2847 – Cinema – Alienígenas querem procriar – A Experiência


Poster

Em 1974, cientistas enviam mensagens para o espaço esperando respostas de possíveis ets; 20 anos depois recebem instruções para combinar DNA humano com alienígena. Quando isso é feito nasce uma garotinha que cresce numa velocidade espantosa e se transforma num estranho ser. Misturando realidade com ficção, o filme Species ( A experiência em português), fez sucesso na década de 1990 com grandes efeitos especiais, produzido pelos experientes criadores da série Aliens, outro sucesso de bilheteria, vale a pena rever.
Um ser alienígena, que aparenta ser uma menina, é o resultado de um código genético desconhecido enviado do espaço e recebido por cientistas. Após o nascimento da criança e seu rápido desenvolvimento há uma ordem para matar esta “criança”, que é meio humana e meio extraterrestre, mas ela foge do laboratório onde é mantida. Porém, enquanto procuram por uma criança ela se transforma em uma atraente mulher (Natasha Henstridge), que deseja acasalar rapidamente para proliferar a sua espécie.
Ficha Técnica
título original:Species
gênero:Ficção Científica
duração:1 hr 49 min
ano de lançamento: 1995
site oficial: http://www.mgmua.com/species/index.html
estúdio: MGM
distribuidora: MGM / UIP
direção: Roger Donaldson
roteiro: Dennis Feldman
produção: Dennis Feldman e Frank Mancuso Jr.
música: Christopher Young
fotografia: Andrzej Bartwokiak
direção de arte: Dan Webster

2846 – Por que vários medicamentos proibidos nos Estados Unidos são vendidos sem restrições no Brasil?


Qualquer medicamento, sem exceção, pode ter efeitos tóxicos e sempre vai haver quem diga que ele faz mal à saúde e quem afirme que ele é seguro e eficaz. Isso poderia explicar por que algumas substâncias usadas no Brasil, como é o caso da dipirona sódica, o ingrediente ativo da Novalgina, são proibidas nos Estados Unidos. Mas, além das divergências científicas, existe muita pressão das indústrias farmacêuticas sobre as autoridades encarregadas de aprovar a comercialização de medicamentos. Há quem jure de pés juntos que a dipirona só não é autorizada nos Estados Unidos porque as empresas americanas usam outro analgésico, o paracetamol, ingrediente ativo do Tylenol.
Todo país tem um órgão encarregado de analisar os prós e os contras de cada remédio. No Brasil, ele é a Vigilância Sanitária, ligada ao Ministério da Saúde. Nos Estados Unidos, é o Food and Drug Administration (FDA), que exige de três a cinco anos de testes antes de aprovar qualquer coisa. Mas nem sempre isso resolve.
Os efeitos colaterais de remédios aprovados causam cerca de 2 milhões de internações hospitalares e 140 000 mortes nos Estados Unidos, por ano, conta Betsy Adams, pesquisadora do próprio FDA. Vale lembrar que esses números só consideram quem não exagerou na dose.No Brasil, a situação é ainda mais grave, porque o Ministério da Saúde ignora quantos medicamentos existem no país. É algo entre 30 000 e 50 000, deduz-se ao cruzar os dados da Associação Federal de Farmácia com os do Conselho Federal de Medicina. A Divisão de Medicamentos (Dimed) da Vigilância Sanitária.
Bem e mal se confundem na aprovação de um remédio exemplo clássico é o da dipirona sódica. Desde que foi inventada por alemães, em 1932, ela vem aliviando as dores de franceses, belgas, italianos e japoneses, entre outros. Em meados dos anos 40, passou a ser vendida no Brasil e hoje consta nas fórmulas de alguns dos analgésicos nacionais mais populares. No entanto, sempre foi vetada em vinte países, entre eles a Suécia e os Estados Unidos.
O FDA americano é confiável, mas às vezes ele se envolve em questões econômicas, opina o pediatra Antonio Celso Calçado, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Calçado diz isso porque os americanos são donos da patente de um grande rival da dipirona, ganhando dinheiro cada vez que alguém engole analgésicos feitos com paracetamol, como o Dôrico e o Tylenol. Contudo, o maior argumento contra a dipirona é que, com mais freqüência do que sua concorrente, ela provoca choque anafilático, uma espécie de pane do organismo. E esse tipo de problema, fatal quando o socorro não é imediato, surpreende a vítima que, muitas vezes, nem tinha o hábito de tomar aquele remédio. É diferente do caso de quem usa sempre um medicamento: qualquer droga pode causar um mal maior do que aquele que pretendia curar, quando se apela para ela continuamente, durante anos.Outros acusam o paracetamol de ser mais fraco: seu efeito dura até quatro horas, contra as sete horas da dipirona. O consumidor, então, repetiria as doses de paracetamol mais vezes para manter a dor afastada, aumentando as chances de ter problemas. Mesmo assim, a Associação Médica da Alemanha só recomenda a dipirona, criada em seu país, nas febres altas que não cedem com outros recursos e nas dores causadas por traumas, cirurgias ou câncer.
Depois que Mitterrand declarou estar melhor graças à uma fabulosa fórmula à base de uma árvore tropical, levantou-se a suspeita de que ele esteja recebendo doses de PB100, uma medicação criada pelo biólogo Mirko Beljanski, ex-pesquisador do Instituto Pasteur e Prêmio Nobel de Medicina em 1968, graças ao seu trabalho na área da Genética. Quando começou a dilvulgar os méritos da PB100 para tratar câncer e Aids, Beljanski foi processado por exercício ilegal de Medicina e Farmacologia. Só não foi condenado em 1988 porque o próprio promotor público alegou que a sua droga não havia sido devidamente testada portanto também não havia provas de que não funcionasse. Mas isso valeu ao pesquisador um exílio nos meios científicos. Hoje, ele trabalha na garagem de sua casa.
A PB100 é a base da flavopereirina, substância extraída do pau-pereira, uma árvore brasileira. Beljanski diz que a droga é capaz de frear o crescimento do tumor. O médico de Mitterrand não nega, mas também não revela o nome do medicamento que está prescrevendo. Até porque, se revelar que está de fato utilizando a droga proibida, ele poderá ser preso.O problema é saber se o Estado pode ou deve impedir alguém de tentar salvar a própria vida.

2845 – Medicina – Mau uso de antibióticos teria gerado a superbactéria


Essa foi a conclusão da OMS. Micro-organismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas se tornam imunes aos remédios usados nos tratamentos e passam a ser chamados de superbactérias. Elas aumentam o risco de mortes, são transmissíveis e geram um aumento de custos para pacientes e instituições.
A OMS afirmou que o aumento da resistência bacteriana está relacionada ao uso indiscriminado de remédios como os antibióticos, ao abandono de tratamentos, prescrições erradas, remédios de baixa qualidade e falta de controle.
Uma nova lei tem obrigado as farmácias no Brasil a venderem antibióticos somente com receita. Os antimicrobianos passaram a serem registrados no Sistema Nacional de Gerenciamento de produtos Controlados.

A verdadeira superbactéria

Mutação genética torna duas espécies de bactérias invulneráveis a todos os medicamentos existentes
Há anos os cientistas previam que isso iria acontecer. Mas finalmente a ameaça parece estar batendo à porta: estão surgindo bactérias capazes de resistir a praticamente todos os antibióticos. Praticamente todos, ou todos mesmo. Depois da KPC, que foi apelidada de superbactéria e causou pânico nos hospitais brasileiros (mas que pode ser tratada com uma combinação de 3 antibióticos), está surgindo uma linhagem de micro-organismos ainda mais resistentes. E o pior: isso já aconteceu. As bactérias E. coli e Salmonella, que causam infecções intestinais e são comuns em todo o mundo, já adquiriram um gene que as torna capazes de destruir as moléculas de qualquer tipo de antibiótico – inclusive os carbapenemos, que hoje são a última arma eficaz para matar os micro-organismos mais resistentes, como a superbactéria brasileira.

Por enquanto, as bactérias indestrutíveis só foram encontradas na Índia, no Paquistão e no Reino Unido. Mas os cientistas temem que elas se espalhem pelo resto do planeta – ou transfiram o tal gene para espécies mais agressivas. “Isso poderia significar o fim [da era dos antibióticos]”, afirma o pesquisador Tim Walsh, da Universidade de Cardiff, cuja equipe foi responsável pela descoberta. “Não há medicamentos contra as bactérias que produzem esse gene.” Contra elas, a humanidade está indefesa.

2844 – Mega Cronologia – Avanços do Século 19 – Capítulo 2


Thomas Edison, o Mago de Menlo park, um dos destaques do século 19

Em 1852 se criava conceitos de energia cinética e potencial. Stokes formulou a lei da fosforescência, observando a luz ultravioleta sobre o quartzo. Maxweel (1831-1879) mostrou que a energia cinética das moléculas dependia de sua temperatura. Solucionada uma equação de 5° grau utilizando-se as funções elípticas. Descoberto o método moderno da hipnose. Mais alívio, o americano William Son Long (1815-1878) utilizou o éter como anestésico. Realizada a 1° operação de extração do apêndice em 1848 pelo inglês Hancock. Surgia a Peleontologia. Descoberto em Gibaltrar, restos fossilizados do Homo Calpicus, a 1ª descoberta registrada de 1 fóssil humano em 1848. Foi recolhido numa gruta próxima a Düsseldolf, Alemanha, o crânio do homem de Neanderthal, marcando o início da pesquisa científica de fósseis humanos. Hermann Robe (1818-1884) sintetizou o ácido acético em 1848; sintetizava também a nitroglicerina. Em 1844, o telégrafo Morse foi usado pela 1ª vez e o 1° cabo submarino para telecomunicações foi colocado no Canal da Mancha. Fabricou-se pela 1ª vez o leite em pó, na Suíça e Botter fabricou o fósforo. Koller aplicava o tungstênio na fabricação do aço; Kelvin inventava o galvanômetro. Plantè, o francês (1834-1889) fabricou a 1ª pilha e ainda em 1859, nos EUA, era perfurado o primeiro poço de petróleo. E foi um belga de nome Etiene Lonoir (1822-1900) que construiu o 1° motor de combustão interna.

2ª Metade do século – Pasteur formulou a teoria da fermentação por germes. O monge austríaco Johann Gregor Mendel (1822-1884) enunciava a lei da hereditariedade em 1865; e o inglês Huxley (1825-1895) formulou a teoria da biogênese.
William Crookes, o inglês (1822-1919), inventou o radiômetro para medir a intensidade da radiação da luz. Assinado em Paris o tratado do metro, que unificava as unidades de medida em 1875. O ano era 1865 e Joseph Lister introduziu o uso de fenol nos processos de assepsia cirúrgica; Hansen da Noruega (1841-1912) descobria em 1871 o bacilo da lepra , um austríaco descobriu o estafilococos e o estreptococos. Robert Koch (1843-1910) descobriu o bacilo do antraz e inventou um método de identificação de bactérias em 1877. Já em 1880, Leveran (1845-1922), descobria o parasita da malária e Pasteur a vacina para a cólera dos galináceos. Meyer encontrava uma pena fossilizada do Archaeopiterix, um elo de ligação entre réptes e aves. Num trabalho paralelo de vários cientistas foi descoberto a sacarina, um adoçante. Chega de desperdício; em 1865, Lowe inventava a máquina de fazer gelo.
Pasteur encontrava a cura para o bicho da seda. A seguir, o injustiçado Nobel (1833-1896) inventava a dinamite, o ano era 1866. Em 1872, Thomas Alva Edison (EUA, 1847-1931) aperfeiçoou o telégrafo e Alexander Graham Bell (1847-1922) inventava o telefone em 1876. No ano seguinte, Thomas Edison inventava o fonógrafo, a seguir, o microfone por Huges (1831-1900) e um alemão fabricou o rifle de repetição.
Siemens (1823-1883) fabricou o 1° trem elétrico. Trabalhando simutaneamente com 2 outros cientistas, Edison fabricava em 1880, a 1ª lâmpada elétrica industrializável. Em 1895, um russo formulava o princípio de propulsão de foguetes; Schiaparelli descobriu a rotação sincrônica de Marte e Vênus e o inglês Howard Darwin (1845-1912) formulava uma explicação para o aparecimento da Lua, que teria se destacado da massa da Terra.

2843 – Pena de Morte, a lei que mata


As execuções de condenados foi um dos 3 temas centrais nas últimas eleições para o cargo de governador da Califórnia nos EUA. A insegurança pública criada pelo próprio Estado fez com que os cidadãos opinassem favoravelmente a adoção da pena de morte como única solução para a criminalidade. A pena é prevista pela constituição brasileira de 1988 em seu artigo 5º, inciso 47, em casos de guerra externa. A questão é se deve ser estendida a guerra interna : homicídio cruel, seqüestro, estupro, latrocínio, e etc. A constituição de 1824 aboliu as penas cruéis, novamente adotadas pelo código criminal de 1830, que incluía a morte na forca para escravos insurrectos, homicídio qualificado e latrocínio. Foi abolida na república em 1889, exceto na legislação militar em tempo de guerra. Nem mesmo o governo militar de 1964 com sua constituição de 1967, retomou a questão.
Até o fim do Império, a pena de morte derramou muito sangue no Brasil. Durante mais de 300 anos, índios, rebeldes e escravos, entre outros, morreram pelas mãos do Estado. Foram mais de três séculos de enforcamentos, fuzilamentos e degolas, que começaram quando o Brasil ainda era uma colônia de Portugal e estava sujeito às normas daquele país.As Ordenações Filipinas, conjunto de leis sancionado pelo rei português Filipe I em 1595 e posto em prática em 1603, foram usadas no Brasil até pouco depois da Independência. E elas não economizavam na hora de prescrever a pena de morte. Que o diga Frederico II, rei da Prússia. No século 18, ao tomar conhecimento do Livro V das Ordenações, que cuidava do Direito Criminal em Portugal e suas colônias, ele perguntou, irônico: “Mas ainda há alguém vivo por lá?” Eram passíveis de pena de morte crimes tão díspares quanto o assassinato e a violação da correspondência do rei – incluindo adultério, estupro, falsificação de moedas, incesto, sexo com animais ou com freiras, rebeliões e feitiçaria.
Crueldade colonial
A pena capital chegou ao Brasil pouco depois de Cabral. Naquela época não existiam julgamentos: as execuções, geralmente, eram sumárias. Em 1530, ano da chegada da primeira expedição de ocupação vinda de Portugal, liderada por Martim Afonso de Souza, começaram os assassinatos feitos em nome do Estado. Um dos primeiros ocorreu por causa do fidalgo português Pero Lopes Souza. Irmão de Martim Afonso, ele estava alojado numa fortaleza em Pernambuco que foi atingida por duas flechas. Ele não se feriu, mas, desconfiado dos franceses que habitavam a região, mandou que todos eles fossem presos e enforcados. A execução coletiva só parou quando dois dos estrangeiros assumiram a culpa.
No início do século 16, quem recebia sentenças de morte eram principalmente índios, piratas, traficantes, hereges e invasores franceses – naquela época, a maioria da população podia ser encaixada em (pelo menos) uma dessas categorias. Ainda no ano de sua fundação, em 1549, Salvador foi palco de uma execução exemplar, ordenada pelo seu governador e fundador, Tomé de Souza. Um índio matou um português e, como punição, foi amarrado à boca de um canhão. Quando o projétil foi disparado, o condenado se despedaçou no ar, na frente de uma platéia composta por colonos e nativos. Em 1551, também em Salvador, mais dois nativos receberam essa punição. Eram velhos índios que morreram no lugar dos sobrinhos, que haviam fugido após ser acusados de devorar quatro comerciantes.
Os colonos portugueses não estavam imunes à pena capital, embora ter uma boa posição social ajudasse bastante. Nos assassinatos, por exemplo, se o acusado fosse um fidalgo, as Ordenações Filipinas diziam que o caso devia ser bem analisado antes de se optar pela pena de morte. Mesmo assim, se tornaram comuns as execuções de “homens bons”. Como o coronel Fernão Bezerra Barbalho, dono de engenho em Pernambuco que, por suspeitar de infidelidade, assassinou a esposa e as três filhas. Já estávamos na segunda metade do século 17, quando já existiam julgamentos organizados. Condenado, o coronel foi degolado em 1687.
Ter o pescoço cortado era o principal método usado para executar nobres e membros da elite. Morrer na forca era algo vergonhoso, destinado à ralé. Mas a violência das leis nem sempre era aplicada na prática. Os condenados podiam apelar ao rei – que, com seu “direito de graça”, muitas vezes os perdoava. “Essa estratégia mantinha toda a força da autoridade, mas, ao mesmo tempo, permitia ao soberano ser magnânimo”, diz Arno Wehling, presidente
Após a Independência, em 1822, a tortura do réu e a mutilação do cadáver passaram a ser vistas como barbárie. Em 1830, surgiu o Código Criminal do Império. O texto manteve a pena de morte, mas o fez apenas para homicídios e revoltas escravas. Todas as mortes tinham que ser pela forca. Foram banidas a tortura, o esquartejamento e a exposição de corpos.
As normas do Código, entretanto, não foram seguidas instantaneamente em todos os recantos do país. Em 1831, os escravos Narciso e Elesbão mataram seu senhor, Luiz José de Oliveira, a facadas e foiçadas em Jundiaí, São Paulo. Os dois confessaram o crime e ainda admitiram ter bebido o sangue do morto. Narciso foi julgado e enforcado. Já Elesbão, depois da confissão, passou a negar ter participado do crime. Seu julgamento durou quatro anos. No fim, o juiz municipal José Mendes Ferraz resolveu ignorar o Código e se ater às antigas Ordenações. Ele exigiu que, depois que a sentença de morte fosse executada, as mãos e a cabeça do escravo fossem cortadas e penduradas em postes. Ao expor as mãos em Campinas e a cabeça em Jundiaí, o juiz pretendia intimidar o público.
Heróis sem cabeça
Na colônia ou no Império, liderar uma revolta era metade docaminho para ser executado
O mais famoso entre todos os condenados à morte no Brasil é Joaquim José da Silva Xavier, que entrou para a história e para a lista de feriados como Tiradentes. Único dos líderes da Inconfidência Mineira a ir para a forca, o alferes foi morto e esquartejado no dia 21 de abril de 1792. Durante a colônia, muitos rebeldes acabaram assim. O primeiro caso famoso foi o de Domingos Fernandes Calabar, mulato que lutou ao lado dos holandeses que invadiram Pernambuco e foi enforcado como traidor em 1635. Quase meio século depois, o rico fazendeiro Manuel Beckman liderou a revolta que leva seu nome, no Maranhão. Ele expulsou de lá os jesuítas e governou a região por um ano. Acabou enforcado e esquartejado em 1683.
Três séculos de morte
As leis do Império Português instituíram as execuções violentas no Brasil
1500-1521
As leis na colônia são as mesmas de Portugal, seguindo as Ordenações Afonsinas, criadas em 1446 pelo rei Afonso V. Diversos crimes são punidos com mortes cruéis.
1521-1603
Durante o reinado do português Manuel I, as Ordenações Manuelinas substituem as Afonsinas. Em relação à pena de morte, pouco muda.
1603-1830
Com Filipe II, surgem as Ordenações Filipinas, criadas por Filipe I. A pena de morte podia ser acompanhada por tortura, decepamento de membros e esquartejamento.
1830
Entra em vigor o Código Criminal do Império. A pena de morte é mantida, mas só pela forca, sem tortura ou exposição dos cadáveres. Na justiça militar, vale o fuzilamento.
1835
Em 10 de junho, é promulgada a lei segundo a qual os escravos devem ser sempre condenados à morte se matarem seu senhor ou alguém da família dele.
1854
O imperador Pedro II estabelece que a palavra final sobre qualquer sentença de morte, inclusive as de escravos, cabe a ele.
1861
Última execução de um homem livre no país. Antônio José das Virgens, cúmplice de homicídio, foi enforcado em 8 de maio.
1876
No dia 28 de abril, o escravo Francisco se torna o último indivíduo a ser executado no Brasil.
1889
Chega a República. Dois anos depois, a nova Constituição brasileira é sancionada. A pena de morte deixa oficialmente de existir.

2842 – (In) Segurança – Leis


Da Super para o ☻Mega

Uma jovem é assassinada a tesouradas, por um colega de trabalho e sua esposa, num matagal ermo. A vítima foi emboscada e não teve chance de se defender. A polícia prende os assassinos e a Justiça os condena. O rapaz, a 19 anos de prisão, por homicídio qualificado (com agravantes). A mulher, como cúmplice, a 18 anos e 6 meses. Mas eis que, dez anos depois do início das sentenças, os dois já estão em liberdade, graças a indultos e benefícios previstos em lei.Para quem ainda não identificou o caso, trata-se do assassinato da atriz Daniela Perez, pelo qual foram condenados Guilherme de Pádua e Paula Thomaz. O desfecho da história gerou revolta em familiares e amigos de Daniela e em parte da sociedade. Mas é preciso lembrar que tudo foi feito de acordo com a legislação em vigor. Nenhuma lei foi violada no caminho do processo, até a libertação dos dois. Para alguns, essa permissividade da legislação é a causa da criminalidade. Outros acham que o problema não reside nas regras, mas em seu cumprimento. Ao final, resta a questão: é essa a lei que a sociedade quer hoje para julgar quem infringe as regras do convívio social?
Antes, um histórico. O Direito Penal brasileiro fundamenta-se sobre três conjuntos de leis: o Código Penal, o Código de Processo Penal e a Lei de Execução Penal. Aos dois primeiros, uma das principais críticas é a de que eles estão ultrapassados, por terem sido escritos há várias décadas, num tempo em que os casos de seqüestro e narcotráfico, por exemplo, eram raros.
O Código Penal, escrito em 1940, transformou-se, nos últimos anos, numa enorme colcha de retalhos, tantas foram as emendas que tentaram atualizá-lo. É ele que descreve o que é crime e determina a pena para cada tipo de infração. O Código de Processo Penal, de 1941, é o que determina os passos que a Justiça deve respeitar diante da ocorrência de um crime, da investigação policial ao julgamento. É seu anacronismo que faz com que os processos se arrastem lentamente e com tantas protelações, em geral a favor dos criminosos. Por fim, a Lei de Execução Penal, de 1984, define as condições em que o sentenciado cumprirá a pena.
Considerada falha em muitos pontos, ela permite, por exemplo, que, depois de cumprido um sexto da pena, boa parte dos condenados alcance o privilégio de voltar às ruas para cumprir o restante da sentença no regime semi-aberto, no qual o sentenciado passa o dia em liberdade e só volta à noite para a prisão. Foi essa lei que devolveu a liberdade aos assassinos de Daniela Perez depois de cumprirem pouco mais da metade da pena.
Muitos especialistas acreditam que não é possível combater a criminalidade com leis tão ultrapassadas e cheias de anomalias. De fato, há distorções. A pena para um homicídio doloso (com intenção), por exemplo, vai de 6 a 20 anos, enquanto o tempo de cadeia para um funcionário público que mexer num computador para tirar vantagem indevida pode chegar a 12 anos. Num caso extremo, um homicida pode ficar seis anos atrás das grades, e um burocrata corrupto, o dobro do tempo. Essa distorção, que faz com que as penas para crimes contra o patrimônio sejam mais severas do que as para os crimes contra a vida, permeia vários artigos do Código Penal Brasileiro.
Hoje, menores de 18 anos são inimputáveis, o que significa que, ao cometerem um crime, não são presos, mas enviados para unidades da Febem onde cumprem medida socioeducativa. Para os linha-dura, punir os menores de 18 anos como adultos é um passo para a redução da criminalidade. “Só no Brasil o menor criminoso é tratado como coitadinho”, afirma o promotor da Matta. “Nos Estados Unidos, eles chegam a ser condenados à pena de morte.”
Mas há quem pense diferente: Defensor do tratamento mais tolerante com os adolescentes, Eduardo Dias de Souza Ferreira, promotor da 1ª Vara Especial da Infância e Juventude de São Paulo, é contrário à medida. “A redução da idade de responsabilidade penal não contribuirá em nada para combater a violência”, diz. “Hoje você reduz para 16 anos, amanhã para 14 e daqui a algum tempo vai ter gente defendendo que se mate a criança ao nascer. A culpa vai ser da parteira.” Segundo Ferreira, apesar das mazelas da Febem, o índice de reincidência de menores infratores é bem inferior ao de presidiários. “Um trabalho socioeducativo intenso com esses adolescentes infratores é mais eficaz para a recuperação do que o confinamento numa cadeia”, diz ele. Ou seja, para ele, o tratamento diferenciado reduz, de fato, a criminalidade entre adolescentes.
O que precisa ser feito
• Tirar os presos condenados das delegacias.
• Corrigir as distorções do Código Penal que prevêem penas mais severaspara crimes contra o patrimônio do que para crimes contra a vida.
• Rever o regime de progressão penal (que dá à maioria dos condenados direito à liberdade depois de cumprido um sexto da pena, para quem comete crimes violentos).
• Agravar as penas para criminosos violentos reincidentes.
• Criar leis contra crimes específicos, como delitos cometidos pela internet e crime organizado.
• Agravar as penas para o crime organizado.
• Modificar a lei para evitar que menores de 18 anos reincidentes em crimes violentos livrem-se da pena até os 21 anos.
Linha do tempo
1603
Surge o primeiro Código Penal, ainda no Brasil Colonial, batizado de Livro V das Ordenações do Rei Felipe II. Fundamentado em preceitos religiosos, o crime confundia-se com o pecado e com a ofensa moral. As penas eram cruéis, desproporcionais e severas.
1830
Fica pronto o Código Criminal do Império, a legislação penal prevista pela Constituição de 1824. Apesar da tendência liberal, previa a pena de morte.
1890
Com a instauração da República, é editado um novo Código Penal. Entre outras coisas, ele abole a pena capital e cria o regime penitenciário de caráter correcional.
1890 a 1932
Feito a toque de caixa, o estatuto penal dos republicanos deixa muitas lacunas. Na tentativa de torná-lo mais eficiente, são criadas inúmeras leis. O código parece uma colcha de retalhos.
1932
No início da Era Vargas, é editada a Consolidação das Leis Penais de Piragibe, para agrupar todas as emendas feitas ao Código Penal nos 40 anos anteriores. Composta de quatro livros e 410 artigos, vigorou até 1940.
1940
É promulgado o Código Penal, que só entra em vigor em 1942, junto com o Código de Processo Penal. Considerado uma legislação eclética, teve inspiração nos códigos da Itália e da Suíça.
1941
Edição do Código de Processo Penal, que trata do rito do Judiciário, da investigação criminal ao julgamento. Considerado falho por muitos, ainda está em vigor.
1969
Durante a vigência do regime militar, houve várias tentativas de reforma da legislação penal brasileira. É aprovado um anteprojeto elaborado pelo ministro Nélson Hungria. Alvo de severas críticas, acabou sendo revogado em 1978.
1984
O Código Penal de 1940 sofre sua primeira grande reformulação, com a alteração de sua Parte Geral, na qual encontram-se as regras básicas que orientam a interpretação e a aplicação da Parte Especial, que prevê os crimes e as penas.
1984
Entre as mudanças, uma sobressai: a criação da Lei de Execução Penal, que prevê a forma de cumprimento da sentença. Considerada muito frouxa por alguns juristas, é ela que permite o abrandamento das sentenças depois de cumprida parte da pena.
1998
É criada a Lei de Crimes Hediondos, que prevê penas mais duras para criminosos violentos.
2001
Na tentativa de desburocratizar o rito da Justiça e agilizá-la, são encaminhados ao Congresso Nacional oito projetos de lei para reformar o Código de Processo Penal. As propostas devem ser votadas este ano.
2002
Uma onda de violência mobiliza o Congresso para discutir, em caráter de emergência, um pacote de leis para combater o crime. Entre elas, figuram propostas relacionadas à redução da maioridade penal, criação de penas alternativas e tipificação de crimes hediondos.

2841 – (In) Segurança – As origens da criminalidade


Obviamente, não há condições que garantam que uma pessoa cometerá crimes, mas é certo que determinados contextos favorecem mais a proliferação da delinqüência.Quando se fala em crimes, fala-se na realidade de um conceito amplo que inclui realidades e dinâmicas diversas. A primeira grande diferença é a que separa o crime não-violento do violento. Por sua vez, entre os violentos costuma-se distinguir os crimes contra a propriedade, isto é, com motivação econômica, e os crimes contra a pessoa. As pessoas que cometem crimes violentos estão expostas elas mesmas a sofrer lesões ou morte, de sorte que, em termos de custo-benefício, desenvolvem uma atividade de alto risco e, em geral, de retorno limitado. Já os criminosos de classe média alta dedicam-se preferencialmente a delitos cometidos sem violência, com lucro muito maior (fraude, etc.).
A urbanização acelerada e desordenada do Brasil a partir de 1950 conformou grandes periferias metropolitanas, com equipamentos urbanos insuficientes, que atraíram uma migração jovem de baixa renda e com sérios problemas de inserção social. Essas metrópoles caracterizadas por uma desigualdade profunda constituem, em toda a América Latina, o melhor caldo de cultura para a violência criminal.Uma constante no mundo todo é que os protagonistas da violência e da criminalidade, tanto os autores quanto as vítimas, são jovens do sexo masculino. Pesquisa recente no Brasil com dados de 1998 mostra que, em média, 3% dos homens brasileiros acabam sendo assassinados em algum momento das suas vidas. A proporção para as mulheres é dez vezes menor.A preponderância dos jovens entre os criminosos e os violentos pode ser explicada desde as abordagens hormonais até as sociais e psicológicas. A juventude é a fase da vida adulta em que o desejo de consumo é maior e a renda, menor. Do ponto de vista psicológico, os jovens são as pessoas que assumem maiores riscos no seu comportamento. Outros estudos falam da necessidade do jovem de emoções intensas, de “adrenalina”, que pode ser obtida em atividades lícitas ou ilícitas. A altíssima mortalidade de jovens encontrada em algumas modalidades do crime e a maior chance de serem capturados e condenados a uma pena prolongada, à medida que continuam a carreira criminosa, contribuem para que não seja muito comum encontrar criminosos de idade avançada.
Quanto às mulheres, pesquisas em outros países mostram que elas não apenas delinqüem menos, como também, quando o fazem, são tratadas com maior benevolência pela Justiça. O papel tradicional da mulher, dedicada ao cuidado dos filhos ou irmãos e com menor responsabilidade na geração de renda familiar, poderia ajudar a explicar por que elas se envolvem menos no crime, particularmente nos crimes violentos. No entanto, mesmo os países em que o papel social e familiar da mulher é cada vez mais parecido ao do homem continuam experimentando uma criminalidade fundamentalmente masculina.
Mas, se as mulheres cometem poucos crimes violentos, não se pode dizer que elas sejam alheias ao mundo do crime. Às vezes, elas ocupam posições secundárias dentro de redes criminosas e quase sempre aparecem no papel de mães, esposas ou namoradas dos delinqüentes. O atrativo provocado entre meninas das periferias pobres por jovens armados, aos quais a atividade criminosa confere dinheiro e poder que não poderiam obter de outro modo, é um dos fatores que motivam esses jovens de sexo masculino a entrar nesses circuitos.
A criminalidade e a violência são, definitivamente, a prioridade nacional. Segundo uma pesquisa divulgada no início deste mês, um em cada cinco brasileiros considera a falta de segurança o nosso principal problema. Esse número nunca foi tão alto. Ou seja, o brasileiro sabe que vive em um país violento. E está preocupado com isso.Mas nada de cães de guarda, blindagem de carros ou cercas eletrificadas. Com tanta gente preocupada com o assunto, fica evidente que a criminalidade não é um problema individual, mas de todos. Portanto, decidimos procurar soluções que sejam estruturais e que valham para toda a sociedade.

2840 – (In) Segurança – Desarmamento


O Japão é freqüentemente citado como modelo por aqueles que advogam a causa da proibição de armas de fogo. Desde que foram introduzidas no país, em 1543, trazidas pelos portugueses, as armas de fogo sempre foram vistas como instrumentos alheios à cultura japonesa. Lá não há posse privada de revólveres e, com uma população de 126 milhões de pessoas, há pouco mais de 500 000 armas registradas – número que inclui armas de caça e rifles de ar comprimido (365 000 espingardas, 37 rifles de caça). Revólveres e pistolas só podem ser licenciados por atiradores esportivos. Para se ter uma idéia, há hoje 85 pistolas registradas.
Não por acaso, o número de homicídios é baixíssimo: 1,2 por 100 000 habitantes. E manteve-se assim mesmo ao longo da década passada, quando teve início a crise econômica japonesa. Graças a essas taxas, o Japão ocupa hoje, em um relatório da ONU com 189 países, a colocação de nação onde menos se mata. Outro detalhe: além de raros, os homicídios no Japão se caracterizam por sempre serem resolvidos: em 97% dos casos, a polícia japonesa entrega um acusado à Justiça.
É baixíssima a utilização de armas de fogo em homicídios. Em 1998, de 1 518 homicídios ocorridos, apenas 68 (4,5% do total) foram cometidos com armas de fogo. As causas mais comuns, segundo um estudo sobre a criminalidade no país entre 1992 e 1995, foram agressões físicas, sufocamento e afogamento. Outros crimes normalmente associados às armas de fogo – roubos a domicílios e estupros – apresentam incidência muito inferior para os padrões americanos e mesmo europeus.
As autoridades do país estão convictas de que o controle das armas tem muito a ver com os baixos índices de violência letal e crimes violentos. Em 1998, em Tóquio, durante um evento internacional que reuniu especialistas para conhecer a experiência japonesa em segurança pública, o governo divulgou um documento reafirmando sua disposição em combater o porte de armas como forma de deter a criminalidade.
Longe de ser uma política inocente, o modo japonês de encarar as armas leva em consideração, sim, que os criminosos continuarão tentando usar armas para suas atividades ilegais. Mas o armamento deixa de ser uma forma de resolução de conflitos interpessoais.
As restrições ao uso de armas de fogo incluem os agentes policiais. Não são todos que andam armados. Geralmente, só aqueles que enfrentam o crime organizado ou participam de ações perigosas, com possibilidade de enfrentamento físico, é que são autorizados a portar revólveres.
O cuidado da polícia japonesa ao lidar com criminosos portando armas de fogo pode ser percebido até quando o resultado da ação não é satisfatório e acaba alimentando as estatísticas negativas. Em maio de 1998, policiais mataram a tiros um jovem brasileiro, em Owari Asahi, província de Aichi. Suspeito de ter arrombado uma loja, ele foi perseguido por dois agentes armados e reagiu à prisão atacando um deles com um bastão. Foi baleado com dois tiros na perna esquerda – cada policial atirou apenas uma vez. Dominado e levado ao hospital, no entanto, morreu vítima de hemorragia.
Crimes cometidos com armas no Japão (1996)
Assassinatos – 35 – (29)
Roubos – 39 – (27)
Tiroteios – 0 – (0)
Lesões Corporais – 8 – (4)
Violência – 1 – (1)
Extorsão – 5 – (3)
Outros – 36 – (18)
Total – 124 – (82)

Deu certo no Japão, dará certo aqui?
Será que o controle de armas equivale ao controle da criminalidade?
Basta uma olhada por regiões dos Estados Unidos que têm as leis mais restritivas às armas de fogo, como Washington, Chicago, Nova York e o Estado da Califórnia. Esses locais apresentam alguns dos maiores índices de crimes do país, especialmente os violentos. Os números em todas essas áreas excedem a média nacional, apesar de imporem restrições rigorosas à posse de armas de fogo, incluindo exigências de licenças, impostos, exames e até o banimento. As altas taxas de crimes nessas regiões são ainda mais desconcertantes quando comparadas aos índices de áreas que não seguiram tal caminho. Em quase todos os casos, as localidades americanas com menos leis de controle e mais armas apresentam a menor criminalidade.
Um estudo recente publicado no jornal da Associação Médica Americana, conhecido por sua posição anti-armas, relatou que a Lei Brady, de 1994 (que estabeleceu uma investigação sobre todo comprador de armas), não teve um impacto perceptível nas taxas de suicídio ou de homicídio. O fato, além de contrariar as alegações dos grupos favoráveis ao controle de armas, mostrou que o crime vem diminuindo nos Estados Unidos há cerca de uma década, numa tendência de queda que começou pelo menos três anos antes da aprovação da lei. Na verdade, a Lei Brady nada fez para diminuir o crime ou a violência, sendo mais uma evidência de que as imposições para o controle de armas não têm relação com a prevenção da violência ou dos crimes.
De forma contrária, o aumento do controle de armas contribui para o aumento dos crimes. Na Inglaterra, os crimes violentos aumentaram em média 15%, apenas durante 2001, numa continuação dos problemas que aquele país enfrenta desde que a proibição de armas entrou em vigor na segunda metade dos anos 90. Os índices relativos a invasões de domicílios, roubos, assaltos e uma ampla faixa de outros tipos de crimes naquele país têm superado os níveis americanos.Examinando os fatos relacionados, posso chegar apenas à conclusão de que o controle de armas não tem a ver com a criminalidade.Há só uma abordagem que conseguiu reduzir significativamente o crime e a violência, nos EUA. O cumprimento de nossas atuais leis contra os criminosos violentos que mantêm armas ilegalmente. São esses indivíduos, que se mostraram incapazes de possuir de modo responsável uma arma, que devem ser enfrentados, se quisermos realmente reduzir a criminalidade.

2839 – Sistema Solar demorou para sacudir a poeira


Astrônomos do Instituto Smithsonian dizem que a nuvem de gases e poeira que deu origem ao sistema solar levou de 2 milhões a 5 milhões de anos para começar a se condensar, 4,5 bilhões de anos atrás. Até agora, acreditava-se que essa organização primordial teria levado apenas 500 000 anos. A equipe liderada por Glenn MacPherson comparou a quantidade de alumínio radioativo e de magnésio pesado dentro de meteoritos. Esse tipo de alumínio, comum na nuvem original, perde partículas do núcleo e se transforma no magnésio. Sabendo o tempo que esse decaimento leva, dá para calcular a idade dos dois elementos. Se os resultados estiverem certos, isso quer dizer que os planetas saíram da nuvem bem mais tarde.
Há 5 bilhões de anos, esta nuvem de gás e poeira era o embrião do sistema solar.
Acreditava-se até agora que a nuvem tivesse levado 500 000 anos para virar um disco.
Mas novos estudos indicam que o período de gestação pode ter durado até 5 milhões de anos.

2838 – Acredite se quiser- A velhice começa aos 27


Aos 27 anos de idade, você ainda é jovem. Seu coração está zerado, a pele quase perfeita e os músculos não doem. Mas no seu cérebro, a decadência já começou. Cientistas americanos acabam de divulgar os resultados de um estudo gigantesco, que mediu as habilidades cognitivas de 2 000 pessoas e chegou a uma conclusão assustadora. O cérebro humano chega ao auge aos 22 anos, fica estável até os 27 e a partir daí já começa a declinar. E essa queda é incrivelmente rápida – quando as pessoas chegam aos 30 anos de idade, várias funções do cérebro já estão bem mais fracas. Você pode achar que ainda é muito jovem para ficar gagá. Mas a natureza não. “Do ponto de vista evolutivo, por volta dessa idade você já deveria ter se reproduzido. E, por isso, já estaria chegando a hora de se aposentar”, explica o neurologista Paulo Henrique Bertolucci, da Universidade Federal do Estado de São Paulo. Afinal, o homem das cavernas não vivia muito mais que 30 anos. E, anatomicamente, o seu cérebro é idêntico ao dele. Mas não precisa se desesperar se você já passou dos 27, ou está chegando a essa idade. O estudo, realizado pela Universidade de Virgínia, também descobriu que algumas habilidades, como a verbal, continuam crescendo até os 60 anos. E aprender coisas novas, aumentando o número de informações no cérebro, compensa parcialmente as perdas cognitivas. A velhice mental existe. Mas ela é só uma coisa da sua cabeça.

2837 – Um cometa para mudar a história


Cometa Halle-Bopp

O Hale-Bopp
Quando foi descoberto por dois astrônomos amadores americanos, em julho de 1995, o Hale-Bopp parecia só um cometa a mais: uma bola de gelo sujo que sobrou da formação do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos. Mas não demorou muito e o astro ambulante já empolgava os estudiosos por dois motivos.
Primeiro, por ser o maior bólido já estudado pela ciência. Seu núcleo, com diâmetro estimado em 40 quilômetros, é quatro vezes maior que o do Halley, que passou por aqui pela última vez em 1986. Promete, assim, ser uma fonte privilegiada de conhecimento. “O Hale-Bopp vai nos dar o melhor retrato de um núcleo cometário”, entusiasma-se o astrofísico Harold Weaver, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Atrás dos mistérios desse gigante, Weaver e sua equipe estão de olho pregado no céu há quase dois anos.
O segundo motivo da empolgação é que as informações trazidas pelo Hale-Bopp estarão mais acessíveis graças aos excepcionais instrumentos de observação hoje disponíveis, como o Telescópio Espacial Hubble e outros mirantes orbitais ou de solo.
O que mais surpreende os astrônomos é que o Hale-Bopp carrega grande quantidade de substâncias orgânicas. São coisas como metano, acetileno, cianeto de metila, ácido fórmico e etileno. Vários desses compostos são produzidos por organismos vivos. O etileno se forma no amadurecimento das frutas. O ácido fórmico é extraído das formigas. E o metano aparece no estômago dos ruminantes durante o processo de digestão.
O raciocínio dos astrofísicos é o seguinte: se a maioria dos cometas contiver tanta matéria orgânica assim, a vida pode mesmo ter sido plantada na Terra por esses mensageiros cósmicos.
Mas, por enquanto, tudo são hipóteses. Nem a órbita completa do bólido é bem sabida. “A gente estima que ele tenha sido arrancado de seu berço esplêndido, a Nuvem de Oort, pela primeira vez, há 2,5 milhões de anos.
Cometas são formados de poeira e gelo, isso todo mundo sabe. A novidade do Hale-Bopp é que a água não fica misturada com o resto, mas, tudo indica, separada dos outros compoentes, em blocos. Essa hipótese vem sendo reforçada pela análise dos gases que escapam do núcleo.
Caroço monstruoso
Está escrito nas enciclopédias e atlas astronômicos: os cometas têm, em média, um núcleo de uns poucos quilômetros de diâmetro. O Halley tinha 8 quilômetros. Aquele outro que caiu na Terra há 65 milhões de anos, extinguindo os dinossauros, não tinha mais que 15. O Hale-Bopp tem 40 quilômetros.
Areia perdida
Os astrônomos identificaram olivina no Hale-Bopp. Espanto. Trata-se do principal minério do manto terrestre, que só se forma sob altíssimas temperaturas. Mas um cometa é um bloco de gelo de 200 graus negativos! Como haveria olivina ali? Hipótese: ela já estaria na nebulosa hipergelada que deu origem ao Sistema Solar, incluindo os planetas e os cometas, e só poderia ter vindo de sistemas solares extintos.
O Telescópio Espacial Hubble bateu a foto ao lado em 26 de setembro de 1995, quando o Hale-Bopp estava ainda a 1 bilhão de quilômetros do Sol. Naquela época, os astrônomos tinham dúvidas ainda se o que viam era mesmo um cometa gigante por causa de sua estranha forma de espiral.
O close da imagem acima mostrou que a espiral nada mais era do que poeira e gases lançados numa violenta explosão do núcleo cometário, jamais vista a essa distância. A região amarelada dentro da espiral parece ser um pedaço da crosta de gelo, arrancado pela explosão
1 – A primeira viagem do Hale-Bopp (órbita rosa, no infográfico ao lado) começou 2,5 milhões de anos atrás. Empurrado por uma estrela que passou perto da Nuvem de Oort, ele foi arrancado de lá e mergulhou em direção ao Sol.
2 – Os cálculos indicam que o cometa passou por aqui pelo menos outras cinco vezes em períodos indeterminados (órbitas vermelhas). A cada vez que cruza com Júpiter, é puxado pelo gigantesco planeta e tem sua rota encolhida.
3 – A última passagem antes desta aconteceu há 4 200 anos (órbita laranja). As perturbações de Júpiter vão encurtar ainda mais o trajeto do Hale-Bopp.
4 – Ele deve aparecer de novo por aqui dentro de 2 380 anos (órbita amarela). Rastro eletrizado
O rabo azul é a chamada cauda de plasma. Ela é formada por moléculas que escaparam do núcleo e foram ionizadas pelo vento solar. Quer dizer, as moléculas que a compõem perderam elétrons, que foram varridos pelas partículas atômicas continuamente emitidas pelo Sol. Ela chega a 150 milhões de quilômetros de comprimento, a mesma distância entre a Terra e o Sol.
Poeira iluminada
A cauda amarelada contém poeira que é arrancada do núcleo e empurrada para longe pela radiação solar. Quanto mais perto do Sol mais a cauda brilha. Quando o cometa vem vindo em direção ao Sol, ela aponta para trás. E quando ele vai embora, a carroça passa na frente dos bois, ou seja, a cauda vai na frente.
Cobertura invisível
O núcleo está sempre escondido atrás de uma nuvem de gás e poeira. É a chamada coma, de centenas de milhares de quilômetros de diâmetro. Em volta da coma existe ainda uma redoma invisível, feita de hidrogênio.
Se você ouvir falar que o Hale-Bopp vem carregado de veneno, acredite. É isso mesmo. Uma das principais substâncias do núcleo é o ácido cianídrico, o mesmo das câmara de gás onde, em alguns lugares, são executados os condenados à morte. A quebra das moléculas pela radiação solar solta no espaço outras substâncias da família do cianogênio, também venenosas. Mas não é preciso alarme. Os cálculos são do professor Atílio Vanin, da Universidade de São Paulo: mesmo se a Terra cruzasse a ponta da cauda do cometa, o que não vai acontecer, o planeta inteiro não poderia receber mais do que um quilo de veneno. “Dividindo esse quilo pela população mundial, 6 bilhões de pessoas, cada terráqueo inalaria no máximo 0,2 milionésimos de grama do gás”, diz Vanin. “Isso é 10 milhões de vezes menos que a dose letal, que é de 2 gramas. Mesmo os mais sensíveis precisariam de pelo menos 200 miligramas para se intoxicar.”

2836 – Onde estão os ETs? – 2ª Parte


O Sol, esse reator nuclear com diâmetro de 1,4 milhão de quilômetros, é só uma entre os 300 bilhões de estrelas da Via Láctea. Uma galáxia bem pacata, por sinal. A verdadeira megalópole deste pedaço do Universo é Andrômeda, nossa galáxia vizinha, com 1 trilhão de sóis.
Não, não estamos nada sozinhos no Cosmos. Além de Andrômeda, há pelo menos outros 125 bilhões de galáxias no Universo visível. E, se respeitarmos a lógica, o que não falta em cada uma delas são planetas, muitos planetas. Como disse o astrônomo Carl Sagan sobre a vida lá fora: “Deve haver bilhões de trilhões de mundos. Então por que só nós, jogados aqui num canto esquecido do Universo, seríamos afortunados?”
A descoberta de que estamos no meio de um Universo tão vasto e rico é relativamente recente: começou na 2a metade do século 20. E as provas de que, sim, existem mesmo planetas em outras estrelas se trata de algo mais novo ainda. Isso tudo deu uma guinada na ciência, a ponto de a exobiologia, que estuda a possibilidade de vida fora da Terra, ter subido de status. “Quando cunharam o termo exobiologia, [nos anos 60] ele foi ridicularizado como uma ‘ciência sem objeto de estudo’.? Mas a maré científica mudou e hoje há um entusiasmo crescente em tentar achar vida em outros lugares do Universo”, diz a astrônoma Jill Tarter, da Universidade da Califórnia, no livro The Search for Life in the Universe, (“A Busca da Vida no Universo”), inédito em português.
De onde vem tanta empolgação?
Condições para a vida
As apostas de que, sim, há muita vida lá fora começam com duas novas certezas. Primeiro, a de que não faltam planetas fora do sistema solar.
Até anteontem não havia prova de que outras estrelas, fora o Sol, tivessem mesmo planetas. A astronomia dizia que sim: estudos sobre a formação de estrelas mostram que elas costumam nascer carregando um séquito de pequenos astros. Mas o ponto final na questão só veio em 1995, quando astrônomos da Universidade de Genebra detectaram um planeta gigante feito de gás, como Júpiter, em volta de uma estrela parecida com o Sol, a 51 Pegasi.
De lá para cá a década de 1990 teve uma média de 3,4 planetas extra-solares descobertos por ano. E agora, com instrumentos mais precisos, o ritmo explodiu. No ano passado, foram mais 61. Em 2008, só até julho, outros 36. Total: 307. E a conta não pára de crescer.
Para completar, em 2007 o telescópio Hubble detectou pela primeira vez a existência de água num planeta extra-solar, ainda que em forma de vapor. E neste ano encontrou água e moléculas orgânicas em mais outro. Isso não indica que algum desses dois tenha vida. Ambos são gigantes feitos de gás, como Júpiter – um tipo de planeta pouco amigável a seres vivos. Mas, se houver um planeta parecido com a Terra na região, aquilo que aconteceu aqui pode ter acontecido lá.
Buscar um astro em volta de uma estrela é como tentar achar um pernilongo ao lado de um prédio em chamas. A olho nu. Simplesmente não dá para ver. O que os astrônomos fazem, então, é detectá-los de formas indiretas. Por exemplo: se o brilho de uma estrela diminui um pouco num ponto da superfície dela, em intervalos regulares, significa que tem um planeta girando ali. Outro jeito de procurar é observar o “balanço” de uma estrela. A gravidade de um planeta é forte o bastante para chacoalhá-la um pouco. Se os observadores apontarem seus equipamentos por muito tempo para ela dá para analisar essas balançadas e deduzir que há um planeta passando por ali.Procurar por planetas com vida significa buscar por um que tenha água líquida. Isso não é egocentrismo de cientista terráqueo, achando que a vida em outros planetas tem que ser igual à daqui. É respeito pelas leis da química, que valem para o Universo inteiro. Funciona assim: para ter algo que dê para chamar de vivo, precisamos de moléculas que se juntem para formar coisas complexas. As que melhor fazem isso são as moléculas orgânicas, estruturas que têm átomos de carbono como pilares e que, por sinal, formam o seu corpo. Só que moléculas não andam. Elas precisam de um solvente, de um meio fluido para se locomover e encontrar umas às outras. E a água líquida é a melhor coisa que tem para isso no Universo – não é à toa que a vida por aqui começou nos oceanos.
Enviar sondas espaciais é o melhor jeito de entender o que acontece fora da Terra. Que o diga a nave Phoenix. Ela chegou a Marte em junho, ainda está coletando e analisando informações do solo marciano e de cara confirmou que existe água em forma de gelo no pólo norte de lá. A temperatura marciana é muito fria (chega a -140 °C), mas, se essas calotas fossem derretidas, seriam capazes de formar uma camada de 11 metros de profundidade no planeta inteiro, pelos cálculos da Nasa. Outra análise da Phoenix mostrou que o solo do planeta não é tão morto assim: nutrientes importantes para a vida, como magnésio, sódio e potássio, estão presentes nas amostras. É muito difícil haver vida lá? Hoje, é. Mas ontem, nem tanto: fotos aéreas mostram erosões que, ao que tudo indica, são leitos secos de rios que corriam numa época em que o planeta era mais quente. A probabilidade de que Marte tenha tido água líquida é real. Por isso estamos longe de desistir de achar indícios de que já houve pelo menos micróbios lá – e, em última instância, de que a vida é comum em qualquer lugar que ofereça as condições. Uma nave ainda mais equipada que a Phoenix pousará lá no ano que vem, enquanto a Agência Espacial Européia vai lançar em 2013 o ExoMars, carrinho capaz de perfurar profundamente o solo em busca de vestígios orgânicos. Para fechar, tanto os europeus como a Nasa planejam missões tripuladas com humanos antes de 2040.
Outro alvo na busca pela vida é Europa, uma lua de Júpiter. Ela tem uma fina atmosfera com oxigênio e, ao que tudo indica, uma surpresa embaixo de sua camada de 200 quilômetros de gelo: água líquida. É que a forte gravidade de Júpiter pode ter feito o gelo mexer e remexer tanto que ele acabou esquentado, só pela fricção. E onde há água líquida, há chance de vida.
Para ver se tem mesmo, a Nasa planeja mandar uma sonda para a órbita de Europa na próxima década. E a Agência Espacial Russa (Roscosmos) vai mais longe: quer pousar uma nave (não tripulada) em Europa até 2020. Tudo isso, porém, só dá para fazer porque Marte e a lua de Júpiter são logo ali. Se quisermos mandar uma sonda para algum planeta extra-solar, temos um problema. A estrela mais próxima daqui, Alpha Centauri, fica a 4,3 anos-luz da Terra. Isso significa que um raio de luz demora 4,3 anos para chegar lá. Não parece grande coisa, mas são 40 trilhões de quilômetros de distância. Demais para as nossas sondas.E olha que elas são até rápidas. A Voyager, que já atravessou o sistema solar inteiro, hoje rasga o espaço a 1,4 milhão de quilômetros por hora, 1 000 vezes mais rápido que o som. Só que isso não é nada em termos espaciais: representa apenas 0,000058 da velocidade da luz.Nesse pique ela demoraria 80 mil anos para chegar a um eventual planeta na órbita de Alpha Centauri. Dureza: nem se os neandertais tivessem lançado uma sonda espacial ela teria chegado…

2835 – Inteligência: Coisas de gênio


Diante dos olhares de espanto da imperatriz Maria Teresa, da Áustria, aos 6 anos de idade Wolfgang Amadeus Mozart fazia brotar do piano os acordes inspirados de suas primeiras sonatas. Três anos mais tarde, tomado por uma irremediável aversão ao estudo convencional, decidiu que dali em diante só leria partituras. Ninguém pode lamentar ter perdido em Mozart um químico apenas medíocre ou um escriturário esforçado. Pior seria se a humanidade tivesse inibido a floração de um dos seus mais talentosos compositores – o que poderia perfeitamente bem acontecer se Mozart não vivesse na Salzburgo do século XVIII, uma cidade voltada para as artes. Hoje em dia Mozart talvez já tivesse sido induzido pela família ou pelos professores a esquecer o fascínio pela música em troca de um dez no boletim. Lamentável, pois Mozart é um exemplo de pessoa superdotada.
O conceito de superdotado, até há pouco tempo, servia de legenda para a imagem caricatural do garoto franzino, craque não no futebol e sim em complicadas questões de Química, Matemática ou Física, entre outros saberes que costumam driblar a meninada dita normal. Hoje se sabe que nem todo superdotado tem o perfil de primeiro da classe. Além das pessoas com inteligência acima da média, superdotados também são aqueles com capacidade excepcional para realizar tarefas, muitas vezes à distância de salas de aula e laboratórios. É certo que em algumas pessoas existe algo diferente que as faz geniais.
Sem dúvida, os fatores culturais impõem seus limites à genialidade. Ao esboçar um helicóptero em pleno século XV, quando o homem nem sequer podia imaginar o automóvel, o florentino Leonardo da Vinci só poderia ser tachado de visionário. Da mesma forma, se Isaac Newton tivesse nascido numa tribo da Nova Guiné, e não na Inglaterra do século XVII, não teria chegado a formular a lei da gravitação, porque para os guinéus, ser inteligente é saber de cor e salteado o nome de 10 mil clãs. Entre os limites erguidos pelos valores culturais, porém, nascem três superdotados em cada cem pessoas, independentemente de raça, sexo ou classe social, segundo as estatísticas.
O interesse pelo assunto é recente e ainda não existem amplos estudos do cérebro de superdotados que permitam o entendimento dessa condição”, justifica o neurologista infantil Saul Cypel, da Universidade de São Paulo. Cauteloso como seus colegas diante do fenômeno, Cypel não encontra explicações na Medicina para o fato de os superdotados amadurecerem mais cedo, muito menos para a simples existência de pessoas excepcionalmente talentosas. Só há hipóteses e mesmo assim ainda à espera de comprovação no exame de cérebros.Quando morreu Albert Einstein – um gênio acima de qualquer suspeita -, seu crânio foi aberto em busca de indícios físicos para sua genialidade. Mas o estudo do cérebro einsteiniano não levou a nada – talvez por falta de comparações. Uma hipótese, em todo caso, é a de que as células cerebrais no superdotado têm um número maior de conexões entre si do que numa pessoa comum. “Teoricamente, quanto mais conexões nessas células, melhores os recursos intelectuais de alguém”, explica Cypel. Ampliadas pelo microscópio, essas conexões formadas no decorrer da vida parecem finas ramificações das células nervosas. É como se cada célula ou grupo de células guardasse certa quantidade de informações e essas conexões permitissem toda sorte de associação entre elas.
Outros cientistas desconfiam que a superdotação possa ser causada por pequenas lesões ocorridas antes ainda do nascimento. A estranha idéia surgiu da observação dos idiots savants (idiotas sábios), pessoas retardadas devido a lesões cerebrais e, não obstante, capazes de exercer alguma atividade extremamente bem. Assim, os médicos citam casos de retardados capazes de realizar de cabeça complexos cálculos matemáticos. A superdotação não teria a mesma origem? “É apenas uma teoria”, acautela Cypel.
Para a bióloga gaúcha Eni Peinado Viñolo, da Universidade Católica de Porto Alegre, qualquer explicação isolada para o fenômeno é incompleta.
Em testes realizados por psicólogos americanos na década de 70 produziram um curioso resultado: em Matemática, os homens superdotados são, inexplicavelmente, melhores do que as mulheres superdotadas – e nas outras áreas testadas os resultados se equivalem. De acordo com outro estudo, entre crianças superdotadas a incidência de miopia é quatro vezes maior do que nas demais crianças da mesma idade. Em compensação, as crianças superdotadas tendem a ser mais altas e mais robustas. Além disso, uma terceira pesquisa indica que em cada três canhotos, dois são superdotados.Enfim, como diria Einstein, ser inteligente é muito relativo. Na maneira convencional de ver as coisas, só é gênio quem sabe usar a cabeça de modo excepcional. Na verdade, qualquer aptidão humana exercida com soberba mestria é coisa de superdotado. Como a música de Mozart. Ou o futebol de Pelé.

2834 – Você Sabia…? Que a cidade mais cara do mundo fica na África?


A cidade mais cara do mundo fica na África
Exploração de diamantes e madeira e influxo de estrangeiros fazem com que o continente tenha 3 cidades entre as 10 mais caras do mundo.

1º Luanda, Angola

Aluguel* – R$ 12 129,60
Cafezinho** – R$ 197,40
Jornal importado*** – R$ 256,20
Lanche**** – R$ 909,60
Gasolina***** – R$ 95
R$ 13 587,80

2º Tóquio, Japão

Aluguel* – R$ 7 686,70
Cafezinho** – R$ 345,60
Jornal importado*** – R$ 288,60
Lanche**** – R$ 374,70
Gasolina***** – R$ 244
R$ 8 939,60

3º Jamena, Chade

Aluguel* – R$ 3 754
Cafezinho** – R$ 162,30
Jornal importado*** – R$ 368,10
Lanche**** – R$ 1 353,60
Gasolina***** – R$ 217
R$ 5 855

7º Libreville, Gabão

Aluguel* – R$ 3 609,42
Cafezinho** – R$ 216,90
Jornal importado*** – R$ 238,20
Lanche**** – R$ 1 407,60
Gasolina***** – R$ 192
R$ 5 664,12

21º São Paulo

Aluguel* – R$ 2 500
Cafezinho** – R$ 90
Jornal importado*** – R$ 750
Lanche**** – R$ 435
Gasolina***** – R$ 240
R$ 4 015

*Apartamento de dois quartos num bairro de classe média alta
**30 cafezinhos
***30 exemplares do New York Times
****30 lanches no McDonald’s
****100 litros

Fontes Mercer LLC, ONU e imobiliárias Oeste, Fernandez e Nova São Paulo.