dieta: o pessoal compartilhava as casas com animais e comia a valer, numa dieta de pães, queijos e cerveja.

1675
O cientista holandês Antony van Leeuwenhoek descobre uma das maiores causas de mortes da época: as bactérias. Mas só no século 19 é que se descobriu a relação delas com nossas doenças.

1785
Morre a primeira pessoa registrada como a mais velha do mundo: o norueguês Eilif Philipsen, com 102 anos.

1796
Testes com o que seria considerada a primeira vacina. O médico inglês Edward Jenner percebe que uma pessoa contaminada pela varíola bovina – forma mais branda da doença – não pegaria a humana. Na época, 40% dos infectados pela doença não sobreviviam.

1850-1885
Louis Pasteur desenvolve a pasteurização, que elimina micróbios dos alimentos.

1854
Descoberta de que uma epidemia de cólera em Londres foi causada por água contaminada. É o primeiro passo para o desenvolvimento dos sistemas de saneamento, um grandes motivo para o aumento da expectativa de vida no século 20.

1895
Criação do raio X, que permitiria diagnósticos mais precisos de doenças como tuberculose.

1900
O homem só prolongou sua vida média em 7 anos desde o ano 1000, por ainda ser um novato em questões de higiene e saneamento. (Só no fim do século 19, por exemplo, prova-se que médicos deveriam lavar as mãos com cloro antes de fazer um parto.)

1928
Aos 113 anos, morre a americana Delina Filkins, que manteve o recorde de mulher mais velha do mundo até 1955. Ela viveu toda a vida dentro de um raio de 16 quilômetros da fazenda em que nasceu.

1929
Alexander Fleming descobre a penicilina, 1º antibiótico do mundo. Começaria a ser ministrada em pessoas 10 anos depois.

1953
Os cientistas James Watson (americano) e Francis Crick (inglês) publicam um artigo sobre a estrutura em espiral do DNA, que ajuda a entender a herança genética.

1997
Aos 122 anos, morre a francesa Jeanne Louise Calment, a pessoa que mais viveu no mundo até hoje. Louise andou de bicicleta até os 100 anos e morou sozinha até os 110. Dizia que azeite na comida, vinho e chocolate a ajudaram a viver mais.

2003
Conclusão do mapeamento genético humano, o que poderá permitir a identificação de genes causadores de doenças.

2008
Recorde na quantidade de pessoas com mais de 110 anos no mundo: 92 supercentenários. Em 1990, eram 28 pessoas. Em 1980, 11.

2010
Expectativa de vida: 68 anos. A japonesa Kama Chinen é atualmente a pessoa mais velha do mundo, com 114 anos.

2015-2020
O mundo terá mais idosos (acima de 65 anos) do que crianças pela primeira vez.

2040
Estimativa de 1,3 bilhão de pessoas com mais de 65 anos – eram 506 milhões em 2008.
Os remédios
As pílulas, injeções e medicamentos que impedirão o envelhecimento das células do seu corpo

Injeções de telomerase
Impedem que as células definhem
Sem telomerase, nossas células correm riscos a cada divisão celular. Durante o processo, os cromossomos presentes nelas podem ser mutilados. Danificadas, as células envelhecem. Doses periódicas de telomerase garantiriam que os cromossomos ficassem inteiros.
Previsão de uso: 2025

Células-tronco
Renovam nosso estoque de células
São células que podem recuperar tecidos danificados e fazer o trabalho de outras que tenham morrido ou sofrido danos (como os gerados na divisão celular). Injeções de células-tronco poderão virar tratamento de rotina em consultórios.
Previsão: 2025

Fome em pílulas
Simulam a falta de alimentos no corpo
A restrição calórica faz com que o corpo entre em alerta, descartando proteínas danificadas e protegendo as células de radicais livres. Remédios que induzem esse estado de alerta já estão em testes com humanos.
Previsão: 2015

Água pesada
Protege as células dos radicais livres
Radicais livres são moléculas que roubam elétrons de outras, danificando-as. Para evitar o “furto”, átomos têm de estar fortemente ligados entre si. Na água, a ligação entre oxigênio e hidrogênio é vulnerável. Se trocamos hidrogênio por deutério, a molécula fica mais resistente. Uma fórmula da água com deutério já está em testes.
Previsão: 2020

Fontes David Sinclair, Ray Kurzweil, Retrotope.
A tecnologia
As peças e os robôs que vão se incorporar a seu corpo para que ele dure mais

Órgãos artificiais
Peças sobressalentes
Se algum órgão der defeito, bastará criar um novo. Assim: células do paciente são retiradas e cultivadas em laboratório. Com a ajuda de moldes, cria-se o órgão artificial. Bexigas já estão sendo produzidas assim nos EUA.
Previsão: 2015

Nanor Robôs
Faxineiros dentro do corpo
Um exército de robôs-médicos, do tamanho de células, arrumaria os defeitos do nosso organismo. Limparia artérias e destruiria vírus, bactérias e tumores, antes que nosso corpo sofresse qualquer dano.
Previsão: 2030
Você imortal
Ninguém vai virar um Matusalém. Nosso corpo continuará jovem e teremos muito trabalho pela frente

1. CORPO

A imortalidade dará a você o corpinho que quiser. Nada de plástica – é que conseguiremos repor tudo o que estiver gasto no corpo. É a perda de células que faz você ter careca e cabelos brancos, por exemplo. Se as repusermos no futuro com injeções de células-tronco, sua cabeleira manterá o viço. Vai dar até para reverter sinais da idade. Nanorrobôs na corrente sanguínea eliminarão toxinas e dejetos que estejam poluindo o corpo. “As pessoas que receberem essas terapias vão se parecer exatamente com os jovens adultos de hoje”, diz Aubrey de Grey, geneticista da Universidade de Cambridge.

2. TRABALHO

Aposentar-se por idade no Brasil significa descansar só nos últimos 10% da vida, em média. Se chegarmos aos 300 anos de idade, a labuta irá até os 270. Isso se o governo quiser pagar aposentadoria. Afinal, você continuará jovem e produtivo o suficiente para pegar no batente. Para não morrer de tédio – de tanto trabalhar na mesma coisa -, o jeito vai ser exercer profissões diferentes. “Será possível ter mais de uma carreira ou aprender vários idiomas. O homem terá uma sabedoria jamais vista”, diz Anders Sandberg, neurocientista da Universidade de Oxford.

3. FAMÍLIA

No mundo dos imortais, só se morrerá por acidentes muito graves e que não possam ser consertados a tempo. Por isso, sua família vai crescer: você vai conviver até com seu tataravô. As famílias vão ficar enormes, até porque as pessoas terão mais casamentos. Hoje os casais brasileiros vivem 11 anos juntos, em média. Um novo casamento acontece cerca de 3 anos depois da separação. Nesse ritmo, chegaríamos aos 500 anos com uns 32 casamentos nas costas.
Manual para viver mais

Não existe lugar com porcentagem maior de centenários do que o arquipélago de Okinawa, no Japão: são 58 em cada 100 mil habitantes. (Em países desenvolvidos, o número fica entre 10 e 20.) Uma das chaves da longevidade é a alimentação com pouco açúcar, gordura e sal – um prato típico leva tofu, peixe e vegetais. Okinawanos têm 80% menos câncer de mama e próstata do que americanos, por exemplo. Veja como você também pode chegar lá.

Alimentação correta
“Uma dieta rica em frutas e legumes antioxidantes (como mamão e cenoura), azeite de oliva, aves e peixes dá 50% mais chance de viver mais”, diz o neurocientista americano Gary Small, diretor do Centro de Pesquisa em Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia, nos EUA. Uma pesquisa feita em Atenas pela Escola de Saúde Pública de Harvard comprova a tese. Gregos que faziam uma dieta semelhante à que Small recomenda viveram 25% mais do que outros.

Estresse
Radiação, calor e frio podem estimular reações de proteção benéficas para o corpo, como a ativação do sistema imunológico. O mais difícil é acertar a dose. “Um pouco do ruim pode fazer bem, mas muito do ruim vai fazer mal”, diz a bióloga Joan Smith-Sonneborn, da Universidade de Wyoming.

Exercícios para o cérebro
Leitura, palavras cruzadas ou jogos de tabuleiro podem diminuir em 30% o risco de mal de Alzheimer, segundo o cientista Gary Small. Mas a questão é polêmica – muitos cientistas alegam que ainda é preciso fazer mais estudos para comprovar a tese.

Sociabilidade
Uma companhia estimula atitudes positivas em relação à vida, como parar de fumar. E vale todo tipo de companhia: parentes, amigos, namorados. O casamento é a relação que dá mais resultado. Uma pessoa idosa e casada que tenha problemas cardíacos vive 4 anos a mais, em média, do que um velhinho saudável e solteiro, segundo um estudo da Universidade de Chicago.

2976 – Atmosfera de Marte teria sido mais densa e com água


Assista o Vídeo

Cientistas americanos descobriram que a atmosfera de Marte pode ter sido mais densa do que é hoje e com água em estado líquido, aponta um estudo recentemente publicado na revista “Science”.
Os fragmentos de gelo seco (dióxido de carbono congelado) encontrados na região do polo sul de Marte provariam essa tese.
Os pesquisadores, liderados pelo professor Roger J. Phillips, analisaram as medições feitas pelo radar da nave de reconhecimento da Nasa (Mars Reconnaissance Orbiter) para calcular a profundidade e a densidade dos depósitos de gelo seco.
Pesquisas prévias tinham sugerido que o polo sul de Marte estava quase completamente formado por água e que o gelo seco só cobria a camada superior.
No entanto, as novas medições revelam que poderia haver grandes quantidades de dióxido de carbono atmosférico em pedaços de gelo seco.
Estas novas descobertas apontam para a evidência de que o polo sul abriga 30 vezes mais gelo seco do que se pensava anteriormente.
Os depósitos de gelo seco podem ser cruciais para ajudar os cientistas a entenderem a evolução da atmosfera de Marte.
Os autores do estudo revelam que, durante os períodos de alta inclinação polar, a maioria do dióxido de carbono congelado poderia ter derretido, sendo liberada para a atmosfera.
Quando o eixo de Marte se inclina, seus pólos recebem luz solar suficiente para descongelar qualquer gelo.
O dióxido de carbono liberado teria tornado a atmosfera mais densa, devido à formação de frequentes e intensas tempestades de pó, e permitido que a água líquida permanecesse sem ferver em mais regiões da superfície marciana, apontam os pesquisadores.
O Mars Reconnaissance Orbiter gira em torno do planeta vermelho como complemento do trabalho realizado pelos veículos Spirit e Opportunity.
Ele foi lançado em 12 de agosto de 2005 com o objetivo de estudar a distribuição de água e minerais em Marte, assim como suas características geológicas.

2975 – Mosquito modificado pode brecar a transmissão da malária


Cientistas envolvidos no combate à malária descobriram uma forma de manipular geneticamente populações de mosquitos, com a esperança de no futuro reduzir drasticamente a proliferação da doença.
Em estudo publicado na revista “Nature”, os pesquisadores do Imperial College, de Londres, e da University de Washington, de Seattle (EUA), relataram que, após fazer alterações genéticas específicas em alguns mosquitos e permitir que eles procriassem, tais alterações poderiam ser transmitidas para grandes populações de mosquitos em poucas gerações.
Esse é o primeiro experimento demonstrando esse princípio, segundo os cientistas, e o resultado sugere que no futuro será possível difundir mudanças genéticas que dificultem a transmissão da malária pelos mosquitos.
A malária é uma doença infecciosa que afeta mais de 240 milhões de pessoas por ano, matando cerca de 850 mil delas –inclui um grande número de crianças na África.
Não existe vacina, e a prevenção é feita por pesticidas e mosquiteiros (redes sobre as camas).
Na nova experiência, os cientistas demonstraram que um elemento genético modificado, chamado I-SceI, pode ser incorporado ao DNA de mosquitos em cativeiro, sendo transferido a outras gerações na natureza.
Seria possível, então, alterar o código genético dos mosquitos para impedi-los de transmitir o parasita da malária, o Plasmodium falciparum.
Há cerca de 3.500 espécies de mosquitos no mundo, mas poucas delas transmitem a malária. Os pesquisadores disseram que a manipulação genética poderia permitir um maior foco no controle apenas das espécies mais perigosas.
Na experiência, foi usado um gene fluorescente verde para monitorar a mudança genética e sua transmissão a outras gerações.
Agora, a equipe está voltada para genes que o mosquito usa para se reproduzir ou para transmitir a malária.

2974 – Identificado o ativo que torna larva de abelha em rainha


A rainha é uma super abelha

Uma das proteínas que contém a geleia real (57-kDa) é o ingrediente ativo que resulta na transformação de uma larva de abelha em rainha, segundo um estudo publicado no último número da revista “Nature”.
Uma larva de abelha fêmea (Apis mellifera) pode se transformar tanto em uma operária estéril como em uma rainha que, fértil e com um corpo mais longo, tem evolução mais rápida e uma vida muito mais longa.
A rainha põe ovos fecundados que dão origem às operárias e a o ovos não fecundados dos quais saem as abelhas macho, os zangões.
Os cientistas sabiam que o dimorfismo das fêmeas de abelhas se baseia no consumo de geleia real, nutriente segregado pelas operárias, e que não depende de diferenças genéticas.
Entretanto, o ingrediente ativo e o mecanismo que guia o desenvolvimento das abelhas rainha não eram muito conhecidos.
O grupo dirigido pelo cientista da Universidade de Toyama (Japão) Masaki Kamakura constatou, por meio de experimentos com moscas-das-frutas (Drosophila melanogaster), como a proteína 57-kDa ativa a quinase p70 S6 e aumenta a atividade da MAP quinase.
Os estudiosos acreditam que a quinase p70 S6 é responsável pelo aumento do tamanho do corpo da abelha rainha, enquanto a MAP quinase causa a aceleração em seu desenvolvimento.
Estes processos, mediados pelo EGFR (sigla em inglês de Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico), produziram nas moscas-das-frutas fenotipos similares aos das abelhas rainha.

2973 – Mega Cidades – Hong Kong


Hong Kong

Pertence a República Popular da China e uma ex-colônia do Império Britânico até 1997. Segundo a política “um país, dois sistemas” e a Lei Básica, Hong Kong tem um “alto grau de autonomia” em todas as áreas, exceto política externa e defesa. Hong Kong é um centro financeiro internacional, com uma economia capitalista altamente desenvolvida, sendo uma das economias mais liberais do mundo.
Após a Primeira Guerra do Ópio, a Ilha de Hong Kong tornou-se uma colônia do Império Britânico em 1842. A colônia foi ampliada nos termos da Convenção de Pequim (1860) e a Convenção para a Extensão do Território de Hong Kong (1898). Hong Kong foi reclassificado como um território britânico cargo em 1983, até a sua soberania ser transferida para a República Popular da China (RPC) em 1997. Conhecida pelos seus arranha-céus e por seu profundo porto natural, a sua identidade como um centro cosmopolita onde o Oriente encontra o Ocidente se reflete em sua gastronomia, cinema, música e tradições. A população da cidade é de 95% da chinesa e 5% de outros grupos étnicos. Com uma população de 7 milhões de habitantes e uma área de 1.054 km², Hong Kong é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo.
Hong Kong possui seu próprio sistema legal, moeda, alfândega, direitos de negociação de tratados (como tráfego aéreo e permissão de aterragem de aviões) e leis de imigração próprias. Hong Kong mantém até suas próprias regras de trânsito, com toda a frota de automóveis dirigindo no lado esquerdo. Apenas a defesa nacional e relações diplomáticas são responsabilidades do governo central em Pequim.
Apesar de Hong Kong ter passado para o controle chinês, o nome em cantonês da região (“Hong Kong”) permanece como referência internacional, em detrimento do equivalente em chinês mandarim, “Xiānggǎng”. A escrita do nome do território, tanto em cantonês como chinês, é representada pelos mesmos caracteres.
A ocupação humana de Hong Kong data do Paleolítico. A região foi inicialmente incorporada no Império Chinês, durante a Dinastia Qin, e serviu como porto nas dinastias Tang e Song. O primeiro visitante europeu de que há registo foi o português Jorge Álvares. O contacto com o Reino Unido foi estabelecido após a Companhia Britânica das Índias Orientais ter estabelecido uma feitoria na cidade vizinha de Cantão. Durante a Guerra do Ópio (1839-1842), Hong-Kong foi ocupado pelo Reino Unido e em 1898 a China entregou o território por um prazo de 99 anos. A partir dessa data, a nova colónia britânica passou a ser um importante centro de comércio.
No processo que levou ao estabelecimento da República da China, em 1912, Hong-Kong serviu de refúgio político para muitos dos opositores ao novo regime. Após 1912 o nacionalismo chinês afirmou-se hostil relativamente a potências externas. Entre 1925 e 1927 este regime proibiu o acesso de navios ingleses aos portos do Sul da China, facto que comprometeu seriamente o comércio de Hong-Kong.
Durante a guerra da Coreia, em 1950, os Estados Unidos da América boicotaram o comércio com a China comunista, uma medida que afectou consideravelmente a actividade comercial de Hong-Kong. Para fazer face a este embargo, a ilha promoveu o desenvolvimento da sua indústria, nos anos 50 e 60, tarefa facilitada pela afluência de refugiados que proporcionavam excelente mão-de-obra barata e dinheiro. Neste período, a política liberal de Hong Kong atraiu muitos investidores estrangeiros, resultando num boom económico que fez da ilha uma das regiões mais ricas e mais produtivas da Ásia.
O crescimento económico causou no entanto algum descontentamento entre os trabalhadores, uma vez que estes auferiam salários muito baixos. Este mal-estar desencadeou motins no Verão de 1967, promovidos por simpatizantes da revolução cultural chinesa. Para combater esta situação o Governo lançou uma legislação laboral; aumentou as habitações públicas e investiu mais em obras públicas, restaurando assim a estabilidade nos anos 70. Durante esta década continuaram a afluir os emigrantes oriundos principalmente da China; as relações entre as duas nações eram mais amistosas. Nos anos seguintes vieram inclusivamente a verificar-se operações conjuntas entre a China e Hong-Kong.
Em 1982, a China e o Reino Unido iniciaram conversações para a devolução da soberania sobre Hong-Kong à primeira. Um acordo assinado em 1984, em Pequim, determinou que a China tomaria conta do território a partir de 1 de Julho de 1997. Em conformidade, o regresso de Hong-Kong à soberania chinesa após 156 anos de administração colonial britânica deu-se às 24:00 daquele dia.
Hong-Kong desfruta do estatuto de Região Administrativa Especial, de acordo com a fórmula “um país, dois sistemas”, também aplicada a Macau a partir de 20 de Dezembro de 1999. Deste modo, o território continua a ser um porto livre e um centro financeiro internacional, e, exceto nas áreas da defesa e da política externa, tem um alto grau de autonomia. Não paga impostos ao Governo central e o seu modo de vida, incluindo a liberdade de imprensa, quase não foi alterado.
Hong Kong está localizado na costa sul da China, a 60 km a leste de Macau, no lado oposto do Delta do Rio Pérola. É cercada pelo Mar da China Meridional, a leste, sul e oeste, e pelas fronteiras da cidade de Shenzhen e Guangdong, ao norte sobre o rio Shenzhen. O território de 1.104 km² de área é constituído principalmente pela Ilha de Hong Kong, Lantau, Península de Kowloon e os Novos Territórios, bem como cerca de 260 outras ilhas. A área total é 1.054 km² de terra e 50 km² de água.
Como muito do terreno de Hong Kong é a montanhoso, com declives acentuados, menos de 25% da crosta terrestre do território é desenvolvido e cerca de 40% da área restante está reservado para parques e reservas naturais. A maior parte do território de desenvolvimento urbano consiste na Península de Kowloon, ao longo da borda norte da Ilha de Hong Kong e em assentamentos espalhados por todos os Novos Territórios. A maior elevação do território está em Tai Mo Shan, a uma altura de 958 metros acima do nível do mar. Ao longo de Hong Kong, a linha da costa irregular e curvilínea também proporciona-o com muitas baías, rios e praias.
Situado ao sul do Trópico de Câncer, o clima de Hong Kong é de clima subtropical úmido (classificação de Köppen o clima Cwa). O ar do verão é quente e úmido, com chuvas ocasionais e trovoadas, e quente que vem do sudoeste. É nesse período que tufões são mais comuns, muitas vezes resultando em inundações ou deslizamentos de terra. O inverno geralmente começa ensolarado e torna-se nublado em fevereiro, com a frente fria ocasional trazendo fortes ventos de arrefecimento do norte. As estações mais agradáveis são a primavera, embora mutável, e no outono, que é geralmente ensolarado e seco
Hong Kong faz parte do tratado internacional chamado APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania. Junto de Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan, a rápida industrialização de Hong Kong fez com que a região ganhasse seu lugar como um dos quatro Tigres asiáticos.

Paisagem de Hong Kong

2972 – Medicina: Uma dose de veneno, por favor


Pesquisas mostram que o veneno da cascavel é um potente analgésico e que, por não ser tóxico, deverá ser transformado em remédio; ainda, o poder de analgésicos dos sapos, rãs e pererecas.
Ao contrário das picadas de outras cobras, que costumam doer muito, a da cascavel provoca apenas uma sensação de formigamento. Agora já se sabe o motivo: na saliva dessa espécie existe um potente analgésico que, por não ser tóxico, deverá ser transformado em remédio
Um poderoso analgésico no veneno da cascavel, talvez muito mais forte do que a morfina. “Serão necessários dois a três anos para isolar essa substância”, conta a pesquisadora, que realiza o estudo orientada pela biomédica Yara Cury, no Butantan, e com a colaboração da bióloga Maria Martha Bernardi, da Universidade de São Paulo. “Depois disso, a indústria farmacêutica deve consumir outros cinco anos em testes de praxe, para analisar a tolerância das pessoas ao medicamento, entre outras coisas”, diz ela, sem esconder o entusiasmo quando começa a descrever o passo a passo de sua investigação. No no começo do século 20, cientistas europeus usaram o veneno da naja para aliviar dores diversas na mesma época em que Vital Brazil, fundador do Instituto Butantan, estudava o veneno de cascavel para tratar a dor de pacientes cancerosos. A primeira experiência dela, para testar o veneno, foi injetar ácido acético, o popular vinagre, em camundongos. As aplicações no peritônio, a membrana que reveste internamente o abdome, provoca contorções, indicando a reação de dor nos animais. Em metade dos ratos, porém, a pesquisadora havia injetado, vinte minutos antes, uma dose de 0,5 micrograma de veneno de cascavel. “Nesse grupo, o número de contorções reduziu-se em 70%”, ela conta. “Se isso aconteceu, era por que o veneno tinha efeito analgésico.” Ela sabia que esse modelo de experiência era ideal para estudar as dores inflamatórias, que envolvem substâncias irritantes. Existem dores, porém, que são disparadas diretamente pelo sistema nervoso central, como a de uma pessoa que encosta a mão em um ferro quente. Por isso, numa segunda etapa, os camundongos foram testados em placas aquecidas, num aparelho improvisado uma fôrma em banho-maria, na qual eram colocados os animais. Chegou o momento de cercar essa substância, fazendo o veneno passar por filtros capazes de reter moléculas cada vez menores.
Rãs anestésicas
Não é só o veneno de cobras que pode dar origem a analgésicos. Sapos, rãs e pererecas também produzem substâncias malignas que mostram outra face quando analisadas em laboratórios. No National Institute of Health de Bethesda, nos Estados Unidos, pesquisas realizadas pela equipe do professor John Daly revelaram que a secreção liberada pela pequena rã Epipedobates tricolor, natural da Colômbia, Peru e Equador, embora altamente tóxica, é rica em uma substância denominada epibatidina, um analgésico duzentas vezes mais forte do que a morfina. Quando o anfíbio é abocanhado, sua pele libera substâncias tóxicas para irritar a mucosa do predador e conseguir se libertar”, conta um biólogo paulista , que há 42 anos se dedica a estudar esses animais. Até aí, nenhuma novidade. Mas que essa secreção pudesse gerar potentes analgésicos, disso poucos sabiam. Atualmente, no Brasil, uma equipe da Universidade de Brasília (UnB), chefiada por Antonio Cebben, também estuda a nova face desses venenos. Pesquisando o sapinho-amarelo (Brachycephelus ephippiam), da Mata Atlântica, os cientistas brasileiros descobriram que sua secreção traz uma neurotoxina de ação analgésica que funciona como anestésico local.
Testes com camundongos mostram a eficiência do veneno em avaliar dois tipos de sensações dolorosas1ª. experiência: efeito em dores, como as das inflamações em geral, que são causadas por substâncias irritantes 1- os camundongos recebem injeções de ácido acético na barriga 2- Metade deles toma uma dose mínima de veneno 3- A metade que não recebeu veneno tem 70% mais contrações de dor 2ª experiêncta: efeito em dores, como as do câncer, provocadas por estímulos do sistema nervoso1 Os animais ficam sobre uma chapa, aquecida a 50 graus Celsius2. A metade que recebe veneno demora quase o dobro do tempo para reagir ao calor3. Os outros começam a lamber as patas, sentindo a queimadura.

2971 – Vivendo sob pressão: Uma casa no fundo do mar


Cientistas americanos montaram a primeira base de pesquisa submersa do mundo – e vão morar lá dentro
Os biólogos da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, estavam cansados de ter que voltar à tona depois de fazer pesquisas no fundo do mar. Então, decidiram construir uma base lá mesmo: o laboratório Aquarius, um cilindro de 13 metros de comprimento e 86 toneladas que fica submerso a 4,5 quilômetros da costa da Flórida. Ele acomoda 6 pesquisadores, que passam até 14 dias seguidos vivendo a 20 metros de profundidade.

O Aquarius, que é usado principalmente no estudo de corais, facilita bastante o trabalho dos pesquisadores. Como eles não precisam voltar à superfície, podem passar até 9 horas por dia mergulhando sem sofrer os problemas de saúde que seriam causados pela descompressão.

A base se divide em dois compartimentos. O primeiro deles, menor, é uma plataforma de aproximadamente 3 metros, com uma abertura por onde os cientistas entram e saem. É onde ficam os equipamentos de mergulho e o chuveiro, com direito a água quente. Em seguida vem o cômodo principal. Ali estão as camas, os computadores, duas janelas, cozinha com geladeira e micro-ondas. Os equipamentos foram instalados quando a base foi construída, na superfície – ela foi afundada pronta.

Já os mantimentos são enviados periodicamente por meio de caixas lacradas, que são submersas com a ajuda de um cabo. Os cientistas comem comida desidratada, como a dos astronautas, e respiram oxigênio armazenado em cilindros ao redor do laboratório. A base também tem, claro, um banheiro – que não polui o oceano. “O Aquarius tem dois reservatórios que armazenam os dejetos”, explica seu diretor, James Talacek. Ao término de cada missão, os resíduos são bombeados para a superfície e descartados na rede de esgoto comum.

2970 – ☻Mega Notícias:Turismo no espaço pode piorar o aquecimento global


Um estudo feito por cientistas do governo americano aponta que os foguetes usados no turismo espacial irão emitir muita poluição – liberando CO2 suficiente para elevar a temperatura da Terra em até 1,8 grau e derreter 15% do gelo dos polos. Esse cenário leva em conta uma eventual popularização das viagens ao espaço, com 1 000 voos por ano.

Metrô vai aproveitar o calor humano
Uma estação de metrô de Paris vai utilizar o calor gerado pelo corpo dos passageiros para aquecer um prédio de apartamentos. Um sistema de canos retira ar quente da estação e o leva até o prédio, onde ele é distribuído. Segundo os inventores do sistema, cada passageiro do metrô emite até 100 watts de calor.

Você segue tendências?
Usados de luxo
As concessionárias vendem no mesmo lugar carros zero e usados. A Amazon faz a mesma coisa com livros. Agora isso começa a valer para mais coisas. Duas megalojas da Suécia começaram a vender produtos usados em seus sites – a Ikea, de móveis, e a Siba, de eletrônicos. A aposta é que as pessoas sentem mais segurança em comprar coisas de segunda mão numa loja do que em sites de leilão. Além disso, eles imaginam, quem for atrás de um usado pode comprar algo novo no impulso.

2969 – História da História em Quadrinhos


Mais um da Marvel

Os desenhos vêm dos primórdios da civilização. Nas cavernas, os hieroglifos egípcios, tapeçarias medievais, vitrais góticos, livros ilustrativos e etc. Em 1897, surgiram os Sobrinhos do Capitão; em 1917, Pat Sullivan criava o Gato Félix, em 1928, dentro da mesma influência, Walt Disney (1901-1966) fazia as primeiras histórias do Mickey Mouse, em 1928, Popeye, em 1929; Tarzan.
Década de 1930 – Em 1931, Dick Tracy foi o fruto típico da lei seca e do gangsterismo. Em 1932 surgia o Pinduca e Flash Gordon; domesmo autor, X9 e Jim das Selvas; em 1934, Mandrake, o mágico, em 1936, Fantasma e Ferdinando. Em 1938, Jerome Siegel e Joe Shuster idealizaram o Super-Homem. Em 2 anos, circularam 20 milhões de exemplares. Em 1939, surgia também o Batman e que a partir do ano seguinte, seria acompanhado por Robin. Surgiu o Capitão Marvel, o Homem Borracha, O Homem Enguia e Namor, o príncipe submarino. Desde o início da década de 30, eram populares nos EUA, historietas pornográficas ( dirty comics), desenhadas por autores autônomos. No Brasil, surgiu o gibi em 1934, que virou sinônimo de revista em quadrinhos.
Década de 1940 – O Capitão América foi escrito por Joe Simon e depois por Stam Lee. Sua luta contra o caveira eraz típica da propaganda contra o nazismo e desapareceu depois da guerra, ressurgindo depois. Surgiu a Little Lulu (Luluzinha) e após a guerra houve a proibição dos quadrinhos americanos e vários países, na tentativa de valorizar o produto nacional e para contestar a influência ideológica, houve portanto uma fase de estagnação.
Década de 1950 – Charles Schultz publicava seus 1°s Peanuts, com Charles Brown, Lucy, Linus, Shoeder e Snoopy, o cachorro. Em 1952, surgia a revista MAD, de harvey Kurtzman, de humor mordaz. Em 1959, na francesa Pilote surgiu Asterix. No Brasil, a Editora Abril lançava O Pato Donald e na extinta O Cruzeiro, foi lançada O Amigo da Onça, de Millor Fernandes, o cartunista; em 1959 surgiu O Pererê, do folclore nacional. Em 1955, foram desenhados os catecismos pornográficos, vendidos clandestinamente.
Décadas de1960 e 1970 – No início da década de 1960, Stan Lee, que já havia adaptado O Incrível Hulk para os quadrinhos, criava personagens novos: Homem Aranha, Homem de Ferro e Thor e relançou o Capitão América e Namor. Na Argentina surgiu Mafalda. Em 1970, apareceu Conan, o bárbaro, um romance de espada e feitiçaria. Em 1973, Haggar, o horrível, um viking. Em 1978, vimos surgir O Gato Comilão e Garfild de Jim Pavis. Em 1968, Daniel Azulay lançou o Capitão Cipó, um anti-super herói. O publicitário Maurício de Sousa criou personagens de sucesso, como Mônica, Franjinha, Cascão, Cebolinha, Chicoi Bento e outros, influenciado por Shultz e Luluzinha. Sem condições financeiras de competir commconcorrências estrangeiras, os quadrinhos brasileiros subsistiam com atividades isoladas, como as de Henfil, Ziraldo e Juarez Machado.
Anos 80 – Marvel e DC lançaram séries renovando seus super-heróis. Em 1986, foram lançadas as revistas Heman e She Ra; líderes de audiência na TV. Em 1984, a crise econômica e a concorrência desigual daTV, vídeo-games e VCRs reduziram os 60 miulhões de exemplares vendidos em 1980, para 32 milhões cinco anos depois. Atualmente tem outro fortíssimo concorrente: o computador e a Internet.

2968 – Missão da Nasa na Groenlândia


Ice Bridge é o nome da operação da agência espacial americana que mede o degelo na Groenlândia. A ilha com 3 milhões de km3 é a segunda maior reserva mundial de água doce do planeta e o derretimento do gelo interfere na elevação do nível do mar na Terra.
Enquanto os representantes de 193 países + União Europeia estão em Cancún, na COP16 – Conferência da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, quebrando a cabeça para assinar um acordo que leve à desaceleração efetiva do aquecimento global, o Mega Arquivo pergunta pra você: o que significaria esse aquecimento rápido da Terra? Que conseqüências ele traria para a nossa vida e a vida dos nossos filhos e netos?
Uma série de projetos do Google Earth mostram direitinho tudo que pode acontecer. A partir de arquivos .kmz (que podem ser baixados e executados pelo programa), é possível ver:
– o derretimento da Groelândia de 1980 até 2007;
– as emissões de CO2 de 2005 em cada país;
– o que ocorrerá em Bangladesh (na Ásia) caso o nível do mar suba 1, 2, 3, 4 metros; as projeções de precipitação de chuva caso as emissões de carbono continuem aumentando;
– as projeções de expansão da dengue pelo globo…
É assustador ver o quanto o planeta mudou (e pode mudar) devido ao aumento da temperatura.
Uma apresentação em vídeo (um pouco longa, mas bastante interessante) mostra alguns desses dados. Narrada pelo ex-secretário-geral da ONU e Prêmio Nobel da Paz em 2001, Kofi Annan, a apresentação foi preparada especialmente para a COP16.

Mais sobre a Groelândia no De ☻lho no Mapa

2967 – Os grandes momentos da Bíblia


Das páginas da Bíblia para o ☻Mega

O livro sagrado de judeus e cristãos já foi interpretado de mil maneiras. Conheça a versão literal do que está escrito: a Bíblia como ela é
A criação do mundo
O relato de como Deus criou o Universo e a Terra em 6 dias (no 7º, ele descansou) é o tema do 1º capítulo do 1º livro da Bíblia, o Gênese, cujo nome vem da palavra grega para “começo”. Estudos indicam que ele teria sido escrito no século 10 a.C. A função dessa narrativa primordial é deixar claro que foi Deus quem criou tudo. Havia apenas Deus e o que o Evangelho de João chama de “Verbo”, a vontade divina. A Criação ocorreu pela graça desse Verbo.

1º dia – LUZ E SOMBRA
Deus cria a luz e a separa da escuridão – ou seja, cria o dia e a noite. Também cria o mundo, ou melhor, faz um rascunho: o planeta não possuía nem forma nem vida, era apenas um abismo profundo, também chamado de “as águas”.

2º dia – CÉU E TERRA
Deus divide “as águas” em duas partes, uma acima e outra abaixo, e chama de céu e terra. O mundo é separado do abismo e passa a ter forma e se distinguir do restante do “nada”.

3º dia – TERRA E MAR
Deus cria a crosta terrestre, separando a superfície e os mares. De acordo com o primeiro relato do Gênese, é ainda no 3º dia que Deus cria todos os vegetais.

4º dia – SOL E LUA
Deus cria a Lua, o Sol e as outras estrelas, para brilharem no firmamento e iluminarem a Terra.

5º dia – PEIXES E AVES
Deus cria os seres aquáticos e também as aves voadoras, e ordena que suas criações se multipliquem.

6º dia – HOMEM E MULHER
Após criar os animais domésticos e os que se arrastam pelo chão e lhes indicar como alimento “a relva”, Deus cria os seres humanos, que devem se multiplicar e dominar as outras criaturas.

>> Humanos
Deus cria Adão “à sua imagem e semelhança” com o pó da terra e sopra em seu nariz o “respiro da vida”. Durante o sono, Deus lhe tira uma costela e dela faz a mulher.
7º dia – CONSENSO E DESCANSO
Deus vê que seu trabalho é bom. Finalizada a Criação, ele abençoa e santifica o 7º dia, e então descansa.

A travessia do mar Vermelho
Os hebreus viviam como escravos no Egito havia 4 séculos quando Deus mandou que seu líder, Moisés, os levasse de volta à Terra Santa, o chamado Êxodo. Instável, o faraó mandou seu exército atrás do povo que havia recém-libertado. Os egípcios alcançaram os hebreus quando eles atravessavam o mar Vermelho, aberto apenas para sua passagem.

1. Ó FARAÓ
Para forçar o faraó a libertar os hebreus da escravidão, Deus enviou 10 pragas ao Egito (ver quadro abaixo). Só assim Moisés recebeu a permissão para deixar o Egito com o povo de Israel, após 430 anos de escravidão. Estudiosos acreditam que o faraó do Êxodo seja Ramsés 2º, que reinou de 1290 a 1244 a.C.

2. FORÇA-TAREFA
O faraó era um sujeitinho difícil: libertou os hebreus, se arrependeu e mandou trazê-los de volta. Foram enviados 600 cavaleiros e carros de guerra para alcançar os ex-escravos, que já estavam no caminho para a Terra Prometida.

3. RETAGUARDA DIVINA
Durante a marcha, Deus se manifesta na forma de nuvem. Próximo ao mar Vermelho, recua para o fim da fila e impede que os egípcios alcancem os hebreus, aterrorizando os perseguidores com trovões e fogo.

4. O POVO DE MOISÉS
Os hebreus que escaparam do Egito sob a liderança de Moisés eram cerca de 600 mil. Levavam rebanhos de ovelhas e bois, massa de pão ázimo, armas, parte do tesouro do faraó (gentilmente cedido após as pragas) e uma urna com os ossos de José, o hebreu que foi primeiro-ministro do Egito.

5. O CARA
Moisés, criado como irmão adotivo do faraó, recebeu a missão divina de libertar seu povo dos egípcios. Volta e meia, ele precisava dar provas do poder de Deus, como, por exemplo, abrir as águas do mar Vermelho.

6. Ô ABRE ÁGUAS
Sob o poder de Deus e o comando de Moisés, que levanta os braços e ordena o milagre, as águas do mar Vermelho se abrem para permitir a passagem dos filhos de Israel. Logo em seguida, Moisés comanda e as águas desabam sobre o exército do faraó. Nenhum perseguidor sobrevive, e a caçada chega ao fim.

As pragas do egito

1. Águas do Nilo viram sangue

2. Infestação de rãs

3. Infestação de piolhos

4. Infestação de moscas

5. Morte dos animais

6. Tumores brotam nos egípcios

7. Chuva de pedras

8. Infestação de gafanhotos

9. Escuridão durante 3 dias

10. Morte de primogênitos de egípcios

O fim do mundo
O Apocalipse, último livro da Bíblia, não dá uma data, mas revela como o mundo vai acabar. O livro, escrito no final do século 1, recorre a monstros e catástrofes sobrenaturais para reforçar os valores cristãos: depois de tanta tragédia, os escolhidos irão para o céu.

1. INÍCIO DO FIM
Um anjo revela o apocalipse a João, e ordena que ele escreva tudo o que vê. Tem início um relato surrealista, em que Deus comanda uma cerimônia que vai levar ao fim dos tempos.

2. TROMBETAS
Anjos sopram trombetas que trazem pestes às plantações, meteoros que extinguem a vida marinha, o fim do Sol e da Lua, gafanhotos gigantes e um exército do mal. E tem mais.

3. O NÚMERO 7
O livro é repleto de conjuntos de 7 coisas: igrejas, anjos, selos, tochas, taças, estrelas, trombetas, candelabros e até um monstro com 7 chifres e 7 olhos que, para a maioria dos estudiosos, é uma referência explícita a Jesus, embora o livro mantenha o mistério.

4. TAÇAS
A última trombeta traz uma terceira leva de desgraças: 7 taças da Ira de Deus, que causam chagas, rios de sangue, calor intenso, escuridão, outro exército do mal e mais meteoros. Quem sobra vai para o Juízo Final.

5. JUÍZO FINAL
Jesus segura o Livro da Vida, e tem na sua frente uma fila com pessoas de todas as épocas. Basicamente, se você foi um bom cristão, seu nome está lá e você é abençoado com a vida eterna no paraíso. Caso seu nome não conste, você é condenado à morte, também eterna, no inferno.

Livro dos 7 selos
Deus tem na mão um pergaminho com 7 selos. Cada vez que um é aberto ocorre uma tragédia.

1º selo Cavaleiro da peste

2º selo Cavaleiro da guerra

3º selo Cavaleiro da fome

4º selo Cavaleiro da morte

5º selo Almas dos mártires

6º selo Terremoto, Sol negro, Lua vermelha, estrelas caem na Terra e a humanidade se esconde

7º selo Trombetas dos anjos, que causam mais destruição