2827 – Mega Seriados: Kung Fu


A série foi ao ar no Brasil pela Rede Globo

Foi uma série de televisão estrelada por David Carradine, apresentada no período de 1972-1975. No Brasil, foi apresentada pela Globo, a partir de 1973. Conta-se que Bruce Lee queria o papel e, ao ser preterido por Carradine, aceitou trabalhar em Hong Kong, de onde retornaria para a América pouco tempo depois, transformado em astro cinematográfico do Kung Fu.
No filme piloto da série, é mostrado o aprendizado do monge Shaolin Kwai Chang Caine. Quando um de seus mestres favoritos (Mestre Po, um ancião cego e que apelidou Caine de gafanhoto) é assassinado, Caine se vinga e mata o assassino. Depois foge para América do velho oeste. Caine tem sua cabeça posta à prêmio pelo império Chinês, o que o obriga a estar sempre fugindo, de cidade em cidade, como o típico justiceiro solitário. Só que Caine não usa armas de fogo nem cavalo, se defendendo apenas com o Kung Fu. Intercalada às histórias do presente, mostram-se flash backs que contam os aprendizados dados por Mestre Po e Mestre Kahn à Caine, no templo Shaolin, sendo esta a maior novidade da série.
O filme “piloto”, Kung Fu, estreou nos Estados Unidos no dia 22 de fevereiro de 1972, na rede ABC. O personagem Caine quando aparece no velho Oeste, traz alguns elementos do pistoleiro Harmônica ou Gaita, personagem de Sergio Leone em Era uma vez no Oeste (BR), interpretado por Charles Bronson. No filme de Leone, Bronson (sem bigode) está sempre com os olhos semi-cerrados e sorrindo para seus adversários, parecendo um típico sino-americano (Um dos filmes de Bronson na década de 70 chamava-se justamente Chino). Além de contar com a inseparável gaita, que esta sempre à mão. Já Caine, que é de fato sino-americano, gosta de tocar sua flauta antes de derrubar seus oponentes. Quentin Tarantino, fã de Leone e dos filmes de artes marciais, faz com que Bill (o personagem que criou para Carradine no filme Kill Bill Volume 2) também apareça tocando uma flauta e sorrindo para Uma Thurman, antes de invadir com sua gangue a igreja em que ela estava se casando e massacrar todos os presentes. Em 1986 e 1987, foram filmadas duas sequências da série Kung Fu, com a participação de Brandon Lee, filho de Bruce Lee.
David Carradine
John Arthur Carradine (Los Angeles, 8 de dezembro de 1936 — Bangcoc, 3 de junho de 2009) foi um ator norte-americano.
David Carradine é mais conhecido por seu personagem “Kwai Chang Caine”, na série de televisão Kung Fu, produzida a partir dos anos 1970, na qual interpretava um monge Shaolin, mestre em Wushu, no Velho Oeste dos Estados Unidos. Uma cena famosa da série (que deveria ter sido estrelada por Bruce Lee, mas os produtores, ao final, não quiseram um chinês “autêntico”, optando por “puxar os olhos” de Carradine) é quando Kwai Chang tatua sua pele com ferro quente.
Em 2003, Carradine ganhou nova audiência quando interpretou o personagem “Bill” nos dois filmes da série Kill Bill, de Quentin Tarantino, nos quais contracena com Uma Thurman.
Morte
David Carradine foi encontrado morto em 4 de junho de 2009, em um hotel de luxo em Bangcoc, onde participava das filmagens de Stretch.
O primeiro relatório da polícia local indicava que Carradine teria cometido suicídio por enforcamento. Um funcionário da embaixada americana declarou, no entanto, que as circunstâncias da morte ainda não haviam sido plenamente esclarecidas.Posteriormente, a polícia passou a considerar a hipótese de que ele tenha morrido acidentalmente. “Não está claro se ele se suicidou ou se morreu asfixiado por um problema cardíaco devido a um orgasmo”, declarou um policial tailandês. As câmeras do hotel não registraram entrada ou saída de pessoas do apartamento do ator e a porta estava fechada por dentro. Aventa-se a possibilidade de asfixia auto-erótica.

2826 – Violência – 7 de Abril, Dia de cão em Realengo


Na escola ele era o “esquisitão” da turma e em casa vivia pendurado na saia da mãe, mas os traços mais evidentes do seu desequlíbrio mental surgiram há 2 anos. Segundo o relato de parentes, começou a pesquisar obsessivamente sobre armas e organizações terroristas islâmicas na Internet. Passou a usar roupas pretas e deixou a barba crescer. Comentou que jogaria um avião contra o Cristo Redentor. Antes de sair de casa para praticar o massacre, destruiu os móveis e queimou o computador. A polícia tenta recuparar o HD.
Qual ou quais os motivos para suas ações?
A hipótese levantada foi de esquizofrenia, ódio social e uma mistura de conceitos místicos.
O massacre, conforme amplamente divulgado pela imprensa:
Com 2 revólveres, um cinto para munição e um equipamento para recarregar ele entrou na sala de leitura e cumprimentou uma professora. Depois entrou numa sala onde ocorria uma aula de português e disse que ia dar uma palestra. Colocou a bolsa numa mesa, retirou o revólver e atingiu 2 alunas na cabeça, alguns estudantes se lançaram no chão, outros saíram correndo. Saiu da sala para o corredor atirando, atingiu uma menina que ligava para o pai. Voltou para o corredor, recarregou a arma, atirou nas pernas de alunos. Duas crianças que saíram feridas pediram ajuda a um sargento a 400 metros dali. O policial encontrou o atirador no corredor e este ficou encurralado perto da escada. Ele iria subir para o 2° andar. O sargento acertou 1 tiro no abdomêm do assassino, que caiu nos degraus e atirou contra a própria cabeça.
Características comuns de indivíduos que praticaram atos semelhantes: raiva de si próprio e do mundo, depressão, desejo de fama, tendência ao suicídio e sentiam-se rejeitados; segundo um estudo realizado pelo serviço secreto americano.
Últimas Notícias em 10/04/2011
Fonte: Folha de São Paulo
Corpo do atirador permanece no IML após massacre na escola
O corpo de Wellington Menezes de Oliveira, 23, atirador que matou 12 crianças em uma escola no Rio, permanece no IML (Instituto Médico Legal) neste domingo. Nenhum parente do rapaz compareceu ao local para fazer o reconhecimento. Caso ninguém reclame o corpo em 15 dias, ele será enterrado como indigente.
Filho de mãe com problemas mentais que tentou o suicídio, Oliveira era o caçula de cinco filhos e foi adotado ainda criança. Tímido e retraído, segundo vizinhos, ele fazia poucas referências sobre a vida pessoal. Um dos relatos de conhecidos aponta que Oliveira mudou a aparência nos últimos meses, passando a usar basicamente roupas pretas.
Oliveria matou 12 estudantes durante o ataque a escola municipal Tasso da Silveira. Outros 12 alunos também ficaram feridos. Dez permanecem internados neste sábado, sendo alguns em estado grave. O atirador se matou após o massacre.
A polícia prendeu dois suspeitos de terem vendido uma das armas –calibre 32– usadas por Oliveira no massacre. Um deles, o chaveiro Charleston Souza de Lucena, 38, disse que foi procurado por ele em janeiro e que o atirador afirmou que precisava do revolver para se proteger.
O delegado Felipe Ettore, da Delegacia de Homicídios do Rio, pediu a prisão preventiva de Lucena e de Izaías de Souza, 48, e, segundo a polícia, foi acatada pelo plantão do Tribunal de Justiça do Rio.
A polícia ainda não sabe como o atirador obteve o outro revólver, de calibre 38, com o qual efetuou a maioria dos disparos no massacre de quinta-feira.
Os policiais informaram ainda que, pelas análises preliminares, há indicações de que Oliveira treinou para executar o crime.
Durante o tiroteio, um garoto, ferido, conseguiu escapar e avisar a Polícia Militar. O policial Márcio Alexandre Alves relatou que Oliveira chegou a apontar a arma para ele quando estava na escada que dá acesso ao terceiro andar do prédio, onde alunos estavam escondidos. O policial disse ter atirado no criminoso e pedido que ele largasse a arma. Em seguida, Oliveira se matou com um tiro na cabeça.
A motivação do crime será investigada. De acordo com a polícia, o atirador usou dois revólveres e tinha muita munição. Além de colete a prova de balas, usava cinturão com armamento.o criminoso fala em “perdão de Deus” numa carta e diz que quer ser enterrado ao lado de sua mãe.
A escola atende estudantes com idades entre 9 a 14 anos –da 4ª a 9ª série, segundo a Secretaria Municipal da Educação. São 999 alunos, sendo 400 no período da manhã.

2825 – Drogas – O topor que escraviza


Papoula,a planta de onde se extrai o ópio e a morfina

Quando alguém fala em droga pesada, logo se pensa em heroína. Ela é o veneno favorito dos junkies, jovens viciados, com o corpo coberto de picadas, que vivem em função das injeções dessa substância, traficada na forma de um pó branco ou marrom. A heroína é um derivado do ópio, entorpecente usado por diferentes civilizações há mais de 4 000 anos, sobretudo no Oriente. Mais poderosa que o ópio, ela também vicia muito mais depressa. Duas ou três vezes já podem ser o bastante para transformar o curioso em dependente. Seus usuários dizem, no início, experimentar um prazer intenso. Mas se tornam escravos de doses cada vez maiores e de tormentos quase insuportáveis quando tentam parar. Depois de cada picada, os viciados passam horas e horas entorpecidos, como zumbis, indiferentes a tudo o que se passa ao seu redor.
As papoulas fornecem a seiva de onde se extrai o ópio (a palavra vem do grego e significa “seiva”) e seus derivados, como a morfina e a heroína. Desde a Antiguidade, os opiáceos têm sido usados por suas propriedades calmantes, soníferas e anestésicas. Mas essas qualidades escondem um perigo terrível: a dependência, que costuma levar à destruição e à morte.
O ópio já foi uma droga tão popular quanto o álcool, e a morfina era consumida abertamente nos salões elegantes da Europa no século XIX. Hoje o ópio é raríssimo e a morfina está praticamente restrita aos hospitais. O opiáceo da nossa época é a heroína, bem mais poderosa do que sua antecessora. Opção preferencial de quem usa drogas como meio de autodestruição, a heroína era receitada, há um século, como analgésico e remédio contra tosse. O nome foi dado pelos laboratórios Bayer, onde ela foi criada, devido às suas qualidades “heróicas”.
No Brasil, a heroína é uma recém-chegada. O primeiro caso de dependência foi identificado em 1984, em São Paulo.
Do pó à seringa
Como os viciados se picam.
1. A heroína é um pó branco ou marrom, dependendo de sua pureza.
2. Para preparar a injeção, o usuário aquece o pó em água.
3. A mistura vai para a seringa ainda quente, é esfriada e aplicada direto na veia.
O tormento da falta
Por que é tão difícil largar o vício.
1. A heroína imita a endorfina, o analgésico natural do cérebro. Ao entrar na sinapse, o espaço entre os neurônios, ela ocupa os receptores de endorfina, dando a ilusão de uma enxurrada de analgésico.
2. Os neurônios, então, cortam a produção de endorfina. Quando o heroinômano fica sem a droga, a baixa quantidade de analgésico no cérebro provoca dores insuportáveis, que só podem ser aplacadas com outra dose.
Ficha técnica
Nome
Heroína.
Classificação
Narcótico com efeito analgésico e relaxante.
De onde se extrai
Seiva da papoula (Papaver somniferum).
Origem
Mediterrâneo.
Formas de uso
Principalmente injetada, embora também possa ser fumada ou inalada.
Tranqüilidade ilusória
Tranqüilidade ilusória Conheça os efeitos da heroína.
Efeitos imediatos
1. Desligamento do mundo exterior acompanhado de um prazer intenso.
2. Redução do número de batidas do coração.
4. Anestesia, perda da sensibilidade.
5. Prisão de ventre.
6. Diminuição da libido.
Efeitos a longo prazo
1. Indução rápida à dependência. A síndrome de abstinência da heroína é a pior entre todas as drogas.
3. Há uma produção excessiva de noradrenalina na falta da droga. O coração dispara e o usuário corre risco de ataque cardíaco.
4. Na abstinência, o corpo fica incapaz de regular sua temperatura. O viciado sua muito ou tem calafrios, o chamado cold turkey (“peru frio”, em inglês).
5. Cólicas fortes e diarréia.
O mais triste dos parques
O primeiro supermercado de drogas a céu aberto durou quase seis anos. Em 1991, a prefeitura de Zurique, na Suíça, transformou a estação de trens desativada de Letten em “território livre” para o consumo de heroína e cocaína. O lugar logo se tornou conhecido como Parque das Agulhas. Diariamente, centenas de pessoas iam até lá para conseguir a droga e se picar. Nos fins de semana, o número de freqüentadores chegava a 5 000. As seringas eram distribuídas pela própria prefeitura, preocupada com a disseminação do vírus da Aids. Os policiais vistoriavam o centro três vezes por dia, mas não conseguiam inibir o tráfico. Em 1995, a área foi fechada. A experiência havia fracassado. A idéia de liberar as drogas para controlar seu uso resultou no aumento do consumo e da criminalidade. Sobraram as imagens chocantes de gente injetando heroína nos braços, pernas, mãos, axilas e pescoço, em meio a seringas usadas, chumaços de algodão, sangue e excrementos.
Raízes antigas
O homem descobriu a papoula há 7 000 anos.
5 000 antes de Cristo – Na Mesopotâmia, os sumérios tratavam doenças com infusões à base de papoula. Mais tarde, assírios e babilônios passam a fazer remédios com o suco da planta.
1 000 a.C. – Faraós são enterrados com utensílios para o uso do ópio, que os egípcios chamam tebácio, em homenagem a Tebas, cidade onde se cultiva a papoula.
Século V a.C. – O grego Hipócrates, considerado o pai da Medicina, é um dos primeiros a descrever o efeito medicinal do ópio, que receitava para a cura de várias doenças.
312 – Um censo revela a existência, em Roma, de 793 casas dedicadas a distribuir o ópio.
320 – Com a adoção do cristianismo pelo Império Romano, o ópio é proibido, junto com outras “plantas infernais e preparações diabólicas”.
Séc. VII – Os turcos descobrem que efeitos mais poderosos da droga são obtidos pela inalação da fumaça do suco de papoula solidificado. Surge o comércio do ópio no Oriente.
Séc. XVIII – Com a expansão das rotas comerciais, o ópio se torna uma droga universal, amplamente consumida na Europa, onde era considerada um excelente remédio.
Problema moderno
O ópio já causou até guerra. E seus derivados ainda matam.
1803 – O químico alemão Frederick Sertuerner isola a morfina em laboratório. Por seus efeitos anestésicos, ela é chamada de “remédio dos deuses” e logo se torna popular.
1840 – Tropas da Grã-Bretanha invadem a China e obrigam o país a abrir seu mercado aos navios ingleses que fazem comércio com a droga. É a Guerra do Ópio.
1870 – A importação de ópio nos Estados Unidos torna-se vinte vezes maior do que em 1830. Imigrantes chineses levam consigo o hábito da droga. Casas de ópio são instaladas na Califórnia.
1898 – O químico alemão Henrich Dreser, da companhia farmacêutica Bayer, obtém a diacetilmorfina. Mais forte que a morfina e com menos efeitos colaterais, ela ficaria conhecida como heroína. No início, a droga é receitada para aliviar a tosse.
1909 – Na Primeira Conferência Internacional sobre o Consumo de Narcóticos, em Xangai, na China, o ópio é condenado como prejudicial.
1924 – O governo dos Estados Unidos declara ilegal o uso e a venda de heroína. Nos dez anos seguintes, 25 000 médicos e 50 000 viciados são presos. O vício se torna um crime.
1926 – Na Inglaterra, uma comissão conclui que os viciados devem ser considerados doentes.
1939-1945 – Opiáceos são usados como analgésicos na Segunda Guerra Mundial.
1949 – O regime comunista inaugurado por Mao Tsé-tung elimina o ópio na China. Viciados e traficantes são executados.
1967 – O movimento hippie, nos países industrializados, põe as drogas na moda fazendo aumentar o consumo de heroína e de outros derivados do ópio.
1975 – Soldados americanos que voltam aos Estados Unidos após o fim da Guerra do Vietnã ajudam a disseminar a heroína.
1993 – O traficante de heroína birmanês Khun Sa, o “Rei do Ópio”, declara, unilateralmente, a independência do Estado Shan, no território produtor de ópio conhecido como Triângulo de Ouro, entre Mianmar, Tailândia e Laos.
1994 – Descobrem-se as primeiras plantações de papoula nas regiões montanhosas da Colômbia, sob o controle dos mesmos cartéis que traficam a cocaína.

2824 – Drogas, o negócio do século


O Comércio ilegal de drogas movimenta 300 bilhões de dólares por ano.
Os países pobres produzem e os ricos consomem
Por trás das vidas arruinadas pelas drogas esconde-se o negócio mais próspero que já existiu na face da Terra. O narcotráfico movimenta, segundo a polícia americana, 300 bilhões de dólares por ano – quase seis vezes o total das exportações brasileiras em 1997, de 53 bilhões. Organizações criminosas como os cartéis colombianos ou as “tríades” chinesas podem faturar mais do que multinacionais como a IBM ou a General Motors. Como você pode notar no mapa da página anterior, o comércio internacional de drogas segue na contramão dos investimentos financeiros e da importação de alta tecnologia. A maconha, a cocaína e a heroína viajam da zona pobre do planeta, a Ásia, a África e a América do Sul, onde são produzidas, para os mercados consumidores nos países ricos. Só nos Estados Unidos existem 12 milhões de usuários de drogas, segundo dados oficiais. O combate ao narcotráfico mobiliza as polícias do mundo inteiro. No entanto, as apreensões não representam mais do que 10% de todo o comércio ilegal de drogas. As quadrilhas usam métodos cada vez mais sofisticados. Descobriu-se que algumas delas possuem seus próprios cachorros farejadores, treinados para cheirar as remessas escondidas na bagagem – igualzinho aos cães utilizados pela polícia nos aeroportos. Assim, os traficantes são capazes de detectar, antes do embarque, todos os odores capazes de chamar atenção quando as malas passarem pela Alfândega.
O tráfico nas Américas
Cartéis colombianos – São os responsáveis por 80% da cocaína consumida no planeta. Adotaram uma estrutura de operação descentralizada após a destruição dos famosos cartéis de Cali e Medellín.
Cartéis mexicanos – Despacham a cocaína colombiana para os Estados Unidos, pela fronteira terrestre e de navio, junto com grandes carregamentos de maconha.
O tráfico na África
Máfia nigeriana – Especializada no envio da cocaína colombiana para a Europa. Suas rotas passam pelo Brasil, onde a droga entra pela selva amazônica, impunemente.
O tráfico na europa
Cosa Nostra – Os mafiosos italianos distribuem heroína, haxixe, cocaína e ecstasy. Operam também na “lavagem” dos lucros em paraísos fiscais.
Máfias russas – Dominam o Leste. Distribuem a heroína produzida nas antigas repúblicas soviéticas e no chamado Crescente Dourado, entre o Paquistão e o Afeganistão.
O tráfico na ásia
“Tríades” chinesas – Em número de cinco, essas organizações, criadas há séculos para combater o despotismo dos imperadores, dominam o comércio de drogas. Seu principal produto é a heroína, comprada dos “senhores da guerra” que controlam o Triângulo do Ouro, uma enorme área entre a Tailândia, o Laos e o Mianmar.
O dinheiro sujo que corrompe todo o planeta
O narcotráfico corrompe tudo o que encontra pelo caminho. Políticos, militares, juízes, policiais, banqueiros, camponeses, favelados e até guerrilheiros comunistas (como na Colômbia) ou islâmicos (como no Afeganistão) são subornados por traficantes, no mundo inteiro. Não admira que seja tão difícil erradicar esse comércio. Como convencer um camponês boliviano a plantar milho se pela colheita de coca ele consegue uma renda muitas vezes maior? E um garoto de morro do Rio a ir à escola, recusando o salário de 1 000 reais oferecido pelos traficantes? O Cartel de Medellín, na década de 80, trouxe à Colômbia mais dólares do que o total investido legalmente no país naquele período. Isso só acontece, é claro, porque existe demanda. Só nos Estados Unidos, os usuários de cocaína são 2 milhões. Consumidores ou produtores, ninguém está imune à desmoralização. O narcotráfico corrói todos os valores, a começar pela idéia de progresso com base no estudo e no trabalho. Quem duvidar, que aponte um só país que tenha saído da miséria por exportar drogas.
Viagem para a morte
“Mulas” transportam a droga dentro do próprio corpo.
Assim como estas cápsulas de haxixe, fotografadas no Marrocos pouco antes de serem engolidas, os traficantes transportam heroína, cocaína, LSD e anfitaminas escondidas dentro do corpo, para burlar os radares dos aeroportos. Para isso usam os “mulas” – pessoas recrutadas pelo narcotráfico que viajam com a droga dentro do aparelho digestivo. O risco é imenso. Os “mulas” chegam a engolir noventa saquinhos de 10 gramas, que depois são expelidos com o auxílio de laxantes. Quando um arrebenta, o coração não agüenta o aumento brutal na pressão sangüínea. É morte certa. E muito dolorosa.

2823 – LSD: As portas do delírio


Molécula de LSD

LSD é uma abreviação usada para dietilamida do ácido lisérgico. Trata-se de uma droga alucinógena, sintética, isto é, fabricada em laboratório, de uso oral (é ingerida), que não possui odor, sabor ou cor, é mais comumente utilizada, por adolescentes e jovens.
Pequenas doses do LSD, em torno de 20 à 50 microgramas já produzem alterações mentais, provocando sérias distorções no funcionamento cerebral do usuário, ou melhor, alucinações, além de várias outras reações conforme veremos mais adiante.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde e as Nações Unidas o LSD é uma droga proscrita, ou seja, proibida. No Brasil, o Ministério da Saúde não reconhece o uso médico, portanto, ficam proibidas a sua produção, o uso e o comércio, considerando-se crime, e caso a pessoa enquadre-se em alguma(s) dessas situações, estará sujeita às penas da lei.

Símbolo do movimento hippie, o LSD oferece uma fuga radical da realidade, visões mirabolantes e confusão mental absoluta.
O químico suíço Albert Hofmann estava pesqui-sando um remédio para enxaqueca e achou um que iria lhe dar muita dor de cabeça. Em 1938, ele sintetizou, no Laboratório Sandoz, uma nova substância a partir do fungo Claviceps purpurea, existente no centeio. Testou o “analgésico” em animais e decepcionou-se. Hofmann esqueceu o preparado numa prateleira e, cinco anos depois, ingeriu acidentalmente uma partícula. Foi a primeira “viagem” a bordo das alucinações do LSD. Pasmo, o químico viu, sentiu e cheirou “uma torrente de imagens fantásticas de extrema plasticidade e nitidez, acompanhadas de um caleidoscópico jogo de cores”. Como bom cientista, repetiu a experiência três dias depois, com uma dose cavalar de 0,25 miligrama (constatou-se depois que 0,05 faria efeito) e teve de chamar o médico, aterrorizado com as alucinações. Hofmann, hoje com 93 anos, vive em Basiléia, na Suíça, e integra o Comitê do Prêmio Nobel.
Sem querer, ele enveredou por uma estrada que vem sendo trilhada há milênios por xamãs e bruxos, que procuram nas plantas as chaves mágicas para visões de êxtase. Folhas, flores, caules, cascas, fungos e cogumelos estão na matriz das beberagens alucinógenas usadas por diversos povos em cerimônias místicas, transcendentais. O alucinógenos confundem os neurônios, embaralham as mensagens entre os circuitos nervosos, alteram os sentidos e até mesmo os estados da consciência. Sobrevêm ilusões com sons e imagens irreais – acompanhadas, às vezes, de náuseas e vômitos. Esses efeitos, nos cultos religiosos, são recebidos como revelações sagradas. As sensações e visões são processadas como a verdade sutil, límpida, em oposição às ilusões perversas do mundo exterior. Daí por que são ingeridos ritualmente, geralmente em grupos, às vezes sob um manto religioso, como é o caso da ayahuasca, chá servido nas cerimônias do Santo Daime e da União do Vegetal.
Efeitos ainda intrigam os cientistas
O LSD foi a droga do sonho da geração underground, embalada na suposição de que ele abria a mente, liberava a criatividade, aprimorava o espírito e ninguém pagava ingresso para o nirvana. Depois de muitos estragos, sobrou a certeza de que é o mais poderoso alucinógeno jamais criado pelo homem. Uma dose pequena (0,05 miligrama) proporciona de 4 a 10 horas de alucinações. É, também, o menos conhecido dos psicotrópicos. Em quatro décadas de pesquisas, ainda não se descobriu como, exatamente, a droga afeta os circuitos nervosos e a percepção sensorial. Um dos mistérios do LSD é que ele não produz resultados em intervalos curtos – por isso, os mais aficionados o tomam apenas uma vez por semana. Meses depois, no entanto, a droga pode voltar a agir e as alucinações reaparecem.
O LSD pode ser um “barato” para indivíduos emocionalmente equilibrados e abrir caminho para psicoses em quem tiver essa tendência. Os usuários relatam alucinações coloridas (geladeira vira camelo, por exemplo), desorganização dos sentidos (o olho ouve, o ouvido vê) e um efeito de despersonalização (o usuário se vê em duplicata). Tudo isso acontece em estado de plena consciência. O drogado sabe o que está acontecendo, embora muitos tenham surtos psicóticos. Também há registros de suicídio.
Ficha técnica
Nome
Dietilamida de Ácido Lisérgico-25
(LysergSaureDiathylamide, em alemão).
Classificação
Alucinógeno.
De onde se extrai
Fungo Claviceps purpurea ou ergot, que cresce em cereais como o centeio e o trigo.
Origem
Laboratórios Sandoz, em Basiléia, Suíça.
Formas de uso
Ingerido. A forma mais comum é a famosa “figurinha”, com desenhos coloridos.
Destempero dos sentidos
O LSD bagunça as sensações.
Efeitos imediatos
1. Alucinações, despersonalização. O usuário pode ter uma “viagem” boa e ver formas coloridas ou uma crise depressiva, a chamada bad trip. Pode ter reações psicóticas ou cometer suicídio.
2. Aumento da sensibilidade auditiva e da percepção visual. Sinestesia (as sensações auditivas se traduzem em imagens, e vice-versa).
Efeitos a longo prazo
1. Não dependência comprovada. No entanto, resíduos da droga podem permanecer no cérebro por meses, provocando novas alucinações sem aviso. O efeito, conhecido como flashback, pode ser perigoso se o usuário estiver dirigindo.
Viagem na cuca
A ação dentro do cérebro.
O LSD é uma droga que imita o neu-rotransmissor serotonina, que atua no humor e na percepção. Os neurônios de serotonina estão concentrados no sistema reticular e, de lá, espalham-se pelo córtex cerebral. O LSD age principalmente nas áreas responsáveis pelos sentidos e no córtex somato-sensorial, que os analisa.
O tônico da contracultura
Eram garotos cabeludos que diziam “paz e amor”, amavam os Beatles e rolavam na grama de Woodstock (veja quadro na página ao lado). Seu lema era “o álcool mata, tomem LSD”. Eles tomavam. A legião de hippies, bichogrilos e malucos-beleza dos anos 60 e 70 ingeriu ácido lisérgico como seus pais tomavam aspirina. O “ácido da felicidade” foi o tônico da contracultura. Psicodélico, palavra antes reservada às drogas que proporcionariam a “expansão da mente”, virou sinônimo de extravagância e batizou, com música, cores, flores e sexo ao ar livre, a cultura da contestação pacífica. Aconteceram na época manifestações de centenas de milhares de jovens contra a Guerra do Vietnã.
As ousadias daqueles anos, hoje, viraram clássicos da pop art. As pinturas-cebolas do americano Andy Warhol (1927-1987), decompondo a estrela de cinema Marilyn Monroe e o líder chinês Mao Tsé-tung em camadas de cores, tornaram-se um símbolo da arte de vanguarda. No cinema, Dennis Hopper e Peter Fonda perambulavam Sem Destino (1969, direção de Hopper), na pele de dois motoqueiros movidos a ácido. Mas foi na música que a droga fez mais sucesso. Ídolos do rock, de Jimi Hendrix a Jim Morrison, líder da banda The Doors, consumiam LSD – e outras drogas – em volumes industriais. Morreram jovens. Syd Barret, fundador do Pink Floyd, “viajou” e não voltou mais. Foi expulso da banda e hoje, aos 52 anos, vive como um zumbi, com a mãe, num subúrbio de Cambridge, Inglaterra, dedicado à pintura e à coleção de selos.
A homenagem mais famosa – e polêmica – à droga foi prestada pelos Beatles, em sua música Lucy in the Sky with Diamonds, de 1967, cujas iniciais formam a sigla LSD. No Brasil, a Tropicália incorporou ingredientes psicodélicos nas roupas, capas de discos e na palavra de ordem “É proibido proibir”, de Caetano Veloso. Em 1972, Gilberto Gil inventariou e encerrou a viagem com a música O Sonho Acabou, que diz: “Quem não dormiu no sleeping-bag nem sequer sonhou.”
A química divina
Os alucinógenos são usa-dos há milhares de anos em rituais religiosos mundo afora. Conheça alguns desses vene-nos sagrados.
Peiote – O cacto de onde se extrai a mescalina é cultuado por diversas tribos na América do Norte. A Igreja Nativa Americana conseguiu a legalização de seu uso ritual nos Estados Unidos.
Amanita – O fungo Amanita muscaria é um dos alucinógenos mais antigos que o homem conhece. Seu uso data de 6 000 anos atrás.
Jurema – Os índios e sertanejos do Nordeste brasileiro fazem uma espécie de vinho com a Mimosa hostilis, uma planta da caatinga.
Beladona – Conhecida no Brasil como zabumba, a Atropa belladonna era usada nos cultos de bruxaria da Idade Média.
Paz, amor e ácido
Foram três dias com o melhor do rock, sexo a céu aberto e muita, muita droga. Nos Estados Unidos o Festival de Woodstock, em agosto de 1969, marcou o clímax do movimento hippie, que adotou o slogan “Faça amor, não faça a guerra” (ao lado, jovens preparam um cigarro de maconha).

2822 – Drogas: Pesadelo sem fim


Uns experimentam drogas e sobrevivem, ilesos. Outros se tornam dependentes. Para a ciência, a explicação pode estar na dopamina, a molécula do prazer.

Pode começar com uma cervejinha inocente, ou um cigarro de maconha. Pode ser que não aconteça nem após muitos anos de uso de cocaína. A dependência é uma roleta russa: quando você experimenta uma droga, qualquer uma, dificilmente saberá se a bala está na agulha.
O disparo tem mais chance de acontecer com algumas drogas do que com outras.
A cocaína e o tabaco, por exemplo, viciam mais que a maconha e o LSD. Algumas pessoas também estão mais propensas à adicção do que outras. E isso depende até das razões que as levam à droga.
Se a bala dispara, o indivíduo perde toda a liberdade. Passa a fazer tudo pela droga. Escravo do próprio prazer, estará condenado à morte ou ao inferno da dependência. De onde só três em cada dez conseguem escapar.
O segredo é a dopamina
Os mecanismos que causam a dependência ainda são um enigma. Mas os cientistas acham que uma molécula produzida pelo cérebro pode ser a chave de tudo.
Um menino de rua, sem família e sem escola, tem muito mais chance de se viciar em crack do que um adolescente de classe média. Mas há viciados até nas melhores famílias. Por quê?
A Neurobiologia tem uma boa pista. A chave pode ser uma molécula, a dopamina, que atua no cérebro. Ela é um neurotransmissor, ou seja, um mensageiro químico, que está presente em uma parte do sistema nervoso chamada circuito de recompensa. Essa parte do cérebro coordena todas as atividades que envolvem o prazer. Graças ao circuito de recompensa, o ser humano se sente satisfeito quando come, descansa ou faz sexo. A dopamina é o principal agente desse sistema. Se uma ação qualquer provoca liberação de dopamina, você sente prazer. Nada mais óbvio, portanto, do que repetir a ação. Isso vale para coisas tão distintas quanto comer chocolate, namorar, tirar um dez na escola, marcar um gol. E, para alguns, usar drogas.
Quando o psicotrópico chega ao cérebro, estimula a liberação de uma dose extra de dopamina no circuito de recompensa. Os cientistas acham que, quanto maior o prazer provocado por uma droga, maior é a vontade de consumi-la de novo. Isso poderia explicar o poder que cada droga tem de induzir ao vício.
Como algumas substâncias psicotrópicas perturbam o cérebro
COCAÍNA
A coca “entope” os terminais da dopamina no axônio, impedindo sua reabsorção. O resultado é uma overdose do transmissor na sinapse.
CIGARRO
A nicotina estimula a liberação de um excesso de dopamina. Outras substâncias do tabaco impedem a degradação da dopamina reabsorvida.
ANFETAMINAS
Como a nicotina, as anfetaminas entram na célula estimulando a liberação excessiva de dopamina na sinapse. Outra overdose ocorre.
Como age a dopamina
1. O neurônio é um fio elétrico. Ele transmite os impulsos pela sua “cauda” (o axônio) até um outro neurônio.
2. A dopamina é um neurotransmissor. Sua função é transformar o impulso elétrico num sinal químico, que será enviado à célula vizinha (neurônio 2).
3. O axônio do neurônio 1 libera dopamina na sinapse (o espaço entre as duas células). Ela se encaixa como uma chave em fechaduras específicas, os receptores.
4. Após o encaixe, ela não fica no neurônio 2, e sim volta aos terminais de sua célula de origem.
5. Lá, ela poderá ficar estocada para uma nova comunicação ou ser degradada por uma enzima, a monoamina-oxidase (MAO).
Chegando ao fundo do poço
A síndrome de abstinência é a face mais triste da dependência. Em vez de procurar prazer na química, o viciado a usa para evitar a dor
À medida em que o uso de alguma droga vai se prolongando, o organismo do usuário tenta se ajustar a esse hábito. O cérebro adapta seu próprio metabolismo para atenuar os efeitos da droga. Cria-se, assim, uma tolerância ao tóxico. Uma dose que normalmente faria um estrago enorme torna-se inócua. O pesadelo começa quando o usuário procura a mesma sensação das doses anteriores e não acha. Aí, só há um jeito: aumentar o consumo. Fazendo isso, a tolerância cresce e torna-se necessária uma quantidade ainda maior para obter o mesmo efeito. Como numa bola de neve, a dependência se agrava.
Se o viciado decide abandonar a droga ou reduzir sua dose, seu corpo paga caro. Como o psicotrópico imita os neurotransmissores, o cérebro deixa de produzi-los. A droga se integra ao funcionamento normal do órgão. Sem o “impostor” químico, o sistema nervoso entra em parafuso.
É a síndrome de abstinência. “Os sintomas da abstinência são exatamente opostos aos efeitos da droga”, explica à SUPER o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, da Universidade Federal de São Paulo. Se a cocaína, por exemplo, provoca excitação, sua ausência deprime. É onde o vício mostra sua face mais cruel. Em vez de procurar o prazer na droga, o dependente procura doses cada vez maiores para evitar o sofrimento. E, uma hora, a droga acaba.
PARAÍSO ARTIFICIAL
Uso “social”, em festas e reuniões com amigos.
DESPENCANDO NO ABISMO
A droga começa a interferir na percepção do cotidiano e nas relações pessoais.
A LOUCURA
Obsessão com a droga e perda do interesse por tudo o mais. O prazer químico é a melhor coisa da vida.
NO BURACO
Deterioração completa da vida pessoal e profissional. Faz-se tudo pela droga. Muitos morrem aqui. Poucos irão sobreviver.
PEDINDO SOCORRO
A consciência do mal que se está causando a si mesmo e aos outros se afirma. Procura-se ajuda.
LUZ NO FIM DO TÚNEL
Diminuição ou abandono do consumo. O encontro com outros dependentes em recuperação estimula a cura.
OUTROS HORIZONTES
Descoberta de fontes de prazer não relacionadas com a droga. Terapia para evitar recaídas.
Caminho da cura
AMBULATÓRIO – O tratamento ambulatorial é indicado para a maior parte dos casos de dependência. Grupos como o Proad, na Universidade Federal de São Paulo, e o Grea, na USP, oferecem auxílio médico e psiquiátrico sem necessidade de internação.
CLÍNICAS – Recomendada apenas para casos de psicose, intoxicação aguda ou síndrome de abstinência intensa, a internação em clínicas começa com uma desintoxicação. Os sintomas da abstinência são combatidos com medicamentos.
GRUPOS DE TERAPIA – Grupos como os Narcóticos Anônimos difundem a troca de experiências e apoio mútuo. Em reuniões diárias, os participantes discutem suas vivências durante a dependência.
Doce dopamina
Alimentos como o chocolate contêm moléculas que interagem com os neurotransmissores e mexem com o circuito de recompensa, liberando mais dopamina no cérebro. É por isso que você fica feliz quando come chocolate – é claro, desde que sem excessos.
O sexo é, ao mesmo tempo, narcótico, estimulante e alucinógeno. Uma relação sexual aumenta a dopamina no circuito de recompensa, causando euforia; mexe nos níveis de serotonina, potencializando os sentidos e causando sensação de bem-estar; e libera endorfinas.
Claro, não se trata de trocar uma droga por outra, ou por outras. Mas há prazeres naturais menos destrutivos, que têm a mesma origem fisiológica daqueles provocados pelos psicotrópicos. Como Manuel Bandeira, tome alegria.

2821 – Cocaína – O pó da onipotência


É a droga da euforia. Cheirada, injetada ou fumada, ela incute em seus usuários fantasias de força, poder, beleza e sedução. Nasceu nos Andes, onde os indígenas têm o costume de mascar a folha da coca como estimulante. Entrou na Europa em forma de um pó branco, resultado do refino da planta sul-americana, e em menos de um século se tornou símbolo do estilo de vida frenético dos jovens executivos do mercado financeiro. Hoje, entretanto, suas maiores vítimas são os pobres, que passaram a ter acesso à droga com a difusão do crack – sua versão fumável e barata, que causa dependência quase instantânea.
Elixir mágico já foi vendido em farmácias
O efeito estimulante da coca, planta da qual se extrai a cocaína, já era conhecido pelos indígenas dos Andes muito antes da conquista espanhola, no século XVI. Mas seu consumo era rigorosamente controlado. Fora dos rituais religiosos, os únicos que podiam mascar as folhas eram os mensageiros, obrigados a correr a pé enormes distâncias, respirando o ar rarefeito da cordilheira. Os espanhóis generalizaram esse hábito ao distribuir coca aos nativos submetidos ao trabalho forçado nas minas.
A Europa só se interessou pela planta em 1862, quando o químico alemão Albert Niemann conseguiu, em laboratório, produzir, a partir da coca, um pó branco – o cloridrato de cocaína. No início, ele era vendido nas farmácias como remédio, misturado ao vinho. Só foi proibido na virada do século, quando os casos de morte pelo seu abuso come-çaram a assustar.
Mais do que a ilegalidade, o que levou a cocaína ao ostracismo foi o surgimento das anfetaminas, mais baratas. Mas, na década de 70, a gangorra se inverteu. Os efeitos nocivos das anfetaminas “reabilitaram” a cocaína. Associada à ambição e ao dinamismo, ela se tornou a droga típica dos anos 80. Passou a ser aspirada vorazmente por jovens angustiados e executivos pressionados pela competição nos negócios, os yuppies. Em festas, a oferta de pó pelos anfitriões se tornou um sinal de exibicionismo de novos-ricos.
Ficha técnica
Nome
Cocaína, crack, merla, pasta de coca.
Classificação
Alcalóide estimulante do sistema nervoso central.
De onde se extrai
Folhas do arbusto Erythroxylon coca.
Origem
Andes centrais (Bolívia e Peru).
Formas de uso
Aspirada, fumada e injetada.
O corpo turbinado
A coca é um estimulante poderoso.
Efeitos imediatos
1. Diminuição da fadiga, da fome e da sensibilidade à dor. Paranóia.
3. Aumento da pressão sangüínea. Taquicardia. Grandes doses podem causar parada do coração e morte.
Efeitos a longo prazo
1. Dependência e lesões cerebrais.
2. Mucosas nasais corroídas.
4. O crack irrita os brônquios e contém impurezas cancerígenas.
5. Perda de peso e alterações hormonais.
A cocaína costuma causar um efeito de euforia e agitação intensa. Seus usuários se sentem autoconfiantes, com vontade de falar e de se movimentar. Com o uso freqüente, passam a necessitar de doses cada vez maiores para reviver as sensações agradáveis do início. Surgem sintomas de distúrbios mentais, como mania de perseguição e a irritabilidade. Lesões cerebrais graves podem aparecer com poucos anos de uso. O dependente de cocaína tem insônia e falta de apetite. Os casos de morte decorrem, quase sempre, de doses exageradas ou de mistura com outras drogas. No Brasil, seu uso pela via injetável, entre grupos de viciados que compartilham a mesma seringa, é um dos principais fatores de disseminação da Aids.
Uma paixão que durou pouco
Quem diria: Sigmund Freud (1856-1939), o pai da Psicanálise, foi um adepto da cocaína. Ele provou a droga pela primeira vez aos 27 anos, no início de sua carreira médica, e se entusiasmou por aquele misterioso pó que fazia esquecer o cansaço. Passou a receitá-lo como remédio para diversos males, da depressão à cólica. Num texto de 1884, Sobre a Coca, escreveu: “É como se a necessidade de comida e sono, que se faz sentir em algumas horas do dia, simplesmente sumisse”. Além de recomendar o pó à mãe e aos amigos, exaltou suas propriedades em cartas apaixonadas à sua noiva, Martha – algumas delas sob o efeito da cocaína, que bebia diluída em água e, às vezes, injetava. A empolgação desapareceu diante da morte de um amigo ao qual havia receitado 1 grama de pó por dia. Freud abandonou a coca em 1887, aos 31 anos, e nunca mais a elogiou. Fez o que pôde para que seus artigos sobre a droga fossem esquecidos da sua obra.
Ingrediente original
O nome do refrigerante mais popular no planeta não é uma coincidência. Inventada em 1894, a Coca-Cola tinha, de fato, cocaína em sua fórmula original – e deve muito de seu êxito inicial ao efeito estimulante provocado pela droga, que, na época, circulava livremente. Um anúncio de 1888 sugeria: “Você vai ficar surpreso ao perceber como Coca-Cola reanima as mentes cansadas”. Em 1903 (quando a garrafa era a da foto ao lado), os fabricantes tiraram a cocaína da receita e a substituíram por cafeína.
A devastadora escalada do crack
O que preocupa mesmo as autoridades brasileiras não é tanto a cocaína em pó – mais consumida pelas classes de maior poder aquisitivo – e sim o crack, sua variante fumável, que vicia com apenas três ou quatro doses e faz efeito em menos de 10 segundos. Mais barato que a cocaína (uma dose custa cerca de 5 reais), o crack está se alastrando no país com uma rapidez comparável à de sua ação no organismo. A “pedra”, como é conhecida, chegou à Grande São Paulo em 1988 e, em dez anos, já conquistou 120 000 usuários – o que, no caso, é quase sinônimo de dependentes. Na parte mais decadente do centro da cidade, o tráfico criou uma espécie de feira livre de venda e uso da pedra, a Crackolândia. “Aqui todo mundo usa. A gente passa a noite pipando e de dia descansa”, disse à SUPER uma moradora de rua, de 46 anos. Na Crackolândia, é comum encontrar meninas de menos de 18 anos se prostituindo em troca de crack ou de dinheiro para comprá-lo. As maiores vítimas, em São Paulo, são os meninos de rua. Uma pesquisa do Cebrid com 38 crianças, em 1993, revelou que 48 delas fumaram crack naquele ano. Curiosamente, a droga é quase inexistente no Rio de Janeiro. Os traficantes de lá proíbem o crack, temendo que ele vicie os adolescentes que trabalham para o tráfico nos morros.
O crack surgiu nos Estados Unidos, no final dos anos 70. Era, no início, uma droga “de elite”, de uso restrito. Tornou-se uma epidemia ao entrar nos guetos miseráveis das cidades americanas, onde faz estragos entre os jovens negros e de origem latino-americana. Mas nem todos os viciados são pobres. O crack também seduz indivíduos de classe média e alta, atraídos pelo ambiente que envolve o consumo.
Mistura simples e mortífera
O crack custa menos do que a cocaína em pó porque é um produto mais grosseiro. As duas drogas partem da pasta-base da coca, obtida pela mistura das folhas esmagadas com querosene e ácido sulfúrico diluído. Até o pó, são necessárias outras etapas de purificação, em que entram éter, acetona e ácido clorídrico. O crack, em forma de pedra, é a própria pasta misturada com bicarbonato de sódio. O nome imita o som das pedras queimando no cachimbo, geralmente improvisado com um pedaço de antena de carro e um pote de iogurte. O efeito dura de 1 a 2 minutos.“É a droga com maior capacidade de criar dependência”, diz o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, diretor da Unidade de Álcool e Drogas da Universidade Federal de São Paulo.
Três vias para o cérebro
Qualquer que seja a maneira de usar, o efeito é sempre destrutivo.
CHEIRADA, a cocaína passa pelas mucosas nasais (1), pulmões (2) e coração (3). Parte vai para o fígado (4) e parte chega ao cérebro (5) em cerca de 1 minuto.
FUMADA, a droga atinge o cérebro (3) em cerca de 8 segundos, após passar pelos pulmões (1) e coração (2). O efeito também é mais breve.
INJETADA, na veia, a cocaína cai imediatamente na corrente sangüínea (1) e atinge o coração (2). De lá, será bombeada diretamente para o cérebro (3), em cerca de 10 segundos.

2820 – Drogas: Cilada na Farmácia


Têm nomes estranhos, como diazepam, anfetamina e metanfetamina. São remédios perigosos, que viciam e podem até matar se misturados a outras drogas. Nos anos 60 e 70 eram tão populares quanto a aspirina. Depois de comprovados os malefícios de seu uso descontrolado, a venda passou a sofrer restrições. Mas ainda hoje são consumidos sem critério no Brasil.
E seus derivados são vendidos por traficantes nas ruas do mundo inteiro. Fuja deles.
Os perigos do armário do banheiro
Anfetaminas e tranqüilizantes têm efeitos opostos, mas muito em comum: são medicamentos viciantes, de venda oficialmente controlada, mas de uso indiscriminado. Fáceis de encontrar em farmácias e armários de banheiro, eles têm nas mulheres seus maiores consumidores.
Anfetaminas são estimulantes de ação semelhante à da cocaína, porém mais prolongada. Criadas na década de 30, são usadas como remédios para emagrecimento, devido à sua capacidade de inibir o centro do apetite no cérebro. Viraram drogas de abuso na Segunda Guerra Mundial. Hoje, enlouquecem pacientes obesos dos Estados Unidos, Chile, Argentina e Brasil. Muitas mulheres, obcecadas pelo padrão de beleza das esqueléticas top models, alimentam suas esperanças com anfetamina. “São remédios receitados legalmente, mas sem critério”, diz à SUPER a pesquisadora Solange Nappo, do Cebrid. Um levantamento feito por ela indica que 80% dessas “obesas” não estão acima do peso ideal.
No outro lado da prateleira estão os calmantes como Valium e Lexotan. Depressores do sistema nervoso, são indicados para pacientes ansiosos – daí serem conhecidos como ansiolíticos. Os tranqüilizantes estão entre as três drogas mais consumidas entre os estudantes brasileiros, especialmente mulheres. “Às vezes o consumo é iniciado em casa, onde a droga está presente”, explica Solange. Ao contrário do que ocorre com as anfetaminas, a venda dos ansiolíticos geralmente é ilegal. O mercado negro é alimentado pelas chamadas “receitas azuis”, que só alguns médicos podem emitir. Cada uma dá direito a até três caixas de medicamento. Se o cliente compra menos do que isso, muitas farmácias se aproveitam da receita para criar um estoque paralelo com o que sobra.
As drogas, em geral, atuam imitando neurotransmissores, os mensageiros químicos do cérebro. A anfetamina se aproveita da semelhança com a dopamina para ocupar seus receptores, causando euforia.
A vovó das anfetaminas vai à boate
A droga da moda dos anos 90 é, na verdade, uma octogenária. Ela foi sintetizada em 1912, sob o impronunciável nome de metile-nodioximetanfetamina (MDMA). Mas a senha usada para designar a droga nas boates do mundo inteiro é uma única letra, uma vogal. E, de ecstasy.
O apelido foi dado por um tra-ficante americano em 1984. A idéia era vender a droga sob o nome de empathy (“empatia”, em inglês), pois um de seus efeitos mais notáveis era o aumento da sociabilidade dos usuários. Mas o traficante achou que ecstasy tinha mais apelo comercial. Acertou na mosca.
A MDMA foi elaborada nos laboratórios Merck, na Alemanha, para ser um moderador de apetite, muito antes da descoberta das anfetaminas. Mas as alucinações provocadas nos primeiros pacientes tiraram a droga das prateleiras. Ela só voltaria à cena seis décadas depois, nos anos 80, nas danceterias dos Estados Unidos e Europa. Em catorze anos de uso, tornou-se símbolo da chamada Geração X, os jovens dos anos 90 ligados em música eletrônica, o techno, e em raves (em inglês, “agitos”), festas que duram madrugadas inteiras. “Danço sem parar por 4 ou 5 horas”, disse à SUPER a artista gráfica paulistana F., de 25 anos, que afirma consumir ocasionalmente ecstasy em danceterias.
A MDMA é uma droga peculiar. Ela é aparentada quimicamente com as anfetaminas e com o LSD ao mesmo tempo. Ou seja, é estimulante e alucinógeno.
Como as primeiras, aumenta a quantidade de dopamina e norepinefrina no cérebro. Como o último, mexe nos níveis de serotonina, alterando o funcionamento do córtex sensorial. Isso faz com que os sentidos do usuário, em especial o tato, fiquem mais aguçados. “Dá vontade de tocar nas pessoas”, afirmou F. Essa estimulação do tato fez com que o ecstasy ficasse conhecido como a “droga do amor”. Não é bem assim. A MDMA induz a relações sexuais 25% dos usuários – um índice alto, se comparado ao de outras drogas. Mas eles ficam tão distraídos que dificilmente atingem o orgasmo.
Ficha técnica
Nome
Ecstasy, MDMA, XTC, Adam, X, E.
Classificação
Estimulante com propriedades alucinógenas.
De onde se extrai
Produto sintético. Compostos semelhantes são encontrados em plantas como a noz-moscada.
Origem
Laboratórios Merck, Alemanha.
Forma de uso
Comprimidos.
Fervendo a noite inteira
O ecstasy aumenta a temperatura do corpo.
Efeitos imediatos
1. Sensação de bem-estar. Elevação do humor. Desinibição. Pode provocar crises de pânico e depressão após o uso.
2. Aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial.
3. Náuseas.
4. Suor intenso, desidratação. A temperatura do corpo pode ultrapassar 42 graus celsius (hipertermia), causando a morte.
5. Estimulação.
6. Bruxismo (contração da mandíbula).
7. Aumento da percepção visual e auditiva.
Efeitos a longo prazo
Embora a MDMA seja quimicamente aparentada com as anfetaminas, ainda não há provas de que ela cause dependência forte.

2819 – Ecologia: Um calor de derreter os miolos


Uma cidade com cerca de 220 000 habitantes, como Baton Rouge, no Estado americano da Louisiana, tem pontos em que a temperatura do ar chega a 65 graus Celsius. É o que mostra a foto à direita, batida com uma câmera da Nasa que detecta raios infravermelhos. O flagrante foi feito no início de uma tarde de maio, de um jato que sobrevoou Baton Rouge a uma altura de 2 quilômetros. As chamadas ilhas de calor são bolhas de ar superaquecido que se criam sobre as construções de concreto e o asfalto das ruas e estradas, e que ajudam a esquentar o ambiente. Elas aparecem durante o dia, quando o sol bate forte. Mas, ao contrário das áreas com vegetação e água, não se resfriam à noite. Segundo Jeff Luvall, que coordena a pesquisa, a melhor solução para reduzir tanto calor é mesmo plantar árvores.

2818 – Mega Byte – História do Computador:No princípio era a válvula


As primeiras calculadoras eletrônicas usavam lampadazinhas iguais às dos rádios antigos.
Como muitas outras invenções, o computador nasceu como uma máquina de guerra. A partir de meados da década de 30, quando o mundo caminhava para a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), cientistas dos Estados Unidos, da Alemanha e da Inglaterra se voltaram para o desenvolvimento de aparelhos capazes de decifrar os códigos inimigos e de executar os complicados cálculos necessários para os bombardeios aéreos. Essa tarefa impulsionava trabalhos de gênios como o inglês Alan Turing (veja o quadro na página 5) e o alemão Konrad Zuse (1910-1995).
Na Alemanha, Zuse construiu para a Força Aérea nazista uma série de calculadoras eletromecãnicas que já usavam o sistema binário. Nos Estados Unidos, John Atanasoff criou, em 1939, um computador chamado ABC, que também usava esse sistema. A guerra terminou antes que aqueles protótipos se tornasse capazes de definir o resultado das batalhas. O primeiro computador moderno foi inaugurado em 1946, na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Era o Eniac (sigla em inglês para Integrador e Computador Numérico Eletrônico), um trambolho com cerca de 18 000 válvulas – aquelas lampadinhas que existem nos rádios antigos. O Eniac fazia cálculos mil vezes mais rápido que qualquer máquina anterior, mas tinha muitos problemas – pifava a toda hora e consumia tanta energia que, quando era ligado, as luzes na cidade de Filadélfia ficavam mais fracas, devido à queda de voltagem.
A lei do mais rápido
Na década de 60, Gordon Moore, um executivo da fábrica de processadores Intel, previu que o número de transístores em um chip dobraria a cada 2 anos, tornando os computadores cada vez menores e mais rápidos – e também mais baratos. O processador 286, lançado em 1982, tinha 134 000 transístores. O Pentium II, lançado em 98, tem 7,5 milhões. Os cientistas prevêem que a chamada Lei de Moore deva vigorar até 2010, quando os transístores serão tão pequenos que não será mais possível isolá-los eletricamente. A partir daí, já se pensa até em construir um chip que use sensores ópticos. Em vez de zeros e uns, os computadores processariam cores.
Do chip lascado ao chip polido
Como os computadores evoluíram até o primeiro PC.
1000 a.C – PRIMAZIA ORIENTAL
O ábaco é um instrumento de cálculo composto de pequenas contas de madeira presas a varetas, usadas como marcação para operações aritméticas. O número de barras representa o número de casas de um algarismo. Acredita-se que tenha surgido na Ásia, onde é difundido até hoje.
1822 – INGLÊS VISIONÁRIO
Projetada pelo inglês Charles Babbage (1791-1871) para calcular tábuas de logaritmos, a Máquina de Diferenças era uma calculadora de seis dígitos alimentada por um motor a vapor, que registrava resultados numa chapa de metal. Babbage também projetou uma máquina que funcionava com cartões perfurados, um rascunho do que seriam os computadores.
1939 – O PRIMEIRO ELETRÔNICO
O americano John Atanasoff e seu aluno Clifford Berry conceberam o Atanasoff Berry Computer (ABC), com 270 válvulas. A máquina resolvia equações, mas não era programável.
1642 – RELÓGIO-CALCULADORA
O francês Blaise Pascal (1623-1662) elaborou a Pascaline, uma máquina de somar que parecia um relógio e funcionava com engrenagens.
1890 – O FURO DE HOLLERITH
O americano Herman Hollerith criou a Máquina Tabuladora, para codificar informações em cartões perfurados. Os cartões foram usados em máquinas de calcular até os idos de 1980.
1941 – OFENSIVA NAZISTA
Em plena Segunda Guerra Mundial, o engenheiro alemão Konrad Zuse construiu a Z-3, uma calculadora eletromecânica muito eficiente do que suas similares americanas. A máquina foi destruída num borbardeio em 1944.
1943 – SEGREDO DE GUERRA
Como parte do esforço de guerra, cientistas ingleses construíram um precursor do ENIAC, o Colossus, utilizado para decifrar os códigos dos nazistas. Foi o primeiro computador eletrônico digital.
1947 – A REVOLUÇÃO DO SILÍCIO
Surge o transistor, um interruptor feito de silício que pode liberar ou bloquear a corrente elétrica, criando uma base de informação binária – um bit. Incorporado aos computadores, o transístor diminuiu seu tamanho e o consumo de energia.
1958 – RUMO AO MICRO
O engenheiro americano Jack Kilby inventa o chip, um dispositivo que reúne milhões de transístores em uma única lâmina de silício. Isso possibilitou a miniaturização dos computadores.
1943 -O PAI DO SOFTWARE
O húngaro John von Neumann (1903-1957) elaborou o plano para a construção do Mark-1, a primeira das chamadas Máquinas de von Neumann – computadores eletronicamente programáveis. A partir das idéias de Alan Turing, Von Neumann bolou os conceitos de software e de memória, e aplicou-os às suas máquinas.
1972 – COM PADRE E TUDO
O primeiro computador brasileiro, o Patinho Feio, é inaugurado na Universidade de São Paulo. O nome era uma brincadeira com o Cisne Branco, projeto de computador da Marinha.
1975 – O NASCIMENTO DO PC
Surge o Altair 8800, o primeiro microcomputador. O Apple II, primeiro micro a ser vendido todo montado, viria em 1977.

2817 – Evolução de Espécies – Fazendo das tripas cérebro


Segundo uma lei natural da evolução, quanto maior (ou mais pesado) for o cérebro de um animal, maior seu corpo. É que, para manter um cérebro grande funcionando, é preciso um corpo também grande, capaz de absorver bastante energia. Só que, no homem, o cérebro é três vezes maior que o dos nossos ancestrais de 3 milhões de anos atrás, enquanto o corpo nem chegou a duplicar de tamanho. Então, de onde vem a energia necessária para estabelecer as ligações entre bilhões de neurônios?
Um antropólogo inglês comparou o organismo humano com o dos chimpanzés. E verificou que, nos dois casos, 70% da energia adquirida dos alimentos é consumida por cérebro, coração, fígado, rins e intestinos. Mas o cérebro dos chimpanzés pesa um terço do cérebro do homem, enquanto os intestinos pesam mais que o dobro. Conclusão: o homem faz uma contenção no consumo de energia pelos intestinos.
Para cada cabeça, um peso
Os órgãos dos animais variam em proporção, conforme a necessidade de cada um.
O homem
Comparado com o tamanho total do corpo, o cérebro do homem é o maior entre os animais nascidos de placenta. Para pensar, ele retira energia dos intestinos, que são pequenos.
O chimpanzé
O cérebro do macaco pesa cerca de um terço do cérebro humano. A maior parte da energia que ele extrai dos alimentos é absorvida pelos intestinos, que são duas vezes maiores que os nossos.
A ave
Nos pássaros, o cérebro é pequeno e o intestino também, em relação ao tamanho total da ave. Mas o coração é enorme. Ali é consumida a maior parte da energia, para voar.

2816 – Aviação:Como uma ave pode derrubar um avião?


Uma trombada pode dar muito trabalho para a tripulação, mas dificilmente derruba uma aeronave grande. A parte mais vulnerável é a turbina, que pode até parar de funcionar, mas os aviões maiores têm quatro delas. Quem corre mais risco são os monomotores. Há partes da aeronave que, se forem atingidas, podem tornar uma viagem ou um pouso difíceis. Os riscos são mais sérios quando o avião está voando baixo, pois as aves não passam dos 3 000 metros de altura. Vários aeroportos adotam técnicas de proteção, como aparelhos que emitem sons para afastar os bichos. “Além disso, as aeronaves passam por testes para verificar se sua estrutura suporta impactos”, conta o engenheiro mecânico Fernando Franchi, da Empresa Brasileira de Aero-náutica (Embraer).
Os piores lugares para uma trombada
Há partes da aeronave em que o impacto com um pássaro é perigoso.
Se o leme for danificado, a dirigibilidade da aeronave fica comprometida
Uma avaria na cauda pode destruir um profundor, a peça que faz o avião subir e descer.
Um impacto com o aileron, que inclina o avião na hora da curva, pode destruí-lo.
Na frente, um impacto pode romper o vidro e atingir o piloto, além de causar despressurização.
O choque do pássaro com a turbina entorta as pás que puxam o ar, provocando vibração. Se uma delas quebrar, pode bater no motor e travá-lo.

2815 – Furacão: Esta casa vou destruir, esta outra, não


Por que um furacão, quando sai do mar e encontra a terra, pode destroçar uma construção e deixar outra intacta, a poucas centenas de metros?
É que esses monstros, com centenas de quilômetros de diâmetro, são acompanhados por uma espécie de tubos de vento, que correm deitados, em paralelo à parede do furacão, São como minifuracões horizontais, com cerca de 600 metros de diâmetro. A equipe, chefiada por Joshua Wurman, acompanhou o furacão Fran, que atingiu o território americano em 1996. E encontrou ventos muito fortes, a 1 quilômetro acima da superfície. Essas lufadas são varridas pelos tubos, que as carregam para baixo e, depois, para cima, num redemoinho constante. “Nas áreas em que as violentas rajadas horizontais chegam ao solo, a velocidade é muito forte”, explica um especialista do IMPE, Se uma casa estiver ali, é problema. Mas, nos trechos em que as correntes sobem, os ventos horizontais são muito mais amenos. Aí, tudo é paz.
Feito rolos compressores
Vejamos como agem os tubos de vento ao lado das paredes de um furacão.
1. Aqui, a cerca de 1 quilômetro de altura, os ventos são muito fortes.
2. Ao lado das paredes do furacão, há tubos de ventos que desviam as violentas correntes para baixo, como um minifuracão deitado.
3. Ao tocar o solo a corrente puxada lá do alto adquire a velocidade de 216 quilômetros por hora. Tudo o que está no caminho é arrasado.
4. Onde os tubos de vento levam as correntes para cima, as rajadas são de cerca de 72 quilômetros por hora. Aqui, as construções não sofrem danos.

2814 – Fonoaudiologia – O que o ouvido não escuta o cérebro não sente


Por que uma criança tem mais facilidade para aprender idiomas do que um adulto?
aprendizado depende do estímulo sonoro. As fibras nervosas que levam os sons do ouvido ao cérebro são formadas de neurônios. Eles entram em ligação entre si por nas sinapses, verdadeiras pontes químicas por onde as mensagens neurológicas passam. “Nas crianças, as ligações estão em processo de constituição e as fibras são maleáveis e estão disponíveis”, diz a fonoaudióloga Ana Maria Maaz Álvares, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Por isso, se forem estimuladas pela repetição de sons, formam estradas sonoras até o cérebro. Depois dos 10 anos, a capacidade de estabelecer novas ligações diminui e o aprendizado torna-se mais difícil.
A criança nasce também com o aparelho fonador pronto para falar qualquer idioma. Mas, pelos mesmos motivos que dificultam o aprendizado, depois dos 10 anos ela começa a perder a capacidade de pronunciar alguns sons para os quais não tenha sido treinada. Isso não quer dizer que não se possa aprender alemão com 40 anos. Quer dizer apenas que vai demorar mais tempo. E que o sotaque provavelmente vai ser forte. Para falar perfeitamente, talvez seja necessário passar por um fonoaudiólogo.
A estrada do som, com escalas
O estímulo sonoro chega ao cérebro por meio de fibras nervosas.
Dentro do ouvido, o som é transformado em impulso elétrico, levado até o cérebro por fibras nervosas, que passam pelo tronco cerebral.
Na criança, os neurônios que formam as fibras nervosas ainda estão se ligando e são receptivos a novas informações sonoras. No adulto, a capacidade de estabelecer ligações diminui e também a receptividade.

2813 -☻Mega Byte – Os Vírus de Boot


Arquivo infectado

Vírus são programas como outros quaisquer, com a diferença de que foram escritos com o único objetivo de atormentar a vida do usuário. Para “pegar” um vírus, você deve obrigatoriamente ou executar um programa infectado ou acessar um disquete que tenha um vírus escondido. Não há outra forma de contaminação. Por isto, é impossível pegar vírus através de e-mail, por exemplo. Mesmo que você tenha um programa infectado, caso você não o execute, o vírus não irá contaminar o seu micro.
Na verdade, o micro não “pega” vírus nem “fica” com vírus. Os vírus ficam alojados secretamente dentro de programas ou da área de boot de disquetes ou do disco rígido. Por este motivo, é impossível que você compre alguma peça de computador “com vírus”; eles necessitam estar armazenados em algum lugar, normalmente disquetes e discos rígidos. Como são programas, com o micro desligado os vírus não podem fazer nada, mesmo que o micro esteja infectado.
Como funcionam
Ao executar um programa infectado ou acessar um disquete contaminado, o vírus passa para a memória (RAM) do micro. Estando residente em memória, ele passará a interceptar todas as rotinas de acesso a arquivo e disco do sistema operacional; sempre que um novo arquivo for acessado, o vírus adicionará uma cópia de si próprio neste arquivo (caso o vírus seja um “vírus de arquivo”). Outro tipo de vírus, conhecido como “vírus de boot” não se esconde em arquivos, mas no setor de boot de disquetes e de discos rígidos. Esse tipo de vírus grava uma cópia de si próprio em todos os disquetes que forem inseridos no drive. Essa é a “fase de contaminação”, onde o vírus tenta se espalhar o máximo possível.
Repare que o vírus estará ativo a partir do momento em que está carregado em memória (RAM). No caso de vírus de arquivo, eles tratam de infectar logo o arquivo COMMAND.COM, que é um dos primeiros arquivos a serem carregados pelo sistema operacional. Como o COMMAND.COM é sempre carregado, o vírus sempre estará em memória. No caso de vírus de boot, o vírus é carregado antes do sistema operacional, pois há uma modificação na rotina de boot do disquete ou do disco rígido.
Por este motivo, não adianta nada executar um programa antivírus a partir de um micro infectado. Caso você “rode” o antivírus, o mais provável de ocorrer é o próprio vírus contaminá-lo, pois ele estará carregado em memória. Ou então, irá acontecer de você retirar o vírus e ele novamente contaminar arquivos ou o setor de boot, uma vez que ele ainda estará presente na memória (RAM).
Desta forma, para executar um programa antivírus, você deverá preparar um disquete de boot (com o comando FORMAT A:/S) e copiar o antivírus para este disquete. É claro que este procedimento deverá ser executado em um micro “limpo”, sem vírus. Depois, basta dar um boot com o disquete antivírus que você preparou, ou seja inserir o disquete no drive e ligar o micro. Não se esqueça de alterar a seqüência de boot no setup. Para isto, pressione a tecla [DEL] durante a contagem de memória; altere a opção “boot sequence” de “C,A” para “A,C”, no menu “advanced setup”. Saia do setup gravando as alterações feitas.
Outro caso muito comum é o do usuário leigo que fica reclamando “este vírus é danado mesmo; já reformatei o disco rígido mais de 5 vezes e ele continua lá!” Primeiro que a formatação do disco rígido só é recomendada em último caso – quando o antivírus realmente não consegue retirar o vírus do disco rígido. Em segundo lugar, se você precisar reformatar o disco rígido, deverá fazê-lo dando um boot com um disquete “limpo”, preparado em um micro não-infectado. Caso você tente formatar o disco rígido dando boot por ele mesmo, o vírus irá ser carregado em memória (RAM) e, logo após você ter acabado de formatar o disco, o vírus irá imediatamente se copiar para lá…
Os vírus ficam nesta fase de contaminação até entrarem em atividade. Há várias maneiras do vírus entrar em atividade, a mais divulgada pela mídia é através de uma data específica. O vírus Michelangelo, por exemplo, entra em atividade no dia 6 de março, quando, então, destrói dados do disco rígido.
Quando o vírus entra em atividade várias coisas podem ocorrer. Em geral o micro “fica maluco”, com um comportamento totalmente anormal – o micro fica apresentando muitas mensagens de erro e “travando” constantemente. Alguns tipos de vírus destróem dados e outros simplesmente apresentam mensagens pacíficas.
Vírus de boot
Podemos classificar os vírus de acordo com o método utilizado para se carregarem em memória. Há basicamente dois métodos: alterando o setor de boot do disco ou adicionando seu código a arquivos executáveis.
Os vírus de boot alteram o setor de boot de todos os discos que encontrarem a partir do momento em que estiverem carregados em memória (RAM). Isto faz com que o vírus seja carregado automaticamente para a memória antes mesmo do sistema operacional toda a vez em que for dado um boot com um disco contaminado.
A seqüência de boot de um disco com MS-DOS é a seguinte: BIOS, Setor de boot, Sistema operacional (MSDOS.SYS e IO.SYS), COMMAND.COM, Config.sys, Autoexec.bat.
Após a execução do POST (Power On Self Test, aquele autoteste que há sempre em que ligamos o micro), o BIOS do computador carrega em memória (RAM) o setor de boot do disco de boot, que pode ser o disco rígido ou um disquete, dependendo do que o usuário optar. No setor de boot há um pequeno programa, chamado bootstrap, responsável por carregar o sistema operacional em memória.
O vírus, quando contamina um disco, altera o código do bootstrap, de modo que ele passe a carregar o vírus antes do sistema operacional. Portanto, em um disco infectado por um vírus de boot, a seqüência de boot seria alterada da seguinte forma:
BIOS, Setor de boot (infectado, bootstrap alterado), Vírus de boot, Sistema operacional (MSDOS.SYS e IO.SYS), COMMAND.COM, Config.sys, Autoexec.bat.
Como o código do bootstrap é sempre o mesmo para todos os micros que possuam MS-DOS ou Windows 95, um programa antivírus é capaz de identificar rapidamente se um micro possui ou não um vírus de boot, comparando o código bootstrap existente no disco com o código do bootstap padrão. Se eles forem diferentes, há um vírus de boot no disco. Isto dá a possibilidade, inclusive, do programa antivírus identificar um vírus de boot desconhecido.
A remoção de um vírus de boot geralmente é muito simples. Se copiarmos um setor de boot padrão por cima de um setor de boot contaminado, iremos desabilitar o carregamento do vírus de boot. Isto é feito facilmente através do comando FDISK /MBR. É claro que este procedimento deve ser feito dando-se um boot com um disquete “limpo”, pois caso o vírus esteja residente em memória (RAM), ele contaminará novamente o setor de boot do disco rígido logo após você ter limpado o setor de boot.
Alguns exemplos de vírus de boot: Michelangelo, Stoned, Ping-Pong, Leandro & Kelly, AntiEXE, etc.
Vírus: dúvidas mais comuns
Como eu pego um vírus?
Através de um disquete ou arquivo contaminado ou ainda através de documentos do Word e do Excel, no caso de vírus de macro. Por este motivo é muito importante que você passe um antivírus em todos os disquetes que você trouxer do trabalho, do curso ou for emprestado por amigos, por mais inocentes que os disquetes possam parecer.
Um vírus pode “destruir” o meu computador?
Literalmente falando, não. O máximo que os vírus fazem é destruir dados ou corromper programas. O seu hardware (ou seja, as peças do seu micro) não tem como ser “destruído” ou “queimado” por um vírus. Por este motivo, nunca deixe de fazer cópias de segurança (backup) de seus arquivos de dados.
Posso pegar um vírus pela Internet?
Sim, pode. Mas é importante lembrar que você precisa executar o vírus. O fato de baixar um arquivo ou abrir o seu correio eletrônico (e-mail) não faz com que um vírus seja ativado. Em outras palavras, você obrigatoriamente precisa “rodar” um arquivo que esteja contaminado, ou então abrir um documento infectado por um vírus de macro no Word para que o vírus seja ativado.
Existem vírus de e-mail? E estas mensagens de alerta que de vez em quando recebo avisando sobre um novo vírus de e-mail?
Não existem vírus de e-mail. Mensagens contendo alertas sobre novos vírus que são pegos via e-mail são completamente falsas. Trata-se de spam, circular uma notícia falsa pela Internet. Quando você receber uma mensagem deste tipo, responda a quem te enviou para parar e alerte-o que trata-se de uma notícia falsa. Através de e-mail você pode pegar vírus através de arquivos anexados (attach). Entretanto o vírus estará no arquivo e não no e-mail. Este procedimento equivale a um disquete emprestado por um amigo: o arquivo pode ou não estar contaminado.
Eu posso pegar vírus através de fotos (arquivos GIF e JPG) que eu pegue na Internet ou através de algum amigo?
Não. Os vírus se propagam somente através de arquivos executáveis (extensões EXE, COM, SYS, DLL, etc). Como imagens são arquivos de dados e não de programas, nunca serão executados e, por isto, não há sentido um vírus se propagar em um arquivo deste tipo. O único tipo de vírus que contamina arquivos de dados é o vírus de macro, que se alastra através de arquivos do Word ou do Excel.
Quais são os sintomas típicos de um micro infectado?
Os vírus possuem duas fases: a de contaminação e a de ataque. Em geral, quando chegam à fase de ataque, você logo perceberá que o seu micro está infectado, pois os vírus, em geral, avisam que estão realizando um “estrago” (algo como “ha ha ha! Você pegou o vírus xpto e agora estou apagando todos os dados de seu disco rígido!”). Na fase de contaminação, geralmente o micro fica mais lento e apresentando problemas aleatórios, tais como travamentos e alterações no comportamento normal do micro. Em relação aos vírus de macro, eles são ativados imediatamente após a contaminação de Word. Em geral, o Word fica com um comportamento anormal, trocando opções e comandos.