2797- História dos EUA


Moeda com a cara de Michael Jackson

Na eleição de 1800, o poder passou do partido federalista aos adversários de Jefferson. Essa revolução pacífica forneceu base estável para os republicanos norte-americanos. Os padrões de votação refletiam a distribuição étnica e os grupos religiosos. Mudanças econômicas, excedente populacional e fome levaram milhões de europeus á América, atraídos pela falta de mão de obra e a existência de terras aráveis não cultivadas. Em 1890 houve mudança fundamental na origem dos imigrantes do nordeste para o sul e leste da Europa Judeus russos e nacionalidades sujeitas ao império Austro-húngaro, bem como poloneses e italianos, constituíam a maioria dos imigrantes.
EUA – Eleições Eleição de 1860- Neste ano , a união americana dividiu-se com a questão da escravidão. O candidato republicano, Abraham Lincoln prometeu conter a expansão da escravidão para o oeste. Venceu em todos os municípios da nova Inglaterra, na maioria dos municípios do estado de NY e do noroeste. As instituições típicas eram a fazenda e a mina. A partir de 1880, a imigração maciça e a entrada de capital estrangeiro, apoiados pelas estradas de ferro e transporte marítimo aperfeiçoado, aceleraram o desenvolvimento econômico.
Por um tratado com o Panamá (1903) , arrendaram a área e tomaram posse dela como soberanos. Mas, sob 2 novos tratados, ratificados em 1978, a zona do canal foi entregue ao Panamá, sendo os EUA obrigados a entregar o controle do canal em 1999. No Alasca, a corrida aos campos de ouro de Klondike, em 1897, levou essa disputa as últimas conseqüências. O Canadá temia a perda da região noroeste. Um tribunal orientado politicamente, no qual um juiz britânico deu o voto de Minerva, estabeleceu fronteira reivindicada pelos EUA. Do México tomaram as províncias do Texas, Novo México e Califórnia. No Caribe , a guerra contra a Espanha levou a conquista de Porto Rico e a transformação de Cuba em protetorado. Atraídos ao Pacífico pelas explorações do capitão Cook, navegadores americanos começaram a operar na região em 1784, pelo Cabo Horn. Eles já controlavam o Havaí por volta de 1842, compartilhando concessões extorquidas da China, pela Grã Bretanha, a marinha dos EUA teve acesso ao Japão em 1854, a Coréia, 1882, obteve ainda a Baía de Pago Pago, Samoa (1878) e Pearl Harbor. A intervenção dos EUA em uma insurreição cubana levou a guerra com a Espanha, como vimos.

De onde vem a expressão “Tio Sam” para designar os Estados Unidos?
Vem de Samuel Wilson (1766-1854), cujo apelido era Uncle (tio) Sam. Responsável pela fornecimento de carne para o exército americano na guerra de 1812 com a Inglaterra, o comerciante Wilson carimbou as embalagens com um enorme US, para designar o destinatário, United States. Como, porém, essa ainda não era a abreviação oficial do país, um empregado de Wilson imaginou que aquelas letras representassem as iniciais do apelido do patrão. O erro propagou-se e o enviou das rações militares passou a ser atribuído à generosidade desse personagem, que conquistou o carinho de todo o país e com ele acabou sendo identificado. Em 1961, o Congresso dos Estados Unidos oficializou a expressão Tio Sam como símbolo nacional.

2796 – Robótica na Medicina


Robôs roubarão o lugar de médicos nas salas de operação
O paciente deu entrada na sala de cirurgia do Hospital Geral de Montreal, no Canadá. Estava cercado por 3 enfermeiros e 2 robôs. A equipe médica estava em outra sala, distante 3 andares. Controlado a distância por joysticks, um braço robótico aplicou a anestesia. Foi quando a segunda máquina entrou em ação. Introduzida no abdômen, por uma incisão de 2 centímetros, ela alcançou a próstata. Uma câmera acoplada fornecia aos 3 médicos imagens 3D. Comandado da outra sala, o equipamento retirou parte do órgão. Terminava assim, na tarde de 17 de outubro de 2010, depois de 25 minutos, a primeira cirurgia inteiramente realizada por robôs, sem a presença física de nenhum médico.

Avanços tecnológicos assim têm mudado radicalmente o papel do médico. Robôs superprecisos e minimamente invasivos se colocam entre o cirurgião e o paciente. Equipes internacionais tomam decisões em teleconferências. Atendimentos online dispensam a visita ao consultório. Casas recebem equipamentos que transformam o quarto numa enfermaria. E dúvidas corriqueiras são resolvidas – ou pioradas – no Google.

• 73 mil das 85 mil cirurgias de câncer de próstata nos EUA em 2009 foram feitas com a assistência de robô.

• 136 mil procedimentos cirúrgicos foram realizados com o sistema robotizado DaVinci no mundo em 2009. Isso dá um aumento de 60% em seu uso nos últimos dois anos.

• 94 sistemas DaVinci já estão instalados no mundo. Já seu concorrente, o Zeus, tem 50 unidades instaladas.

Eu, robô

Os hospitais paulistanos Albert Einstein, Oswaldo Cruz e Sírio-Libanês já usam robôs nas salas de cirurgia. Para manipular o DaVinci, como ele é batizado, o médico senta-se de frente para um console com dois controles semelhantes às pinças utilizadas em cirurgias. Ele então encaixa a cabeça em um visor 3D para ver imagens aumentadas do interior do corpo, captadas por câmeras controladas por pedais, e começa a cirurgia.

A primeira grande diferença do procedimento comum é que, em vez de grandes cortes para operar um órgão, o DaVinci precisa apenas de pequenas incisões de 1 a 2 centímetros para inserir seus braços mecânicos no interior do corpo. Sob a pele, ele opera ferramentas semelhantes às usadas pelos cirurgiões, mas com menos de 1 centímetro – e movimentos impossíveis para uma mão humana. Para corrigir eventuais tremores do médico, um software ainda filtra seus gestos.

Robôs assim já operam próstata, tireoide, hérnia, ovários, pâncreas e fígado. A grande novidade, no caso do procedimento de Montreal, é seu uso conjugado com o robô McSleepy, que aplica a anestesia, ajuda a calcular a dose exata e ainda monitora a situação do paciente durante o procedimento.

Em 10 anos, esses equipamentos deverão tomar as salas cirúrgicas, acompanhados só por enfermeiros. Isso porque, embora sejam caros, eles cortam outros gastos: com pacientes se recuperando mais rápido, diminui a ocupação de leitos dos hospitais e o paciente corre menos risco de sofrer infecções, a Faculdade de Medicina da USP oferece desde 1998 a disciplina de Telemedicina. Ali, os estudantes se informam sobre os avanços no atendimento a distância e participam de simulações de atendimentos usando redes sociais.

Mas há uma má notícia. Segundo Chao, a telemedicina deve demorar 15 anos para se popularizar no Brasil. “Ainda falta formar melhor os professores, que na maioria dos casos são médicos com muita experiência, mas pouco contato com tecnologia”, diz. Mas, para o doutor Schimpff, a mudança é inevitável.

2795 – O que é um fiel da balança?


Senta que lá vem a história: no começo do século 20, quando não existiam supermercados, os alimentos eram comprados em vendas e armazéns onde tudo era pesado em balanças mecânicas. O processo era feito por comparação. De um lado, colocava-se um peso-padrão, e, do outro, a mercadoria a ser comprada. Quando a balança entrava em equilíbrio, era sinal de que a massa dos dois pratos eram iguais e calculava-se o preço. E o ponteirinho que indicava o ponto de equilíbrio entre as duas massas era chamado de o fiel da balança.

A balança com fiel começou a ser substituída na década de 1930, com a chegada dos modelos semiautomáticos, que funcionavam com um prato apenas e um ponteiro que indicava a massa em quilos em uma escala. A expressão “fiel da balança”, porém, continua sendo usada até hoje. Por indicar o equilíbrio entre dois lados, se refere a um mediador confiável ou pessoas com o poder de influenciar de forma decisiva o resultado de uma disputa (ver quadro De Ponteiro a Pontual, ao lado).

De ponteiro a pontual

Todos os sentidos do “fiel da balança”

O DECISOR
O fator que decide uma disputa muito acirrada. Ex.: “A classe média é o fiel da balança do equilíbrio político americano”.

O PREVISÍVEL
Enquanto outros variam, ele se mantém estável. Ex.: “As ações desta empresa são o fiel da balança na Bolsa”.

A PECINHA
No sentido original, era o ponteiro das balanças antigas, que indicava qual lado estava mais pesado.

A PRIORIDADE
Entre várias opcões, a que é posta na frente. Ex.: “Na hora de fazer as malas, o fiel da balança é a calça jeans”.

O CONFIÁVEL
Sujeito ponta-firme, que nunca deixa você na mão. Ex.: “Fulano é o fiel da balança – você sempre pode contar com ele”.

2794 -☻Mega Curtíssimas:Vai barata aí?


Vai Barata aí? ONU recomenda o consumo de insetos
Um estudo da Food and Agriculture Organization (FAO), divisão das Nações Unidas que estuda a alimentação no mundo, defende a criação e o consumo de insetos como uma maneira de satisfazer a necessidade de proteína na dieta das pessoas, e com isso reduzir a produção de carne – que é responsável por aproximadamente 20% de toda a emissão global de CO2.

2793 – Como se faz uma cirurgia de mudança de sexo?


Com convicção: no Brasil, é preciso ter mais de 21 anos e encarar 24 meses de acompanhamento médico até que a cirurgia seja autorizada – sem contar a fila do SUS.
Como se fosse Lego, desmonta-se o pênis original e usam-se as mesmas peças para construir um novo.

1. Intervenção
Com anestesia geral, o paciente recebe uma incisão que contorna todo o saco escrotal e o pênis – cuidando para não atingir o aparelho urinário, que será adaptado para que o paciente possa urinar sentado. No final, o corte vai se transformar em uma vagina com profundidade de 12 a 15 cm.

2. Vazio
Os testículos são retirados, para evitar a produção de hormônios masculinos. O tecido cavernoso do pênis também sai, restando apenas a glande, presa por um fiapo de tecido nervoso, antes responsável pela ereção.

3. Cavidade
A pele do pênis cobre o canal vaginal, dando sensibilidade à região, e a glande vira uma espécie de clitóris. Assim, a nova mulher pode até chegar ao orgasmo. Prepúcio e escroto formam os lábios vaginais. Para que o buraco não feche, é preciso usar com frequência um alargadora – ou praticar muito sexo com penetração. “Vinte minutos diários é o mais aconselhável”, diz Preecha Tiewtranon, tailandês considerado o papa da troca de sexo.

MULHER PARA HOMEM

Bem mais raro que o processo anterior, este se baseia no aumento do clitóris por causa de hormônios masculinos.

1. Testosterona
A paciente tem de tomar diariamente 200 mg de testosterona. Os resultados são: fim da menstruação, voz mais grave, mais massa muscular, às vezes calvície, mais pelos e o desenvolvimento do clitóris – que tem a mesma origem embrionária do pênis (só que um cresce e o outro não).

2. Crescimento
Quando o clitóris alcança 6 cm, o órgão é “despregado” do púbis para que possa ter autonomia de movimento. A uretra é aumentada com tecido extraído da antiga vagina. “O paciente sai daqui urinando em pé”, diz a responsável pelo ambulatório de transexuais do Hospital das Clínicas de São Paulo, Elaine Costa.

3. Psicologia
Os testículos são formados com o tecido dos grandes lábios vaginais, que passarão a envolver duas próteses esféricas de silicone. Fica bem parecido. Quanto ao neopênis, o resultado é mais psicológico: além de minúsculo, quase não serve para penetração.

2792 – Infectologia: O que é a Septicemia?


Sepse ou sépsis (do grego Σήψις, septikós, que causa putrefação + haíma, sangue) é uma infecção geral grave do organismo por germes patogênicos.
A septicemia pode se desenvolver a partir de qualquer infecção sistêmica grave. A grande maioria dos germes responsáveis pela sepsis causada na comunidade são bactérias, oriundas das infecções como: pneumonia comunitária adquirida, infecção alta do trato urinário ou meningite. Em caso de pacientes hospitalizados, as causas bacterianas mais comuns são pneumonia por aspiração, pneumonia associada à respirador, infecção de sutura e abcessos.
Antigamente, as septicemias eram quase sempre fatais. A descoberta dos antibióticos modernos permitiu o combate plausível de forma eficaz dessas infecções malignas, que continuam, no entanto, muito perigosas em organismos enfraquecidos, debilitados ou no caso de defesas imunitárias insuficientes.
A septicemia é a designação para o conjunto de manifestações patológicas devidas a invasão, por via sanguínea, do organismo por germes patogénicos provenientes de um foco infeccioso.
O termo “septicemia” tem sido substituído por “sepse” ou “sepsis”, como recomendação da maioria dos autores/infectologistas, isto porque a prioridade tem sido dada à versão dos termos em inglês. Entretanto, a palavra septicemia é tradicionalmente adotada na medicina brasileira.

2791 – Japão vai injetar nitrogênio para evitar explosão no reator


No cenário de destruição os japoneses lutam contra a radiação

Reportagem da Folha de São Paulo
A Tokyo Electric Power Co. (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima Daiichi, vai lançar nitrogênio no reator 1 para reduzir o risco potencial de uma explosão de hidrogênio –como registrado no início da crise nuclear.
O nitrogênio, um gás inerte, tem capacidade de resfriar rapidamente. Ele deve ser lançado na câmara de contenção do reator 1, em um processo que pode levar dias, segundo Hidehiko Nishiyama, porta-voz da agência de segurança nuclear do Japão.
Hidehiko negou, contudo, que haja um risco imediato de explosão no prédio, que já foi danificado por explosões anteriores.
A estratégia mostra que a crise nuclear está longe de ser contida, apesar da boa notícia de terça-feira de que a Tepco finalmente conseguiu conter o vazamento de água do mar radioativa da usina.
Às 5h38 desta quarta-feira (17h38 de terça-feira em Brasília), a Tepco confirmou que o vazamento oriundo de uma rachadura no reator 2 parou. Ele foi contido após a Tepco lançar 6.000 litros de agentes químicos, incluindo silicato de sódio, conhecido como “cristal solúvel”.
Os funcionários da Tepco haviam descoberto na semana passada a rachadura de 20 centímetros na parede de um fosso técnico localizada perto da beira-mar e ligado ao reator 2.
Um volume importante de água contaminada vazava dia e noite desse fosso, mas os técnicos não tinham conseguido tampar a rachadura, apesar de várias tentativas utilizando cimento e depois mediante uma mistura de polímeros, papel de jornal e pó de serra.
Nesta terça-feira, decidiu-se fazer perfurações mais acima para seguir os fluxos de água e injetar o silicato de sódio no solo.
A agência ressaltou que é possível que a água radioativa possa aparecer em outras partes da usina.
Conter a radiação era uma das prioridades no interior da usina nuclear, onde os avanços eram dificultados pelas cerca de 60 mil toneladas de água altamente radioativa que inundaram várias áreas e dificultam a passagem dos operários.
Como medida de emergência, os funcionários da Tepco começaram nesta segunda-feira a despejar no mar 11.500 toneladas de água com um nível de radioatividade relativamente baixo (100 vezes superior ao limite).

2790 – Ciclismo – Eficiência em 2 Rodas


Capa da super sobre o assunto

A bicicleta, desde sua origem, tem sido a mais eficiente máquina já criada para converter energia humana em propulsão. Apenas irrisório 1% da energia transmitida das pernas à roda traseira se perde, o que torna possível ao ciclista manter facilmente a marcha entre 16 e 19 quilômetros por hora, isto é, quase quatro vezes a velocidade do caminhar. Não é por outra razão que o formato desses veículos pouco mudou desde a virada do século, quando uma série de aperfeiçoamentos levou ao ferro-velho nostálgicas engenhocas, elos perdidos na história da evolução das bicicletas. Há exatamente 200 anos, no mesmo cenário em que LeMond cruzava a linha de chegada, o conde de Sivrac apresentava o celerípedo, um biciclo de madeira sem direção, propelido pelo impulso dos pés contra o chão, considerado hoje o precursor da bicicleta.
Depois, foram incorporados a direção, invento do barão Karl de Drais em 1818; os pedais, que o francês Ernest Michaux acoplou em 1861 à roda dianteira; a transmissão por corrente, algo que embora criado séculos antes por Leonardo da Vinci (1452-1519) só foi aplicado às bicicletas em 1879; e, por último, em 1888, os pneumáticos do inglês John Boyd Dunlop (1840-1921). Em 1984 mais um nome se juntaria a essa distinta confraria. Decidido a quebrar o recorde de velocidade contra o relógio, o ciclista italiano Francesco Moser, em vez de lançar-se a cansativos treinamentos, foi antes buscar apoio nas últimas novidades tecnológicas. A partir do estudo de suas características físicas pessoais, ele desenvolveu no computador uma bicicleta totalmente diferenciada, com quadro inclinado, guidão especial e rodas carenadas. Sobre ela, tornou-se o primeiro homem a superar a barreira dos 50 quilômetros em uma hora de pedaladas.
Até hoje, seu recorde de exatos 51,151 quilômetros no velódromo da Cidade do México ainda não foi batido, mas suas inovações já se tornaram comuns ou até mesmo obsoletas nos modelos de corrida. As rodas carenadas ou lenticulares (com o centro do aro fechado), por exemplo, uma idéia que parece datar do século passado, não haviam sido aceitas antes por ciclistas ou engenheiros. Moser demonstrou que as rodas podem ter melhor impulsão se passarem a assumir o comportamento de uma estrutura maciça, deformando-se bem menos que os vários raios finos dos modelos convencionais e cortando o ar com mais facilidade.
Seu único inconveniente para as provas fora dos velódromos—a resistência que oferecem às rajadas de ventos laterais, capazes de desequilibrar o ciclista—foi superado este ano. A empresa americana Specialized Bicycle Components criou uma nova roda com três aros grossos, feitos de material especial, mais leve e resistente, composto de uma mistura de fibras de carbono, resina epóxi, Kevlare alumínio. Desenvolvida num dos sessenta computadores CRAY existentes no mundo, sua aerodinâmica perfeita pode representar uma valiosa economia de 10 minutos numa corrida de 160 quilômetros.
Roupas colantes de menor atrito com o ar, óculos protetores envolventes e pêlos das pernas raspados: tudo é válido para conseguir melhor aerodinâmica e ganhar alguns segundos de vantagem. O polêmico guidão Scott, como é conhecido o aparato usado por LeMond, é um resumo desse esforço. O nome é uma homenagem ao ciclista americano Scott Allen, o primeiro a utilizá-lo em 1987 nas provas de triatlon, dura modalidade esportiva em que o atleta corre um trecho a pé, nada outro tanto e pedala um terceiro. Mas foi outro americano, o esquiador e ciclista Boone Lennon, quem descobriu, em recentes pesquisas no túnel de vento, que os esquiadores conseguiam um avanço maior quando diminuíam sua largura, e não altura, como se pensava até então. Assim, ao jogar os braços para a frente e apoiar os cotovelos, os ciclistas, imitando os esquiadores, diminuem sua largura sobre a bicicleta em importantes 8 centímetros. A altura, embora menos decisiva, também baixa 15 centímetros.

2789- Santo cafezinho


Santo cafezinho

Universitários cariocas tem como meta oferecer um fumegante cafezinho para 50000 estudantes entre 7 e 15 anos de idade. Pois a bebida, que era proibida para menores, pode elevar o QI da garotada. Para conferir essa tese, vão ser aplicados testes de inteligência antes e depois da beberagem. “Após o café, os resultados dos testes devem melhorar cerca de 5%”, estima um professor da UFRJ. “Por enquanto, já existe a certeza de que o hábito do cafezinho facilita o aprendizado e a prática de esportes. Além de ajudar na prevenção às drogas.”
representantes de alguns dos mais respeitados laboratórios do mundo concordam com ele. Não faltam trabalhos sobre as boas ações da cafeína, componente do café. Esses novos estudos derrubam a sua velha fama de vilã, provando que, em doses controladas, ela não prejudica o organismo de crianças. Ao contrário, só faz bem. Tanto assim que, no Japão, diversas escolas estão incluindo café na merenda. Aqui, a moda pode pegar, começando pelo Rio de Janeiro.
Um segundo depois de ser engolido, o café começa a agir: mal encosta nas paredes do estômago e já vai provocando a secreção do suco gástrico. Para quem tem úlcera, o efeito é doloroso. Mas, para a maioria das pessoas, ele é bem-vindo, especialmente após as refeições. Pois o aumento do líqüido estomacal apressa a digestão.
Os benefícios de um simples cafezinho não param por aí. Em cerca de trinta minutos, suas moléculas começam a ser absorvidas, caindo no sangue. Ali ficam, arrastadas pela circulação, durante um período de três a sete horas, até serem eliminadas. Ao passar pelos músculos, estimulam os nervos, aumentando a coordenação motora. Nas voltas pelo corpo, porém, a escala mais importante é o cérebro. A cafeína induz a produção da chamada noradrenalina — substância que ativa o estado de alerta. Toda vez que se presta atenção em alguma coisa, por exemplo, há muita noradrenalina jorrando entre as células cerebrais.
Provavelmente, a relação entre a cafeína e a noradrenalina explica a informação divulgada no ano passado por médicos do Instituto de Psiquiatria de Londres, na Inglaterra. Segundo eles, quem bebe café diariamente chega a elevar a sua capacidade de raciocínio entre 4% ou 5%. A memória melhora na mesma proporção. Eles afirmaram isso com base no exame de 7 000 pacientes.
No Brasil, o médico Darcy Lima, da UFRJ, obteve resultados semelhantes, analisando 2 450 pessoas. Ele investiga a ação do cafezinho há doze anos, sem vínculo com produtores, patrocinado exclusivamente por instituições de pesquisa. Em 1989, Lima descobriu um segredo importante: por que todo fumante tem mania de tomar café enquanto traga um cigarro. “Nos pulmões, a cafeína relaxa determinados músculos, dilatando os brônquios, os canais pulmonares por onde passa o ar”, explica. “Com isso, ela compensa tanto a contração provocada pelas crises asmáticas como a causada pelo tabaco.” Daí a associação entre o prazer do cafezinho e o cigarro.
Além disso, os bebedores de café tendem a fumar menos do que os tabagistas não-consumidores da bebida. Entre os dependentes de tóxicos, por sua vez, os apreciadores de um bom cafezinho apelam para as drogas com menos freqüência. Até hoje não se sabe direito por que isso acontece. “Parece haver algo que, durante certo tempo, aplaca a vontade de cheirar mais cocaína”, observou Darcy Lima em seus pacientes. Atualmente, os médicos do Hospital Johns Hopkins, um dos maiores dos Estados Unidos, estão usando pastilhas de cafeína concentrada no tratamento de drogados.
Existem mais de 100 componentes no café e há indícios de que muitos deles têm efeitos medicinais importantes.
Há quatro anos, cientistas australianos notaram uma molécula, diferente da cafeína, que atua nos receptores opióides, espécies de fechaduras nas células cerebrais. Quando algo se encaixa nesses receptores é como se fosse apertada uma tecla no cérebro, ativando sensações de prazer e de saciedade. Existem receptores opióides específicos para moléculas de maconha, de cocaína, de álcool e de nicotina, entre outras. A misteriosa molécula do café, porém, encaixa-se em todos eles, como uma chave mestra. Resultado: nas poucas horas em que permanece no cérebro, antes de ser degradada, ela literalmente ocupa o lugar da droga, freando o desejo de consumi-la. Resta identificar a tal molécula e saber em qual café ela é mais comum.
Pois o cafeeiro é uma planta cheia de manhas: “A menor alteração de clima e de solo altera a proporção dos componentes nos grãos”, explica Américo Sato, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Café (ABIC). “A mesma espécie que se planta em São Paulo pode ter um sabor completamente diferente, quando cresce no Cerrado mineiro”, exemplifica. “Até mesmo o jeito de colher pode mudar a sua química.”
Virou senso comum achar que cafezinho causa infarto. No ano passado, porém, o Instituto de Estudos Farmacológicos de Milão apresentou dados capazes de tranqüilizar os consumidores mais receosos. Segundo os cientistas italianos, pessoas cardíacas podem tomar até 250 miligramas de cafeína por dia (aproximadamente cinco xicrinhas das nossas). Acima dessa dosagem, a substância pode, de fato, agravar os casos de hipertensão. Nada que deva preocupar quem tem pressão normal: nessas pessoas, o aumento costuma ser de apenas três décimos. A diferença, dentro da normalidade, está longe de preocupar. Por isso, são permitidos até 600 miligramas de cafeína aos adultos sadios (cerca de doze xícaras). As crianças devem tomar doses menores, conforme a idade.
A quantidade exata de cafeína aumenta conforme a quantidade de pó usada no preparo. O cafezinho típico brasileiro — assim como o dos franceses e italianos — tem, em média, 1 miligrama de cafeína por mililitro. Pode-se considerar 50 miligramas de cafeína por xicrinha, 2,8 vezes mais do que o café preparado nos Estados Unidos ou na Alemanha, países que preferem uma bebida mais aguada, prima distante do chá (o que a gente considera um legítimo “chafé”).
Existe a chamada bebida mole, com gosto adocicado. Apesar de ser considerada a mais nobre de todas, representa apenas 2% da produção nacional. A bebida dura, com sabor forte e encorpado, é consumida principalmente no Sul e Sudeste. Vinte por cento de todo o café brasileiro é desse tipo. O restante é classificado como riado ou rio zona. Tem substâncias adstringentes, que fazem o gosto “pegar” na língua. Tecnicamente, é inferior. É aquele cafezinho com aroma tão forte que se espalha pelo ar, chegando à casa do vizinho. Mais barato, mais cheiroso, e também faz bem.
A colheita
É a parte mais importante da produção. Na Colômbia e na Costa Rica — cujos cafés estão entre os melhores do mundo —, os colhedores escolhem um a um os frutos vermelhos e maduros. No Brasil, porém, usa-se uma técnica chamada derriça: ao passar a mão no galho, de cima para baixo, o colhedor arranca os frutos de uma só vez. Entre os maduros, há sempre um ou outro ainda verde
A secagem
O mais comum é deixar o café colhido em imensos terreiros, secando ao sol, durante uns quinze dias. Depois de seco, fica fácil retirar a casca, separando os grãos.
Existe, ainda, o método da via úmida: os cafés são mergulhados em água quente, para a retirada da polpa. Desse jeito, torna-se mais rara a formação de compostos químicos capazes de prejudicar o sabor da bebida
A estocagem
Só seguem para a estocagem os cafés com qualidade aprovada. Dentro das sacas, nunca pode haver mais de 1% de impurezas. Afora isso, os cafés se dividem em oito tipos, conforme a proporção de grãos defeituosos, como os imaturos ou com fungos. Na prática, são encontrados no mercado cafés do tipo 4 (com 4,5 % de grãos com defeitos) ao tipo 8 (com 25% a 30% de grãos defeituosos)
A torrefação
Mais torrado, menos torrado — isso não é fundamental para deixar o café com gosto forte ou suave. O que realmente importa é a combinação de grãos de procedências diferentes, que dá a característica de cada marca. Os cafés são misturados na imensa torradeira, onde podem ser acrescentadas as essências usadas nos aromatizados, lançados há um ano no mercado brasileiro
Enfim, moído
Saído dos moedores, o café é embalado. O Brasil consome 600 milhões de pacotes de 1 quilo por ano, o que dá para fazer 48 bilhões de xicrinhas. Está em terceiro lugar, perdendo para os Estados Unidos, em primeiro, e para a Alemanha.

2788 – Por que o césio radioativo brilha?


Porque o núcleo dos átomos de césio radioativo, chamado césio 137, se parte com muita facilidade. Partindo-se, libera partículas subatômicas que escapam do núcleo e vão se chocar com os elétrons localizados na periferia do átomo. Resultado: a energia dos elétrons aumenta. Para retornar ao estado de equilíbrio anterior, os elétrons têm que se livrar do excesso de energia. E fazem isso emitindo luz. Daí o brilho do césio 137. “Outros materiais muito radioativos, como o rádio, também têm a propriedade de brilhar no escuro”, acrescenta o químico Atílio Vanin, da Universidade de São Paulo.

2787 – Biologia: Micróbios amigos


Nem todas as bactérias causam doenças, algumas comem lixo. Petróleo, plásticos, resíduos industriais, inseticidas — a lista cresce a cada dia. É natural, já que as bactérias foram os primeiros seres do planeta. Compõem-se de uma única célula e rapidamente aprendem a extrair energia e nutrientes a partir das mais variadas substâncias.
As comedoras de petróleo estão entre as mais eficientes lixeiras. Pertencentes ao gênero Pseudomonas, elas podem limpar a borra dos tanques nos superpetroleiros, uma imundície que antes se bombeava ao mar. Ou então eliminar vazamentos acidentais desses navios. Recentemente, as bactérias devoraram uma gigantesca mancha de pe tróleo, deixada nas costas do Alasca pelo navio Exxon-Valdez, em 1989. O óleo se degradaria naturalmente, mas os micróbios fizeram o serviço num tempo quatro vezes menor, duas semanas.
Mas as bactérias que estão causando maior sensação pertencem aos gêneros Citrobacter e Desulphovibrio. Elas não comem, mas absorvem metais altamente tóxicos dos rios e lagoas. Agem como esponjas, acumulando metais em sua membrana. Melhor ainda: como todo metal é pelo menos um pouco magnético, os microorganismos podem ser “pescados” das águas por meio de um eletroímã. O eletroímã é arrastado pela água quando se nota que os microorganismos estão repletos de metais venenosos.
Nessa situação, eles parecem cobertos de penugem, ao microscópio. Experiências recentes, na Holanda, mostram que esse método elimina mais de 90% das substâncias perigosas num tanque de água.

2786 – Brasil: o país dos 100 milhões de raios


Dos 3,15 bilhões de raios que golpeiam a Terra e seus habitantes durante um ano, 100 milhões deles vêm desabar em terras brasileiras. O número, divulgado no ano passado por uma equipe de cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, São Paulo, não é superado por nenhum outro país. E ficou bem acima das estimativas que davam conta de 30 milhões ao ano. Agora, sabemos com segurança: em quantidade de relâmpagos, ninguém segura este país.
Mas a pesquisa do INPE vai muito além de contar faíscas no céu. Desde 1989, num trabalho que usa enormes balões — do tamanho de prédios de 20 andares —, o Instituto vem medindo a carga elétrica das nuvens e dos relâmpagos que atingem a Região Sudeste. Para isso, os balões levam sensores elétricos, sensores de raios X e até máquina fotográfica e câmera de vídeo. Registram tudo o que acontece a 30 quilômetros de altura.
Tanta investigação acabou encontrando as particularidades dos raios brasileiros, que são diferentes dos que caem em outros lugares. “Sessenta por cento dos que atingem a Região Sudeste, em alguns dias do verão, têm carga positiva”, diz Iara Cardoso de Almeida Pinto, geofísica espacial, que juntamente com o marido, o também geofísico espacial Osmar Pinto Jr., comanda a pesquisa. Outra surpresa, pois 90% dos raios do mundo têm carga negativa.
Um detalhe: raios positivos são, geralmente, mais destrutivos. Embora os relâmpagos sejam mais freqüentes dentro das nuvens do que das nuvens para o solo, os mais estudados são justamente estes, que vêm bater no chão — os mais ameaçadores.
De acordo com dados da Eletropaulo (Eletricidade de São Paulo), no ano passado ocorreram 974 casos de falhas ou interrupções da rede elétrica causadas pelos raios. Só para se ter uma idéia do tamanho do prejuízo, se um grande blackout atingisse toda a região da Grande São Paulo por uma hora implicaria uma perda de 30 milhões de dólares.
Mas, afinal, como se formam as faíscas que vemos no horizonte quando se anuncia uma tempestade? Relâmpagos são gerados dentro de uma nuvem muito particular: a cumulonimbo, que se diferencia das outras por ser verticalmente mais extensa. Ela se forma a 2 quilômetros de altura do solo e se estende até 18 quilômetros acima.
Tudo começa quando o ar quente e úmido próximo do solo se eleva na atmosfera (ele sobe porque é mais leve que o ar acima dele). À medida que vai subindo, esfria, até chegar ao topo da nuvem onde a temperatura é muito baixa, de 30 graus negativos. Resultado: o vapor de água que estava misturado ao ar quente transforma-se em granizo e começa a despencar (porque é mais pesado que o ar) para a base da nuvem. Na queda, vai se chocando com outras partículas menores, cristais de gelo principalmente. Os choques fazem o granizo e os cristais ficarem eletricamente carregados.
As cargas negativas presas ao granizo vão para a base da nuvem. Já as positivas ficam nos cristais de gelo, mais leves, que tendem a subir com o ar quente que vem de baixo para o topo da nuvem. Ou seja, as cargas se separam: positivas em cima e negativas em baixo. Em dado momento, as cargas positivas e negativas atingem intensidade muito alta. É o que basta para o surgimento do relâmpago. Para equilibrar cargas tão diferentes, a eletricidade anda sozinha, sem fio nem nada, pelo ar. Em outras palavras: um raio não é nada mais que uma carga elétrica cruzando a atmosfera.
A maioria dos raios começa e acaba dentro das nuvens. São poucos os que vêm para o chão. Sobre esses há duas curiosidades. A primeira é que só podem ser vistos na fase final. Logo que o raio sai da nuvem e segue em direção do solo não pode ser visto (nessa fase é chamado de “líder escalonado”). Quando essa faísca tortuosa chega a 50 metros do chão, sai da terra outra faísca em direção à nuvem (é a “descarga conectante”) e ela ainda não pode ser vista. Só quando as duas correntes se encontram é que tudo se ilumina. O que vemos, então, é a “descarga de retorno”. A segunda curiosidade: os raios que enxergamos, portanto, saem da terra para o céu. Por ilusão de óptica, achamos que o clarão do relâmpago vem do alto para a terra.
O primeiro experimento para pesquisar os raios no Brasil foi realizado em dezembro de 1989, na base de lançamentos de balões do INPE, em Cachoeira Paulista, interior de São Paulo. O mais impressionante foi mesmo o enorme balão estratosférico, de 7 500 metros cúbicos. Feito de plástico muito fino, leve e super-resistente à radiação ultravioleta do Sol, ele partiu para as nuvens carregando um equipamento de 100 quilos. A 30 quilômetros de altura, deu início à missão de sentir a força dos relâmpagos e contá-los em um raio de 100 quilômetros.
Na experiência de 1989, o balão levava apenas sensores para medir as cargas elétricas dentro das nuvens e dos relâmpagos. A peça central dos sensores são bolas metálicas de 20 centímetros de diâmetro: atingidas pelos impulsos elétricos que saem das nuvens, elas medem as correntes. Os registros são captados por circuitos eletrônicos dentro do equipamento e transformados em sinais. Codificados digitalmente, os sinais são transmitidos para a superfície e gravados num microcomputador para análises posteriores.
Nas experiências seguintes, em janeiro e fevereiro de 1994, além dos sensores elétricos, o equipamento incluiu uma câmera de vídeo, uma máquina fotográfica e um sensor de raios X — um cristal de iodeto de sódio sensível aos raios X. O cristal é acoplado a uma fotomultiplicadora, que amplifica um sinal de raios X e o transforma numa corrente elétrica cuja intensidade é codificada e gravada no microcomputador. A câmera de vídeo e a máquina fotográfica finalmente registram as imagens de tudo o que acontece ao redor.
E lá se vai o balão com toda essa carga pendurada. Ao chegar a 30 quilômetros de altura, começa a se mover para o oeste (no interior do Estado), passando sobre as nuvens. O vôo dura de dez a doze horas. No final, o equipamento cai de pára-quedas (para depois ser recuperado) e o balão se perde no ar.
A aviação também pode se precaver conhecendo os trechos das rotas mais sujeitos a relâmpagos. Se não derrubam aeronaves, eles provocam panes momentâneas nos computadores de bordo — e tempestades sempre acabam chacoalhando os passageiros
A melhor forma de proteção contra os relâmpagos, a despeito de toda a tecnologia moderna, continua sendo o primitivo pára-raios, uma invenção do século XVIII. Não pode haver aparelho mais simples. Colocada sobre uma casa, uma haste metálica ligada a um fio condutor de eletricidade enterrado no chão será sempre a primeira parte da construção a receber o relâmpago. Primeiro, por ser de metal; segundo, por ter um fio condutor que leva a eletricidade para a terra e, terceiro, por ser o ponto mais alto da casa.
Bastava saber disso para se inventar o pára-raios. Mas antes era preciso descobrir que os raios são um fenômeno elétrico. E essa foi a façanha realizada em 1752 pelo cientista americano Benjamin Franklin.
Pouco antes de uma tempestade, ele empinou uma pipa em direção às nuvens, já desconfiado de que elas estivessem repletas de cargas elétricas. Com sorte e muita habilidade, conseguiu provar isso ao perceber que uma parte dessas cargas descia pelo fio da pipa. Foi ali que nasceu o pára-raios. Franklin teve mesmo uma boa mãozinha da sorte, porque, se um raio de verdade — e não as pequenas cargas que estavam se acumulando nas nuvens, antes de se transformarem em raio — houvesse caído no fio, ele não teria vivido para contar a história. Tempos depois, o físico russo Georg Richmann, ao tentar repetir o feito, morreu eletrocutado.
Com o pára-raios, boa parte dos transtornos ocasionados por relâmpagos puderam ser evitados. Hoje, casas e edifícios são protegidos por eles. Prédios mais baixos e de áreas pequenas precisam de um único pára-raios. Já edifícios de dez andares para cima costumam ter mais de um. Deles saem cabos condutores de eletricidade que correm por fora da estrutura e descem para o solo.
Em busca de maior proteção, no início deste século, foram introduzidos pára-raios que tinham na ponta uma cápsula radioativa, feita de amerício, um elemento químico. Uma pequena abertura na cápsula permite que a radiação escape, atraindo os raios. Mas, por causa da radioatividade, acabaram proibidos no mundo inteiro. Em São Paulo, 30% dos edifícios ainda o utilizam. O prazo estabelecido por uma lei municipal para a retirada final desses equipamentos é abril do ano que vem.
Outra forma de proteção foi inventada no século XIX, pelo físico inglês Michael Faraday (1791-1867). Ele descobriu que um dispositivo com paredes de metal, como uma gaiola, atuava como blindagem contra as descargas elétricas que vinham de fora, protegendo seu interior. Por esse princípio, um carro com chapas de aço ou um avião funcionam como o equipamento que levou seu nome: gaiola de Faraday.
É possível, hoje, aproveitar as ferragens do concreto armado dos edifícios, se elas estiverem bem amarradas entre si. “Se conectarmos a essas ferragens pequenas hastes na cobertura do edifício, elas também vão funcionar como uma gaiola de Faraday”, explica o engenheiro eletricista Duílio Moreira Leite, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo. Isso é recente no Brasil e existem poucos prédios construídos assim. E não oferecem perigo pois, se um raio atingir as hastes, a corrente elétrica se confina às ferragens e vai diretamente para o solo.
Mas uma tarefa complicada para arquitetos e engenheiros é descobrir proteções eficazes e também estéticas. Por isso, os engenheiros bolaram pequenas cercas de metal que dão a volta no teto das construções, com hastes pequenas em cada canto. Elas não prejudicam a harmonia dos edifícios.

2785 – Arma inteligente(?): Só o dono pode puxar o gatilho


Um em cada quatro policiais assassinados nos Estados Unidos é morto com sua própria arma. Essa informação do Departamento de Justiça americano foi divulgada junto com a decisão de se investir num projeto de uma arma que só dispare quando empunhada por seu dono. A idéia é dotar os revólveres de sensores que identifiquem o seu proprietário — seja pela pressão da mão, temperatura ou impressões digitais —, travando o mecanismo de disparo caso esteja em mãos erradas.
“Uma arma deste tipo pode deixar a polícia e o público mais seguros”, diz David Boyd, diretor científico do Departamento de Justiça. Um revólver que só dispare quando acionado por seu dono teria uma vantagem importante: evitar as centenas de acidentes com crianças, feridas ou mortas brincando com as armas dos pais.

2784-Gente loira entre os chineses


A descoberta de 115 corpos mumificados no Deserto de Xinjiang, rio nordeste da China, levanta uma possibilidade jamais imaginada. Que esse país já tenha sido habitado por pessoas com características físicas ocidentais: pele branca, e não amarela, cabelos loiros, em vez de pretos, e olhos arredondados, em lugar dos olhos puxados. Pois as múmias de Xinjiang são assim. São fisicamente parecidas com gente que viveu bem longe da China, nas estepes da Ucrânia e da Rússia. “É provável que tenham sido nômades e que passassem parte do ano na China”, arrisca o pesquisador Victor Mair, do Instituto de Estudos Orientais da Universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos. O certo é que elas viveram há 4 000 anos, como atestam as análises feitas com carbono-14. Nessa época, os chineses estavam sob o domínio da dinastia Yang Shao, uma das mais antigas de que se tem notícia, na longa história da China. Uma das múmias é de um jovem de uns vinte anos, com tranças nos cabelos. Outra, de um homem adulto, veste roupa fúnebre, de cor escarlate e azul.

2783- Remédios da floresta


Com uma cultura milenar, as tribos de Papua-Nova Guiné, na Oceania, aprenderam a usar um grande número de plantas como remédio. Não somente para tirar a dor ou para desinfetar ferimentos. E poções para baixar a febre e contra a malária são extraídas da floresta. Impressionados, cinco farmacologistas franceses decidiram estudar as drogas dos curandeiros. Para descobrir como os vegetais curam, passaram oito meses na selva, colhendo amostras. A Piper clavibracteatum, por exemplo, é uma trepadeira eficaz contra a febre e contra a malária. Também tem efeito analgésico. A casca do tronco da árvore Euphorbiacea omphalea é outro recurso natural usado para prevenir a malária. Os estudos mal começaram, mas já se descobriram algumas pistas sobre a casca da Harpulia ramiflora radik, usada contra fungos. Ela teria esse efeito por conter a substância saponina, dizem os franceses.

2782 – Sem parar de voar


Longo vôo

A gaivota-negra vive cerca de oito anos. Voando durante quase todos eles. Tanto que está dando um baile nos biólogos que tentam acompanhá-la no céu. Eles chegam a pensar que essa ave praticamente não pousa, depois que sai do ninho. Parte da história é conhecida. Logo após a primeira refeição, na região dos Pirinéus, na França, os filhotes partem para o Deserto do Saara, na África, onde passam o inverno. E aí começam as dúvidas. Há dois anos, biólogos suíços estudam o comportamento das gaivotas-negras. Verificaram que elas se alimentam de insetos, em pleno vôo. Mas não conseguiram ver nenhuma delas descansando, em algum oásis ou na própria areia do deserto. Nem mesmo na Europa, para onde voltam na época de procriar. Este seria o único momento em que descem do céu. Pelo menos até onde alcança a visão dos suíços, cujo trabalho foi divulgado pela revista francesa Sciences et Avenir. Alguns especialistas suspeitam da hipótese dos suíços. “Seria muito extraordinário, pois uma ave migratória que vive nas regiões continentais não fica tanto tempo sem pousar”, diz um ornitólogo do Ibama.

2781 – Medicina: Fertilidade do homem


O FertilityScore funciona da mesma forma que os testes de gravidez para mulheres. Mas serve para avaliar a fertilidade masculina.

Baseia-se no princípio de que os espermatozóides consomem oxigênio ao nadar no sêmen. Se a quantidade de espermatozóides é grande, eles vão retirar muito oxigênio do sêmen — e essa falta de oxigênio pode ser detectada numa reação do sêmen com um líqüido azul, que se torna rosado quando entra em contato com sêmen fértil. Se houver poucos espermatozóides, o consumo de oxigênio será menor e o líquido manterá a cor azul. Desenvolvido pelo médico americano Ronald Ericsson, o teste foi analisado por especialistas belgas que o consideraram 90% confiável.

2780 – As ciências no Brasil


A Astronomia chegou ao pais, em 1640, durante o domínio holandês, quando se instalou, em Pernambuco, o primeiro observatório da América do Sul. A iniciativa foi do príncipe Maurício de Nassau. Já a Geografia é, para nós, uma ciência mais recente, do século XIX. Histórias assim estão nessa antologia em dois volumes, organizada pelo educador Fernando de Azevedo (1897-1974), um dos fundadores da Universidade de São Paulo. No primeiro volume que sai agora, vemos como surgiram no Brasil a Matemática, a Astronomia, a Meteorologia, a Geologia, a Paleontologia, a Geografia, a Física, a Mineralogia e a Petrografia. A obra foi lançada em 1956, mas estava esgotada havia muito tempo. A reedição chega em boa hora, pois é um dos poucos registros que se têm sobre a história da ciência brasileira.

2779-Avanços Científicos do Século 18



Começando pela Astronomia
Edmund Halley previu corretamente que o cometa que viu em 1682 e que depois lavaria o seu nome, voltaria a aparecer em 1758; ele fez a previsão em 1705.Um cientista russo de nome Lomonossov (1711-1765) descreveu a atmosfera de Vênus. O inglês com o título de “Sir”, William Herschel (1738-1822) descobiu o planeta Urano e publicou o catálogo de nebulosas. Foi desenvolvido o método de cálculo de órbita de cometas. Laplace começou a publicar seu tratado da mecânica celeste e Henry Cavenish (1731-1810) verificou a atração universal e determinou a massa da Terra.
Em 1735 foi desenvolvido um método de classificação de plantas e animais. Antes de Darwin,o francês Benoit de Maillet (1656-1738) formulou a primeira hipótese evolucionista para explicar a origem do homem no ano de 1735. A obra “Species Plantorum”, de Linaeus foi referência para a classificação do reino vegetal, em uso até hoje. Spallanzani (1729-1836) descobriu a selagem hermética para preservar alimentos.
Física e Matemática – Gray (1670-1736) Descobriu que há corpos condutores e não condutores de eletricidade. Daniel Bernoulli (1700-1782) publicou en Hydrodinâmica, estudos sobre a pressão e a velocidade dos fluídos (Teoria Cinética dos Gases). Von Kleist (1700-1748) inventou o capacitor (garrafa de Leyden), um elemento fundamental para o estudo da corrente dos circuitos elétricos. Joseph Priestley (1733-1804) demonstrou a eletrização dos condutores. George Atwood determinava com precisão a aceleração dos corpos em queda livre. Lavoisier e Laplace inventaram o calorímetro de gelo. Coulomb enunciou a lei das forças eletrostáticas. Alessandro Volta (1745-1827) estabeleu a série de tensões para os metais em 1793. Hershel descobriu os raios infravermelhos. Lagny estabeleu periodicidade das funções trigonométricas. Gaspar Monge (1746-1818) criou a geometria descritiva.
Medicina e Química – O francês Dominique Anel (1673-1750) inventou a seringa para uso cirúrgico. Em 1717,foi introduzida na Inglaterra a iniculação contra a varíola. Em 1728, concepções revolucionárias sobre o tratamento dentário. Claude Aymand (1660-1740) fez a primeira operação bem sucedida de apendicite. Luigi Galvani (1737-1798) descobriu a natureza elétrica dos impulso nervosos. O alemão Franz Mesmer (1749-1815) começou a usar o hipnotismo em tratamentos médicos no ano de 1774. Publicado “A Arte de Prolongar a Própria Vida” de Hufeland,o primeiro manual de macrobiótica, em 1796. Edward Jenner (1749-1823) introduzia a vacina contra a varíola.Ainda em 1796, Hahnemann, um alemão publicava as primeiras conclusões sobre um estudo de homeopatia. Sintetizado o ácido fórmico; identificado o gás carbônico. Cavendish descobriu que o hidrogênio é menos denso que o ar. Lavoisier descobriu que o ar consistia principalmente em oxigênio e nitrogênio e obteve o hidrogênio por ação do ferro em vapor d’água. Enunciada a lei da conservação das massas e publicada uma tabela de 31 elementos. Nicholson (1768-1851) realizou a eletrólise da água em 1800. O alemão Daniel Gabriel Farenheit (1686-1736) inventou o termômetro de mercúrio com escala de temperatura em 1714. Patenteado o tear mecânico para seda. Reaumur (1683-1757) construiu em 1730 o termômetro de álcool com escala graduada. Haley inventou o quadrante para uso marítmo. Andreas Celsius, sueco, (1701-1744) inventou o termômetro com escala centígrada. Descoberto o processo de extração do açúcar da beterraba por Andreas Marggraf. Benjamin Franklim, americano (1706-1790) inventou o pára-raios em 1752. James Watt, escocês (1736-1819), inventou o condensador, esse seria o primeiro passo para a criação em 1775, do motor à vapor. O francês Girard inventou a turbina d’água. David Bushnell, o torpedo. Watt e Mattew instalaram um motor numa fábrica de tecidos na Inglaterra em 1785. Cruzado o Canal da Mancha em um balão. Inventada a prensa hidráulica e o motor à vapor de baixa pressão. Em 1800, Alessandro Volta construiu a primeira bateria empilhando discos de prata, zinco e flanela embebida em salmoura;devido ao modo de construção, o dispositivo passou a ser conhecido como pilha.