2910 – Animais em extinção: A vida em perigo


O tempo passa e o homem não aprende. Nos últimos cinco séculos, uma espécie de animais sumiu a cada dez meses
Com 4,5 bilhões de anos, a Terra está passando pela pior devastação da vida animal em sua história. Apenas nos últimos 500 anos, 608 animais desapareceram do planeta, 311 deles vertebrados. A maioria foi extinta pela interferência do homem na natureza: destruição de ecossistemas, caça e pesca predatórias, introdução de espécies estranhas aos habitats e substituição de florestas por plantações. Essa triste estatística indica que, a partir da chegada dos colonizadores europeus ao Novo Mundo, uma espécie sumiu a cada dez meses. A taxa de extinção de animais no século 20 é cem vezes maior do que antes do século 15.
A devastação por classes de animais
Proporcionalmente, osmamíferos são os bichosmais ameaçados
Aves
9 932 espécies conhecidas
1194 ameaçadas
129 extintas
Mamíferos
4 842 espécies conhecidas
1 130 ameaçadas
74 extintas
Répteis
8 134 espécies conhecidas
293 ameaçadas
21 extintas
Anfíbios
5 578 espécies conhecidas
157 ameaçadas
7 extintas
Peixes
28 100 espécies conhecidas
750 ameaçadas
80 extintas
Fontes: União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Humanos (IUCN), Worldwatch Institute (WWI) e World Widelife Fund for Nature (WWF)
O estrago por continentes
A América do Norte é a campeã emnúmero de espécies de animais oficialmente extintas. A África vem logo atrás
Europa
892 espécies ameaçadas
19 extintas
América do Norte
356 espécies ameaçadas
245 extintas
América Central
1 074 espécies ameaçadas
76 extintas
América do Sul
1 111 espécies ameaçadas
13 extintas
África
1 949 espécies ameaçadas
234 extintas
Oceania
841 espécies ameaçadas
171 extintas
Ásia
3 207 espécies ameaçadas
33 extintas
*Algumas espécies vivem em mais de um continente. Por isso, a soma por continente é maior do que a soma por classe taxonômica

Anfíbio em extinção: Sumiço relâmpago
Cientistas queriam estudar a gestação da rã eungellagastric-brooding, que choca seus ovos no estômago. Mas não houve tempo de fazer quase nada
Logo após a descoberta da rã Rheobatrachus vitellinus, em janeiro de 1984, no Parque Nacional de Eungella, região centro-leste do Estado de Queensland, na Austrália, foi criado um programa de monitoramento dessa espécie. O objetivo era avaliar até que ponto esse anfíbio corria risco de extinção. Isso porque, três anos antes, um parente próximo, Rheobatrachus silus, havia desaparecido da face da Terra, e os cientistas queriam evitar que a espécie recém-identificada tivesse o mesmo destino. Mas não houve tempo de fazer muita coisa. Pouco mais de um ano depois, em março de 1985, o R. vitellinus deu seu último sinal de vida.
Conhecido pelos nomes populares eungella gastric-brooding frog ou então northern gastric-brooding frog (em português, seria algo como “rã incubadora gástrica do norte”), o R. vitellinus tinha um curioso processo de reprodução, similar ao do R. silus. Ambas as espécies engoliam seus ovos fertilizados, interrompiam o funcionamento do sistema digestivo e chocavam os ovos no estômago. A barriga da rã ficava tão cheia de girinos que mal conseguia inflar os pulmões de ar. Após seis a sete semanas de incubação, a rã regurgitava os filhotes pela boca. Nessa hora, permanecia com a boca bem aberta para facilitar a saída dos rebentos. Na única vez que o espetáculo do nascimento foi testemunhado, durou 34 horas.
O R. vitellinus tinha hábitos noturnos e, por isso, raramente era visto durante o dia. Gostava de ficar submerso na água somente com os olhos para fora. Sua coloração era marrom opaca, com manchas escuras ao longo do corpo. Pareciam pequenos pontos flutuantes, por causa de seu tamanho: a fêmea media de 42 a 58 milímetros e o macho, de 47 a 83 milímetros. Circulava entre as rochas dentro da água. Dali tirava seu alimento, capturando pequenos insetos e larvas.
As causas de sua extinção não são conhecidas. A teoria mais recente aponta o fungo Chytridiomycota como responsável pelo sumiço da rã. O fungo pode ter sido introduzido no habitat por meio de peixes migratórios, pássaros e insetos aquáticos. Alguns cientistas acreditam que a resistência do anfíbio foi sendo minada por mudanças climáticas provocadas pelo efeito estufa e pela contaminação das águas pela atividade da mineração.
Eungella Gastric-Brooding Frog
Nome científico: Rheobatrachus vitellinus
Ano da extinção: 1985
Habitat: centro-leste de Queensland, Austrália

Final do ☻ Mega Bloco, extinção de espécies

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