2934 – Mega Mitos – Ovnis – Matrix – Deus – Reencanação


A maioria dos cientistas não acredita em nenhuma dessas coisas. Mas então por que a ciência tem tanta dificuldade em provar que elas não existem?

Todo ano, na Inglaterra, é realizado um “acampamento para ateus” – onde crianças e jovens participam de palestras e debates sobre ciência. A principal gincana desse evento gira em torno de dois unicórnios invisíveis – que vivem no acampamento e não podem ser vistos, ouvidos, tocados ou cheirados. Ganha quem conseguir provar que eles não existem. Fácil, você dirá. É claro que unicórnios não existem, muito menos os invisíveis. Mas, ano após ano, ninguém do acampamento consegue provar esse óbvio ululante. Substitua os tais unicórnios por outras ideias que costumam ser rechaçadas por muitos cientistas, como a existência de Deus, Matrix e visitas de aliens à Terra, e você chegará ao mesmo impasse: se os cientistas têm tanta certeza de que essas coisas não existem, por que então não conseguem provar que estão corretos?

O problema está no chamado “método científico” – que é adotado por todos os pesquisadores e foi proposto por Galileu Galilei no século 16. Em vez de simplesmente especular sobre as coisas, como se fazia até então, ele criou um procedimento mais rigoroso. São 4 etapas (veja acima), e só passando por todas é possível chegar a uma conclusão irrefutável. Só que a ciência, mesmo com todos os seus avanços, às vezes ainda tropeça em alguma delas. E o mesmo rigor racional que permitiu confirmar as verdades mais fundamentais do Universo, como as leis da física, torna impossível provar que determinadas crenças são falsas. Vire a página para saber por quê.
O método científico
Quer provar algo? Veja as etapas que é preciso atravessar.

1. Observação – Olhe o mundo e perceba alguma coisa notável, digna de análise. Precisa ser um fato concreto.

2. Pergunta – Escreva uma pergunta sobre esse fato. Por exemplo: o que ele é? Quais são suas causas?

3. Hipótese – Baseando-se no conhecimento científico atual, imagine a provável resposta dessa pergunta.

4. Experiência – Faça um teste em circunstâncias controladas. O resultado vai confirmar ou negar a hipótese.

5. Conclusão – Sim/Não

Coisas que a ciência não consegue provar
CONDIÇÃO ATENDIDA – Etapas superadas pelos cientistas.
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – Momento em que a análise empaca.
Quando a gente morre acabou
CONDIÇÃO ATENDIDA – 1. Observação
CONDIÇÃO ATENDIDA – 2. Pergunta
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 3. Hipótese
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 4. Experiência

O corpo humano é feito de células. Quando elas morrem, você morre. Não existe alma nem reencarnação. Essa é a visão científica tradicional. Mas bilhões de pessoas acreditam em vida após a morte. Elas estão erradas? Não há como garantir que estejam. O fato é que a ciência não consegue provar que alma e reencarnação não existem, por um motivo simples: como testar algo que não deixa evidência palpável? Até hoje, ninguém conseguiu encontrar ou medir a alma das pessoas. E olha que isso já foi tentado. Em 1907, o médico americano Duncan MacDougall pesou 6 pacientes antes e depois da morte. Ele achava que, se a alma existisse, quando a pessoa morresse, ela sairia do corpo, deixando o cadáver com um peso menor que o indivíduo tinha quando estava vivo. MacDougall comprovou sua teoria. Mas, como ele mesmo admitiu depois, duas das medições estavam erradas – e um cadáver voltou a recuperar o peso. Novos testes foram feitos nas décadas seguintes, mas nunca provaram a tese. Estudos mais recentes sugerem que o cérebro pode gerar alucinações, em que a pessoa sai do próprio corpo, durante a morte. Mas só porque a nossa mente cria ilusões de alma não quer dizer que ela de fato não exista. Sem testar a reencarnação em laboratório, é impossível provar que ela não é real.

Deus não existe
CONDIÇÃO ATENDIDA – 1. Observação
CONDIÇÃO ATENDIDA – 2. Pergunta
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 3. Hipótese
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 4. Experiência

Esta o biólogo inglês Richard Dawkins, um dos principais cientistas do mundo e líder de várias campanhas ateístas, adoraria dizer que pode provar. Afinal, dizer que alguma coisa acontece “por causa de Deus” é inadmissível para cientistas como ele. Porque essa é uma afirmação que, no fundo, realmente não explica nada. Mas é impossível provar que Deus não existe, porque o método científico só consegue testar a validade de hipóteses que, em tese, possam ser refutadas com provas. Se você levantar uma hipótese como “a Terra é quadrada”, por exemplo, pode testá-la mandando uma nave espacial fotografar o planeta. É uma prova objetiva. Já com a existência de Deus, não é assim. Como conseguir provas? Onde procurá-las? Mesmo se fosse possível criar um teste para medir a existência de Deus, ele poderia optar por não aparecer – ou simplesmente fingir que não estava lá.

O problema para os pesquisadores é que a ciência, ao contrário da Igreja, não prova as coisas pela negativa. Quando o Vaticano quer provar um milagre, usa a ausência de provas em contrário – obtém laudos de cientistas dizendo que eles não conseguem explicar aquele fato. “Se os peritos afirmam que a ciência não pode explicar o acontecido, aquilo passa a ser reconhecido como intervenção divina”, explica Luiz Carlos Marques, especialista em história religiosa da Universidade Católica de Pernambuco.

O método científico não funciona assim. Como os cientistas costumam dizer, a inexistência de provas não é uma prova de inexistência. A única coisa que a ciência pode fazer é afastar Deus do nosso dia a dia, explicando o Universo e as coisas de forma lógica e racional em vez de atribuí-las a fenômenos sobrenaturais. Mas daí a dizer que Deus não existe, vai uma enorme distância. E, se Richard Dawkins não gostar, sempre pode tirar as calças e pisar em cima.

Óvnis não são reais
CONDIÇÃO ATENDIDA – 1. Observação
CONDIÇÃO ATENDIDA – 2. Pergunta
CONDIÇÃO ATENDIDA – 3. Hipótese
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 4. Experiência

Normalmente, quando alguém aparece com uma suposta foto de disco voador, o especialista consultado costuma ser um astrônomo. Eles conseguem refutar a esmagadora maioria das supostas aparições de óvnis (geralmente fraudes ou ilusões de ótica). Mas não conseguem descartar totalmente a questão. Tudo por causa do método científico. Quer ver? A primeira etapa, observação, transcorre sem qualquer dificuldade: existem, afinal, aparições de óvnis a ser estudadas. A segunda etapa, pergunta, também rola sem problemas. Basta formular a questão “as visitas de extraterrestres à Terra são reais?” Depois vem a hipótese: essas visitas não são reais porque as imagens são fraudes, ou apenas ilusões – existem certos fenômenos atmosféricos que podem produzir efeitos semelhantes aos de óvnis. Até aí, tudo bem.

O problema vem na etapa seguinte, a experiência. Não é possível fazer um experimento controlado com ETs. Nem sequer podemos prever quando os supostos discos voadores vão aparecer no céu. Sem experiência, não há conclusão – e não se prova nada.

Se os aliens apenas deixassem um sinal físico de sua existência – um pedaço de nave, que pudesse ser testado em laboratório para provar sua origem extraterrestre -, a questão voltaria ao alcance da ciência. “O mais frustrante é que, mesmo após milhares de avistamentos de óvnis, nenhum produziu evidências físicas que pudessem levar a resultados reprodutíveis em laboratório”, diz o físico Michio Kaku, da Universidade da Cidade de Nova York.

Não vivemos na Matrix
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 1. Observação
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 2. Pergunta
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 3. Hipótese
CONDIÇÃO NÃO ATENDIDA – 4. Experiência

O filósofo francês René Descartes, no século 17, estabeleceu as bases do racionalismo. Ele começava duvidando de tudo, e depois ia restabelecendo as verdades com base na razão. As 3 conclusões a que chegou, que serviram de base a todo o resto, são bastante conhecidas: “Penso, logo existo”, “Deus existe” e “o mundo existe”. É sempre chato desapontar um gênio como Descartes, mas é muito difícil justificar cientificamente essas conclusões. Começando pela que talvez pareça mais óbvia: o mundo existe. O que nos garante que o mundo existe de verdade – e não é apenas uma simulação criada por computadores ou pelos nossos sentidos, como no filme Matrix? Nada. É impossível provar cientificamente que essa ilusão, a Matrix, não existe. E isso acontece porque o método científico é freado já em sua primeira etapa: a observação. Nós observamos o mundo a partir dos nossos sentidos: visão, olfato, paladar, tato e audição. Só que eles nos enganam. Se estamos assustados, por exemplo, podemos ouvir barulhos que não existem. E, principalmente, não temos acesso direto à realidade – nossas sensações são produzidas pelo cérebro, que recebe e interpreta sinais e transforma o resultado em algo acessível pela consciência. Ora. Se o ser humano não consegue observar o mundo sem passar por esse filtro, não tem como provar se ele é real ou apenas uma ilusão. “E se a nossa civilização atingisse um estágio pós-humano [muito avançado] e começasse a rodar simulações de épocas anteriores? Como podemos saber se não estamos numa dessas simulações?”, pergunta o filósofo Nick Bostrom, da Universidade de Oxford. Ele tem razão. Cientificamente, nada garante que não estejamos vivendo dentro da Matrix.

2933 – Mega Notícias-Cerveja aumenta casos de malária


Cientistas franceses testaram 43 voluntários em Burkina Fasso, país africano com muitos casos de malária. Metade dos voluntários bebeu água, e metade cerveja. Em seguida, os pesquisadores liberaram mosquitos causadores da doença – que preferiram voar na direção de quem tinha tomado cerveja. Por quê? Ninguém sabe.

Telefone celular faz você babar mais
Uma experiência feita pela Universidade de Jerusalém descobriu que as glândulas salivares são estimuladas pela proximidade do celular: quem usa o aparelho encostado na orelha direita produz até 254% mais saliva no lado direito da boca (e vice-versa). O efeito supostamente é causado pela radiação eletromagnética emitida pelo celular.

Dinheiro alivia a dor
Num estudo da Universidade de Minnesota, dois grupos de voluntários mergulharam as mãos em água quente. Mas o primeiro grupo havia manuseado cédulas de dinheiro antes do teste – e, por isso, sentiu 30% menos dor com as mãos na água quente. Os pesquisadores acham que isso acontece porque o dinheiro traz sentimentos muito positivos, que distraem o cérebro.
Vírus de planta ataca humanos
Cientistas da Universidade de Marselha descobriram que o PMMoV, vírus que ataca certos tipos de pimenteira, também pode infectar humanos – nos quais poderia causar febre e dores no corpo. Em tese, a infecção ocorre ao ingerir comida com curry ou molho de pimenta.

2932 – Parapsicologia-Atividade cerebral dispara antes da morte


Estudo revela que o córtex cerebral acelera logo antes do óbito. E isso pode explicar as experiências extracorpóreas
Entrar num túnel de luzes. A sensação de sair do próprio corpo. Encontrar parentes e amigos já falecidos. Muitas pessoas que estiveram perto da morte relatam ter passado por experiências como essas, que a ciência nunca conseguiu explicar. Mas um estudo impressionante, que pela primeira vez revelou o que acontece no cérebro durante a morte, parece ter começado a desvendar o mistério.

Usando um aparelho de eletroencefalograma, um grupo de médicos monitorou a atividade cerebral de 7 pessoas enquanto elas morriam. Todas eram pacientes terminais, entre 34 e 74 anos, que sofriam de cirrose, falência múltipla dos órgãos, septicemia, insuficiência cardíaca ou câncer. Os doentes estavam sob efeito de sedativos e só sobreviviam com a ajuda de aparelhos – que, a pedido de suas famílias, foram desligados.

A atividade cerebral dos pacientes ia ficando cada vez menor. Mas, nos últimos momentos antes da morte, o córtex cerebral (área responsável pela consciência) simplesmente disparava, e permanecia 30 a 180 segundos num nível muito mais alto, antes de cessar de vez. Isso acontece porque, quando os neurônios ficam sem oxigênio, perdem a capacidade de reter energia e começam a disparar em sequência – num efeito dominó que poderia provocar alucinações. “Isso pode explicar as experiências extracorpóreas relatadas por pacientes que quase morreram”, afirma o estudo, assinado por 4 médicos da Universidade George Washington.

2931 – Adultos Crescem?


Não se iluda: depois que a fase natural de crescimento passa, é difícil conseguir resultados significativos, e o único tratamento que funciona é complicado Durante a puberdade, somos afetados de duas formas pelos hormônios sexuais. Primeiro, eles estimulam a liberação do hormônio do crescimento. É o que gera o famoso estirão. Mais tarde, porém, eles provocam a calcificação das cartilagens de crescimento entre os ossos. Enquanto houver cartilagem, há esperanças. Depois… “Uma vez fechadas, há pouco crescimento adicional”, “Atingimos 97% da nossa altura final aos 13 anos de idade óssea para meninas e aos 16 para meninos.
Osso duro de roer
O método Ilizarov é o único que funciona depois de adulto – e é também muito parecido com tortura

1. Armadura
O procedimento demora até um ano. Primeiro, são colocados anéis de metal ao redor da perna, que são fixados cirurgicamente ao osso por pinos. Os anéis são ajustáveis e se afastam por roscas.

2. Quebra tudo
Com a ajuda de uma serra cirúrgica, a parte exterior e mais dura do osso é quebrada e separada. Agora já é possível ajustar a distância entre os pedaços do osso com a ajuda dos anéis.

3. Esticão
Aos poucos, o paciente afasta a fratura, num ritmo de 1 milímetro ao dia. O osso fica mais comprido à medida que cicatriza. O ganho de altura pode ser de até 5 centímetros – já a dor é imensurável.

2930 – Mega Curiosidade – Cálculo Simples


A revista científica inglesa Physics World fez uma pesquisa para eleger as melhores equações de todos os tempos nos quesitos elegância, importância e poder explicativo. O primeiro lugar foi para as equações de Maxwell que unificaram eletricidade e magnetismo, enquanto o e = mc2 de Einstein ficou com a sexta posição. O grande destaque, no entanto, foi o oitavo lugar: a conta 1 + 1 = 2.

2929 – O que é abracadabra?


Ninguém tem muita certeza. O que se sabe é que foi no século 2 que a palavrinha apareceu grafada pela primeira vez. O médico grego Quintus Serenus Sammonicus a escreveu num de seus livros sobre remédios e curas. Segundo o livro, abracadabra tratava-se de um vocábulo secreto de uma seita na Alexandria, cujo deus supremo era Abrasax, inspirador do nome.
Também não há explicação definida para a maneira como o mote acabou chegando às línguas modernas. A forma grega, abrasadabra, pode ter sido a responsável. Mas há quem diga que abracadabra foi inventada a partir das iniciais de três nomes hebreus que se referem à Trindade: Ab (Pai), Ben (Filho) e Ruach Hakadosh (Espírito Santo). Outras teorias dizem que a expressão surgiu da união das palavras hebraicas abreg, ad e habra. A junção das três significaria “fulmine com seu raio”. E há ainda quem aposte que o jargão mágico seria um mix das palavras celtas Abra (Deus) e Cad (Santo).
Durante a Antiguidade, a expressão era escrita num triângulo de couro usado no pescoço como pingente para invocar poderes de cura para dores e outros perrengues.
Os adeptos da religião wicca acreditam em sua função protetora. Exorcistas e místicos usam-na até hoje para chamar ou banir espíritos. E de Houdini a David Copperfield, todos os ilusionistas, grandes ou medíocres, empregaram a expressão.

2928 – Como funcionam as leis de extradição?


Fonte: USP Direito
Cada governo pode aplicar suas próprias leis a quem comete um crime em seu território, mesmo que a pessoa seja estrangeira. A isso dá-se o nome de soberania nacional, um conceito que data de 1648, quando Holanda e França assinaram o tratado de Westfalia. se você entrar na Indonésia com cocaína, é provável que seja condenado a encerrar sua vida com um tiro na cabeça autorizado pelo governo local. E, por mais esforço que façam, advogados e diplomatas brasileiros não vão poder remediar a decisão. A prova mais recente disso é a decisão da corte indonésia de executar o brasileiro Marcos Archer. Em 2003, ele foi preso com 13 quilos de cocaína na bagagem. Ainda há prazos para recursos e a embaixada pode interceder, pedindo que ele cumpra pena no Brasil, mas a decisão final fica a cargo do governo do país asiático.
Se o episódio com Archer tivesse acontecido no México, é bem provável que ele fosse mandado de volta. Isso porque México e Brasil assinaram um tratado de extradição em 1933, comprometendo-se a cooperar um com o outro.
Quando não há acordo estabelecido previamente, a decisão de extraditar o preso depende das relações diplomáticas entre os países envolvidos. Os pedidos são julgados com base na reciprocidade de tratamento. Ou seja, um país só acata pedidos de extradição de países que agiriam da mesma forma em uma situação parecida. Mas nem sempre é assim que funciona. “Na prática, a decisão final vai depender da força econômica e da influência de um país sobre outro.O Brasil segue a lei 6 815, conhecida como Estatuto do Estrangeiro, e os pedidos de extradição são avaliados pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O envio do preso ao país requerente depende de vários fatores, mas o STJ não acata pedidos quando: o crime em questão não é considerado delito no Brasil; a lei brasileira impõe punição igual ou inferior a um ano de prisão; o pedido se refere a um crime pelo qual o acusado já tenha cumprido pena no Brasil, e quando se trata de crimes políticos. E sob hipótese nenhuma o Brasil extradita um brasileiro.
Contando presos
Segundo o Itamaraty, existem aproximadamente 2 500 brasileiros presos fora do país. O órgão informa que é impossível saber o número exato, já que muitas vezes o próprio preso não quer que a família, no Brasil, seja avisada de sua prisão. O último levantamento detalhado foi feito em 1999 e apontava menos da metade da estimativa atual: 1 202 presos em 94 países do mundo. Japão e Estados Unidos são o destino favorito dos nossos conterrâneos infratores
Diplomacia em jogo
Conheça alguns casos envolvendo acordos de extradição
Estados Unidos
Pivô: Peter Franklin Paul, empresário americano
Histórico: Famoso por acusar Hilary Clinton de sonegação, Paul foi preso no Brasil, acusado de fraudes que teriam causado prejuízo de milhões de dólares
Sentença: Extraditado em 2003
Motivo: Brasil e Estados Unidos mantêm um tratado de extradição. Presos são devolvidos ao país de origem, com exceção de crimes em que a lei prevê pena de morte
México
Pivô: Glória Trevi, cantora mexicana
Histórico: Acusada de corrupção de menores, foi presa em janeiro de 2000 no Brasil e engravidou na carceragem da Polícia Federal
Sentença: Extraditada em 2002, quando ficou provado que o pai do bebê não era um brasileiro
Motivo: Ter filhos brasileiros não impede a extradição, mas o fato é usado com freqüência para tentar impedir o retorno. No México, Glória foi julgada e absolvida
Paraguai
Pivô: Alfredo Stroessner, general paraguaio
Histórico: Presidente e ditador do Paraguai por 35 anos, fugiu para o Brasil em 1989 e, acusado de genocídio, foi requerido pelo governo de seu país natal
Sentença: Não extraditado
Motivo: A lei brasileira determina que não se extraditem pessoas acusadas de crimes políticos. Hoje, Alfredo Stroessner tem 91 anos e vive em Brasília
Reino Unido
Pivô: Ronald Biggs, que assaltou o trem pagador na Inglaterra, em 1963
Histórico: Fugiu para o Brasil e viveu em liberdade por 36 anos
Sentença: Não extraditado
Motivo: A Inglaterra solicitou a extradição de Biggs, em 1990, mas o STJ alegou que o crime havia prescrevido. Em 2001, ele se entregou às autoridade britânicas. Hoje, aos 75 anos, está em um hospital penitenciário de Londres
Itália
Pivô: Salvatore Alberto Cacciola, ex-dono do banco Marka
Histórico: Acusado de fraude e corrupção em 1999, viajou para a Itália, onde também tem cidadania, e não voltou mais
Sentença: Não extraditado
Motivo: Apesar de todo o esforço diplomático brasileiro, o crime de “gestão temerária” foi considerado muito vago para o governo italiano. Cacciola tem ordem de prisão no Brasil e, se vier ao país, será preso
Alemanha
Pivô: Olga Benário, mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes
Histórico: Em Berlim, Olga era acusada de atividades subversivas. No Brasil, chefiou a tentativa de golpe que ficou conhecida como “Intentona Comunista”, em 1935
Sentença: Extraditada em 1936
Motivo: O governo brasileiro mantinha boas relações diplomáticas com a Alemanha de Hitler. Olga foi morta em um campo de concentração
Israel
Pivô: Arie Scher, vice-cônsul de Israel no Rio de Janeiro
Histórico: Em 2000, a polícia encontrou fotos pornográficas de crianças na casa do diplomata. Acusado de pedofilia, ele fugiu para Israel e enviou um habeas corpus ao Supremo Tribunal de Justiça
Sentença: Não extraditado
Motivo: Israel alegou que Arie voltou ao país a pedido do governo. O fato gerou um constrangimento legal entre os dois países

2927 – O que é biopsicologia, afinal?


É um termo usado por cientistas para definir o estudo científico da biologia do comportamento e processos mentais. Refere-se ao inextricável relacionamento entre psicologia e biologia, que é chamado de medicina corpo-mente, ou psiconeuroimunologia. É a confirmação do que diz a neurologista Candace Pert: cada mudança de humor é acompanhada por uma cachoeira de “moléculas de emoção” – hormônios e neurotransmissores – que flui através do corpo, afetando todas as células. Cada célula humana contém cerca de 1 milhão de receptores para receber essas substâncias bioquímicas. Assim, quando estamos tristes, nosso fígado está triste, nossa pele está triste.
Como essas moléculas nos afetam?
Praticamente tudo no corpo é regulado pelos hormônios. Eles estão entre os mais poderosos agentes biológicos, influenciando, por exemplo, nossa resposta ao estresse. Cardiologistas pensavam que as pessoas mais propensas a sofrer ataque cardíaco – as com personalidade “tipo A” – fossem apressadas, altamente competitivas e hostis. Recentemente percebeu-se que o problema não é tanto o estilo de vida acelerado ou a ambição compulsiva, mas a hostilidade. As pessoas que respondem a chefes prepotentes ou engarrafamentos no trânsito com irritabilidade – que vivem dizendo “Ai, que saco!” – secretam até 40 vezes mais cortisol das glândulas supra-renais.
Qual é o problema com o cortisol?
Em excesso, é tóxico para o organismo. Assim, pessoas do “tipo A” são cinco vezes mais propensas a sofrer doenças e morrer cedo do que as “tipo B”, que têm mais cabeça fria.
Qual a influência dos hormônios de estresse sobre os processos mentais?
A secreção excessiva de cortisol também afeta a nossa cognição – literalmente mata as células cerebrais no hipocampo, a região do cérebro responsável pela memória. É por isso que mais e mais pessoas estão perdendo a memória – esquecendo onde puseram as chaves do carro, ou fazendo listas para lembrar o que têm de fazer, e depois esquecendo onde deixaram as listas. Pesquisas na Universidade de Michigan demonstraram que o declínio da memória entre jovens de 30 a 40 anos hoje em dia é o mesmo dos idosos de 70 a 80 anos. Estamos nos tornando como o paciente que se queixou ao seu médico: “Doutor, estou perdendo minha memória!” O doutor então perguntou: “Perdendo sua memória? Há quanto tempo?” O paciente respondeu: “Há quanto tempo o quê, doutor?”
A depressão tem base biológica?
Cada emoção tem um componente biológico. Quando vemos uma pessoa deprimida numa cadeira, quase incapaz de se mover, tendemos a pensar que ela está sem energia. Pelo contrário, ela está como uma mola retesada: secretando desenfreadamente elevados níveis de cortisol, sinal de que está lutando uma exaustiva batalha mental – tudo dentro de si. Como a escola freudiana descreve, depressão é “agressão voltada para dentro”.
É possível retardar o envelhecimento com o uso de hormônios?
Estrelas de Hollywood tomam hormônios para manter a vitalidade. Mas, como endocrinologistas advertem, não existe almoço grátis. O aumento não natural de hormônios pode produzir danosos efeitos colaterais. Temos dentro de nós uma sofisticada farmacopéia. Podemos naturalmente estimular o corpo a melhorar sua produção de hormônios, sem risco para a saúde.
Como podemos produzir hormônios intencionalmente?
O objetivo da biopsicologia é otimizar a secreção hormonal. Assim como as emoções negativas são acompanhadas por uma sopa bioquímica tóxica, as positivas mobilizam um prazeroso coquetel de hormônios e neurotransmissores benéficos para a saúde. Estudos demonstram que um dos mais importantes fatores na saúde e longevidade não é exercício, alimentação ou estilo de vida, mas nossa resposta à pergunta: “Você tem alguém na sua vida que realmente o ame? E quem você realmente ame?” Aqueles que respondem “não” têm risco até cinco vezes maior de morte prematura que os que respondem “sim”. A mensagem dessas pesquisas: o amor realmente conta.
Qual molécula de emoção está ligada ao amor e à afeição?
Uma é a ocitocina, estimulada em todos durante relações afetivas e nas mulheres durante a amamentação. Ela tem poderosos efeitos antiestresse: reduz o nível de cortisol e a pressão arterial. Por isso, o apoio social é tão importante na resistência ao estresse e à saúde. Mas estamos nos tornando cada vez mais desconectados. Sofremos do que psicólogos chamam de “síndrome das metrópoles”: uma sensação de estar sozinho em meio à multidão. A tecnologia acabou com distâncias, mas foi incapaz de nos aproximar. Como diz o Dalai Lama, “compaixão e amor não são supérfluos. São fundamentais para a sobrevivência da nossa espécie”.

2926 – Câncer – A humanidade contra-ataca


Da Super para o ☻Mega

Na milenar batalha entre o câncer e a espécie humana, continuamos levando a pior. Mas começou a reação. Entenda por que os cientistas estão otimistas
A cura do câncer foi uma espécie de Santo Graal do século 20: o objetivo supremo da humanidade, a causa mais nobre que é possível imaginar. Em 1971, o presidente americano Richard Nixon, na tradição dos presidentes americanos de declarar guerras, convocou os cientistas do país para a famosa “guerra contra o câncer”. Os cofres americanos se abriram e, de lá para cá, fabulosos 70 bilhões de dólares foram gastos em pesquisas sobre o assunto. Sem contar aí as outras dezenas de bilhões investidas por laboratórios farmacêuticos, ONGs e governos de todas as partes do mundo. O objetivo era um só: a cura do câncer.
Vejamos então os resultados. Em 1971, ano da “declaração da guerra”, em cada grupo de 100 mil pessoas nos Estados Unidos, 163 morriam de câncer. Depois de 30 anos de “guerra”, será que a taxa caiu? Não. Subiu. Em 2001, eram 194 mortes a cada 100 mil americanos. Em 2000, 10 milhões de pessoas no mundo todo receberam o diagnóstico de câncer e 6 milhões morreram (no Brasil são 400 mil novos casos e 125 mil mortes anuais). Esses números têm crescido, ano a ano. Uma estatística assustadora afirma que 40% de todos os americanos vivos hoje receberão o diagnóstico de câncer em algum momento de suas vidas. Algumas projeções afirmam que esse número, em vez de cair, vai subir – para 50% em 2010. E a tal “cura do câncer”? Ninguém mais nem fala nela. É um consenso crescente que aquela manchete tão sonhada jamais será publicada.
Três boas novas
Ou seja, os números não são animadores. Mesmo assim, uma onda de euforia varre o mundo. “Os cientistas estão muito otimistas com o futuro do tratamento”, afirmou a influente revista britânica The Economist, numa reportagem de capa sobre o assunto, publicada no mês passado. E eles têm três boas razões para o otimismo. A primeira: nunca soubemos tão bem o que causa o câncer. Hoje dá para dizer com absoluta certeza que qualquer pessoa que adote uma dieta equilibrada, passe longe do cigarro, tome cuidado com o sol, se exercite com freqüência, evite o estresse e realize exames periódicos reduz – e muito – suas chances de ter câncer.
A segunda: o tratamento está ficando sensivelmente mais racional. Os remédios tradicionais contra o câncer – quimioterapia e radioterapia – são bombas devastadoras, que combatem tumores mais ou menos do mesmo jeito que uma granada combate mosquitos. Pela primeira vez estão surgindo drogas inteligentes, desenhadas para agir apenas onde são necessárias, o que garante mais eficácia e menos efeitos colaterais.
E a terceira: o futuro das pesquisas é promissor. O desenvolvimento de novos remédios sempre foi uma loteria – um jogo tosco de tentativa e erro no qual é preciso revirar palheiros em busca de agulhas. Na média, dos anos 50 até hoje, algo como 50 mil substâncias tiveram que ser testadas para cada remédio importante que chegou ao mercado. Não será mais assim. Com o conhecimento crescente sobre o genoma humano e sobre os mecanismos moleculares do câncer, a pesquisa vai se tornar mais focada, mais precisa e, certamente, mais eficiente.
Em resumo: muito embora continuemos perdendo a guerra, nossos generais, pela primeira vez, entendem as táticas do inimigo. Finalmente podemos afirmar que estamos nos tornando mais espertos que o câncer. “Se as últimas três décadas terminaram em desapontamento, a próxima tem tudo para ser uma de avanço rápido”, afirma a Economist. Nada disso significa que o câncer vá desaparecer. Pelo contrário. Com os progressos da medicina e a cura de várias doenças infecciosas, mais e mais gente está chegando a idades avançadas. E, à medida que se envelhece, as chances de aparecer um câncer aumentam. Isso provavelmente significa que o número de pacientes com câncer vai continuar crescendo. Mas também é provável que nosso velho inimigo fique cada vez menos assustador, cada vez menos mortal e cada vez menos doloroso.
Como evitar
É difícil acreditar que, até os anos 60, ainda não se admitia que houvesse qualquer ligação entre cigarro e câncer. Câncer, naquela época, era uma doença terrível e misteriosa, que caía do céu sobre nós de um modo imprevisível e aleatório. Havia a sensação de que os simples mortais pouco podíamos fazer além de nos conformarmos com o destino. De lá para cá, muita coisa mudou. Já sabemos com bastante segurança que escolhas simples, ao alcance de qualquer um de nós, podem aumentar ou diminuir enormemente as chances de desenvolver algum tipo de câncer.
Para resumir: “Precisamos parar de fumar, comer uma dieta saudável, fazer exercícios e realizar check ups que incluam exames de mama, de próstata e de colo de útero”, segundo o pesquisador John Mendelsohn, presidente do M.D. Anderson Cancer Center, do Texas, um dos mais respeitados centros de pesquisa e tratamento do mundo. Com essas providências, as chances de desenvolver câncer despencam – e as de descobrir a doença a tempo de tratá-la com sucesso aumentam muito.Uma providência fundamental é tentar se manter no peso. Um estudo publicado no ano passado no The New England Journal of Medicine mostrou que, entre os homens, a obesidade é responsável por cerca de 14% das ocorrências de câncer. No caso das mulheres, o excesso de peso é ainda mais danoso: está ligado a 20% dos tumores, especialmente na mama e no endométrio. Associada ao sedentarismo, então, a obesidade é um risco tremendo.
Também já se conhece uma longa relação de alimentos que, de uma forma ou de outra, protegem contra os tumores. O licopeno, presente no molho de tomate, ajuda a prevenir o câncer de próstata. O resveratrol, abundante nos vinhos tintos, protege a mama e o intestino. As isoflavonas, substâncias da soja, também colaboram para diminuir as chances de tumores na mama. Comer uma dieta variada, sem exageros de proteína e gordura e rica em frutas e verduras, já se provou capaz de diminuir as chances de diversos tipos de câncer, como os de pulmão, boca, esôfago, estômago e intestino.
O câncer não cai do céu, nem é determinado de forma inevitável por nossos genes. Ele é, em grande medida, uma doença “ambiental”, uma reação do nosso corpo ao mundo que o cerca. Não por acaso, sua incidência aumenta em lugares onde ocorrem mudanças bruscas de estilo de vida, como tem acontecido em muitos países da Ásia e da África que trocaram suas dietas tradicionais pelo culto da fast food e do tabaco. Conhecer o organismo, observar as reações dele, aprimorar a consciência corporal – seja através de exercícios físicos, seja com técnicas de meditação, seja meramente prestando mais atenção – é uma atitude que faz diferença.
Todos nós, humanos, somos descendentes de um primeiro organismo unicelular, uma simples bactéria. Desde aquele tempo está em vigor uma lei imutável que rege os seres vivos: a da seleção natural, pela qual quem não deixa descendentes desaparece. No tempo das bactérias essa luta para sobreviver era bem simples: quem se multiplicasse com mais velocidade ocuparia antes os espaços disponíveis do planeta e teria imensas chances de vencer a competição evolutiva contra outras espécies. Quem não fizesse isso seria eliminado.
Quando surgiram os seres multicelulares, a regra do jogo mudou um pouco. As células precisaram aprender a cooperar, para que o crescimento exagerado de uma não matasse as outras. Tal cooperação só foi possível porque as células desenvolveram uma série de truques químicos para evitar que a divisão celular fugisse do controle. Esses truques são como “sistemas de segurança”, projetados pela evolução para nos proteger da vocação egoísta de cada célula. Mas hábito é hábito. Basta algum desses sistemas falhar – o que acontece em geral por causa de um desequilíbrio ambiental que provoca uma mutação genética – e a célula vai fazer aquilo que ela faz melhor: multiplicar-se sem controle. E, daí para a frente, o darwinismo explica tudo: num corpo no qual há células sob controle se multiplicando devagar e células descontroladas se dividindo rapidamente, as descontroladas ganham fácil.
Até hoje, tratamos o câncer de um jeito bem pouco sutil. Em vez de tentar recuperar os “sistemas de segurança”, ou consertar a mutação genética, ou restabelecer o equilíbrio ambiental, o que fazemos? Simplesmente bombardeamos sem dó a divisão celular. Os remédios quimioterápicos atingem os tumores, é verdade, mas também os cabelos – outro tecido que cresce sempre e em alta velocidade. Por isso, pacientes em tratamento ficam carecas. Ainda mais grave, os medicamentos atacam o sangue, outro lugar onde as células não param de se dividir. Os remédios destroem os glóbulos vermelhos, causando anemia, e os glóbulos brancos, o que prejudica o sistema de defesa do organismo e deixa as portas escancaradas para a entrada de infecções. O tratamento enfraquece o corpo, nos deixa doentes e, o que é pior, não acerta em cheio no mal.
Os remédios mais novos a chegarem às farmácias – e aqueles que estão sendo testados nos laboratórios – funcionam de um modo bem diferente dos antigos. Trata-se de disparar tiros cada vez mais certeiros e, por isso mesmo, ainda mais poderosos. “À medida que conhecermos melhor o mecanismo de ação dos tumores, poderemos criar drogas cada vez mais específicas e menos tóxicas”, diz o oncologista Roberto Brentani, presidente do Hospital do Câncer, em São Paulo. Se a “guerra contra o câncer” não matou o inimigo, como queria Nixon, ela pelo menos ajudou a desvendá-lo. Nos últimos anos, cientistas descobriram as funções exatas de uma série de proteínas, enzimas e genes que fazem parte da cadeia de transmissão de informações dentro da célula cancerosa. Agora, essas substâncias têm nome, sobrenome e endereço. E, assim, podem ser encontradas (e, se tudo der certo, destruídas) pelos novos medicamentos. Os remédios de nova geração não vão atacar a conseqüência – que é a multiplicação acelerada das células. Eles combaterão as causas.
Sabe-se também que, para sustentar um tumor crescendo a toda velocidade, é preciso muito alimento. Um câncer só se desenvolve se houver uma proteína capaz de criar vasos sanguíneos por perto, por onde chegam o oxigênio e os nutrientes que sustentarão a multiplicação descontrolada das células. Uma droga que impedisse a ação dessa proteína secaria o tumor – ele morreria de fome sem sangue para alimentá-lo. Em fevereiro deste ano, o governo americano liberou para uso o bevacizumab, vendido com o nome de Avastin, um remédio que faz justamente isso (ele ainda não foi liberado no Brasil).
E mais: nosso corpo tem um eficaz departamento de controle de qualidade. Sempre que surge algum defeito no DNA, ele ordena à célula que ela cometa suicídio. Um gene, o p53, parece ser uma figura-chave nesse departamento – tanto que se estima que, em 60% dos casos de câncer no mundo, haja alguma mutação nele. Há também genes que fazem o contrário do p53 – ordenam o desativamento do suicídio celular. O mais célebre deles chama-se BCL-2. Manipular esses genes seria um método muito promissor de evitar tumores. Há gente no mundo inteiro pesquisando técnicas de engenharia genética para chegar a esse objetivo. Uma droga conhecida pela sigla G3139 foi projetada para barrar o BCL-2. Já testada com sucesso para tratar tumores de mama em ratos, ela está agora começando a ser examinada em seres humanos.
Uma das principais características do câncer é sua capacidade de enganar nosso corpo. Tratamentos que parecem fantásticos na teoria muitas vezes falham na prática porque os tumores simplesmente mudam de estratégia. Eles escapam de nossas armadilhas. “Como numa guerra, você não pode atacar em um flanco só. É preciso ter muitas estratégias diferentes”, diz o oncologista Antonio Carlos Buzaid, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
Exemplo disso foi a recente frustração com o gefitinib, medicamento conhecido comercialmente como Iressa, até então uma das estrelas da nova geração de remédios. Ele era um dos remédios cuja estratégia era atacar o mecanismo químico por trás da divisão celular. O Iressa foi testado como segunda opção de tratamento naqueles pacientes que não se beneficiaram da quimioterapia em casos de câncer de pulmão. A sobrevida aumentou, o que gerou euforia entre os pesquisadores. Mas, ao ser avaliado em testes como a primeira alternativa, em combinação com a quimioterapia, os resultados foram frustantes. Ele é tão (in)eficaz quanto o tratamento tradicional. “Foi um balde de água fria”, diz o oncologista Carlos Gil Ferreira, chefe do Setor de Pesquisa Clínica e Aplicada do Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro. Por que não deu certo? Difícil saber – o mais provável é que a droga tenha tomado um drible do câncer.
O caminho é criar “coquetéis” de drogas – combinações de diversos medicamentos que serão alteradas de forma estratégica de acordo com cada tipo de câncer e com o progresso do tratamento.
Foi assim, com um coquetel que combinava várias drogas, que os médicos conseguiram aumentar os índices de sobrevivência dos soropositivos. Em muitos pacientes de aids, a combinação de remédios funciona tão bem que eles podem levar uma vida absolutamente normal – e estão livres das infecções oportunistas que faziam os soropositivos definharem nos anos 80. No caso do câncer, a estratégia é a mesma. Mas tudo é um pouco mais complicado.
Uma diferença fundamental é que o coquetel que combate o vírus da aids só precisa se preocupar com as enzimas que ajudam o invasor a se replicar dentro das células do nosso organismo. No caso do câncer, está em jogo um mecanismo molecular muito mais complicado, que envolve várias moléculas diferentes. Além da divisão celular, por exemplo, os cientistas têm que encontrar mecanismos de barrar a insaciável vontade dos tumores de migrarem em direção a outras partes do corpo.
São as metástases, produtos dessas migrações, as mais terríveis versões do câncer. Estima-se que nove em cada dez mortes por câncer no mundo sejam causadas por tumores que tiveram metástase. Quando se chega a esse ponto, as chances de cura são reduzidíssimas. Pegue-se o exemplo do câncer de mama, o tumor que mais mata as mulheres. Se o tratamento tem início quando o câncer está localizado apenas na mama, oito em cada dez mulheres vão sobreviver para contar como se livraram da doença. Mas se, quando essa mulher procurar o médico, o câncer já tiver chegado aos tecidos das axilas, a chance de sobreviver cai para 50%. Se, finalmente, o tumor tiver se espalhado para outras partes do corpo (a pele, por exemplo), aí apenas 15% se salvam.
Por tudo isso, está cada vez mais claro que jamais existirá um remédio capaz de matar todo e qualquer tipo de câncer. É que uma certeza que se confirma à medida que sabemos mais sobre o câncer é que ele não é uma doença só – são muitas. Em cada paciente, as moléculas envolvidas são diferentes – e portanto os remédios terão que ser diferentes também. “No futuro, não teremos mais apenas o câncer de mama, mas os cânceres de mama.
As autoridades brasileiras da área de saúde estão tensas com a possibilidade da liberação no Brasil do Avastin. O tratamento com essa droga pode custar 20 mil reais por paciente por mês. E, como o acesso à saúde é uma garantia constitucional, o governo talvez se veja obrigado a pagar pelos tratamentos ou tenha que enfrentar desgastantes disputas judiciais. O sistema de saúde brasileiro já paga, em alguns casos de leucemia mielóide crônica, pelo tratamento com o também caríssimo Glivec.
Se chegarem ao mercado dezenas de remédios caros como esses, tudo indica que os sistemas de saúde de diversos países, inclusive o do Brasil, vão quebrar. Esse não é um problema com solução fácil nem rápida. A longo prazo, porém, há quem aposte que a pesquisa farmacêutica vá ficar mais barata, porque ganhará em eficiência – o que levaria à queda dos preços dos medicamentos. Hoje, é necessário testar extensivamente dezenas de milhares de substâncias diferentes para achar um único remédio promissor, o que é um processo extremamente caro e ineficaz. No futuro, as pesquisas serão mais focadas, com remédios sendo desenvolvidos sob medida para se encaixar nos alvos moleculares. Será o fim da lógica da tentativa e erro.

2925 – Mega Ecologia – Floresta e cerrado sob risco de extinção


As projeções são alarmantes. Segundo estudos recentes, o cerrado corre sérios riscos de desaparecer até 2030, enquanto a Amazônia não veria o alvorecer do próximo século.
Dois dos maiores biomas (nome dado a regiões onde predomina um conjunto de espécies de fauna e flora) do país, o cerrado ocupa 2,04 milhões de km2 (22% do território brasileiro), enquanto a floresta Amazônica responde por 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil).
Coincidentemente os dois alertas foram dados em julho passado. Primeiro, a revista Nature publicou nota sobre um estudo feito pela ONG Conservação Internacional (CI) revelando que cerca de 20 mil km2 de cerrado são destruídos todos os anos para dar lugar ao cultivo de soja, trigo e algodão. “É o equivalente a 2,6 campos de futebol por minuto”, diz o biólogo Ricardo Machado, um dos autores do estudo. Os pesquisadores compararam imagens de satélites de 2002 com dados de 1993. Naquele ano, 49% da área total do cerrado havia sido destruída. Em 2002, a devastação chegou a 54%. Nesse ritmo o cerrado poderá acabar em 2030, dando lugar a áreas agrícolas e urbanas.
O mais irônico dessa história é que, se o cerrado sumir, ele poderá ressurgir em outra região do país, como fruto de mais um desastre ecológico: a devastação da floresta Amazônica. Em estudo recente, o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Carlos Nobre analisou como a floresta tem interagido com o clima nos últimos 20 mil anos e fez uma projeção. “O aquecimento global e o crescente desmatamento podem trazer mudanças climáticas importantes, principalmente com a diminuição de chuvas”, afirma. Com isso, ele prevê que a densa floresta possa dar lugar a uma vegetação típica do cerrado.
Para evitar que isso aconteça, é preciso agir em duas frentes. “A primeira é acabar com a exploração ilegal de madeira, que responde por até 80% dos desmatamentos. A outra é lutar para que a emissão de poluentes, que provoca a elevação da temperatura, seja reduzida.
Gigantes ameaçados
Juntos, eles ocupam mais de 60% do país
A FLORESTA AMAZÔNICA É…
• Principal bioma do país, ocupa uma área de 3,4 milhões de km2 (mais de 40% do Brasil, nove Estados) e tem um quinto da disponibilidade mundial de água doce
• Abriga cerca de 30 mil espécies de plantas, o que corresponde a 10% de todo o planeta. Só em árvores há cerca de 5 mil espécies
• Conta com, no mínimo, 1 300 espécies de peixes. Mas esse número pode ser 40% maior, já que nem todos são conhecidos
O CERRADO É…
• Segundo maior bioma do Brasil, estende-se continuamente por 11 estados, contabilizando 2,04 milhões de km2 (22% do território nacional)
• Reúne 112 espécies animais ameaçadas de extinção
• Espécie de “caixa-d’água” da América do Sul, abriga nascentes e cursos de água que escoam para as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Parnaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai

2924 – O Cinema no Brasil


Uma Breve Retrospectiva
Em 8/julho/1896 se realizou a 1ª sessão de cinema no Brasil. No ano seguinte, Segretto e Cunha Sales inauguraram a 1ª sala regular destinada ao cinema. Em 1989, já haviam sido realizadas as primeiras experiências de sonorização com Thomas Edison e seguidas pelo grafo fonoscópio (Auguste Baron) e o cronógrafo (Henry Joli) que são sistemas de sincronização de imagem/som. O sistema de gravação magnética em película foi criado por Forest em 1907 e comprado pela Warner Bros em 1926, que produziu o primeiro filme com trilha sonora musical (D Juan de Alan Crosland); o primeiro com passagens faladas e cantadas foi O Cantor de Jazz (1927) e o primeiro inteiramente falado foi Luzes de N. York (1928).
1908 a 1912 – Foi a “Belle Époque” do cinema brasileiro, onde se formou um centro de produções no RJ, surgindo os primeiros sucessos – casos policiais, comédias e pequenos filmes musicais.
1914 a 1920 – A produção nacional caiu com a invasão dos filmes americanos, já naquela época era impossível competir. No Brasil, a 1ª Guerra Mundial foi tema de várias obras.
Década de 40 – Fundada a Atlântida em 1941, onde realizou até 1962, um grande número de chanchadas, que eram musicais carnavalescos: A Dupla do Barulho, Nem Sansão, nem Dalila; O Homem do Sputinik. Em 1949 foi fundada a Vera Cruz.
Década de 50 – Melhorias no padrão técnico se refletiam nas produções. O Cangaceiro, de Lima Barreto de 1953, foi sucesso internacional, dando início ao ciclo sobre o cangaço, não impedindo, porém, o fracasso de grandes empreendimentos. Amâncio Mazaroppi (1912-1981), fundou sua produtora ralizando comédias de grande sucesso. Rio 40 Graus de Nelson Pereira dos Santos, 1954, foi o marco inicial do movimento que seria denominado “cinema novo”.
Década de 60 – Cineastas como Gláuber Rocha, investiram em curtas metragens. “Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, era o lema do cinema novo, que se propunha a realizar filmes baratos, com preocupações sociais e enraizado na cultura brasileira. Anselmo Duarte ganhou o Palma de Ouro em Cannes em 1962 com “O Pagador de Promessas”.
Década de 1970 – Surgiram as pornochanchadas, cujo principal centro produtor era a boca do lixo em S. P. O Concine foi criado para fiscalizar o mercado, a Embrafilme cabia o papel de financiar e co-produzir.
Anos 80 – Com o fim da censura, a pornochanchada deu lugar aos filemes de sexo explícito.
Cinema Brasileiro – Início do século 21 – Anda em baixa, embora haja quem discorde. Muitas salas de projeção foram fechadas por falta de público, que tem preferido o DVD. Em seu lugar estão igrejas evangélicas. A produção nacional que havia caído muito nos anos 90, voltou a ter um pequeno impulso, mas ainda é pobre quando comparada a norte americana. Alguns filmes de destaque foram: Central do Brasil, Cidade de Deus, Tropa de Elite, entre outros. A falta de recursos e apoio é muito grande, mas alguns heróis tentam fazer o impossível.

Clássico nacional

O Assalto ao Trem Pagador
É um filme brasileiro de 1962, do gênero policial, dirigido por Roberto Farias. Baseado em fatos, o assalto ao trem de pagamentos da Central do Brasil ocorrido em 1960, no Rio de Janeiro. Enquanto a polícia chega a suspeitar de uma quadrilha de bandidos internacionais pela ousadia do plano, os assaltantes se misturam à realidade da pobreza e da violência brasileiras. É um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro.

Grilo é um inteligente criminoso da cidade que diz trabalhar para um chefão que chama de “Engenheiro” e com isso convence Tião Medonho e outros bandidos da favela a praticarem um roubo a um trem (comboio) de pagamentos.
Os bandidos combinam de não gastarem o dinheiro roubado antes de 1 ano, pois isso levantaria suspeitas. Mas Grilo acha que ele pode pois não é favelado e tem boa aparência, o que desperta a ira dos demais. Grilo então diz que o Engenheiro preparou um novo golpe, mas sua intenção é se livrar de Tião Medonho e dos outros, fazendo com que eles caiam numa armadilha.
Elenco
Reginaldo Faria …. Grilo Peru
Grande Otelo …. Cachaça
Eliezer Gomes …. Tião Medonho
Jorge Dória …. delegado
Ruth de Souza …. Judith
Luíza Maranhão …. Zulmira
Miguel Ângelo…Miguel “Gordinho”
Helena Ignez …. Marta
Átila Iório …. Tonho
Ruth de Souza …. Judith
Miguel Rosenberg …. Edgar
Dirce Migliaccio …. mulher de Edgar
Clementino Kelé …. Lino
Gracinda Freire …. mulher de Miguel

Prêmios e indicações
Prêmio Saci 1962 de Melhor ator coadjuvante (Jorge Dória), Melhor atriz coadjuvante (Dirce Migliáccio) e Melhor Roteiro (Roberto Farias)
Prêmio Governador do Estado de São Paulo 1962, Melhor Roteiro (Roberto Farias)
V Festival de Cinema de Curitiba 1962, Melhor atriz coadjuvante (Luíza Maranhão), Revelação (Eliezer Gomes)
Troféu Cinelândia 1962, Revelação (Eliezer Gomes)
Festival de Cinema da Bahia 1962, Melhor Filme, Melhor Ator (Eliezer Gomes), Melhor atriz coadjuvante (Luíza Maranhão), Melhor Roteiro (Roberto Farias)
Festival de Lisboa, Portugal, 1963, Prêmio Caravela de Prata
Festival de Arte Negra, Senegal, 1963, Prêmio Especial do Júri
Representou o Brasil no Festival de Veneza de 1962

2923 – Quais as principais revistas do mundo?


Alemanha – Brigitte, Bravo e Burda Moda.
Argentina – Billiken, Gente e Humor.
Espanha – Dez Minutos, Pronto e Telein Discreta.
EUA- American Magazine, Better Homes and Gardens, Consumer Reports, Cosmopolitan e Famaly Circle.
França – Elle, Ici- Paris, Jours de France.
Inglaterra – Radio Times, Readers Digest, TV Times.
Rússia – Murzilka, Krestianka, Rabotnitsa.

Obsv : Revistas como Readers Digest, National Geografic e Time estão longe das 1ªs colocadas nos EUA.
Fonte: Europa Year Book

2822 – Cristo no Cinema – Mel Gibson produziu o mais polêmico filme sobre a Paixão de Cristo


Poster do filme

Título original: (The Passion of the Christ)
Lançamento: 2004 (EUA)
Direção: Mel Gibson
Atores: James Caviezel, Maia Morgenstern, Monica Bellucci, Hristo Jivkov.
Duração: 126 min
Gênero: Drama
As últimas 12 horas da vida de Jesus de Nazaré (James Caviezel). No meio da noite, Jesus é traído por Judas (Luca Lionello) e é preso por soldados no Monte das Oliveiras, sob o comando de religiosos hebreus, que eram liderados por Caifás (Matti Sbraglia). Após ser severamente espancado pelos seus captores, Jesus é entregue para o governador romano na Judéia, Poncio Pilatos (Hristo Shopov), pois só ele poderia ordenar a pena de morte para Jesus. Pilatos não entende o que aquele homem possa ter feito de tão horrível para pedirem a pena máxima e eram os hebreus que pediam isto. Pilatos tenta passar a decisão para Herodes (Luca de Domenicis), governador da Galiléia, pois Jesus era de lá. Herodes também não encontra nada que incrimine Jesus e o assunto volta para Pilatos, que vai perdendo o controle da situação enquanto boa parte da população pede que Jesus seja crucificado. Tentando acalmar o povo e a província, que detesta, Pilatos vai cedendo sob os olhares incriminadores de Claudia (Claudia Gerini), sua mulher, que considera Jesus um santo.