2918 – Clássicos do Suspense – Psicose


Um dos posteres do clássico

A Secretária (Janet Leigh) rouba 40 mil dólares para se casar. Durante a fuga, erra o caminho e chega em um velho motel, onde amavelmente atendida pelo dono (Anthony Perkins), mas escuta a voz da mãe do rapaz, dizendo, que não deseja a presença de uma estranha. Mas o que ouve na verdade algo tão bizarro, que ela não poderia imaginar que não viveria para ver o dia seguinte.
Psicose 2010-05-22 Francisco
Título original: (Psycho)
Lançamento: 1960 (EUA)
Direção: Alfred Hitchcock
Atores: Anthony Perkins, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam.
Duração: 107 min
Gênero: Suspense
Hitchcock comprou anonimamente os direitos do livro de Robert Bloch, que deu origem ao roteiro do filme; ele pagou onze mil dólares e depois comprou todas as cópias disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, seu final não fosse revelado.
Psicose custou 800 mil dólares e faturou 50 milhões de dólares nas bilheterias do mundo inteiro.
O filme foi escolhido como o 11º melhor filme de todos os tempos e o melhor do gênero horror pela revista Entertainment Weekly. O filme foi eleito o 18º melhor de todos os tempos pelo AFI (Instituto Americano de Cinema).
No site Rotten Tomatoes, que reúne críticas de cinema do mundo inteiro, Psicose quase atingiu a perfeição: ganhou 98% de aprovação.
Em 1998 o diretor Gus Van Sant fez um remake do filme, com Vince Vaughn e Anne Heche nos papéis de destaque. No elenco ainda contava com Julianne Moore no papel da detetive.
Psicose começa com a secretária Marion dando um desfalque de 40 mil dólares na imobiliária onde trabalha. É uma tarde quente de sexta-feira e ela pede licença ao patrão para sair mais cedo, e leva consigo o pacote contendo o dinheiro, certa de que seu crime só seria percebido após o final de semana. Com pouco mais de dois dias para fugir, Marion sai dirigindo sem destino pelas estradas. Cansada, vai parar no Motel Bates, um lugar decadente, que quase fechou suas portas após o desvio da auto-estrada. Lá, é recepcionada por um simpático mas estranho rapaz, Norman Bates, um tímido, dominado pela mãe. Após um bate-papo e um rápido sanduíche, acontece o inesperado: Marion é brutalmente esfaqueada enquanto toma banho, numa das cenas mais famosas de toda a história do cinema.
Psicose foi filmado em preto e branco porque Hitchcock temia que a cena do chuveiro ficasse chocante demais, com o vermelho do sangue. A tradicional aparição de Hitchcock, neste filme, acontece durante aproximadamente quatro minutos, do lado de fora do escritório em que Marion trabalha, e ele está usando um chapéu de cowboy. Janet Leigh não estava nua na famosa cena do chuveiro: ela usava uma roupa colante à pele. Uma dublê de corpo também foi utilizada. O som das facadas, nesta mesma cena, na realidade é o som de um melão sendo esfaqueado. O sangue desta mesma cena é, na verdade, calda de chocolate. O chuveiro que se vê filmado de baixo para cima na realidade tinha dois metros de diâmetro, para que a câmera captasse os jatos d’água com maior intensidade. A cena do chuveiro demorou sete dias para ser filmada, e utilizou 70 diferentes posições de câmera. Hitchcock recebeu uma carta de um pai enfurecido, dizendo que sua filha, apavorada, recusava-se a entrar no chuveiro, após ver o filme. Hitchcock respondeu à carta, sugerindo ao pai que levasse a garota para uma lavagem a seco. Psicose é o primeiro filme da história do cinema americano a focalizar um vaso sanitário dando descarga, o que era considerado de mau gosto, na época. Houve três sequências: Psicose 2 foi lançada em 1983, Psicose 3 em 1986, e o capítulo final foi lançado em 1990. Houve também um especial chamado Bates Motel em 1987 e um remake em 1998.

2917 – Como se desencalha uma baleia?


Desencalhe de uma Jubarte, espécie frequente no litoral brasileiro. Um dos raros casos bem sucedidos.

O ideal mesmo é evitar que ela encalhe. Para isso, os bombeiros do Grupamento Marítimo do RJ (G-Mar) monitoram todos os animais que cheguem perto da costa. Se algum deles se aproxima demais, eles usam barcos, apitos e o que mais estiver à mão para tentar afastá-lo. Se nada funcionar, aí sim eles terão um problema gigantesco pela frente.
O resgate precisa ser feito o mais rápido possível, já que baleias não sobrevivem por muito tempo em terra firme. Como esses animais vivem dentro d’água, seus corpos não têm estrutura para agüentar o próprio peso, que acaba por comprimir a caixa torácica, comprometendo a circulação e a respiração. Normalmente as baleias resistem a esse sofrimento por três dias, no máximo.
Não existem dados exatos sobre o número de encalhes no Brasil, porque nem toda a costa do país é monitorada.
O índice de sucesso é baixo, em parte, porque, se uma baleia está desorientada o suficiente para encalhar, é porque já está doente, ou com algum outro problema.
Resgate de peso
Mais de 50 homens trabalham na operação de desencalhe
Mantenha molhada
Baleias e golfinhos podem sofrer queimaduras de sol, e por isso é importante mantê-los sempre molhados. As ondas ajudam, mas se o sol estiver forte demais é bom cobrir o animal com panos claros encharcados
Cabo-de-guerra
Uma rede acolchoada de tecido, presa a cabos, é passada por baixo do corpo do animal, até as nadadeiras. Os rebocadores puxam os cabos até que a baleia chegue a uma profundidade onde possa flutuar. Puxar pelo rabo pode quebrar a coluna
Rebocador a postos
Como não podem ficar perto demais, sob risco de encalhar também, os rebocadores contam com ajuda das lanchas para levar cabos e redes até os bombeiros
Cordão de isolamento
Curiosos podem ser um problemão. Alguns chegam exaltados, outros com idéias mirabolantes. E ainda existe gente querendo colocar os filhos em cima do animal para tirar fotos!
Abrindo caminho
Jateadores de água, bombas ou dragas podem ser usados para escavar a areia, abrindo um caminho pelo qual a baleia pode ser levada para o mar

2916- Veneno contra o enfarte


O veneno da crostalus durissus terríficus (cascavel) pode ser um importante aliado ao ajudar as vítimas de enfarte do miocárdio. Foi descoberto que a crotoxina, , uma proteína existente no veneno da cobra tem efeito vasodilatador e pode aumentar o fluxo coronariano. É formada por 2 proteínas : Fosfolipase e crotopatina. A primeira também existe no corpo humano, sendo ativada pelo organismo no início do enfarte. Foi isolado também um soro extraído do sangue do gambá, rico e fator 8, elemento responsável pela coagulação e que falta no sangue de hemofílicos. Afirmou-se que o soro extraído do gambá é 400 vezes mais eficiente do que o humano na correção do plasma dos hemofílicos. Isso foi descoberto pelo soro na observação da resistência do gambá ao veneno da jararaca, que provoca hemorragia.

2915 – Física – Corra pra não cair


A vertigem é a primeira lição sobre a mais corriqueira e decisiva força do Universo, além de ser, atualmente, um dos dois ou três assuntos mais importantes da ciência: a gravidade.
Sentir vertigem à beira do abismo não é vergonha. O medo é real e, segundo os astrônomos, vai muito além de uma queda até o chão – ele alcança as estrelas, estremece as galáxias e, no final das contas, ameaça engolir o cosmo inteiro. Estamos sempre caindo, porque a gravidade não é exatamente uma força como estamos acostumados a pensar: é um eterno tombo para um único ponto. Para onde, é difícil saber. No caso da Terra, é fácil – tudo cai para o centro exato do planeta. Aliás, a Terra é uma bola justamente por isso: toda a sua massa converge para o centro e se aperta por igual em torno desse ponto, formando uma esfera no espaço.
Mas, quando se pensa no Universo, a resposta não é tão simples. Como todos os corpos celestes se atraem sempre, podem se amontoar em uma única massa descomunal. A atração final se tornaria tão grande que a esfera esmagaria a si mesma e continuaria encolhendo para o resto da eternidade. Ninguém sabe direito aonde isso iria dar.
O que os planetas geralmente fazem para adiar o tombo é fugir da trajetória de queda. Veja, por exemplo, a Lua, que está caindo para o centro da Terra. Ela hoje está a salvo por que gira – ou seja, dribla, sem parar, a atração fatal. Mas só está a salvo assim: se parasse, seria tombo na certa. E por aí vai: a Terra também corre em volta do Sol e o Sol corre em volta do centro da Via Láctea, que por sua vez rodopia num carrossel de galáxias vizinhas no nosso canto do Universo. A correria é o que estabelece o equilíbrio precário do mundo diante da gravidade, que o físico americano Freeman Dyson, um dos maiores divulgadores da ciência da atualidade, já comparou a uma ladeira que é adrenalina pura – você simplesmente não tem onde se segurar.
Descendo do céu para o solo, é a mesma situação. Os bebês descobrem o domínio da gravidade quando aprendem a andar, que é apenas uma outra forma de atrasar a queda universal. Só ficamos de pé enquanto temos músculos e ossos para resistir a ela – sem falar na comida e no ar, que constantemente repõem a força dos ossos e dos músculos. Se o combustível acaba, o corpo vai ao chão. O único jeito de escapar da queda é correr sem parar, no caso dos astros, ou nunca parar de comer, no caso dos seres vivos.
A questão pode ser resumida a uma contagem trivial: se houver uma grande quantidade de energia gravitacional, a queda vencerá. Mais cedo ou mais tarde, todas as galáxias vão começar a despencar umas sobre as outras e a partir daí já não haverá meio de parar a concentração. É claro: quanto mais a gravidade se concentra, mais a queda se acentua. As galáxias vão se apertar, cada vez mais, num único volume de densidade altíssima, arrastando junto com ela as estrelas, os planetas e os seres vivos.
É isso o que se chama de buraco negro: um lugar onde a concentração da gravidade ficou tão grande que a queda não pode mais ser interrompida. O mais estranho nesses buracos é que eles são feitos de matéria em queda permanente para o centro deles. Vale a pena entender esse mistério: aqui na Terra, por exemplo, a gravidade é fraca e pode ser contida pelas forças químicas, ou seja, pelas forças elétricas e magnéticas que unem e sustentam átomos e moléculas. É a química que dá resistência às rochas e impede que elas caiam para o centro da Terra. De quebra, servem de apoio para os seres vivos também evitarem a queda. No caso do Sol, a situação é parecida, só que a força que “segura” a gravidade não é a eletricidade, mas a força nuclear – a energia que une os elementos no núcleo dos átomos.
O mistério dos buracos negros acontece quando a gravidade se torna tão intensa que já não pode ser contida por nenhuma outra força. Aí, a queda se torna permanente. Para ter uma idéia, se o peso do Sol fosse apenas 3,2 vezes maior do que é, ele viraria um buraco negro. Toda a sua massa despencaria para dentro de si mesma numa queda sem fim. A estrela desapareceria, deixando no lugar só uma esfera opaca, mais ou menos do tamanho da cidade de São Paulo. Não haveria superfície: seu volume serviria só para demarcar a distância a partir da qual o abismo se torna invencível. Nem a luz, que é a coisa mais rápida que existe, escaparia ao destino misterioso da queda.
Existe a possibilidade de o Universo inteiro se tornar um buraco negro no futuro distante, mas parece improvável. Primeiro, porque o cosmo está em expansão. As galáxias estão, visivelmente, se afastando umas das outras. Então, não estão se amontoando e, pelo menos por enquanto, não há risco de virarem buraco negro. Além disso, somando todo o conjunto das galáxias, parece haver muito pouca energia gravitacional no Universo todo.
A matéria escura é pesquisada há quase meio século, e sua quantidade cresce à medida que se aprimoram as buscas. Hoje acredita-se que ela seja quase seis vezes mais abundante que toda a matéria brilhante do Universo. Para cada quilo de matéria visível, existem 5,75 quilos de matéria invisível.
De acordo com o astrofísico Dave Spergel, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, a matéria escura continua a desafiar a ciência. Um grande pesquisador de planetas desgarrados, ele diz que nenhum tipo de matéria conhecida – sejam neutrinos ou buracos negros – passa ileso pelos testes que a ciência usa para identificar a massa fantasma das galáxias. Esses testes são indiretos e trabalhosos.

2914 – Genética – Super roedores em ação


Os animais preferidos para as experiências são os camundongos. Assim como os ratos, eles têm um ciclo de vida curto, de cerca de dois anos, o que facilita o acompanhamento dos testes. Eles também procriam com rapidez. “A gestação dura apenas 21 dias”, diz o veterinário André Carissimi, responsável pelo biotério da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ou seja, dificilmente faltarão ratos ou camundongos para os mais diversos experimentos. Mas o melhor é a semelhança que esses roedores têm com os seres humanos. “Os ratos e os camundongos têm entre 90% e 95% dos seus genes iguais aos nossos”, afirma um médico, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Instituto do Coração, em São Paulo. “Os avanços na área médica sempre dependeram e vão continuar dependendo das experiências com animais”, diz José Eduardo. Veja algumas das experiências mais curiosas dos últimos anos.
Nome: o ancião
Ano: 2000
Superpoder: viveu mais de 4 anos
Yoda, que morreu com 4 anos e 12 dias, bateu o recorde de longevidade vivendo o equivalente a 136 anos em seres humanos. Ele teve os genes relacionados às glândulas pituitária e tireóide alterados. Sua produção de insulina também era menor do que o normal. Ao morrer, deixou a princesa Leia viúva
Nome: O maratonista
Ano: 2004
Superpoder: corre, corre e não cansa
Ratos estudados no Instituto Howard Hughes, de Chicago, receberam uma cópia extra do gene PPAR-delta, que os fez correr o dobro do tempo dos seus colegas antes de se cansar. O gene altera as fibras musculares, aumentando a resistência. Útil para obesos com dificuldades para se exercitar e para atletas
Nome: O gordo
Ano: 1995
Superpoder: peso-pesado
Cientistas da Universidade Rockefeller compararam dois ratinhos com defeito no gene ob (de obese, “obeso” em inglês). Esse gene está relacionado à ação da leptina, uma proteína que regula o peso corporal ao sinalizar a quantidade de gordura armazenada. O roedor abaixo, com defeito no gene, ficou obeso
Nome: E o magro
Ano: 1995
Superpoder: emagreceu com leptina
Em compensação, ao seu colega de experiência, o magrela abaixo, foram dadas doses do hormônio leptina. Ele emagreceu em duas semanas. Desde então, o hormônio não parou de ser estudado. Mas ainda não foi desenvolvida uma droga capaz de fazer pelos humanos o que a leptina fez pelo ratinho
Nome: O esperto
Ano: 1999
Superpoder: tem mais memória
Pesquisadores da universidade americana de Princeton criaram um camundongo com uma memória invejável e grande potencial de aprendizado. Eles estimularam o “gene da esperteza” (NR2B), que está ligado à habilidade dos neurônios em criar conexões. A idéia é retardar a perda de memória em idosos
Nome: O cabeludo
Ano: 1998
Superpoder: cultiva uma cabeleira
Pesquisadores do Instituto Howard Hughes, da Universidade de Chicago, conseguiram fazer crescer os pêlos em camundongos. Eles estimularam genes que aumentam a produção de beta-catenina, substância que dispara um mecanismo que faz crescer a quantidade de folículos pilosos. O objetivo era estudar formas de combater a calvície
Nome: O orelhudo
Ano: 1995
Superpoder: tem orelha nas costas
Há nove anos, o professor Charles Vacanti, da Universidade de Massachusetts, implantou células de cartilagem em um rato e fez crescer uma orelha nas costas do animal. Agora, os pesquisadores querem usar a mesma técnica para desenvolver órgãos que possam ser utilizados em transplantes em seres humanos
Nome: O robozinho
Ano: 2002
Superpoder: pode ser teleguiado
Por meio de fios, cientistas da Universidade de Nova York enviaram sinais elétricos ao cérebro do roedor, sinalizando “esquerda” e “direita”. Outro fio estimulava a região conhecida como “sistema de recompensa”. Com um transmissor, eles orientaram o rato, que obedeceu aos comandos. O bichinho poderá atuar como espião ou no resgate de vítimas de terremotos
Nome: O maridão
Ano: 1999
Superpoder: fidelidade máxima
Pesquisadores da universidade americana de Emory transformaram uma espécie promíscua de rato em um marido fiel. Para construir o sonho das roedoras, os cientistas alteraram o gene que influencia a absorção pelo cérebro do hormônio vasopressina, responsável pela sensação de prazer do orgasmo
Nome: O estressado
Ano: 2000
Superpoder: é neurótico além da conta
Os ratinhos estudados no Instituto Salk, nos Estados Unidos, poderiam estrelar filmes do Woody Allen de tão neuróticos. Os cientistas apagaram o gene que controla o CRHR, um hormônio que regula a resposta do cérebro ao estresse. Sem ele, os bichinhos ficaram angustiados. O estudo tem como objetivo desenvolver drogas que ajudem no combate à ansiedade e à depressão

2913 – Jogo – Podemos apostar nele?


O mundo dos jogos de azar é muito parecido com o das drogas. Você não injeta, fuma nem cheira as apostas, mas, se quiser, tem ao seu dispor jogatinas legais como a bebida ou ilegais como a cocaína. Existem também jogos viciantes como o crack e outros menos perigosos. Há quem aposte durante a vida inteira sem qualquer problema e há quem sinta tonturas, enjôos e depressão se passar um só dia longe de um caça-níqueis. Até os problemas sociais são parecidos: alguns acreditam que os jogos estejam intimamente ligados à criminalidade e outros não encontram relação alguma. Mas, acima de tudo, os dois – narcóticos e cassinos – movimentam bilhões e não se chega a um acordo sobre se o melhor é proibir ou liberar.
Existe, no entanto, uma grande diferença: a turma pró-jogo até agora está ganhando a partida no planeta. O Brasil está entre as exceções. Além de Cuba, somos o único país entre as principais nações turísticas que ainda não colocou todas as fichas em um negócio que, pelo menos à primeira vista, é uma mina de ouro. Os cassinos norte-americanos, por exemplo, faturam por ano mais de 30 bilhões de dólares. Será que estamos certos ou errados? Com a polêmica em torno dos bingos ainda fresca na memória (em março último, o governo Lula fechou as casas e depois teve que voltar atrás), esse é um bom momento para debater o assunto em toda sua complexidade médica, econômica, social e moral.
Como nossas leis tratam os jogos de azar?
Em tese, o modelo atual é bastante simples: o governo federal detém o monopólio da jogatina no Brasil. Pode parecer um tanto fora de moda, mas é assim que a coisa funciona há mais de meio século. Desde então, se você lida com jogos de azar e não é o governo federal, você teoricamente é um contraventor. “No entanto, a lei não vem sendo cumprida. Até mesmo os estados desrespeitam a legislação vigente. As loterias estaduais se tornaram concorrentes diretas do governo federal.Reza a lenda que a jogatina caiu em desgraça por obra da mulher do presidente Getúlio Vargas, Darcy Vargas. Um belo dia, ela teria voltado da igreja com a missão de convencer o marido a acabar de vez com um “antro de perversão”, o Cassino da Urca, a mais famosa casa de jogos do Rio de Janeiro, então capital federal. Lenda ou fato, a realidade é que em 1941 a lei 3688/41 botou na ilegalidade todo mundo que ganhava a vida girando roletas. Duas décadas depois, em meados dos anos 60, o governo estatizou de vez os jogos de azar, criando as loterias esportivas. A intenção na época era nocautear o jogo do bicho, que, apesar de fora da lei, ia muito bem. O tiro não acertou o alvo, mas também não saiu pela culatra. O jogo do bicho está aí até hoje, atualmente com três extrações diárias. No entanto, as loterias foram um sucesso e se transformaram em excelente fonte de renda. Só no ano passado, as nove modalidades existentes (Mega-Sena, Lotomania, Dupla Sena, Lotofácil, Quina, Instantânea, Loteria Federal, Loteca e Lotogol) arrecadaram juntas 3,5 bilhões de reais. Para comparar, o movimento de loterias nos Estados Unidos é de 44 bilhões de dólares e, na Europa, entre 7 e 10 bilhões de dólares.
Em 1993, o cenário da jogatina mudou e casas de bingo começaram a pipocar país afora.
Por que o jogo é proíbido no Brasil?
Dos 108 países que formam a Organização Mundial de Turismo, somente dois proíbem o jogo: Cuba e Brasil. O caso cubano dispensa explicações. A ilha de Fidel Castro é um mundo à parte. Por aqui, a proibição da jogatina se sustenta em três pilares: jogo exige uma estrutura de fiscalização de que o país não dispõe, atrai a bandidagem e vicia. As justificativas fazem sentido: cassinos e afins são historicamente ligados a problemas sociais e criminalidade. Mas os defensores dos jogos de azar também têm seu arsenal de argumentos que, no mínimo, merecem ser levados em conta. Cigarro e álcool também causam dependência e problemas sociais e nem por isso são proibidos. Por que então banir somente o jogo? É quando começa então a disputa em torno de cada um dos três argumentos.
A questão do debate, a relação entre o jogo e o crime, também é polêmica. O principal ponto é a possibilidade de se utilizarem as casas de jogos de azar para a lavagem de dinheiro de outras operações ilícitas. Para o norte-americano James Wygand, ex-presidente no Brasil da Control Risks, uma das maiores empresas de investigação de riscos do mundo, não há dúvida de que jogo é um ramo que facilita a ação do crime organizado. Mas isso não seria uma razão para proibir o negócio. “Locais onde o giro de dinheiro em espécie é grande são propícios para lavar dinheiro. O problema, no entanto, não é do jogo em si. Nos Estados Unidos, a máfia já foi afastada dos cassinos.

2912-Mega Notícias – Insetos vão a aula


Abelhas voam até 10 km atrás de pólen e voltam para a colméia com uma precisão espantosa. Uma bióloga americana descobrui como eles realizam tal proeza colocando minúsculos localizadores em 100 insetos jovens que nunca haviam deixado o favo. Observou que antes de irem a procura de flores, todos faziam vôos curtos e só depois arriscavam vôos longos a toda velocidade. Portanto, os novatos estavam em período escolar.
Uma abelha com 4 dias faz seu priemeiro vôo, dando apenas voltas no favo. O 14° vôo de uma abelha de 6 dias é 3 vezes mais longo que o da primeira. Já uma adulta é uma catadora de pólem profissional e vai longe.
Cheiro de Lima Para Acordar – Se o aroma da menta e do hortelã podem acalmar, os cientistas estão cada vez mais convencidos de que as essências cítricas despertam. Entre elas, a mais eficiente parece ser a da lima. Tanto assim que, no Japão, diversas empresas estão borrifando o perfume da fruta no ambiente de trabalho para manter os executivos acesos.
HIV Oportunista – Má notícia: Uma pesquisa avaliou 122 infectados recentes de AIDs e percebeu que 7% contraíram a doença por sexo oral.

2911 – Extinção imediata


Arisca e desconfiada, a gazela-do-iêmen vivia em regiões montanhosas, afastada dos humanos. Mas não longe o bastante, e agora só restam exemplares empalhados
A gazela-do-iêmen era um animal comum nas montanhas próximas à cidade de Ta’izz, em 1951, quando cinco exemplares foram levados para o Museu de História Natural de Chicago, nos Estados Unidos. Os pesquisadores estrangeiros só voltaram ao local para estudar o comportamento e os hábitos da Gazella bilkis em 1992. Dessa vez, a história era bem diferente. Os cientistas vasculharam todas as planícies e colinas de Ta’izz, mas não encontraram nem rastro do animal. Em 1999, a IUCN (sigla em inglês para União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) declarou o bicho extinto.
Também chamada de rainha-de-sabá, a gazela-do-iêmen vivia em pequenos grupos, normalmente com um macho e três fêmeas. O lugar preferido eram as montanhas de Ta’izz, com altitudes que variam de 1 230 até 2 150 metros. Os animais nunca foram avistados próximos a áreas cultivadas ou estradas, o que indica que a presença humana não transmitia muita confiança para eles. Como em todos os bichos, o instinto de sobrevivência falava alto. A progressiva degradação do ambiente natural e a caça descontrolada, motivadas pelo homem, reduziram a população de gazelas-do-iêmen. Para a extinção, bastaram os 40 anos nos quais a espécie ficou esquecida nas pesquisas dos cientistas. As únicas gazelas restantes estão empalhadas e são exibidas num museu de Chicago, nos Estados Unidos. A triste imagem imóvel revela um animal elegante, com pêlo marrom e detalhes de branco em volta dos olhos, no pescoço e na barriga. Para se defender dos predadores, a gazela-do-iêmen tinha dois chifres levemente curvados para trás.
O nome da gazela é uma referência à região onde ela vivia. Há 3 000 anos, a rainha de Sabá governava parte da região que é o atual Iêmen. Para os árabes, ela se chamava Belkis, daí o nome científico ser bilkis. A tradição religiosa apresenta a rainha como uma mulher sábia e justa. Exatamente as qualidades que faltaram ao homem antes de exterminar definitivamente a gazela-do-iêmen.
Gazela-do-Iêmen
Nome científico: Gazella bilkis
Ano da extinção: 1999
Habitat: Iêmen

2910 – Animais em extinção: A vida em perigo


O tempo passa e o homem não aprende. Nos últimos cinco séculos, uma espécie de animais sumiu a cada dez meses
Com 4,5 bilhões de anos, a Terra está passando pela pior devastação da vida animal em sua história. Apenas nos últimos 500 anos, 608 animais desapareceram do planeta, 311 deles vertebrados. A maioria foi extinta pela interferência do homem na natureza: destruição de ecossistemas, caça e pesca predatórias, introdução de espécies estranhas aos habitats e substituição de florestas por plantações. Essa triste estatística indica que, a partir da chegada dos colonizadores europeus ao Novo Mundo, uma espécie sumiu a cada dez meses. A taxa de extinção de animais no século 20 é cem vezes maior do que antes do século 15.
A devastação por classes de animais
Proporcionalmente, osmamíferos são os bichosmais ameaçados
Aves
9 932 espécies conhecidas
1194 ameaçadas
129 extintas
Mamíferos
4 842 espécies conhecidas
1 130 ameaçadas
74 extintas
Répteis
8 134 espécies conhecidas
293 ameaçadas
21 extintas
Anfíbios
5 578 espécies conhecidas
157 ameaçadas
7 extintas
Peixes
28 100 espécies conhecidas
750 ameaçadas
80 extintas
Fontes: União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Humanos (IUCN), Worldwatch Institute (WWI) e World Widelife Fund for Nature (WWF)
O estrago por continentes
A América do Norte é a campeã emnúmero de espécies de animais oficialmente extintas. A África vem logo atrás
Europa
892 espécies ameaçadas
19 extintas
América do Norte
356 espécies ameaçadas
245 extintas
América Central
1 074 espécies ameaçadas
76 extintas
América do Sul
1 111 espécies ameaçadas
13 extintas
África
1 949 espécies ameaçadas
234 extintas
Oceania
841 espécies ameaçadas
171 extintas
Ásia
3 207 espécies ameaçadas
33 extintas
*Algumas espécies vivem em mais de um continente. Por isso, a soma por continente é maior do que a soma por classe taxonômica

Anfíbio em extinção: Sumiço relâmpago
Cientistas queriam estudar a gestação da rã eungellagastric-brooding, que choca seus ovos no estômago. Mas não houve tempo de fazer quase nada
Logo após a descoberta da rã Rheobatrachus vitellinus, em janeiro de 1984, no Parque Nacional de Eungella, região centro-leste do Estado de Queensland, na Austrália, foi criado um programa de monitoramento dessa espécie. O objetivo era avaliar até que ponto esse anfíbio corria risco de extinção. Isso porque, três anos antes, um parente próximo, Rheobatrachus silus, havia desaparecido da face da Terra, e os cientistas queriam evitar que a espécie recém-identificada tivesse o mesmo destino. Mas não houve tempo de fazer muita coisa. Pouco mais de um ano depois, em março de 1985, o R. vitellinus deu seu último sinal de vida.
Conhecido pelos nomes populares eungella gastric-brooding frog ou então northern gastric-brooding frog (em português, seria algo como “rã incubadora gástrica do norte”), o R. vitellinus tinha um curioso processo de reprodução, similar ao do R. silus. Ambas as espécies engoliam seus ovos fertilizados, interrompiam o funcionamento do sistema digestivo e chocavam os ovos no estômago. A barriga da rã ficava tão cheia de girinos que mal conseguia inflar os pulmões de ar. Após seis a sete semanas de incubação, a rã regurgitava os filhotes pela boca. Nessa hora, permanecia com a boca bem aberta para facilitar a saída dos rebentos. Na única vez que o espetáculo do nascimento foi testemunhado, durou 34 horas.
O R. vitellinus tinha hábitos noturnos e, por isso, raramente era visto durante o dia. Gostava de ficar submerso na água somente com os olhos para fora. Sua coloração era marrom opaca, com manchas escuras ao longo do corpo. Pareciam pequenos pontos flutuantes, por causa de seu tamanho: a fêmea media de 42 a 58 milímetros e o macho, de 47 a 83 milímetros. Circulava entre as rochas dentro da água. Dali tirava seu alimento, capturando pequenos insetos e larvas.
As causas de sua extinção não são conhecidas. A teoria mais recente aponta o fungo Chytridiomycota como responsável pelo sumiço da rã. O fungo pode ter sido introduzido no habitat por meio de peixes migratórios, pássaros e insetos aquáticos. Alguns cientistas acreditam que a resistência do anfíbio foi sendo minada por mudanças climáticas provocadas pelo efeito estufa e pela contaminação das águas pela atividade da mineração.
Eungella Gastric-Brooding Frog
Nome científico: Rheobatrachus vitellinus
Ano da extinção: 1985
Habitat: centro-leste de Queensland, Austrália

Final do ☻ Mega Bloco, extinção de espécies

2909 – Animais em extinção: As próximas vítimas?


Em 2003, havia 5 483 espécies de animais ameaçadas de extinção, segundo a IUCN (União Internacionalpara a Conservação da Natureza). Veja uma pequena amostra do que a Terra corre o risco de perder
INIMIGOS À SOLTA
Pesando até sete toneladas, o elefante africano (Loxodonta africana) é um dos maiores animais da Terra. Anda sempre em grupos para se proteger dos predadores e, quando os leões não estão por perto, seu mais temido inimigo são – adivinhe quem? – os humanos
DE 65 EM 65…
Nos últimos 65 anos, a população do albatroz-de-sobrancelha (Thalassarche melanophrys), que se concentra nas Ilhas Malvinas, diminuiu 65%. E, nos próximos 65 anos, deve cair pela metade, devido ao impacto da indústria pesqueira
GIGANTE AMEAÇADA
Por causa do seu tamanho – é o maior animal do planeta –, a baleia-azul (Balaenoptera musculus) foi sempre muito caçada pelo homem e, por isso, está ameaçada de extinção. O maior exemplar capturado tinha 33,5 metros e pesava 190 000 quilos
CADÊ COMIDA?
O panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca) virou um símbolo dos movimentos ecológicos. A destruição dos bambuzais, de onde retira quase toda a comida, ameaça sua sobrevivência
UM DIA DA CAÇA…
Encontrado na costa brasileira, o peixe-serra (Pristis pectinata) esfola os animais marinhos que tiverem o azar de passar perto de seus dentículos afiados. Por outro lado, ele tem sido vítima da pesca predatória e da degradação do seu habitat
É MELHOR NÃO ACORDAR
O gorila-da-montanha (Gorilla gorilla), aqui tirando uma soneca, é geralmente tímido e afetuoso. Mas, como seus primos humanos, esse mamífero de até 230 quilos é capaz de lutar até a morte para defender seus filhotes

2908 – Animais extintos: Miniatura de morcego


O pequeno morcego comedor de frutas já era uma espécie rara na ilha de Guam. Os caçadores trataram de colocá-lo na lista dos animais extintos
Nativo da Ilha de Guam, um dos territórios dos Estados Unidos no Oceano Pacífico, o pequeno-morcego-de-frutas-mariana desapareceu da Terra devido à intervenção humana e aos rigores da natureza. Os homens atacaram com armas de fogo e destruíram o habitat do morcego, enquanto a natureza mandou impiedosos furacões. Mesmo no auge da sobrevivência, o pequeno-mariana sempre foi um animal raro. Prova disso é que os cientistas coletaram apenas três espécimes desde que os colonizadores espanhóis, japoneses e americanos pisaram na ilha do povo chamorro, a partir do século 16. O último exemplar conhecido data de 1968 – e foi abatido por caçadores. Desde então, outros pequenos-marianas foram procurados na região e na vizinha Ilha Mariana do Norte, mas jamais foram encontrados. Só restou o parente mais próximo, o morcego-de-frutas-mariana (Pteropus marianus marianus), maior em comprimento e em envergadura, que ainda sobrevoa as matas de Guam.
O pequeno morcego media cerca de 15 centímetros da cabeça ao rabo e de 65 a 71 centímetros de uma asa à outra. A cor do abdome e das asas variava do marrom ao marrom-escuro, com alguns pêlos brancos, enquanto o pescoço era coberto por um manto marrom ou dourado. Boa parte dos hábitos do morceguinho é conhecida pela observação do primo mariana. Quando não estava dormindo durante o dia, ele encontrava tempo para interagir com outros morcegos, em busca de reprodução, ou para defender território, pois o macho podia ter várias parceiras. Depois do pôr-do-sol, voava em grupos por várias horas para se alimentar de frutas e flores, como mamões, figos e cocos. Por causa de suas preferências alimentares, o pequeno-mariana tinha um papel relevante na polinização de plantas e distribuição de sementes. Ele também era importante no cardápio dos chamorros, que consideravam a espécie um prato delicioso, o que pode ter acelerado a extinção desses mamíferos voadores. A situação se agravou com o advento das armas de fogo, que tornaram a caça bem mais fácil.
Aquela última fêmea vista por olhos humanos, morta pelos caçadores em 1968, estava acompanhada de um morcego jovem. Era provavelmente um filhote, que conseguiu escapar dos tiros. Não houve tempo de observar se a mãe estava carregando o morceguinho ou se os dois voavam juntos. Segundo os especialistas do Instituto de Administração da Conservação (um centro de estudos ligado à Faculdade de Tecnologia da Virgínia, nos Estados Unidos), isso pode indicar que os cuidados maternos duravam vários meses depois do nascimento. A fim de evitar o mesmo triste destino para os primos sobreviventes, o governo de Guam limitou a caça dos marianas e criou quatro reservas selvagens, totalizando 1 700 hectares. Mesmo assim, a espécie continua ameaçada.
Pequeno-morcego-de-frutas-Mariana
Nome científico: Pteropus tokudae
Ano da extinção: 1968
Habitat: Ilha de Guam

2907 – Animal extinto: Dublê de corpo


Ela parecia um pingüim, mas as duas aves não eram parentes. A alca-gigante teve menos sorte e entrou cedo para a galeria dos animais extintos
Seu dorso era coberto por uma plumagem negra. Tinha o peito branco e duas grandes manchas ovaladas também brancas entre o bico e os olhos, além de pequenos pontos marrons na cabeça e no pescoço. Embora ela fosse alta, suas asas eram pequenas e não lhe permitiam voar. Na água elas funcionavam como excelentes nadadeiras, ajudando-a escapar de seus predadores. Em terra, em posição ereta, sobre as patas, parecia desengonçada. Graças a uma densa capa de gordura subcutânea, vivia sem problema em lugares muito frios. Embora essa descrição lembre muito a aparência e o comportamento dos pingüins, a alca-gigante não tem parentesco direto com as simpáticas aves que até hoje habitam as regiões mais geladas do planeta.
A alca-gigante (great auk, em inglês) é, provavelmente, a mais conhecida das aves extintas nos últimos três séculos. Ficou tão famosa que, à época da Primeira Guerra Mundial, havia um cigarro chamado Great Auk. O nome Great Auk Head também foi marca de vinho. Membro da família alcidae, a alca se destacava pelo tamanho: tinha cerca de 75 centímetros de altura e suas asas atingiam em torno de 16 centímetros. Todas as outras espécies eram bem menores. Assim como os pingüins, alimentava-se de peixes e crustáceos. Quase não emitia sons e, quando o fazia, grunhia baixinho. Para proteger os filhotes, as fêmeas punham os ovos (que tinham o formato de pêra) nas rochas.
A alca-gigante viveu numa vasta área do Atlântico Norte. Por causa de sua pele, ovos, carne e gordura, foi sempre alvo de pescadores e colecionadores. A caça à ave ganhou força com o avanço dos colonizadores europeus. Em 1534, o explorador francês Jacques Cartier descobriu o grande reduto da ave – a Ilha Funk, perto da província canadense de Newfoundland. Logo depois, pescadores de bacalhau e lagosta passaram a usar as alcas como iscas. Nessa época, elas eram tão comuns que as pessoas enchiam um barco inteiro com suas carcaças. No início do século 19, porém, as alcas-gigantes passaram a ser vistas apenas em alguns pontos da costa da Islândia.
O pintor britânico Errol Fuller, autor de vários livros sobre aves extintas, diz que o desaparecimento da alca-gigante é uma prova da ignorância e crueldade humanas. Há relatos de que um dos últimos exemplares capturados vivos foi espancado até a morte, por ter sido considerado um espírito mau, causador de fortes ventos que castigaram a região na noite seguinte à sua captura. A última alca-gigante de que se tem notícia foi abatida em 1844, na Islândia. Da pobre ave restam hoje cerca de 80 peles e 75 ovos em coleções e museus espalhados pelo mundo.
Alca-gigante
Nome científico: Alca impennis ou Pinguinus impennis
Ano da extinção: 1844
Habitat: Atlântico Norte

2906 – Animal marinho extinto: O fim do sossego


A foca-monge-do-caribe viveu sem ser incomodada durante 15 milhões de anos. Em pouco mais de 400 anos, o homem conseguiu estragar tudo
Durante 15 milhões de anos, a foca-monge viveu com tranqüilidade nas águas tropicais do mar do Caribe. Até que, no século 15, os primeiros navegadores europeus chegaram ao Novo Mundo. Em pouco mais de 400 anos, o Monachus tropicalis foi exterminado por pescadores e caçadores, desaparecendo de vez do planeta em 1952. A descrição do pacato animal marinho – o primeiro grande mamífero avistado no continente americano – foi feita pela tripulação de Cristóvão Colombo, em 1494. Quando o líder da expedição mandou matar oito focas-monges para alimentar os marinheiros, sem perceber, estava abrindo o caminho para a extinção da espécie. Nos séculos seguintes, centenas de focas foram mortas pelos colonizadores europeus, que usavam a gordura como combustível, e pela indústria pesqueira, que considerava o bicho um competidor. Colecionadores também dizimaram várias focas-monges-do-caribe, em busca de peles para os seus museus.
Em 1707, o historiador irlandês Hans Sloan descreveu esse mamífero como um animal de fácil aproximação e não-agressivo. Como as ilhas no Caribe estavam superpovoadas pelas focas-monges, os pescadores não tinham dificuldade em matá-las. Assim, no final do século 19, o bicho já era uma raridade. O último exemplar vivo foi observado em Seranilla Bank, um arquipélago de pequenas ilhas de corais entre a Jamaica e Honduras. Em 1996, a foca-monge-do-caribe foi declarada oficialmente extinta.
Não houve tempo de estudar os hábitos desses mamíferos. Sabe-se que os machos mediam de 2,1 a 2,4 metros e as fêmeas eram ligeiramente menores. Os adultos tinham a pele das costas marrom, com alguns tons de cinza, e a barriga e o focinho amarelados. As poucas observações feitas pelo homem sugerem um animal sociável, pois ele raramente apresentava sinais ou feridas de luta, além de ser visto normalmente em grupos de 20 a 40 indivíduos, muitas vezes amontoados uns sobre os outros. Há registros de grupos compostos de até 100 indivíduos.
As focas mais jovens costumavam descansar em piscinas naturais de água, provavelmente para regular a temperatura do corpo. Ao perceberem a aproximação humana, elas reagiam com um som similar a um rosnado ou latido de cão. Apesar de ainda existirem duas subespécies sobreviventes, uma no Mediterrâneo e outra no Havaí, os parentes mais próximos da foca-monge-do-caribe são as focas da Antártica. De que forma a família se espalhou do Pólo Sul para os trópicos continua um mistério.
Foca-Monge-do-Caribe
Nome científico: Monachus tropicalis
Ano da extinção: 1996
Habitat: Mar do Caribe

2905 – Espécie extinta: Não sobrou um pombo


O passenger pigeon foi vítima de uma das maiores matanças de animais da história. Sua extinção estimulou as primeiras leis de proteção à fauna
passenger pigeon (“pombo-viajante”), nativo dos Estados Unidos, já foi considerado a ave mais abundante na Terra. Algumas estimativas dão conta de que, quando os colonizadores europeus chegaram ao Novo Mundo, havia em torno de 5 bilhões desses pombos na América do Norte – quase o mesmo número de todos os pássaros que se calcula existir hoje nos Estados Unidos.
Com apenas 20 centímetros de comprimento, o pombo vivia em enormes colônias, formadas por até 2 milhões de indivíduos. Na época da migração, antes do início do inverno, eles saíam da região de Ontário e dos Grandes Lagos, no Canadá e norte dos Estados Unidos, e voavam em direção ao sul, para os Estados americanos do Texas, Louisiana, Alabama, Geórgia e Flórida, onde passavam os meses mais frios do ano. Migrando sempre em numerosos bandos, os pombos chegavam a obstruir a passagem da luz do sol, formando uma barreira natural, no céu, de quase 300 quilômetros de extensão. Ao chegar aos locais onde passariam o inverno, empoleiravam-se em árvores, ocupando áreas de até 850 quilômetros quadrados.
A estratégia de vida em grupo garantiu a sobrevivência do passenger pigeon por séculos. Mesmo que as aves fossem atacadas por raposas e lobos, seus predadores naturais, isso não chegava a ser significativo para o grupo. Os pombos dispunham de farta alimentação. Seu habitat eram as florestas, ricas em sementes, castanhas e frutas. Quando as matas começaram a ser derrubadas, no início do século 19, a vida ficou mais difícil para o pombo. Mas o que decretou o seu fim foi mesmo a caça indiscriminada. Como os pombos viviam em colônias enormes, era fácil matar centenas deles de uma só vez. Os caçadores vendiam os pássaros nas grandes cidades, como Nova York, por um preço acessível – 50 centavos de dólar a dúzia –, e muita gente passou a servir o pombo no almoço e no jantar. Com tanta matança, a situação logo ficou dramática. Por volta de 1880, já não se viam mais as imensas colônias. Como a fêmea só colocava um ovo por vez, era quase impossível repor o número de pombos necessário para que a ave não desaparecesse. Acostumados a conviver com milhares de companheiros, alguns dos últimos remanescentes do passenger pigeon acabaram morrendo de solidão.
Consta que, em um único dia de 1887, caçadores mataram 50 000 pombos de uma colônia que descansava no Michigan. A chacina comoveu as autoridades americanas, que resolveram criar a primeira lei limitando a caça de uma espécie animal. A restrição seria estendida depois a outras espécies de aves e mamíferos. Foi a primeira vez na história que um país decidiu preservar efetivamente seus animais. Mas a medida chegou tarde demais para o passenger pigeon. Em poucos anos, a ave foi extinta. O último exemplar conhecido, chamado Martha, morreu no Zoológico de Cincinnati, em Ohio, no dia 10 de setembro de 1914. Empalhado, o pombo pode ser observado no Instituto Smithsonian, em Washington. Suas penas coloridas chamam a atenção de quem observa a redoma que guarda o pássaro que já foi a espécie mais popular do mundo.
Passenger Pigeon
Nome científico: Ectopistes migratorius
Ano da extinção: 1914
Habitat: Estados Unidos e Canadá

2904 – Espécies em extinção: Corrida contra a panela


Tão antigas quanto os dinossauros, as tartarugas começam a perder a batalha pela sobrevivência
As primeiras tartarugas já existiam desde a época dos dinossauros, há cerca de 200 milhões de anos. Os dinossauros se foram há muito tempo, enquanto as tartarugas continuam resistindo heroicamente em sua carapaça. Mas a luta pela sobrevivência vem ficando cada vez mais difícil. Prova disso é que, somente no continente asiático, 75% das 90 espécies conhecidas de tartarugas e cágados de água doce estão ameaçadas, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). Dessas espécies, 45 são consideradas “criticamente em perigo” e uma já desapareceu para sempre: a Cuora yunnanensis, conhecida pelo nome popular em inglês Yunnan box turtle (literalmente, “tartaruga-caixa-de-yunnan”).
Originária da província de Yunnan, no sul da China, a tartaruga ganhou esse nome porque, ao se encolher, ela conseguia se esconder inteiramente dentro da carapaça, como se estivesse numa caixa. É provável que essa tartaruga tenha desaparecido há várias décadas. A última vez que um exemplar foi observado com vida foi em 1906. Depois disso, apesar das intensas buscas realizadas pelos pesquisadores, ela só pôde ser apreciada em museus. Em 2001, finalmente, a IUCN jogou a toalha e declarou essa espécie oficialmente extinta.
Enquanto muitos répteis desapareceram pelas mãos do homem, a Cuora yunnanensis sumiu literalmente pela boca – principalmente dos chineses, grandes apreciadores da carne desse animal. Os asiáticos acham que a iguaria melhora a circulação sangüínea e faz bem ao fígado e aos rins. Alguns restaurantes chineses cobram mais de 1 000 dólares por um jantar cujo prato principal é a disputada tartaruga-dourada-do-laos. Muitos chineses acreditam que as carapaças da tartaruga possuem propriedades afrodisíacas e melhoram o desempenho sexual. Resultado: a cada ano, cerca de 12 milhões de tartarugas de diversas espécies vão parar nas cozinhas, nos restaurantes ou nos laboratórios medicinais da China.
Yunnan Box Turtle
Nome científico: Cuora yunnanensis
Ano da extinção: 2001
Habitat: Yunnan (província da China)

2903 – Espécies extintas: A vida era doce


O kioea, um pássaro que se alimentava donéctar das flores, habitava o arquipélago do Havaí.Pouquíssimos tiveram o privilégio de vê-lo vivo
Eles vivem do néctar das flores, daí o nome: meliphagidae, ou “comedores de mel”. Trata-se de uma família de pássaros australianos que, ao longo dos tempos, foi ampliando seu habitat para o norte e para o leste, chegando à Nova Guiné e a várias ilhas do Pacífico. Das dezenas de espécies de meliphagidae existentes no mundo, cinco alçaram vôo para terras mais distantes – o arquipélago do Havaí –, mas não conseguiram se preservar. Estão todas extintas há mais de um século: o kioea é uma delas.
O comprimento das pernas lhe rendeu o nome, que, para os havaianos, significa “estar no alto sobre longas pernas”. Segundo registros históricos, o kioea era um belo pássaro, grande, com cerca de 33 centímetros de comprimento e asas que atingiam 14 centímetros. Tinha o alto da cabeça e o pescoço da cor marrom-escura, com listras amarelo-esverdeadas, efeito que se repetia no peito, onde também exibia listras longitudinais brancas. A cauda era formada por penas marrom-escuras, contornadas por penas amarelas. Bicos, pés e pernas eram quase negros.
Ao que tudo indica, os únicos especialistas que viram o pássaro vivo foram os naturalistas americanos Charles Pickering e Titan Ramsay Peale. Eles coletaram um exemplar em 1840, durante uma expedição ao Havaí. “É muito ativo e gracioso em seus movimentos. Tende a ser musical e freqüenta as áreas das matas; geralmente é encontrado em árvores floridas”, registraram os cientistas em suas anotações.
Embora eles não tenham esclarecido em qual região avistaram o kioea, há evidências de fósseis indicando que ele viveu em várias ilhas do arquipélago havaiano. Seu desaparecimento é atribuído à destruição do habitat, possivelmente em conseqüência do desmatamento. A última prova da existência desse pássaro se deu em 1859.
Kioea
Nome científico: Chaetoptila angustipluma
Ano da extinção: 1859
Habitat: arquipélago do Havaí

2902 – Espécie extinta: Lobo bom


Lobo com ares de raposa, ele era dócil, ingênuo e adorava brincar. Mas foi perseguido pelo homem e virou peça de museu
Dócil e facilmente domesticável, o lobo-das-malvinas, também chamado de warrah, recebeu tranqüilamente os primeiros colonizadores do arquipélago próximo à Argentina, no século 17. Afinal, era o único mamífero terrestre da região, não temia predadores, vivia em harmonia com lobos-marinhos e focas e gostava de brincar. Tanto que recebeu o nome científico Dusicyon australis, que significa “cão bobo do sul”. Do que o animal não poderia suspeitar é que essa ingenuidade facilitaria sua extinção, antes do final do século 19. O último exemplar da espécie foi abatido a tiros em 1876. Carcaças e esqueletos de 11 indivíduos viraram peças de museus da Europa e dos Estados Unidos.
Pouco se sabe sobre os hábitos alimentares desse lobo com ares de raposa, mas tudo leva a crer que ele comia pássaros – ovos e filhotes que encontrava em ninhos próximos ao chão –, pingüins, insetos e vegetais. Segundo relatos de marinheiros britânicos que andaram por aquelas terras, o animal chamava a atenção por emitir um som similar ao latido de um cão e tinha cerca de 60 centímetros de altura. Comportamento social e outras características permanecem um mistério. Nem mesmo o pai da teoria da evolução das espécies, o inglês Charles Darwin, que conheceu o warrah em 1833, coletou muitas informações quando esteve nas Malvinas – ou Ilhas Falkland, como preferem os britânicos, donos do território. Mas, já naquela época, ele conseguiu prever que o Dusicyon australis estava com os dias contados.
A perseguição ao lobo-das-malvinas começou quando os espanhóis e os escoceses passaram a criar gado e ovelhas na região. Acreditando que os animais nativos representariam uma ameaça para seus rebanhos, eles decidiram exterminá-los como se fossem pragas. E não era difícil chamar o canídeo para a morte, pois seu instinto mandava que ele se comportasse como o melhor amigo do homem. Os colonizadores atraíam o lobo com alguma comida ou uma simples promessa de afago, seguravam-no com uma mão e o esfaqueavam com a outra. Os criadores de ovelhas preferiam o método de envenenamento, mas não descartavam a caça a tiros em campo aberto. Ironicamente, nunca se comprovou que esses mamíferos realmente atacassem rebanhos.
A partir de 1830, caçadores de peles de empresas americanas começaram a desembarcar na região para transformar o warrah em casacos. O Império Britânico oferecia recompensas a quem exterminasse esses lobos de pêlo castanho-acinzentado. Roupas confeccionadas com a pele densa dessa espécie exótica logo se tornaram um sonho de consumo da burguesia da época. O único exemplar levado vivo para a Europa passou uma temporada no Zoológico de Londres, em 1868, e resistiu pouquíssimos anos. Os esforços de preservação foram feitos tardiamente. O lobo-das-malvinas já tinha pagado um alto preço por ser bonito demais aos olhos humanos.
Lobo-das-Malvinas
Nome científico: Dusicyon australis
Ano da extinção: 1876
Habitat: Ilhas Malvinas

2901 – Extinção do pé-de-porco: Começou mal, terminou pior


Considerado extinto desde 1907, o australiano Chaeropus ecaudatus, ou bandicoot-pé-de-porco, é até hoje um marsupial polêmico. As divergências começam pelo nome científico do bichinho – que significa “pé-de-porco e sem rabo”. Depois do batismo, descobriu-se que o responsável pela classificação analisou um exemplar que havia perdido a cauda numa briga ou num ataque de predador (incluindo os aborígines, que usavam o rabo do bicho como ornamento, além de apreciarem a carne do animal). Na verdade, o Chaeropus ecaudatus tem o mais longo rabo de todos os bandicoots. A trapalhada só foi descoberta quando já não dava mais para mudar o nome.
Antes da chegada dos colonizadores europeus à Austrália, no século 18, os nativos costumavam queimar as pequenas áreas gramadas, que logo se regeneravam, resultando em comida fresca e abrigo para os bandicoots. Os europeus aboliram essa prática, mudando o habitat dos animais. A criação de gado e ovelhas na região também alterou as condições do solo. Embora os europeus tenham introduzido posteriormente gatos, raposas e coelhos – predadores não-naturais e adversários dos bandicoots –, a extinção do pé-de-porco é atribuída principalmente às modificações provocadas na flora.
O ecaudatus tinha entre 23 e 26 centímetros de comprimento, e sua cauda media entre 10 e 15 centímetros. O formato da cabeça se assemelhava ao dos demais bandicoots, mas as orelhas lembravam as dos coelhos. O diferencial, no entanto, estava nas patas, compridas e finas. Os “pés” dianteiros tinham dois “dedos”, com cascos semelhantes aos dos porcos (entendeu de onde veio seu nome popular?). Atrás, havia quatro “dedos” em cada pata. As estruturas dentárias e intestinais indicam que a dieta devia ser herbívora, embora nativos australianos contem que o pé-de-porco apreciava cupins, formigas e, eventualmente, carne.
Bandicoot-pé-de-porco
Nome científico: Chaeropus ecaudatus
Ano da extinção: 1907

2900 – Extinção do tigre-da-tasmânia: O bicho que valia por cinco


Eis o mito

Tigre, canguru, cachorro, lobo ou raposa? O tigre-da-tasmânia tinha um pouco de cada um. Agora, os cientistas tentam recriar geneticamente esse curioso animal

Tigre-da-tasmânia, lobo marsupial e lobo-da-tasmânia. Esses são alguns dos nomes usados para identificar o Thylacinus cynocephalus, um robusto marsupial carnívoro com ares de canguru, cachorro, lobo e raposa e com pelagem tigrada – aliás, sua única característica felina. Até 2 000 anos atrás, ele vivia desde a Papua Nova Guiné até a Ilha da Tasmânia, passando pelo continente australiano. Depois disso, provavelmente por causa de mudanças climáticas, o habitat se restringiu à Tasmânia.
Lá, colonizadores europeus introduziram criações de galinhas e ovelhas, por volta de 1824. O tigre-da-tasmânia levou a fama de devorador de rebanhos e, entre 1830 e 1909, o governo local – que respondia ao Império Britânico – e os fazendeiros estimularam a matança, oferecendo recompensas a caçadores que entregassem carcaças do bicho. Além dessa perseguição cruel, a espécie provavelmente sucumbiu à modificação do habitat e à competição com os cães domesticados dos imigrantes, sem mencionar as novas doenças levadas à ilha por animais do Ocidente. Também há registros de que os aborígines apreciavam a carne do animal.
A cor desse falso tigre variava do marrom-amarelado para o cinza. Ele apresentava de 15 a 20 listras escuras espalhadas do dorso até a cauda. A pelagem era densa, curta e macia. Na cabeça, semelhante à dos canídeos, as orelhas pequenas e arredondadas estavam sempre alertas. A mandíbula era forte e larga, com 46 dentes e abertura de 120 graus, o que indica uma mordida respeitável. Os machos mediam de 1,8 a 1,9 metro de comprimento e pesavam cerca de 40 quilos. Menores e com mais listras, as fêmeas tinham a bolsa marsupial voltada para o traseiro, protegendo a ninhada da vegetação áspera e rasteira da região, e carregavam até quatro filhotes.
Em 1999, cientistas do Museu Australiano, em Sydney, retiraram o DNA de um feto de tigre-da-tasmânia preservado em etanol, dando início a um ambicioso projeto de clonagem. Os mais otimistas apostam que o marsupial carnívoro voltará em grande estilo até 2012. Há relatos de pessoas que acreditam ter visto indivíduos dessa espécie. Mas, infelizmente, não existe qualquer evidência de que o tigre-da-tasmânia ainda esteja entre nós.
Tigre-da-tasmânia
Nome científico: Thylacinus cynocephalus
Ano da extinção: 1936
Habitat: Tasmânia

Foi o maior marsupial carnívoro dos tempos modernos. Nativo da Austrália e Nova Guiné, acredita-se que se tornou extinto no século XX.[4] Foi o último membro de seu gênero, Thylacinus, ainda que diversas espécies relacionadas tenham sido encontradas em registros de fósseis datando desde ao início do Mioceno.

Os tilacinos foram extintos da Austrália continental milhares de anos antes da colonização europeia do continente, mas sobreviveram na ilha da Tasmânia junto com diversas espécies endêmicas, incluindo o diabo-da-tasmânia. A caça intensiva encorajada por recompensas por os considerarem uma ameaça aos rebanhos é geralmente culpada por sua extinção, mas outros fatores que contribuíram podem ter sido doenças, a introdução de cães, dingos e a intrusão humana em seu habitat. O último registo visual conhecido ocorreu em 1932 e o último exemplar morreu no Zoológico de Hobart em 7 de Setembro de 1936. Apesar de ser oficialmente classificado como extinto, relatos de encontros ainda são reportados.

Como os tigres e lobos do hemisfério norte, dos quais herdou dois de seus nomes comuns, o tilacino era o predador-alfa da cadeia alimentar. Como um marsupial, não era relacionado a estes mamíferos placentários, mas devido a convergência evolutiva, ele demonstrava as mesmas formas gerais e adaptações. Seu parente mais próximo é o diabo-da-tasmânia.
O tilacino era um dos dois únicos marsupiais a terem um marsúpio em ambos os sexos (o outro é a cuíca-d’água). O macho tinha uma bolsa que agia como um revestimento protetor, protegendo os órgãos externos do animal enquanto este corria através de mata fechada.

2899 – Macaco extinto: Sinal vermelho


Não foi por falta de aviso que ocorreu o primeiro desaparecimento de um primata antropóide nos últimos dois séculos
A África já foi a casa de milhões de macacos-colobos-vermelhos e suas subespécies, que vagavam por florestas em grupos barulhentos. No século 20, essas populações sofreram reduções drásticas, sendo que a subespécie Procolobus badius waldroni é considerada extinta. E isso não se deu por falta de aviso. Ao descobrirem esse macaco, em dezembro de 1933, os cientistas avisaram que ele corria risco por viver num habitat restrito de Gana e da Costa do Marfim. Mas o desaparecimento acelerado só começou a ser sentido por volta de 1950, época em que pessoas famosas, como o escritor Ernest Hemingway, exaltavam a caça e incentivavam centenas de estrangeiros a irem para a África atrás de aventuras. O Procolobus badius waldroni se tornou conhecido da comunidade científica quando o naturalista britânico Willoughby Lowe comandava uma expedição para a coleta de animais na África. Interessada nos macaquinhos com detalhes vermelhos na testa e nas pernas, a equipe matou oito exemplares e os levou para estudo na Inglaterra. Já no Museu de História Natural de Londres, o especialista em mamíferos R. W. Hayman batizou o primata de colobo-vermelho-de-miss-waldron, em homenagem à senhorita F. Waldron, funcionária da instituição que participou da expedição.
Com exceção dos detalhes coloridos da pelagem, esse colobo-vermelho não se diferenciava das demais subespécies. Vivia em florestas densas, andava em bandos de 20 ou mais indivíduos, fazia estardalhaço chamando os companheiros e comia folhas de mais de 100 tipos de árvores, digerindo a celulose com seu estômago similar ao dos bovinos.
Em 1976, a especulação imobiliária acelerou a transformação das florestas de Gana, que passaram a ser ilhas de vida selvagens cercadas por um oceano de prédios. Caçadores invadiam a região atrás de carnes exóticas na mesma proporção em que as árvores – fonte de alimento – eram derrubadas. Desde 1978, não existe relato confiável de alguém que tenha deparado com um desses macaquinhos. Em 12 de setembro de 2000, a extinção da subespécie foi anunciada, marcando o desaparecimento oficial do primeiro primata antropóide desde 1800.
O especialista em primatas Scott McGraw, da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, um dos responsáveis pelo artigo que deu o animal como extinto em 2000, ainda tem esperança de encontrar algum desses macacos com vida e oferece recompensas a nativos que relatem aparições. Em 2002, McGraw ganhou a cauda de um primata morto dois anos antes, e um exame de DNA confirmou ser de algum tipo de colobo-vermelho. Além da cauda, só restava o relato do caçador. Em 2003, o cientista recebeu uma foto do que seria um desses macaquinhos – mais uma vez, morto. Como jamais foi fotografado, não se sabe se o bicho era um autêntico Procolobus badius waldroni.
Macaco-colobo-vermelho-de-miss-waldron
Nome científico: Procolobus badius waldroni
Ano da extinção: 2000
Habitat: Gana e Costa do Marfim