2812 – Qual é o destino do lixo radioativo?


Cada tipo de resíduo nuclear tem um destino. “Depende do grau de radioatividade e dos materiais de que ele é composto”, diz um engenheiro da USP. O lixo nuclear – ou “rejeito radioativo” – é classificado em três tipos: os de alta, média e baixa radioatividade. Entre uma gradação e outra, a radiação aumenta cerca de mil vezes. Os rejeitos de nível baixo e médio são guardados em depósitos provisórios ou permanentes. No Brasil, há depósitos provisórios em centros de pesquisa nuclear no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais – o único depósito permanente fica em Goiás. O grande problema está mesmo no lixo de alta radioatividade, como restos do combustível nuclear que move as usinas. De tão perigosas, essas pastilhas gastas de urânio vão sendo empilhadas em uma piscina de resfriamento ao lado do reator onde são usadas.
Tanto a piscina quanto o reator são cercados por várias barreiras de aço, chumbo e concreto. A piscina da usina de Angra II, por exemplo, tem capacidade para armazenar lixo por mais de 40 anos, o mesmo tempo de vida útil do reator. E o que acontece depois? “Por incrível que pareça, no mundo inteiro ainda não se chegou a uma resposta definitiva. Em um passado recente, alguns países jogaram rejeitos no mar e em minas de sal abandonadas. Hoje, devido à maior consciência ambiental, essas opções foram descartadas. “Por mais que se diga o contrário, é impossível garantir 100% de segurança para esses materiais. A única solução seria parar de usar energia nuclear”, diz Reinaldo Canto, diretor de comunicação no Brasil do Greenpeace, principal organização mundial de defesa do meio ambiente.

Temível armazenamento
Os rejeitos mais perigosos são guardados em piscinas especiais
Lixo de baixa radioatividade
Produtos Tudo que entra em contato com material radioativo, como ferramentas, luvas, roupas de proteção de operários e material de laboratório
Destino Latas sem blindagem especial, guardadas em depósitos temporários, perto de onde o lixo é produzido. Depois, elas podem seguir para depósitos subterrâneos
Lixo de média radioatividade
Produtos Recipientes usados de combustível nuclear, peças de reator e rejeitos químicos dos processos de mineração e enriquecimento de urânio
Destino Em geral, é guardado nos mesmos locais que o lixo de baixa radiação, mas com uma grande diferença: esse tipo de rejeito fica dentro de tonéis blindados de concreto
Lixo de alta radioatividade
Produtos Pastilhas gastas de urânio, usadas como combustível de reatores, e rejeitos líquidos oriundos da extração de plutônio para fabricação de bombas nucleares
Destino É guardado em piscinas protegidas junto aos próprios reatores das usinas, ou em depósitos provisórios

2811 – Física: Átomo, essa onda pegou


Nem todos sabem que o conceito de átomo com que trabalham os cientistas de hoje tem muito pouco a ver com os duros e indivisíveis grãos de matéria imaginados pelos filósofos da velha Grécia. A nova visão do átomo é basicamente fruto de uma teoria – a Mecânica Quântica – que, a partir dos anos 20, bombardeou algumas das idéias mais consolidadas da Física.Por que os números e os ponteiros de certos relógios brilham no escuro? A pergunta parece banal. A resposta, entretanto, pode ser o ponto de partida para uma viagem à natureza íntima da matéria que constitui o Universo. O relógio brilha por causa de um fenômeno conhecido desde o começo do século – a radiatividade. Os átomos pesados e instáveis de elementos químicos como o rádio e o urânio emitem partículas carregadas de alta energia. Essas partículas foram batizadas com o nome de radiação alfa.
O descobridor das partículas alfa, o físico neozelandês radicado na Inglaterra Ernest Rutherford (1871-1937), teve certo dia a idéia de utilizar essas ínfimas partículas, menores que um átomo, para estudar os segredos do próprio átomo.
Isso lhe permitiu, de saída, uma descoberta sensacional: a de que, ao contrário do que se pensava, os minúsculos átomos são constituídos de imensos espaços vazios; a maior parte da massa atômica se concentra num núcleo central, de carga elétrica positiva; ao redor desse núcleo e a determinada distância dele ficam os elétrons, de carga negativa. Essa descoberta permitiu a Rutheford comparar os átomos ao sistema solar: o núcleo seria o Sol e os elétrons, movendo-se em órbitas precisas ao seu redor, seriam os planetas.
Tal modelo esbarrava, porém, numa séria dificuldade: é que, de acordo com a teoria clássica, ao se moverem ao redor do núcleo, os elétrons deveriam perder continuamente parte de sua energia, transformada em radiação eletromagnética. O resultado disso seria nada menos que uma tragédia: literalmente, o fim do mundo. Pois, à medida que fossem perdendo energia, os elétrons passariam a circular em órbitas cada vez mais próximas do núcleo, até finalmente chocar-se com ele. Assim, se a comparação de Rutherford fosse correta, todo átomo deveria desabar sobre si mesmo. Para felicidade geral do Universo, não é isso o que acontece: os elétrons mantêm-se em movimento sem nenhuma perda de energia.
O primeiro a querer explicar esse fenômeno que violava as leis da Física conhecida no começo do século foi o dinamarquês Niels Bohr (1885-1962) Após visitar Rutherford em Manchester, na Inglaterra, em 1912, Bohr conseguiu deduzir uma fórmula para determinar os diferentes níveis de energia que poderiam ser ocupados pelo elétron no mais simples dos átomos, o do hidrogênio, que tem um só próton no núcleo e um só elétron em volta dele.
Doze anos depois da descoberta de De Bohr, em 1924, um jovem físico e aristocrata francês, Louis de Broglie, que ganharia o prêmio Nobel de Física de 1929, propôs uma resposta audaciosa para o enigma. Einstein havia demonstrado que a luz, que sempre fora concebida como uma onda, se comportava às vezes como um jorro de partículas—ou fótons. De Broglie fez então o raciocínio inverso: se assim é, por que o elétron. concebido como uma partícula. não poderia se comportar como uma onda? Ele deduziu, então, uma fórmula simples para calcular o comprimento de onda do elétron quanto maior a quantidade de movimento do elétron, mais curto o seu comprimento de onda.
A hipótese de De Broglie fornecia uma explicação confortável para a pergunta que intrigava os físicos: por que os elétrons podiam ocupar apenas determinados níveis de energia no átomo de Bohr? Pois, se o elétron pode ser pensado como uma onda, ele se comporta, quando confinado no interior do átomo, como uma onda estacionária, isto é, que se propaga num meio limitado, como ocorre com as ondas produzidas na água de um tanque quando atiramos nela uma pedra.
O que De Broglie formulou como pura hipótese matemática teve importantes conseqüências na investigação da estrutura do átomo. O físico austríaco Erwin Schrödinger (1887-1961) deduziu, a partir da hipótese de De Broglie, uma equação de onda que logo se transformaria numa das fórmulas mais usadas em toda a Física Schrödinger estava firmemente convencido de que a onda proposta por De Broglie para explicar o elétron não era apenas uma simples analogia matemática, mas uma realidade física.
Pensar no elétron como uma onda, semelhante às que se formam na água, pode parecer uma idéia extremamente ousada e revolucionária. Entretanto na história da Física do século XX, seu papel foi essencialmente conservador. Ao formular sua célebre equação, o que Schrödinger tinha em mente era salvar as boas e velhas idéias da Física clássica, ameaçadas pelo insólito comportamento do elétron, que fazia coisas tão impensáveis quanto desaparecer de uma órbita para aparecer na órbita seguinte sem passar pelo espaço intermediário. E, pior ainda, fazia isso mais rápido que um relâmpago, contrariando assim a Teoria da Relatividade de Einstein, segundo a qual nenhum corpo pode se deslocar no Universo com velocidade superior à da luz.
A dualidade da matéria, que ora se comporta como partícula ora como onda, cria situações inimagináveis ao nosso senso comum. Um efeito quase fantasmagórico é o que ocorre, por exemplo, na própria emissão daquelas partículas alfa descobertas por Rutherford. As partículas alfa estão longe de ter um nível de energia suficiente para ultrapassar o poderosíssimo campo de força que mantém os núcleos atômicos coesos: sua emissão, portanto, seria simplesmente impossível nos termos na Física clássica. Mas o caráter de onda de que também as partículas alfa são dotadas possibilita a passagem. O fenômeno, que ocorre com outras partículas subatômicas, como o elétron, é conhecido como efeito túnel e só pode ser explicado a partir da Mecânica Quântica
Esses fatos todos parecem paradoxais porque nosso senso comum foi formado a partir de experiências cotidianas que não têm nada a ver com a realidade existente na escala do átomo. Conceitos como partícula e onda, tomados de empréstimo ao arsenal de idéias derivadas de experiências macroscópicas, permitem apenas uma explicação muito imperfeita do menos que microscópico mundo subatômico. A rigor, um elétron não é nem uma partícula nem uma onda, mas um outro nível de realidade, cujo comportamento às vezes pode ser associado ao de uma partícula e às vezes ao de uma onda.
Será que a natureza ondulatória da matéria se restringe ao mundo subatômico? Aparentemente, não. Ela já foi verificada também em relação a átomos completos. em princípio, não é fora de propósito dizer que todos os corpos do Universo têm uma onda associada: isso vale para os seres vivos como para os planetas, estrelas, galáxias e o Universo inteiro. Por que então não se pode perceber a onda de um homem ou de um planeta? O motivo é simples. O comprimento de onda diminui à medida que a quantidade de movimento do corpo aumenta. E esta depende não apenas da velocidade do corpo, mas também de sua massa. Como a massa de um corpo humano para não falar na de um planeta —é fantasticamente superior à de um elétron, o comprimento da onda associada ao homem é tão pequeno que escapa à detecção mais acurada.

A luz em pacotes
A mecânica Quântica só se desenvolveu graças a uma descoberta-chave feita em 1900 pelo físico alemão Max Planck (1858-1947). Ele constatou que qualquer tipo de radiação – a luz, por exemplo—só pode ser emitida, transmitida e absorvida em quantidades discretas de energia. Isso significa que o fluxo de energia é formado por uma quantidade de pequenos pacotes indivisíveis de energia – os quanta (plural de quantum). A energia de cada quantum é igual à freqüência da radiação multiplicada por um valor constante, chamado constante de Planck e representado nas fórmulas pela letra h.
A descoberta de Planck permitiu que em 1905 Albert Einstein explicasse o efeito fotoelétrico, que intrigava os físicos da época. Esse efeito ocorre quando uma placa de metal recebe luz e emite elétrons, como se a força da luz expulsasse parte dos elétrons existentes nos átomos de metal. Einstein mostrou que o fenômeno só podia ser explicado se se pensasse a luz não como uma onda contínua, como a considerava a Física clássica, mas como um jorro de partículas—os fótons—, o que estava de acordo com a natureza quântica da energia descoberta por Planck.

2810 – Astronáutica:50 Anos no Espaço


Gagárin em órbita

O dia 12 de abril é uma data especial para o mundo: naquela data, exatamente 50 anos atrás, pela primeira vez uma pessoa deixava o nosso planeta e visitava o espaço sideral.
Ele se chamava Yuri Gagarin e nasceu na Rússia, na época em que o país se chamava União Soviética. Naquele lugar, os viajantes espaciais recebem o nome de “cosmonautas”, e Yuri foi o primeiro deles. Ele tinha apenas 27 anos em 1961, quando fez sua aventura cósmica.
Filho de camponeses, ele foi escolhido para a viagem por ser um ótimo piloto de avião e por ser muito simpático (o governo russo sabia que ele se tornaria muito famoso depois da missão e queria alguém que fosse legal com as pessoas).
Yuri passou por alguns apertos durante a viagem espacial. Ele subiu ao céu numa cápsula colocada na ponta de um foguete e foi quem viu pela primeira vez que, vista do espaço, a Terra é azul.
Ele deu uma volta inteira ao redor do nosso planeta e retornou em pouco mais de uma hora e meia. Mas, durante a descida, ele teve de saltar de sua espaçonave e chegar ao chão de paraquedas, porque o tranco era muito grande no impacto da nave com o solo.
Depois que Yuri retornou, os Estados Unidos, maior rival da União Soviética, decidiram que também começariam a transportar astronautas. E o maior objetivo deles seria mandar pessoas para a Lua.

Passeio na Lua

Caminhadas lunares
Depois de construir foguetes e espaçonaves, os americanos Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin foram os primeiros a andar na Lua, em 20 de julho de 1969. O nome do personagem Buzz Lightyear, do filme “Toy Story”, é uma homenagem a Aldrin
Estação espacial
Os russos bem que tentaram chegar à Lua primeiro que os americanos. Mas, como não conseguiram, eles resolveram construir as primeiras estações espaciais. A mais famosa delas foi a Mir (palavra que significa “paz” em russo), colocada no espaço em 1986 e desativada em 2001.
Ônibus espacial
Depois do sucesso com seis missões à Lua, os Estados Unidos decidiram construir uma nave que voasse como foguete e voltasse à Terra como avião: era o ônibus espacial. Uma frota de veículos foi construída e rendeu mais de cem missões, desde 1981. Sua aposentadoria deve acontecer agora, em 2011.
O futuro está no planeta vermelho
Astronautas estão realizando pesquisas neste momento a bordo da Estação Espacial Internacional, com o objetivo de aprender como se faz para viver melhor fora da Terra.
Tudo isso porque espera-se que nos próximos 50 anos enviemos as primeiras missões na direção do planeta Marte.
Esse mundo fica bem mais distante daqui do que a Lua, e por isso é tão difícil ir até lá. Vale tentar, porque existe a possibilidade de encontrarmos outras formas de vida lá. Sim, extraterrestres! Mas eles não serão como nos filmes. Provavelmente, tudo que pode viver em Marte são micróbios simples.

Turismo milionário

Você também pode ir ao espaço ( Se tiver alguns milhões de dólares para pagar a passagem, é claro)
Uma coisa muito curiosa está acontecendo agora: diversas empresas estão construindo naves para levar passageiros comuns ao espaço. Ou seja, em alguns anos, será possível viajar para fora da Terra sem ser um astronauta!
O projeto mais avançado é de uma companhia chamada Virgin Galactic. Criada nos Estados Unidos, ela terá naves com capacidade para seis pessoas, além do piloto e o copiloto. O veículo já está pronto, mas ainda está na fase de testes. Espera-se que os primeiros passageiros sejam transportados ano que vem ou, no máximo, em 2013. Mas esses voos serão bem curtinhos, e as pessoas só ficarão uns 15 minutos no espaço antes de voltar à Terra.
A empresa russa Orbital Tecnologies apresentou um ambicioso projeto que consiste na criação de um hotel no espaço que poderia estar aberto ao público a partir de 2016
Segundo informaram fontes da companhia, este curioso hotel cósmico terá quatro cabines, de 20 metros cúbicos cada, e poderá acomodar até sete pessoas. Trata-se de uma experiência única dirigida a pessoas com uma boa situação econômica.

2809 – Asteroide com 400 m de diâmetro tira “fina” da Terra em novembro


Foto do asteróide ainda um pouco distante

Mas não se preocupe, não é o fim do mundo ainda.
Asteroide com 400 m de diâmetro tira “fina” da Terra em novembro
Um asteroide com 400 metros de diâmetro vai passar perto da Terra no início de novembro, provavelmente no dia 8, segundo previsões iniciais.
“A aproximação com a Terra do asteroide 2005 YU55 é incomum pela curta distância e pelo seu tamanho. Em média, ningúem esperaria que um objeto deste porte passasse tão perto em 30 anos”, comenta Don Yeomans, da Nasa.
Pela sua dimensão e trajetória próxima à Terra, o 2005 YU55 entrou para a lista de asteroides “potencialmente perigosos” na definição do centro planetário de Cambridge, em Massachusetts, noticia o site http://www.space.com.
Os cientistas, entretanto, estão ansiosos com a notícia, vista como uma “oportunidade única”. “Em um sentido real, fornecerá uma resolução de imagem comparável ou até melhor do que um missão de uma nave espacial’, diz Lance Benner, pesquisador do JPL (Laboratório de Jato de Propulsão) da Nasa.
Segundo estimativas, a rocha espacial estará a 0.85 distância lunar –menos que os cerca de 384 mil quilômetros que separam a Terra da Lua.
A passagem do asteroide, identificado pela primeira vez em 28 de dezembro de 2005, mobilizará um programa extenso de observações por radar, raios infravermelhos e a olho nu.

2808 – Clássicos da Ficção – 2001, Uma Odisséia no Espaço


Poster do filme

Não estranhe se, assim que terminar de assistir a 2001: Uma Odisséia no Espaço, a sensação que ficar seja de perplexidade, estranheza, incerteza. Isso é normal, afinal, estamos falando de uma (se não for a) das obras mais complexas da história do cinema. É o maior clássico de ficção científica de todos os tempos.Kubrick, por si só, já é uma figura enigmática e que emprega subtextos em seus filmes de maneira brilhante, quase sempre pouco perceptíveis, ou que abra um leque de discussões sobre suas obras, afinal, ele nunca mastiga o que quer para nós. Essa característica do diretor atinge seu auge aqui, quando até hoje, passados quase quarenta anos de seu lançamento, continua sendo uma obra de ficção científica atual e discutida, pois nenhuma das interpretações que rolaram até hoje, por mais plausíveis que possam parecer, podem ser consideradas ‘A’ certa.
Qual a graça de ver um filme onde não há, aparentemente, um sentido? 2001 é muito mais que isso. O sentido não está no entendimento da história, e sim na reflexão que seus temas, principalmente o homem, proporcionam ao público. É interessante pensar, entender as situações e tentar nos colocar dentro da complexa cápsula do tempo em que 2001 se situa. Sua atualidade, sua ficção e seu deslumbramento se encontram na história, e não em efeitos e ferozes cenas de ação, como a grande maioria dos filmes procuram focar seu interesse. 2001 é feito para neurônios, não para os testículos – e não pense que esta é uma frase preconceituosa, pois 2001 é isso mesmo, um desafio a sua mente. É um filme de questionamentos, não de respostas. É um filme de sentimentos. É um filme a frente de seu tempo (o homem só pisaria na lua, de fato, um ano após seu lançamento).

A sobreposição de películas para criar um espaço convincente combina perfeitamente com a fina trilha sonora que só mesmo Kubrick consegue combinar em seus filmes – músicas clássicas, antigas, mas que parecem que foram feitas especialmente para as cenas em que são utilizadas, na mais perfeita sinfonia de uma valsa espacial. O número de seqüências clássicas ultrapassa o limite do citável, em uma história definida por três atos: o nascimento, que é toda aquela parte dos macacos pulando, descobrindo seus meios de vida e dando os primeiros passos evolutivos (como ferramentas, deixar de ser caça para se tornar caçador e etc); a luta do homem contra a máquina (quando o super computador HAL 9000 enlouquece com a idéia de ser desligado e passa a aterrorizar sua tripulação) e o próximo passo da evolução humana, em uma psicodélica e diferente seqüência, provavelmente diferente de tudo o que você viu da época – e essas três histórias estão interligadas por um ponto chave, que é o encontro com um monolito, um extraterrestre.
A importância de 2001 é cristalina: antes dele, os filmes de ficção científica eram aqueles conglomerados de monstros destruindo cidades, sempre vistos com ar trash – características que, após os mais de 100 milhões de dólares arrecadados em bilheterias e sua importância artística, foram alteradas com o tempo. Hoje, por exemplo, filmes de ficção como Solaris podem ser vistos com outros olhos. Pense que, na época, ainda não se sabia ao certo como a Terra era vista do espaço (no filme, ela é toda azul, não dá para ver os continentes). Ganhou, merecidamente, o Oscar de Efeitos Especiais e foi indicado ainda em outras três categorias: Melhor Diretor, Direção de Arte e Roteiro Original (não é uma adaptação).
Kubrick se adiantou no tempo quando, ao lado de Arthur C. Clarke, escreveu o roteiro de 2001: Uma Odisséia no Espaço. Não apenas por ter visualizado a chegada do homem à Lua mais de um ano antes de Neil Armstrong chegar até lá, mas também por haver realizado o primeiro filme a levantar a hipótese da inteligência artificial.
O computador HAL-9000, além de acabar se transformando no personagem principal e num dos maiores vilões do cinema, possuía uma grande interação com seu operador, o Dr. David Bowman (Keir Dullea, de Visão Fatal e 2010: O Ano em que Faremos Contato). Nota-se que o nome dado a máquina foi muito bem escolhido, visto que é formado pelas três letras que antecedem o nome da mais famosa marca de computadores do mundo: a IBM.
O filme traça a trajetória do homem desde, aproximadamente, quatro milhões de anos antes de Cristo, até o ano de 2001, sempre abordando a evolução da espécie, a influência da tecnologia nesse crescimento e os perigos da inteligência artificial. O final, um dos mais emblemáticos da história do cinema, mostra astronautas travando uma luta mortal contra o computador – a versão moderna do confronto entre criador e criatura, que já inspirara clássicos como Frankenstein.
Um monolito cai na Terra ainda na época da pré-história e, muitos anos depois, em 1999, é descoberto um segundo monolito na Lua. Aparentemente, são alienigenas que observam os terrestres, então uma missão internacional é enviada a Júpiter com a missão de descobrir o que eles realmente querem.
Durante todo o filme o diretor levanta diversas questões que deixa em aberto até o fim. Para desfazer as dúvidas, o escritor Arthur C. Clarke escreveu uma seqüência em que são amarradas todas as pontas soltas: 2010: O ano em que Faremos Contato. Peter Hyans levou essa “continuação” de 2001 às telas, com resultados bem longe de memoráveis, em 1984.

O clima do filme é acentuado pelas músicas utilizadas por Kubrick, que sempre remetem à evolução da espécie humana. Por exemplo, a música Tlzits Spake Zarathirstra, de Richard Strauss, utilizada no início, foi baseada num livro de Nietzsche e significa a passagem do homem primitivo para o além-homem. É o mito iiietzchearzo do super-homem.
Título Original: 2001, A Space 0dissey
Gênero: Ficção Científica
Origem/Ano: UK-EUA/1968
Duração: 148 min
Direção: Stanley Kubrick
Elenco:

Keir Dullea…
Gary Lockwood…
William Sylvester…
Daniel Richter…
Leonard Rossiter…
Margaret Tyzack…
Robert Beatty…
Sean Sullivan…
Douglas Rain…
Frank Miller…
Bill Weston…
Ed Bishop…
Glenn Beck…
Alan Gifford…
Ann Gillis… Frank Poole
Moonwatcher
Elena
Michaels
Mission Controller
Lunar shuttle
Poole’s Father