2870 – Mega Memória – Sandiz, a loja de departamentos do Grupo Pão de Açúcar


A Sandiz foi uma loja de departamentos que pertenceu ao Grupo Pão de Açúcar até 1987, quando foi vendida ao grupo holandês Susa, que é ligado ao grupo Vendex [tinha empresas no Brasil como Sears, Dillars, Drogasil e Ultralar]. Encerrou suas atividades no inicio da década de 1990.
A Sandiz representava 4,7% do faturamento da Companhia Brasileira de Distribuição, parte do grupo Pão de Açúcar – que atua em outros negócios. A venda da rede de Lojas Sandiz se justificou pelo baixo faturamento dentro do grupo e a falta de possibilidades de expansão do negócio; inviabilizado quando a Sears, rede americana de lojas de departamentos, não pode ser adquirida pelo Grupo Pão de Açúcar, por volta de 1983 – A Sears acabou sendo vendida ao grupo holandês Susa, que mais tarde compraria a Sandiz.
A Sandiz possuia filiais em: Niterói (RJ), Brasilia (DF), Guarujá (SP), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), no Shopping do Méier São Paulo (SP), no Shopping Center Norte e no Shopping Morumbi, entre outras.

2869 – Coca-Cola assassina


Depois da fama como possível desentupidor de pia, a Coca-Cola estréia nova função: pesticida. Agricultores da Índia estão pulverizando o refrigerante na lavoura de algodão. Custa quatro vezes menos que agrotóxicos, e funciona. Especialistas acham que o segredo está no açúcar, atrativo para formigas que comem larvas daninhas. Quem optou pela Pepsi garante: também é tiro e queda.

2868 -Religião: Um outro Jesus


Da Super para o ☻Mega

Os evangelhos apócrifos – textos que foram proibidos pela Igreja e que desapareceram por mais de um milênio- trazem um Jesus diferente daquele que conhecemos
Quem não conheceu a si mesmo não conhece nada, mas quem se conheceu veio a conhecer simultaneamente a profundidade de todas as coisas.
Esta frase acima é atribuída a Jesus Cristo. Mas não adianta ir procurá-la na Bíblia. Ela não está em nenhum lugar dos Evangelhos de Lucas, Marcos, Mateus ou João, os únicos relatos da vida de Jesus que a Igreja considera autênticos. A citação faz parte de um outro evangelho – o de Tomé. Também não perca seu tempo procurando por esse livro no Novo Testamento. Não há por lá nenhum evangelho com o nome do mais cético dos apóstolos, aquele que queria “ver para crer”.
Acontece que o texto existe. E é um documento antigo – segundo alguns pesquisadores, tão antigo quanto os que estão na Bíblia. O Evangelho de Tomé, assim como outras dezenas – ou centenas – de textos semelhantes, foi escrito por alguns dos primeiros cristãos, entre os séculos 1 e 3 da nossa era. Ele foi cultuado por muito tempo. Até que, em 325, sob o comando do imperador romano Constantino, a Igreja se reuniu na cidade de Nicéia, na atual Turquia, e definiu que, entre os inúmeros relatos sobre a vinda de Cristo que existiam, só quatro eram “inspirados” pelo filho de Deus – os “evangelhos canônicos” (“evangelho” vem da palavra grega que significa “boa nova”, usada para designar a notícia da chegada de Cristo, e “canônico” é aquele que entrou para o cânone, a lista dos textos escolhidos). Os outros eram “apócrifos” (de legitimidade duvidosa). Estes foram proibidos, seus seguidores passaram a ser considerados hereges e muitos foram excomungados, perseguidos, presos. A maioria dos apócrifos acabou destruída e os textos sumiram, alguns para sempre.Mas nem todos. O Evangelho de Tomé, o de Filipe e o de Maria Madalena, por exemplo, escaparam por pouco da destruição – graças a um egípcio anônimo. Em algum momento do século 4, esse egípcio teve a boa idéia de esconder num jarro de barro cópias manuscritas na língua copta desses textos e de muitos outros ameaçados pela perseguição da Igreja. O jarro ficou 1 600 anos sob a areia do deserto. Acabou resgatado por um grupo de beduínos, em 1945, perto da cidade egípcia de Nag Hammadi. Só nos últimos anos os textos acabaram de ser traduzidos e chegaram ao conhecimento dos cristãos do mundo.
Assim, por acidente, alguns apócrifos sobreviveram ao tempo. E agora, 2 mil anos depois da morte de Cristo, eles estão fazendo um tremendo sucesso. Inspiram filmes milionários (como Matrix) e best sellers (como O Código Da Vinci). São adotados por seitas cristãs, geram religiões, dão origem a teorias conspiratórias e são cada vez mais lidos por fiéis do mundo, inclusive cristãos tradicionais, que não vêm contradição entre alguns desses textos e a religião que eles seguem. Só no Brasil há pelo menos 30 grupos cujas crenças são baseadas nos apócrifos. Como explicar essa súbita popularidade para textos que estiveram sumidos por mais de um milênio e meio?
Talvez a principal razão seja o fato de que os textos revelam mais sobre Jesus. Os quatro evangelhos canônicos contam uma história fascinante, mas deixam muitas brechas. Os cristãos do mundo têm vontade de saber mais sobre esse homem, ainda que seja através de textos que a Igreja não considera legítimos.
E vários dos apócrifos trazem passagens reveladoras para aqueles que tentam enxergar o homem por trás do Deus. “É um Jesus mais humano, em situações mais próximas da vida de homens e mulheres de hoje”, diz o jornalista espanhol Juan Arias, do El País, autor de livros sobre a história do cristianismo. Arias, que cobriu o Vaticano por 14 anos, está terminando um livro em que resume as pesquisas históricas a respeito de Maria. Um dos temas que ele examina é a falta de referência em alguns apócrifos à virgindade da mãe de Jesus.
Se o cristianismo tradicional ignorava a importância do autoconhecimento, a idéia não é nova para nós, ocidentais do século 21. Sigmund Freud, no século 19, trouxe para a ciência a idéia de que há algo para ser descoberto dentro de nós mesmos – no caso, o subconsciente – e que esse algo pode nos trazer conforto e felicidade. Talvez esteja aí – na herança freudiana – uma das explicações para o sucesso dos apócrifos nos tempos atuais.
Há outras. O Evangelho de Tomé e outros apócrifos falam ao coração de um contingente que não pára de crescer nos tempos atuais: os ávidos por espiritualidade, mas desconfiados da religião (é bom lembrar que a maior parte dos católicos brasileiros se diz “não praticante”). “O reino está dentro de vós e também em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, sereis conhecidos e compreendereis que sois os filhos do Pai Vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis a pobreza”, diz o texto de Tomé.
Muitos apócrifos pregam também códigos de conduta menos rígidos que os do cristianismo tradicional. Numa passagem do Evangelho de Maria Madalena, Cristo diz que “eu não deixei nenhuma ordem senão o que eu lhe ordenei, e eu não lhe dei nenhuma lei, como fez o legislador, para que não seja limitada por ela”. Esse trecho parece contrariar a própria autoridade da Igreja. Em Tomé, também aparece um Jesus menos dado a imposições, que diz “não façais aquilo que detestais, pois todas as coisas são desveladas aos olhos do Céu”. Bem diferente das aulas de catecismo, não?
Outra novidade é que vários apócrifos valorizam o papel da mulher. Os evangelhos de Filipe e de Maria Madalena afirmam que Madalena recebia revelações privilegiadas do Salvador. “O Senhor amava Maria mais do que todos os discípulos e a beijou na boca repetidas vezes”, afirma o de Filipe. Para Karen King, historiadora eclesiástica da Universidade Harvard, Madalena estava tão autorizada a pregar a palavra de Jesus quanto os 12 apóstolos. “Os textos mostram que Maria Madalena entendeu os ensinamentos de Jesus melhor do que ninguém”, afirmou, em entrevista à revista National Geographic.
Para resumir: os apócrifos revelam um Jesus mais democrático e menos sexista, mais tolerante e menos autoritário – características que combinam com nossos dias. Eles eliminam a culpa e abrem caminho para uma fé pessoal, algo que faz sucesso nestes tempos individualistas. Sem falar que estão cercados de uma charmosa aura de mistério. “Esta é uma sociedade que desconfia de qualquer instituição, então dizer que eles foram condenados pela Igreja vira um chamariz e tanto”, diz o teólogo Pedro Vasconcellos, da PUC de São Paulo. Deu para entender por que eles estão tão na moda?
Mas, afinal, que textos são esses? Dá para dizer que eles são vestígios de cristianismos perdidos. Sim, é isso mesmo: o cristianismo, no começo, não era um só, eram vários. “Nos séculos 2 e 3, havia cristãos que acreditavam em um Deus. Outros insistiam que Ele era dois. Alguns diziam que havia 30. Outros, 365”, escreve Bart Ehrman, professor de Estudos Religiosos na Universidade da Carolina do Norte, no livro Lost Christianities (“Cristianismos Perdidos”, sem versão em português).
Os primeiros cristãos viviam em comunidades clandestinas, que se reuniam às escondidas nas periferias das cidades e que tinham pouco contato umas com as outras. Essas comunidades eram lideradas muitas vezes por pessoas que conheceram Cristo ou pelos próprios apóstolos. Como Cristo não deixou nada escrito, coube a essas primeiras lideranças do cristianismo construir a religião.
Não há como saber se o Evangelho de Mateus foi escrito pelo próprio Mateus. “Naquele tempo, como ainda hoje, não faltava quem se candidatasse a pregar em nome de um personagem tão importante”, afirma o teólogo Paulo Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo. Mas é bastante provável que o texto tenha sido construído a partir dos ensinamentos do apóstolo recolhidos por seus seguidores. Da mesma forma, os evangelhos de João, Pedro, Maria Madalena, Tomé e Filipe devem ter sido os textos que guiavam as práticas dos grupos que se reuniram em torno dessas figuras importantes da religião nascente (ou que buscaram inspiração nelas). “Os evangelhos apócrifos, da mesma forma que os canônicos, não devem ser encarados como reproduções exatas das palavras de Jesus Cristo, mas como interpretações da mensagem dele feitas pelas primeiras comunidades cristãs”, diz o teólogo Vasconcellos. É claro que essas interpretações nem sempre concordavam umas com as outras. E, portanto, é claro que, naquela aurora do cristianismo, produziram-se diversos textos – muitas vezes contraditórios entre si.
Entre os primeiros grupos cristãos havia, por exemplo, os ebionitas, uma das seitas mais antigas. Eles se consideravam judeus e achavam que Jesus era o Salvador apenas do povo hebreu. Os ebionitas mantinham os rituais judaicos, rezavam voltados para Jerusalém e acreditavam que Cristo tinha sido especial não por ser filho de Deus, mas por ter seguido à perfeição a lei judaica.
No outro extremo, estavam os marcionitas, para quem havia dois deuses. O primeiro deles seria um deus mau – o deus dos judeus, responsável por tudo de ruim no planeta. Jesus seria o segundo, um deus bom, que teria surgido para nos liberar da divindade maligna. Esse cristianismo, que hoje soa bizarro, foi popular no começo do século 2, antes de ser condenado como heresia em 139. Uma das razões para o sucesso é que a tese de dois deuses exclui a culpa cristã. Se um deus mau criou o mundo, é ele o responsável pelos sofrimentos sobre a terra.
Os gnósticos tinham crenças aparentadas às dos marcionistas. Também para eles o mundo foi criado por uma divindade imperfeita e não havia por que nos sentirmos culpados pelos males que existem. A diferença é que os gnósticos acreditavam que o Deus bom influiu na criação. Ele dotou cada um dos seres humanos de uma centelha divina – que nos dava a capacidade de despertar dessa imperfeição e conhecer a verdade. Se conseguirmos acumular conhecimento (gnosis, em grego), nos libertaremos desse mundo mau e estaremos salvos. Cristo, para os gnósticos, seria um enviado desse Deus verdadeiro, cujo objetivo seria nos ensinar a despertar. A escrita e a leitura cumpririam um papel importante nesse processo, e por isso eles deixaram muitos textos (boa parte dos apócrifos são gnósticos). Nota-se uma forte influência da filosofia grega nesse cristianismo.
Há uma boa pitada de gnosticismo naquela frase do Evangelho de Tomé que abre esta reportagem. Mas os tomasinos (seguidores de Tomé) eram uma seita à parte. Eles também acreditavam na salvação pelo conhecimento, mas iam além: pregavam que a busca é completamente individual. Os tomasinos rejeitavam a hierarquia – e, portanto, a Igreja. A salvação está dentro de cada um de nós e podemos atingi-la sem a ajuda de um padre.
E havia, claro, os seguidores de Paulo e os de Pedro, fortes especialmente em Roma, bem no centro do império. Esse grupo, no início, não era maior nem mais representativo que os outros. A proximidade com a burocracia estatal que administrava o Império Romano certamente exerceu influência sobre ele – não é à toa que o cristianismo romano era o mais organizado e hierarquizado de todos.
Cada uma dessas comunidades cristãs seguia um certo conjunto de textos – e rejeitava outros. Mas a maioria considerava legítimos os evangelhos de Marcos, Matias, Lucas e João, que provavelmente são os mais antigos e menos controversos. Em 312, o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo. E foi o cristianismo de Roma que ele escolheu. Constantino administrava um império que era quase “universal”, e queria também uma “Igreja universal”. Quando, 13 anos depois, sob as ordens do imperador, a Igreja se reuniu para decidir o que era o cristianismo, os bispos de Roma, mais organizados e com o apoio decisivo do imperador, sobressaíram nas discussões. “O credo de Nicéia acabaria por se tornar a doutrina oficial que todos os cristãos deveriam aceitar para participar da Santa Igreja, a Igreja Católica”, escreve o teóloga Elaine Pagels, da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, no livro Além de Toda Crença: O Evangelho Desconhecido de Tomé.
Os textos que não davam importância à crucificação de Cristo acabaram proibidos. Afinal, a Igreja romana, que cresceu em meio a violentas perseguições, valorizava muito o martírio – associado ao martírio de Cristo. Os evangelhos dos tomesinos, que pregavam a busca individual pela salvação, também caíram fora. A hierarquizada Igreja de Roma obviamente não simpatizava com essas idéias libertárias. Entre os textos que foram proibidos, vários faziam parte das bibliotecas gnósticas. Para Eusébio de Cesária, que no século 4 escreveu o primeiro livro sobre a história do cristianismo, o gnosticismo estava sendo introduzido pelo demônio, “que odeia o que é Deus, que é inimigo da verdade, hostil à salvação do mundo, voltando todas suas forças contra a Igreja”. Acredita-se que os manuscritos de Nag Hammadi sejam tesouros salvos da biblioteca gnóstica do Mosteiro de São Pacômio, que ficava lá perto.
Os evangelhos apócrifos, assim como os canônicos, foram escritos por pessoas inquietas, numa época conturbada e difícil, em que as antigas respostas já não davam conta de acalmar os espíritos. É claro que os tempos, hoje, são muito diferentes. Mas, de novo, boa parte da humanidade está inquieta e insatisfeita com as respostas que existem. Tem muita gente em busca de alguma coisa que torne nossa existência mais transcendente, mais valiosa. E esses textos escritos por outros homens, numa busca parecida, podem nos dar uma dica de onde começar a procurar.

2867 – Mega Memória – Presidentes: De Costa e Silva a Sarney


Arthur Costa e Silva – Gaúcho de Taquari – RS 1902-1969 – Militar, criou o Mobral. Criou também a FUNAI. Em seu governo houve muita violência política: um atentado à bomba destruiu a entrada do edifício do Jornal O Estado de S.Paulo. O comando de caça aos comunistas, organização de extrema direita depredou o teatro onde era apresentada a peça Roda Viva, de Chico Buarque de Holanda.
Uma junta militar assumiu provisoriamente em 1969 e nesse período ocorreu o sequestro do embaixador dos EUA no Brasil Charles Elbrick; exigiram a libertação de 15 presos políticos.
Emílio Garrastazú Médici – Governou de 1969 a 1974- Bagé -RS 4-12-1905; falecido no RJ em 9/01/1985. Militar, eleito pelo congresso.
Acontecimentos – Incêndio no Edifício Andraus em S.Paulo em 24/02/1972 e depois, outro ainda pior, no Joelma em S.P, matou 188 pessoas em 1974. Início da construção da Transamazônica. Inaugura em Paulínia, SP, a maior refinaria de petróleo do país. Inaugurada a ponte Rio-Niterói (4/03/1974), chamada de Ponte Presidente Costa e Silva. Foi o governo da censura.
Governo Ernesto Geisel – 1974-79 – Nasceu em Bento Gonçalves – RS em 3/08/1908, falecido na década de 1990. Após o final do mandato, se dedicou a iniciativa privada. Neste governo iniciaria uma abertura política.
Governo Figueiredo -1979-85- Militar carioca.
Acontecimentos – O Banco Central interviu no grupo Coroa Brastel que emitiu 100 bilhões de cruzeiros em letras de câmbio frias. O grupo foi liquidado. Também 17 empresas do grupo Delfin. Houve a anistia política e greves no ABC; cujo líder principal foi o Ex presidente Lula.
Tancredo Neves – Não assumiu; mineiro de S. João Del Rey – Bacharel de direito de longa carreira política; Ex 1° Ministro, Ex Ministro da Justiça; Ex governador, entre outros. Ficou doente, vindo a falecer em 21/04/1985.
Governo José Sarney – De 1985 a 1989 – De Pinheiro, Maranhão, formado em Direito. Escritor e membro da Academia Brasileira de Letras.
Acontecimentos – Foram liquidados alguns bancos como o Comind e Auxiliar; decretado o plano cruzado; fim da produção do fusca no Brasil; a VW e a Ford se uniram para formar a Auto-Latina e recorde de inflação.

2866 – Ele não veio de Marte, mas é quase um ET


Criatura primitiva parece de outro mundo.

Os maiores mistérios da natureza podem estar escondidos dentro dos menores organismos. Geneticistas americanos do Instituto de Pesquisa de Genomas, em Rockville, Estado de Maryland, acabam de mapear os genes do Methanococcus jannaschii – um micróbio primitivo que não tem mais do que 8 micrometros de comprimento (1 micrometro é 1 milésimo de milímetro). O animalzinho tem tudo para ser classificado como ET. Para começar, mora em ambientes sem oxigênio, como a boca quente de crateras submarinas, a mais de 3 quilômetros de profundidade. Respira dióxido do carbono e libera metano. O mapa genético também é coisa de outro mundo: dois terços dos seus 1 738 genes não existem em nenhum outro organismo terráqueo. Segundo Craig Venter, presidente do instituto americano, a descoberta prova uma teoria segundo a qual existe um grupo de microorganismos, os archaeas, que diferem dos outros dois grandes grupos, o das bactérias e o dos eucariontes (dos quais evoluíram os vegetais e os animais).

2865 – Envelhecimento:Substância usada em estudo de Alzheimer prolongou vida de verme


Folha Ciência
Cientistas encontraram a fonte da juventude pelo menos para o minúsculo verme chamado Caenorhabditis elegans. Prolongar a vida de vermes não é nenhuma grande descoberta, porém, o intrigante é que um dos compostos químicos usados pelos cientistas para obter esse resultado, o corante tioflavina T, já foi testado em humanos.
O tioflavina T é usado para detectar massas de proteínas amiloides danificadas, encontradas no cérebro de pessoas que sofrem do mal de Alzheimer. Além dele, outro composto bem-sucedido nos testes foi a curcumina, componente amarelo-vivo encontrado no tempero açafrão-da-índia.
Como o tioflavina T se liga às proteínas amiloides, como a curcumina, os pesquisadores acreditam que ele surtiu um efeito benéfico nos vermes –desacelerando o acúmulo de proteínas avariadas.
Geralmente, o verme C. elegans vive de 18 a 20 dias. Tratados com os compostos, esse tempo aumentou entre 30% e 70%. E, ao entrar na meia-idade, com cerca de dez dias, os vermes tratados se mantinham mais ativos –e pareciam mais saudáveis– do que aqueles sem tratamento.
Os compostos, porém, provocaram um efeito colateral e reduziram a fertilidade dos vermes e, como muitos outros químicos, se tornaram tóxicos em dosagens mais altas.
“É difícil afirmar que esses compostos seriam eficazes em mamíferos”, diz o principal autor do artigo publicado na revista “Nature”, Gordon J. Lithgow, professor do Instituto Buck de Pesquisa em Envelhecimento, na Califórnia, EUA.
Mas o pesquisador conclui que esses compostos poderiam levar à descoberta de outros que poderiam agir sobre o envelhecimento dos organismos e também resultar em novos tratamentos de doenças relacionadas à idade, que estão associadas ao acúmulo de proteínas danificadas

2864 – Música – o Cool Jazz do Shakatak, sucesso de N. York a Tóquio


Down on the Street” (1984), teve 12 entradas no livro Guinness of British Hit Singles. O grupo ainda é popular em todo o mundo, particularmente no Japão e no Extremo Oriente e, geralmente, produzem um novo álbum a cada dois anos pela JVC Records.
Desde seu primeiro lançamento em agosto de 1980, (o Bill composição Sharpe “Steppin ‘” na Polydor gravadora ), e seu primeiro álbum, Drivin ‘Hard, a banda de singles e álbuns que entraram nas paradas regularmente.
“Easier Said Than Done”, que foi dar à banda no rádio a exposição necessário para seu sucesso top-XXI. Este registro apresenta suas instrumental , harmonia vocal de som para um público vasto muito, esteve nas pistas do Reino Unido por 17 semanas. ” Pássaros da noite “, foi seu primeiro single a chegar ao top dez , e o álbum de mesmo nome, deu a Shakatak seu primeiro disco de ouro , entrando em número de quatro e permanecendo nas paradas por 28 semanas. Agora um ato internacional importante, o sucesso do lançamento deu-lhes o número um do jazz slot álbum no Japão, e atraiu o interesse em toda a Europa e América do Sul. Pássaros da noite foi utilizado no filme “Away We Go”, dirigido por Sam Mendes, e foi usada como música de demonstração em muitos teclados Casio Piano como a Casio CT-460.
Mais dois álbuns – Convites e Out of This World – foram registrados em 1982 e 1983, resultando no quadro mais correspondências diversas e abrindo o caminho para a grande descoberta da carreira da banda. Com uma mudança sutil na direção musical, mas ainda mantendo a identidade da banda, Jill Saward (ex- Fusion Orchestra , Brandy e Gang Cidadão) tornou-se o vocalista a fazer Shakatak quinto álbum, Down on the Street. As emissões resultantes single “Down on the Street” e “Watching You” teve grande sucesso, e trouxe-lhes atenção em novas partes do mundo. No ano seguinte, o lançamento do grupo, o primeiro álbum ao vivo , que foi gravado em ambos Tóquio e Londres .
O sétimo álbum, Day by Day, viu o desenvolvimento de composições por todos os membros da banda. Em 1986 Saward anunciou que estava esperando um bebê no mesmo ano. Esta notícia deu à banda uma desculpa para parar a sua agitada agenda de turnês por um tempo, e se concentrar exclusivamente na gravação. A banda estava no top cinco dos estrangeiros no Japão, e depois de ganhar o cobiçado Prêmio Prata na Canção Festival Internacional de Tóquio, Shakatak foram convidados a produzir um álbum extra a cada ano exclusivamente para o mercado japonês. A essa altura, eles tinham dois álbuns lançados por lá extra intitulado Association Awards. Ambos venderam bem, este último vencedor do “Melhor Álbum Instrumental 1987” no japonês Phonograph Record Association Awards.
No entanto, após este sucesso que a banda sentiu que era hora de que eles re-direcionado seus esforços para os singles e um álbum para a liberação para o resto do mundo. O resultado foi algo especial, seguido de perto pelo clube nocturno e paradas de sucesso “O senhor Manic Cool & Sister” de seu próximo LP , Manic e fresh
Na década de 1990, a banda teve o sucesso no EUA , quando tinha dois álbuns que foi ao No. 1 nas paradas de jazz contemporâneo, e foi também premiado com o Grammy para o melhor instrumental japonesa álbum internacional seis anos consecutivos.
Shakatak continua a aparecer regularmente em todo o mundo com apresentações do festival recente na Jakjazz, o Jakata Festival Internacional de Jazz, Bangkok, Hua Hin e Jazz Bratislava dia e fazem aparições anuais no Billboard Clubes do Japão e da Pizza Express Jazz Room, em Londres, mais outros inúmeros concertos e performances clube.
A banda comemorou seu trigésimo aniversário, em 2010.

2863 -De ☻lho no Mapa – O Estreito de Gibraltar


Imagem de satélite

É uma separação natural entre o Mar Mediterrâneo e o Oceano Atlântico, e entre dois continentes – Europa e África. Ao norte, encontram-se a Espanha e o território britânico ultramarino de Gibraltar; ao sul, Marrocos e Ceuta, enclave espanhol no norte de África. A soberania sobre o território de Gibraltar é do Reino Unido, gozando a população de Gibraltar cada vez mais autonomia. Em referendos na última década o povo de Gibraltar rechaçou qualquer possibilidade de associação com o Estado espanhol.
Trata-se da única abertura entre o Mediterráneo e o oceano Atlântico, e situa-se entre o Mar de Alborão, na parte ocidental do Mediterrâneo, e o golfo de Cádiz, no Atlântico. Abarca desde a linha Gibraltar-Ceuta até a linha cabo Espartel-cabo Trafalgar
Do ponto de vista geológico, o estreito de Gibraltar resultou da fissura das duas placas tectônicas: a Placa Euroasiática e a Placa Africana.
A profundidade do estreito varia entre aproximadamente 280 m, no Umbral de Camarinal, e quase 1000 m, nas proximidades da Baía de Algeciras. A largura mínima é de 14,4 km, entre Punta de Oliveros, em Espanha, e Punta Cires, em Marrocos.
Em poucos lugares do mundo se observam tantos contrastes sociais em uma distância tão curta. A parte espanhola está protegida Pelo Parque Natural do Estreito.
Através do Estreito de Gibraltar ocorre o intercâmbio de águas entre o Atlântico e o Mar Mediterrâneo: as águas superficiais, relativamente frias e pouco salinas, provenientes do Atlântico, entram no Mar de Alborão, sobrepondo-se às águas profundas, mais quentes e salinas, que retornam do Mediterrâneo. As correntes são fortes e variam ao longo do dia, sendo causa de frequentes acidentes de navegação.

2862 – Comportamento: Viva a lei de Gérson!


Somos mesmo uma nação de egoístas, corruptos e sacanas, que só pensam em si e só querem saber de levar vantagem. Certo?
O meio-campista Gérson ficou célebre não apenas por ter sido uma das maiores estrelas do tricampeonato brasileiro em 1970, mas por ter formulado, na propaganda do cigarro Vila Rica veiculada anos depois, aquela que viria a ser conhecida como lei de Gérson: “O importante é levar vantagem em tudo, certo?” – frase dita num carregado sotaque carioca, forçando os erres até o palato ficar encharcado. Gérson tentou por muito tempo se desvencilhar da fama de patrocinador dos espertalhões, patrono dos corruptos e propagandista dos canalhas, mas não teve jeito. A lei de Gérson pegou. Sociólogos, antropólogos e a nata da intelectualidade brasileira já gastaram horas e mais horas, tinta e mais tinta, neurônios e mais neurônios para condenar nossa brasileira condição gersoniana. Somos mesmo uma nação de egoístas, corruptos e sacanas, que só pensam em si e só querem saber de levar vantagem. Certo?
Errado. No fundo, Gérson deveria ter é orgulho. Só a lei de Gérson nos salva nesta era politicamente correta, em que anão virou “verticalmente prejudicado”, pobre virou “excluído social”, débil mental virou “diferentemente capacitado” e em que nem propaganda de cigarro é mais possível fazer sem pedir desculpas em letras garrafais. O enunciado da lei de Gérson põe a nu a essência do nosso caráter sem pudor: somos um povo que gosta de levar vantagem. E daí? Alguém aí teria orgulho de fazer parte de uma nação de trouxas e otários?
Ninguém aqui vai defender um comportamento antiético ou ilegal com base no enunciado da lei de Gérson. Se ela existe, é em primeiro lugar reflexo da nossa realidade. Veja o caso das nossas empresas. Na hora de dar entrevista e aparecer na mídia, todas querem loas a sua responsabilidade social corporativa e boa cidadania. Na hora de declarar imposto, de desempatar alguma pendenga judicial ou de conseguir autorização para obras, estão todas atrás do primeiro Rocha Mattos de plantão para livrar-lhes a cara, já que, em meio à nossa barafunda legal, a propina é questão de sobrevivência e só ela faz a economia andar.
Parece que o povo brasileiro vive uma tensão entre duas forças. Por fora, a força da imagem. Em público, todos têm de ser como que sacerdotes, com comportamento impecável, retidão moral absoluta, espinha dorsal inflexível. Os políticos corruptos são condenados com virulência, qualquer deslize de executivos tem de ser punido de forma exemplar, damos a nossos filhos a impressão de que a ira divina se abaterá sobre suas menores falhas. Esse sentimento faz a fortuna e a desgraça de prefeitos, governadores e presidentes. Por dentro, porém, irrompe a força de Gérson. Ninguém agüenta essa pressão hipócrita. Todos querem o melhor para si – e que mal há de haver nisso? De posse da menor fímbria de poder, de uma tênue nesga de oportunidade, não raro transgredimos as mesmíssimas regras cuja transgressão acabamos de condenar nos outros. Julgamos, condenamos, enforcamos e esquartejamos Gérson. Mas Gérson somos nós. Eis nosso dilema.
Para que tanta hipocrisia? Nada disso precisa ser assim. A lei de Gérson muito deveria nos honrar. Basta despi-la da hipocrisia para perceber que é a esperteza nacional que faz o Brasil se destacar em meio à mediocridade reinante no planeta politicamente correto, em que tudo tem de ser igual e insosso, em que todos acham que têm direito a tudo, em que a criatividade – e a verdadeira diferença – foram banidas. Na América Latina, os argentinos choram suas tristezas frustradas num tango melancólico, enquanto nós brasileiros damos risadas de nossas sacanagens num alegre sambinha. Qual o problema se podemos ser espertos e felizes? Quem disse que ser esperto é ruim ou necessariamente antiético? Por que ter vergonha disso em vez de usar a esperteza a nosso favor?
O empreendedorismo e a criatividade do brasileiro nada mais são que expressões dessa faceta mais nobre da lei de Gérson. Afinal, empreender não é saber aproveitar oportunidades? Criar não é violar regras estabelecidas e preconcebidas? Tudo isso não é, no fundo, saber levar vantagem? Vamos largar a mão de ser bestas e incorporar com orgulho nosso lado Macunaíma. Vamos dar um basta à histeria politicamente correta que infesta a humanidade e usar nosso próprio antídoto: a boa e velha lei de Gérson.

2861 – Como agarrar um cometa


O foguete Ariane-5, com a sonda Rosetta a bordo, foi lançado da base de Kourou, na Guiana Francesa. Dezoito minutos depois, a Rosetta começava sua longa jornada de 5 bilhões de quilômetros rumo ao cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A missão, de 900 milhões de euros (cerca de 3,2 bilhões de reais), irá durar dez anos.
O encontro está agendado para agosto de 2014, quando um pequeno robô-laboratório de 100 quilos, chamado Philae, será ejetado da sonda a uma altitude de mil metros. Devido à tênue gravidade do cometa, ele descerá suavemente até a superfície gelada do núcleo. Assim que o tocar, será lançado um arpão para prendê-lo à superfície do astro.O robozinho carrega nove instrumentos científicos que, durante um mês, farão fotos em alta resolução e recolherão informações sobre seus aspectos físicos e químicos.
Para os cientistas, estudar os cometas é instigante porque esses astros errantes são feitos da mesma matéria sólida da nebulosa que deu origem ao sistema solar há 5 bilhões de anos.
A ficha do cometa
Nome: 67P/Churyumov-Gerasimenko
Diâmetro: 3 x 5 km
Descoberta: 1969, por Klim Churyumov e Svetlana Gerasimenko
Órbita: 6,6 anos para dar uma volta ao redor do Sol

2860 – AIDs -Em busca da cura


Hilary Koprowski, o médico que foi acusado de inventar o vírus da aids, agora quer usar transgênicos para acabar com ela
Em 1950, o médico polonês Hilary Koprowski deu pequenas gotas a 20 crianças americanas e fez delas as primeiras pessoas vacinadas contra o vírus da poliomielite, doença também chamada de paralisia infantil. Foi uma das grandes descobertas da medicina: o mal estava em seu auge e fazia anualmente centenas de milhares de vítimas em todos os continentes. Dois anos depois, o médico americano Jonas Salk fez os primeiros testes de outra vacina para a pólio que rapidamente recebeu aprovação do governo americano e começou a ser produzida em massa no mundo inteiro. Em 1957 – quando a descoberta de Koprowski fazia sete anos – o médico Albert Sabin criou a vacina oral que hoje é mais usada no combate à doença. O sucesso comercial da dupla Sabin-Salk foi tanto que, para todo o mundo, a criação da vacina se deve exclusivamente a eles.
A partir de 1957, utilizou sua descoberta para fazer campanhas de vacinação que imunizaram contra a pólio mais de 9 milhões de pessoas na Europa e na África. O trabalho deu origem a outra polêmica. Em 2000, o jornalista britânico Edward Hooper publicou o livro The River (“O Rio”, sem tradução para o português), em que defende a tese de que as campanhas de vacinação de Koprowski teriam dado origem ao vírus da aids. Hooper sugeria que as amostras de vacina, que utilizavam células de primatas para atenuar o vírus, haviam sido contaminadas com a versão do HIV que circula em chimpanzés. Esse processo teria gerado o primeiro contato do HIV com a população humana. O médico polonês conseguiu se desvencilhar das acusações, mas só depois de muito quebra-pau entre cientistas.
Hoje Koprowski desenvolve um outro ramo de pesquisa que promete trazer ainda mais polêmica à sua carreira. Ele quer criar vacinas para doenças como raiva e hepatite B baseadas em transgênicos. Autor de 850 trabalhos científicos, escritor de contos e pianista profissional apaixonado pela música brasileira, Koprowski esteve em São Paulo a convite do Instituto Pasteur, onde conversou com uma revista científica sobre todas essas polêmicas.
Para o mundo todo, o crédito da vacina da pólio vai para Salk e Sabin. Como você lida com isso?
Mentira pura. A vacina contra a paralisia infantil foi criada por mim. Na realidade, ela deveria se chamar vacina Koprowski, mas o nome é muito comprido, não é? Eles preferiram dar o crédito para o Sabin, mas a descoberta não é dele. Essas coisas acontecem por brigas e vaidade no meio científico. A política interna nos Estados Unidos influenciou a fundação nacional da época a adotar a vacina feita pelo Sabin, porque ele era membro da Academia Científica Americana e eu era um estranho da indústria privada. Eles se tornaram figuras públicas, viajaram o mundo, encontraram reis e presidentes e eu simplesmente continuei meu trabalho. Aqui no Brasil, por exemplo, só se fala nele e se diz sempre “vacina Sabin”, mas fui eu que imunizei a primeira criança via oral contra paralisia. Sinto-me muito bem e orgulhoso de tê-la descoberto e estarmos próximos da erradicação. A doença só não foi extinta em lugares de difícil acesso da Índia, Paquistão e Nigéria.
O jornalista Edward Hooper o acusou de ter criado acidentalmente o vírus da aids. Como você conseguiu se defender dessas afirmações?
É um assunto do passado e eu prefiro não falar mais nada a respeito. Na época, não tive que explicar nada, quem teve de dar explicações foi o jornalista Edward Hooper. Tudo foi esclarecido numa reunião pela Sociedade Real de Londres, na Inglaterra. Uma das provas a meu favor foi que não desenvolvi a vacina em células de chimpanzé, mas sim em outros primatas. Saí aliviado quando vi que aquela pressão e perda de tempo tinham acabado. Foi uma hipótese completamente sem fundamento, levantada por um jornalista sem ética nenhuma. Eu não ia perder tempo processando uma pessoa desse tipo, que ganhou muito dinheiro à custa de mentiras.
Suas mais novas pesquisas são sobre vacinas transgênicas em plantas. Como funciona esse método?
A escassez de recursos em muitos países impede a erradicação de doenças e, por isso, precisamos criar métodos mais simples, baratos e eficazes para atender toda a população. Um dos melhores métodos é criando vegetais transgênicos. Nós infectamos a planta com o vírus causador de determinada doença, para que ele seja replicado e dessa forma produza uma vacina natural na própria planta. Na Academia de Ciências da Polônia, voluntários que ingeriram alface com a vacina da hepatite B apresentaram anticorpos contra essa doença. O mesmo ocorreu com os voluntários que ingeriram folhas de espinafre modificadas contra a raiva, na Fundação dos Laboratórios de Biotecnologia, na Filadélfia, Estados Unidos. Esse método de vacinação tem a vantagem de não ser doloroso. No futuro, sem dúvida, será uma forma muito mais barata e eficaz de profilaxia, porque poderá imunizar mais pessoas e agir até em locais aonde só se chega de helicóptero. Estamos pesquisando também a eficácia desse método para outros tipos de hepatite, para varíola e até para o vírus HIV.
A cura de doenças como a aids e o câncer pode estar nessas vacinas feitas com vegetais transgênicos?
Isso vai depender da estupidez humana. As vacinas feitas com plantas podem ser uma saída para a aids, mas demoraremos anos para conseguir avanços científicos se continuarem a existir os histéricos que dizem que os transgênicos são perigosos. Aqui na América, a perseguição contra a modificação genética não é tão grande, mas na Europa é uma loucura. É uma situação difícil de mudar, porque a ignorância não pode ser curada nem com plantas transgênicas. Há um grupo enorme de pessoas na Europa que condena os transgênicos sem motivo. Elas só são contra porque não têm nenhuma informação ou porque estão com medo da competição no mercado de alimentos. Já a cura do câncer ainda está um pouco distante. Não é uma infecção, algo estranho que entra no nosso organismo. É o tecido do nosso próprio corpo que se modifica.
Hilary Koprowski
• Tem 89 anos e trabalha na Universidade Thomas Jefferson, na Filadélfia, nos Estados Unidos
• Adora churrasco, feijão com arroz e os sucos naturais feitos com frutas brasileiras
• Fala seis línguas: polonês, inglês, português, italiano, francês e russo
• Levanta-se diariamente às 5h30 da manhã para nadar e se exercitar
• Veio para o Brasil em 1939, quando os alemães invadiram a Polônia, e viveu aqui até 1944
• Seus dois filhos são físicos

2859 – Como é feita a rolha?


As rolhas tradicionais são feitas com casca de árvore. Mas não de qualquer uma. Só o sobreiro – nativo da região mediterrânea – produz cortiça, a matéria-prima da rolha. É preciso que a árvore tenha no mínimo 40 anos para que se possa extrair a casca. Antes disso ela não é suficientemente resistente. As rolhas tradicionais são feitas com casca de árvore. Mas não de qualquer uma. Só o sobreiro – nativo da região mediterrânea – produz cortiça, a matéria-prima da rolha. É preciso que a árvore tenha no mínimo 40 anos para que se possa extrair a casca. Antes disso ela não é suficientemente resistente.
Depois de retirada e cortada em forma de pranchas, a cortiça precisa descansar durante até seis meses, para depois ser lavada. O passo seguinte é cozinhá-la em água aquecida a 95 0C. Depois do banho, mais alguns dias de descanso e pronto: pode receber o corte na forma cilíndrica e ser chamada de rolha. A análise da dimensão, da porosidade e da umidade é feita por leitura óptica. Por fim, um processo manual retira peças defeituosas. “A cortiça que não passa no controle de qualidade é usada para fabricar desde peças para a indústria aeroespacial até guarda-chuvas.

2858 – Quem matou Jesus?


Da Super para o ☻Mega

Um assassinato cometido há 2 mil anos ainda hoje provoca polêmica. Saiba quem são os acusados por esse crime e porque ele gerou um banho de sangue que durou milênios
Na distante Hollywood, um ator milionário decidiu patrocinar uma superprodução sobre a vida de Jesus. Não era um filme qualquer: ele deveria ser fiel à visão tradicionalista do Evangelho e mostrar o sofrimento da crucificação em todos os detalhes. Além disso, precisava ser em aramaico e latim, línguas faladas na Judéia do século 1. A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, recuperou seu investimento na primeira semana de exibição – um sucesso capaz de mudar os rumos da indústria de cinema. No mundo todo, pessoas de várias idades compraram ingresso para ver algumas das cenas mais violentas já mostradas nos cinemas. Algumas saíam do filme em êxtase. Enquanto isso, a comunidade judaica protestava, acusando a obra de anti-semitismo. Para o diretor, o que estava ali eram apenas as palavras do Evangelho.
Goste-se ou não do filme, deve-se admitir que ele gerou polêmica como poucos. Mas por que a história impressiona tanta gente, a ponto de ter sido mencionada em todos os canais de televisão, mesas de bar, jornais e revistas e sites. O problema tem dois lados. Primeiro, quem realmente matou Jesus? Segundo, qual a importância dessa resposta? A descrição da Paixão não é um trecho qualquer do Novo Testamento. Quando vemos a forma como essa morte foi interpretada ao longo da história, conseguimos entender não só por que a comunidade judaica se preocupa tanto com o assunto, como também por que todos devemos ter uma explicação para ele. Qual é, afinal, o crime?
O crime
Os culpados pela mortede Cristo e o que a históriasabe sobre eles
Para a maioria dos cristãos, a crucificação é o episódio mais importante da vida de Jesus. Conforme diz a Bíblia, foi ela que trouxe a todos os seres humanos o perdão pelos seus pecados. Também mostrou que existe um tipo de vida além desta aqui na Terra – o que ficou provado quando, segundo os Evangelhos, Jesus ressuscitou dois dias depois.
Para os historiadores, a crucificação também é o episódio mais importante: é o único ponto da história de Jesus que podemos dar como certo. Mesmo que os Evangelhos não existissem, saberíamos dela por dois autores que não eram cristãos: o historiador judeu Flávio Josefo e o romano Cornélio Tácito. Ambos dizem que Jesus existiu, teve seguidores e foi crucificado por sentença de Pôncio Pilatos, o procurador romano da região. Josefo acrescenta que ele havia sido acusado “pelos homens mais influentes entre nós”, ou seja, pela elite judaica. Mas as informações que eles trazem param por aí.
Segundo os Evangelhos, na Jerusalém do século 1, Jesus de Nazaré é acusado de blasfêmia por se declarar Filho de Deus. Os líderes judeus o enviam ao procurador romano Pôncio Pilatos, com a recomendação de que fosse executado. Pilatos não vê por que matar um homem que parece inocente. Oferece um criminoso, Barrabás, para ser crucificado em seu lugar, mas não adianta: implacável, o povo pede que soltem o bandido. Pilatos sai de mãos limpas. E Jesus recebe a crucificação.
Essa morte, tão importante para religiosos e historiadores, não foi um acidente. Alguém matou Jesus, e faz sentido querer saber quem foi. É aí que o problema começa. Josefo e Tácito escreveram suas obras décadas depois dessa morte e não viram o episódio. A mesma coisa ocorre com os discípulos de Jesus. “Os cristãos não acompanharam o julgamento. Eles já tinham fugido quando seu messias foi capturado”, diz o historiador Gabriele Cornelli, da Universidade Metodista de São Paulo. Nada foi registrado pela elite sacerdotal ou pelo poder romano – Jesus era insignificante para eles. textos do Velho Testamento, escritos séculos antes da crucificação, teriam sido mastigados pelos evangelistas para dar uma aura de nobreza à morte de Jesus. Um deles seria o verso do Salmo 2 que diz: “Insurgem-se os reis da Terra, e os príncipes conspiram unidos contra o Senhor e seu messias”. Essas palavras teriam inspirado os evangelistas a escrever que seu mestre só foi morto depois de ter passado por julgamentos com as maiores autoridades disponíveis em Jerusalém. Tal privilégio seria improvável no julgamento de um pregador camponês desconhecido na cidade.
Tanto pelo relato de Josefo quanto pelos Evangelhos, sabemos que Jesus foi levado ao imperador por ordem das autoridades judaicas. Mas por que eles se preocupavam tanto com um homem desarmado e pacifista? O que ele fez para ser morto com uma brutalidade no mínimo próxima da que aparece no filme de Mel Gibson?
O problema é que a atitude de Jesus em seus primeiros dias na cidade não foi exatamente pacífica. O episódio – que, para a maioria dos historiadores, pode mesmo ter acontecido – está nos Evangelhos: numa visita ao Templo de Jerusalém, o coração religioso da Judéia, Jesus expulsa furiosamente os vendedores de animais e comerciantes instalados nos arredores. “Não façam da casa de meu Pai um mercado!”, bradava.
Não foi um simples rapa nos camelôs. Os comerciantes faziam parte da estrutura de arrecadação do Templo. Seus animais eram vendidos para sacrifícios a preços inflacionados: os sacerdotes só aceitavam pombos e bodes “puros”, justamente os comercializados lá mesmo. E os cambistas trocavam as várias moedas que os visitantes traziam pela única aceita pelo Templo, o shekel. Esse dinheiro, junto com os impostos anuais que os sacerdotes cobravam de todo judeu adulto, faziam do Templo mais do que uma igreja. Na prática, ele era o Banco Central da Judéia. Chegava a empregar 18 mil homens em seu processo interminável de reconstrução e guardava fortunas.
Era nesse vespeiro que Jesus estava mexendo. Para quem, como ele, pregava uma sociedade igualitária, baseada na ajuda mútua e na distribuição de bens, a lambança orçamentária do Templo simbolizava tudo o que o nazareno sempre combateu. Sua atitude não podia ser mais coerente. E planejada: Jerusalém festejava a Páscoa, o aniversário da fuga do Egito liderada por Moisés 1 400 anos antes. Nessas comemorações, o Templo recebia entre 200 mil e 300 mil visitantes de toda a Judéia. “Era a época mais propícia para levantes”, diz o historiador André Chevitarese, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Não tinha como a atitude de Jesus não chamar a atenção dos responsáveis pelo Templo. Eles o prendem, o acusam de ter dito que destruiria o Templo – falsamente, segundo os Evangelhos – e o condenam à morte com a desculpa de que o nazareno insistia em se afirmar como messias durante o interrogatório. Executado, o agitador seria mais um a servir de exemplo de que não se deve mexer com essa elite. “Mas o direito de aplicar a pena de morte tornara-se exclusividade dos romanos”, diz a historiadora Norma Mendes, da UFRJ. Diante dessa limitação, os chefes religiosos tinham só uma saída: entregar Jesus ao poder romano, mas com a recomendação que já conhecemos.
Ao aceitar a determinação para executar Jesus, os romanos só estavam fazendo aquilo que sabiam melhor. Matar? Não, manter a estabilidade do Império. “Como as legiões não podiam dar conta de duas ou três grandes rebeliões ao mesmo tempo, Roma governava em conluio com as elites locais.Então Pilatos não teria por que pensar duas vezes antes de executar um desconhecido a pedido dos judeus. O fato de o acusado ser ou não inocente não teria importância. Seu dever era evitar atritos com os líderes judaicos, garantindo que nada atrapalhasse o fluxo de impostos para a capital.Se driblar problemas com a elite era a chave da dominação, eliminar qualquer ameaça de revolta popular.

2857 – Baleia explodiu na rua


Cachalote, peso pesadíssimo

Mas a cena realmente aconteceu em Taiwan em 2004. Um cachalote morto explodiu, provocando um verdadeiro banho de sangue e vísceras que atingiu lojas, carros e pedestres.
No momento do estouro, o animal estava sendo transportado em uma carreta pelas ruas de Tainan City, em direção a um centro de conservação natural, para que fosse estudado.
O cetáceo havia sido encontrado encalhado numa praia, onde morreu. O biólogo Wang Chien-ping decidiu levar o animal para sua universidade. Uma idéia complicada, para dizer o mínimo. Foram necessários três guindastes e 50 pessoas para colocar o cachalote na carreta. Ele tinha 17 metros de comprimento (mais ou menos a altura de um prédio de seis andares) e pesava cerca de 50 toneladas.
A razão da explosão foram os gases no interior do organismo do bicho. “O processo de decomposição faz com que os animais produzam gases dentro do corpo, ficando inchados. No caso desse cachalote, ele ficou na praia, exposto ao calor, o que fez com que os gases se expandissem”, afirma Sérgio Henrique G. da Silva, chefe do departamento de Biologia Marinha da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O mau cheiro foi tanto que os garis precisaram de máscaras para fazer a limpeza. Mas não é preciso se preocupar: as chances de um bicho explodir perto de você é bem remota.
“Normalmente os gases são expelidos pelo ânus. Nesse caso, talvez a saída natural estivesse obstruída. O corpo, com a putrefação, se tornou mais frágil, e por isso a pressão interna foi capaz de estourar a parede do intestino”, diz o biólogo.
Cachalote
O que ele é?
Cabeçudo: sua cabeça retangular chega a 40% de seu tamanho
Gigante: machos podem chegar a 18 metros; fêmeas, a 12 metros
Dentuço: é o maior dos cetáceos com dentes. São 40 ao todo, cada um com cerca de 20 centímetros
Pesado: o macho tem 45 toneladas em média; a fêmea pesa a metade
Mamífero: os cachalotes respiram pelo pulmão e mamam quando pequenos
Caçado: foi perseguido a partir do século 18 para fornecer óleo
Quase extinto: está na lista das espécies ameaçadas de extinção no Brasil. Apesar disso, está presente em todos os oceanos do mundo
Pop: um ataque de cachalote inspirou o livro Moby Dick, de Herman Melville

2856 – Bacalhau é um peixe?


Bacalhau

Bacalhau não é um peixe, mas vários. Cinco espécies marinhas podem ser vendidas com esse nome. Existe, porém, o chamado “bacalhau legítimo”: o peixe Gadus morhua, considerado o melhor de todos. Ele também é conhecido como cod ou bacalhau do Porto – uma referência à cidade portuguesa, apesar de não haver bacalhau em águas lusitanas. É que o Porto é um importante centro de comércio do peixe seco e salgado que chega do Atlântico Norte, em especial da Noruega. Portugal se tornou o maior mercado consumidor de bacalhau do mundo por causa dos maluquetes que se aventuravam pelos oceanos nos séculos 15 e 16. Aquele peixe duro e seco podia cheirar mal, mas demorava alguns meses para estragar. Por isso, era o alimento ideal para ser estocado nos porões das naus de Cabral e companhia. O bacalhau caiu no gosto da população portuguesa e, por tabela, da brasileira – o Brasil consome 30% do bacalhau produzido na Noruega, o que em 2002 correspondeu à bagatela de 18 mil toneladas.
Por causa da atual escassez de bacalhau (decorrente da pesca predatória), o preço do dito cujo está pela hora da morte. Mas o peixe absorve muita água e ganha cerca de 20% do seu peso após ficar de molho por um ou dois dias – o tempo de dessalgação depende do tamanho dos pedaços de bacalhau. Além do mais, o sabor forte do bacalhau se destaca mesmo em pratos que levam pouco peixe e um montão de batatas, por exemplo.
Quem quer bacalhau?
Saiba escolher otipo que se ajusta ao seu paladar e ao seu bolso
Ling
O nome científico deste peixe é Molva molva. Distingue-se dos outros bacalhaus por ser bem mais estreito. Sua carne é mais clara que a do saithe e seu preço também é bastante razoável – por isso, faz bastante sucesso entre os mestres-cucas econômicos
Bacalhau do Porto
O Gadus morhua é o melhor e mais caro bacalhau. O peixe inteiro também é mais largo que as outras variedades. A carne é amarelo-palha e, quando cozida, se desmancha em lascas uniformes. É semelhante ao bacalhau do Pacífico (Gadus macrocephalus), menor, mais barato e de qualidade inferior
Saithe
Nome comercial do peixe Pollachius virens. Esse bacalhau tem carne escura e de sabor bastante acentuado. Muito mais barato que o bacalhau do Porto, é bastante popular no Brasil. Como desfia com facilidade, é utilizado principalmente em bolinhos, saladas e ensopados
Zarbo
Ou, como preferem os cientistas, Brosme brosme. Menor de todos os tipos de bacalhau, o zarbo também tem preço relativamente baixo e muita aceitação no mercado brasileiro. Sua carne não é lá essas coisas, mas não faz feio quando misturada a outros ingredientes

2855 – Religião – Qual a relação entre a Páscoa judaica e a cristã?


A palavra Páscoa – Pessach, em hebraico –significa passagem. Para os judeus, ela representa a travessia pelo mar Vermelho, quando o povo liderado por Moisés passou da escravidão do Egito para a liberdade na Terra Prometida. “Para os cristãos, ela tem um sentido mais metafísico. Representa a passagem de Cristo pela morte. É a tradição de que Jesus teria ressuscitado no terceiro dia após a crucificação. A Páscoa cristã recebeu o nome da comemoração judaica porque a Paixão de Cristo aconteceu no início do Pessach – a festa judaica dura sete dias em Israel e oito em outros lugares. A cerimônia conhecida como Última Ceia teria sido um Seder, o tradicional jantar realizado na véspera do início da Páscoa judaica.
Apesar de receberem o mesmo nome, as duas celebrações não ocorrem necessariamente em datas coincidentes. A Páscoa cristã é comemorada no primeiro domingo de lua cheia depois do equinócio de primavera (de outono, no hemisfério sul). Já as comemorações da Páscoa judaica têm início na primeira lua cheia do mesmo equinócio. O início do Pessach e a Páscoa cristã podem cair no mesmo dia, mas isso dificilmente ocorre. Neste ano, por exemplo, os judeus fazem o Seder no dia 5 de abril, uma segunda-feira. Já os cristãos comemoram a ressurreição de Cristo no dia 11 do mesmo mês.

2854 – Pesca predatória: Recife de concreto


Várias espécies marítimas que vivem entre as ilhas costeiras Currais e Itacolomis, no litoral do Paraná, estão de casa nova. Típicos de uma região de fauna rica, os peixes já sofreram bastante com a pesca predatória. Agora, ganharam 45 novos recifes artificiais. Mais de 2 mil dessas estruturas de concreto já foram colocadas pelo projeto Recifes Artificiais Marinhos desde 1997. A diferença é que as novas estruturas são mais pesadas, resistentes ao arrasto e têm mais cavidades, oferecendo maior diversidade de hábitats.

2853 – Mega Curiosidade – Quem foi o último condenado à morte no Brasil?


A última pessoa condenada à morte no Brasil foi o fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, executado no dia 6 de março de 1855, em Macaé, Rio de Janeiro. Manoel foi levado à forca acusado de ter assassinado oito membros de uma família de colonos que trabalhava em uma de suas propriedades, em Macabu, norte da província. O fazendeiro, que foi apelidado de “a fera de Macabu”, jurava inocência e solicitou a graça imperial que, concedida por dom Pedro II, impediria a execução. No entanto, Manoel não obteve a graça e tornou-se o primeiro homem rico e de alta posição social a ser enforcado no Brasil.
Pouco tempo depois, ficou provado o erro judiciário e a inocência do fazendeiro. Abalado com a injustiça, dom Pedro II passou a conceder graças a todos os condenados. A partir de então, embora permanecesse no Código Penal do Império, a pena capital deixou de ser aplicada. Foi abolida em 1891, com a Constituição da República, que a legalizava apenas em situações de guerra. Em 1969, com a instituição do AI-5, o governo militar reintroduziu a pena de morte para crimes políticos, mas nunca chegou a aplicá-la oficialmente. Se pessoas morreram nos porões da ditadura, isso é outra história. Novamente banida da legislação em 1978, a pena capital é mencionada na Constituição vigente, de 1988 – mas, outra vez, só poderia ser aplicada em caso de guerra declarada.

2852 – Envelhecimento: Freio Nele


Bioquímicos conseguiram esticar a longevidade de vermes da espécie C. elegans em seis vezes. A vida das cobaias saltou de 20 para 120 dias. Um recorde nesse tipo de estudo, com o adendo de que os bichos se mantiveram vigorosos até o dia do velório.
O segredo dessa fonte da juventude foi o seguinte: enganar as células dos vermes para que elas “não soubessem” que estavam envelhecendo. Como? Inibindo os genes que captam insulina. Quanto menor for a atividade dessa substância nas células, mais tempo elas demoram para ligar a “válvula” do envelhecimento. Mas ninguém faz idéia se a funilaria genética que funcionou no C. elegans daria certo no Homo sapiens.
“Sabemos apenas que o gene receptor de insulina influencia na longevidade de vermes e insetos. O mesmo talvez valha para ratinhos. Mas é muito difícil determinar se existe algum papel desse gene no envelhecimento de humanos”, diz o bioquímico português Nuno Arantes-Oliveira, que liderou a pesquisa.
Ah, tem outro probleminha: Nuno e seus colegas norte-americanos concluíram que o sistema reprodutor também é responsável por acelerar o envelhecimento. Para que os vermes se transformassem em recordistas de longevidade, o aparato sexual deles teve de ser arrancado. Tomara que dêem um jeito de driblar isso. Senão, vai ser mais negócio continuar do jeito que está: a gente vive pouco, mas se diverte.

2851 – Quanto tempo o corpo agüenta sem água?


Em um país como o Brasil, em pleno verão, com altas taxas de temperatura e umidade relativa do ar, não dá para resistir mais do que quatro dias. No frio, esse tempo pode chegar a sete dias – dependendo, claro, das condições físicas de cada um. Para se ter uma idéia, a perda média de água do ser humano é de cerca de 2 a 2,5 litros de água por dia, que saem na urina, fezes e suor – em dias quentes, chegamos a perder o dobro disso. Pois bem, quando você sente sede é porque já teve de 1% a 2% do seu peso perdido em água. “Quando essa taxa passa de 5%, a pessoa começa a ter sérios comprometimentos clínicos. No calor, quatro dias a seco significam uma perda de mais de 20% do peso corporal – risco de morte imediata. “Esportistas precisam ficar ainda mais atentos, pois a saída de líquidos é muito rápida. Há casos de morte por desidratação em triatletas que não se hidrataram por duas horas”, diz Lotufo. E, se você seguir os comerciais de cerveja e mandar uma gelada em pleno deserto, a situação pode ainda piorar: o álcool acelera a desidratação.