2765-Cronologia da Ciência – Século 16


Nicolau Copérnico (1473-1543) afirmou que a Terra e os outros planetas giravam em torno do Sol. Giordano Bruno (1548-1600) foi queimado pela Inquisição como herege por defender a idéia do movimento da Terra. Lançado em 1532, o “Livro da Ervas” de Otto Brunsfel, foi o 1° manual de botânica. a “História Animallium” deu início aos estudos de zoologia. O italiano Aldrovani (1522-1604) publicou um tratado sobre ornitologia. Inaugurada a Cartografia moderna. Em um atlas de 1538 foi dado o nome de América para o novo continente, em homenagem a AméricoVespúcio.
Galileu Galilei – (1564-1642), já amplamente citado aqui no ☻Mega, realizou os primeiros estudos sobre a propriedade isócrona do pêndulo em 1583.O inglês William Gilbert (1544-1603), publicou “De Magnete”, sobre a eletricidade e o magnetismo; ano de 1600. Mercator sugeriu a existência de um polo magnético para a Terra em 1540. Na Matemática, Spione Del Ferro formulou a resolução das equações cúbicas. Jerônimo Cardano (1501-1576), solucionou as equações de 3° e 4° graus. Foram publicadas tábuas trigonométricas por Von Lauchen. Vieté introduz letras na álgebra.
Medicina – O primeiro manual de cirurgia é Die Kleine Chirurgia, em 1528 de Paracelsus Bombastus, um suíço, De Humanus Corpus Fábrica, de André Vesálio (1514-1564) foi o 1° manualde anatomia, publicado em 1542. Contagiosis Morbis apresentou o resultado de importantes pesquisas sobre moléstias infecciosas em 1546. Bartolomeo Eustáquio, italiano, (1510-1574) descreveu Nas Tabulae Anatomicae, as trompas e as válvulas do ouvido que iriam receber seu nome. Gabriele Fallopio (1523-1562) foi outro anatomista importante. O francês Ambroise Paré (1509-1590), melhorou a técnica das amputações e desenvolveu o uso de ligaduras para estancar a hemorragia. O Real Colégio de Medicina de Londres, recebeu autorização para dissecar cadáveres humanos em 1565. Foram feitos os primeiros estudos sobre a anatomia dentária.
Tecnologia – Peter Henlein (1480-1542) construiu o 1° relógio portátil (não de pulso), chamado ovo de NUremberg, em 1502. Leonardo da Vinci (1452-1519), o fenomenal sábio projetou uma roda d’água horizontal, cujo princípio seria utilizadona construção da turbina hidráulica em 1510. Galileu inventou o termômetro em 1596.O fabricante de óculos holandês Johann Lippershey (1570-1619) vendeu como curiosidade em Amsterdã, os 1°s telescópios a que deu o nome de perpicillum, em 1600.

2764 – Cientistas encontram primo extinto dos jacarés no sul do Brasil


Fóssil encontrado no RG do Sul

Ele não era tão grande quanto o Oxalaia quilombensis, dinossauro carnívoro tupiniquim de até 14 m que ficou conhecido em março, mas vai abocanhar seu lugar na paleontologia brasileira.
O Decuriasuchus quartacolonia, primo distante dos crocodilos encontrado no Rio Grande do Sul, é o predador dessa linhagem que apresenta a mais antiga evidência de hábitos sociais, segundo pesquisadores da USP de Ribeirão Preto e da Fundação Zoobotânica de Porto Alegre.
Os responsáveis pelo achado e pela pesquisa que revelou as características do réptil afirmam que os fósseis têm 240 milhões de anos, o que os remetem ao período Triássico (entre 251 milhões e 199 milhões de anos atrás).
Os indivíduos da espécie eram quadrúpedes, mediam até 2,5 metros e tinham crânios de até 30 centímetros.
“Como foram achados dez indivíduos, nove deles amontoados, isso significa que esse grupo que viveu antes dos dinossauros tinha comportamento social, caçava em bando e podia se defender de adversários”, disse um dos pesquisadores responsáveis.
Segundo ele, o local onde os fósseis foram encontrados indica que os animais viviam em uma planície que sofria com grandes secas sazonais
A nova espécie se encaixa numa grande linhagem de répteis terrestres, parentes distantes dos jacarés, que floresceram antes dos dinos.
A descoberta aconteceu em 2001, na cidade de Dona Francisca, região de Quarta Colônia –por isso o “sobrenome” do bicho–, mas a divulgação só foi feita agora, após a comprovação de sua importância paleontológica.
Para isso, desde 2001, foram realizados os estudos para descrever formalmente o novo réptil pré-histórico.
De acordo com os pesquisadores, o nome Decuriasuchus é uma junção de duas referências: a unidade de dez soldados do Exército romano, a decúria, e o termo grego “suchus” para fazer alusão à cabeça de crocodilo.

2763 – Turbina de energia eólica ameaça morcegos e a agricultura


As turbinas de vento para geração de energia eólica representam uma grande ameaça para as populações de morcegos, o que pode ocasionar perdas bilionárias para a agricultura, alerta um artigo publicado na edição desta sexta-feira (01-04-2011) da revista científica “Science”.
O estudo, conduzido por uma equipe de pesquisadores americanos e sul-africanos, sugere que a diminuição da população de morcegos na América do Norte poderia gerar prejuízos agrícolas de mais de US$ 3,7 bilhões por ano, podendo atingir até US$ 53 bilhões anuais.
Essas estimativas incluem a economia de aplicações de pesticida que não são necessárias para controlar os insetos hoje consumidos pelos morcegos. Entretanto, não incluem o impacto colateral dos pesticidas sobre os seres humanos, animais domésticos e selvagens e o ambiente”, explicou um dos autores do estudo, Gary McCracken, da Universidade do Tennessee, em Knoxville (USA).
Sem os morcegos, a produtividade das colheitas é afetada. As aplicações de pesticidas aumentam. As estimativas claramente mostram o imenso potencial dos morcegos de influenciar a economia da agricultura e das florestas.
Os morcegos são predadores de insetos noturnos, entre os quais, espécies que destroem colheitas e florestas.
Segundo os pesquisadores, uma única colônia de cerca de 150 morcegos adultos no Estado americano de Indiana consumiu quase 1,3 milhão de insetos em um único ano.
Mas, desde 2006, mais de um milhão de morcegos já morreram em decorrência da chamada “síndrome do nariz branco”, causada por um fungo.
Mais recentemente, estudos têm alertado para a ameaça contra esses animais representada por turbinas de geração eólica, sobretudo durante o período de migração.
Embora alguns sejam afetados por golpes diretos desferidos pelas hélices das turbinas, a principal causa de morte é a queda repentina de pressão próxima dessas estruturas, que ocasiona hemorragias internas.
Os morcegos se orientam por uma espécie de sexto sentido que os guia pelo som dos ecos, a ecolocalização. Isso permite que eles detectem obstáculos e desviem deles, mas a mudança de pressão é imperceptível.

2762 – Medicina: Os testes que salvam


É preciso encarar os tumores malignos desde a juventude. Já existem exames que acusam a doença enquanto ela tem esmagadoras chances de cura. E os tratamentos estão cada vez mais eficazes. Tudo porque a ciência está flagrando, dentro da célula, as moléculas que deixaram de agir direito. A melhor constatação dessa nova era é a de que, quase sempre, pode se prevenir o mal.
Quem procura acha. O provérbio afasta muita gente dos consultórios. Ninguém quer procurar um câncer. Principalmente, ninguém quer correr o risco de achar uma suposta condenação. É fechando os olhos para a possibilidade da doença que mais de 93 000 brasileiros morrem, todo ano, derrotados por tumores malignos. “O número seria menor se 60% dos casos não fossem percebidos quando o mal já cresceu”, afirma o oncologista Ricardo Brentani, professor da Universidade de São Paulo. Mesmo assim, o Brasil tem uma taxa de cura igual à dos países desenvolvidos. Ou seja, em média, metade dos pacientes tratados se recupera. Poderia ser mais, tanto aqui quanto lá. Ainda por cima agora, que alguns testes de laboratório denunciam o que, de tão minúsculo, é quase invisível.
Entre a primmeiríssima célula maligna e esses milhões de células há um longo processo de crescimento que a Medicina até há pouco não enxergava. Pois só recenternente a Oncologia, a área médica que trata o câncer, avançou nos caminhos da Biologia Molecular. Os pesquisadores hoje vasculham os genes humanos em busca de alterações que provocam aparecimento de tumores. Uma vez conhecidas essas mudanças genéticas, aliás como muitas delas já são, exames irão rastreá-las em pacientes. Será uma caça a pequenos aglomerados celulares que as técnicas de diagnóstico conhecidas jamais conseguiriam notar.
Cada célula do corpo carrega a sua cópia particular do chamado genoma, uma descrição completa de como construir um organismo, da cor dos cabelos ao funcionamento dos órgãos. O genoma humano é um conjunto de 60 000 genes, cada um com o código ou a receita de uma proteína. Dentro desse raciocínio, o câncer é uma doença das moléculas de DNA que formam os genes. Agredidas por fatores diversos, elas acumulam alterações e, a partir de certo ponto, o gene fica prejudicado feito uma máquina cujas peças emperram. Como a maquinaria genética produz proteínas, deduz-se que uma ou outra dessas substancias deixam de ser feitas ou saem com defeitos de fabricação. A célula que depender delas para o seu funcionamento adoecerá.
Antes mesmo que a doença apareça
Nos hospitais especializados em câncer, os exames genéticos perderam a aura de ficção científica. Eles se transformam em uma das principais armas tanto no tratamento quanto na prevenção. A técnica usada é a do PCR (sigla para reação de polimerização em cadeia, em inglês), desenvolvida há uma década, mas que só agora caiu de vez na rotina médica. Em poucas horas, enzimas especiais copiam bilhões de vezes o material genético das amostras de tecido colhidas do paciente. As cópias são ampliadas resultando em uma espécie de fotografia do DNA, na qual é possível estabelecer comparações com o padrão de imagem normal.
O outro grupo de genes é o dos supressores, dos quais são conhecidos apenas 25 tipos. O mais famoso é o chamado p53, que aparece modificado em quatro de cada dez transformações malignas. Como todo bom supressor, o p53 normal está sempre corrigindo eventuais erros de divisão celular, comuns quando os oncogenes são agredidos. Só não faz isso quando ele próprio é a vítima da agressão. “Na maioria dos tumores hereditários, a criança apresenta um supressor defeituoso “, conta à SUPER o oncologista Curtis Harris, do Instituto Nacional do Câncer, nos Estados Unidos. Quando se encontra esse problema no berço, sabe-se que aquele bebê deverá ter um acompanhamento médico exemplar durante a vida inteira.

2761 – Matemática – Pi é letra do alfabeto grego que virou número


O pi é a 16ª letra do alfabeto grego e corresponde ao som fonético “p” no alfabeto latino. Ele é, também, a inicial da palavra grega periphéreia, que significa circunferência. Por isso passou a ser usado para designar a divisão (razão) entre o valor da circunferência de um círculo e o seu diâmetro (o comprimento da reta que atravessa o seu centro). Se pegarmos vários objetos circulares (moedas, botões, pratos), medirmos com uma corda o tamanho da sua circunferência e dividirmos pelo diâmetro do objeto, sempre vamos obter um número bastante próximo a 3,14159. O matemático Arquimedes (cerca de 280 a. C. – a cerca de 211 a. C.), foi o primeiro a estabelecer o valor do pi. O que ele não conseguiu descobrir é que era um número irracional, ou seja, tem um número indefinido de casas decimais (sabe-se hoje que ultrapassam as 2 000). Quem descobriu isso foi o cientista alemão Johann Heinrich Lambert, em 1766.

2760 – Zoologia – Urubu, o novo patinho feio


Urubu-rei

Muita gente acha o urubu um bicho detestável. É verdade que ele come carniça, adora lixo e é meio sinistro. Mas também é ecologicamente correto, voa como ninguém e possui admiradores no Brasil, no mundo e até na Internet. O que você não imaginava é que ele fosse parente da cegonha e da garça. Cientistas americanos descobriram que o troncho urubu é o patinho feio de uma família elegantésima.
Urubus andam sobrevoando a comunidade científica. E não porque estejam atrás de carniça. O bicho provocou um tremendo alvoroço desde que os pesquisadores americanos Charles G. Sibley, da Universidade de Yale, e Burt L. Monroe, da Universidade de Louiseville, publicaram, em 1990, o livro Distribuição e Taxonomia das Aves do Planeta. Utilizando técnicas da genética para contar as diferenças no DNA de cada espécie, eles propuseram uma reclassificação geral das aves. O trabalho deles vem sendo cada vez mais aceito, mas muitos ornitólogos se arrepiaram quando a dupla propôs que a família dos urubus, tradicionalmente associados à ordem dos falconiformes – que inclui falcões, águias e gaviões –, fossem transferidos para a ordem dos ciconiformes – da cegonha e da garça. Mas o DNA não mente: o desengonçado urubu é primo da esguia cegonha.
As aves são classificadas por ordens, depois por famílias, gênero e espécie. No passado, os critérios eram as semelhanças anatômicas e morfológicas entre os grupos. Mas com a contagem do DNA foi possível identificar as similaridades genéticas. “Nós adotamos a classificacão de Sibley e Monroe e vários cientistas estão trabalhando com genética, porque o método é mais completo e permite classificar todas as espécies de aves.Mas muita gente não engole o urubu como primo da cegonha. “A família das cegonhas não tem nada a ver com a dos urubus. São diferentes. A cegonha consegue pegar peixe com o bico e o urubu não. Técnicas genéticas não dão certo para a classificação de aves. O melhor método é a comparação morfológica e do comportamento”, rebate o ornitólogo Johann Dalgas Frisch, autor do guia Aves Brasileiras.
Os urubus desempenham nas Amé-ricas o mesmo papel ecológico dos abutres e das hienas na África: livrar a natureza de animais em estado de putrefação. No Brasil há quatro espécies, fora as visitas eventuais do vizinho andino, o condor, que apesar da majestade é parente do nosso malandro. Só o urubu-preto gosta de andar em bandos. Em cativeiro, duram até 60 anos.
O bicho não faz muito para melhorar sua imagem. Ele tem a cabeça raspada para chafurdar na carniça e passa mais da metade do dia se limpando. Senão, jamais conseguiria alçar vôo, pois a plumagem precisa estar em perfeitas condições para decolar. Urubus são capazes de ficar dias sem comer e voar 100 quilômetros atrás de alimento. Podem localizar um objeto de 30 centímetros a 3 000 metros de altura. São chamados de aves “generalistas”, pois comem o que aparecer. Eles não têm preferência por carniça e adorariam filet mignon. Mas carniça sempre sobra, não é preciso caçar e ninguém disputa.
Quando em perigo, os urubus vomitam boa parte do que consumiram para alçar vôo com rapidez. Têm pés chatos, que atrapalham os movimentos no chão e impedem a captura de presas com as garras, como fazem as aves de rapina. Outra característica particular é a sua termorregulação: como não possuem glândulas sudoríparas, têm narinas vazadas (o bico é perfurado), por onde transpiram.
Um exercício refrescante e bem fedorento da ave, é aliviar o calor urinando e defecando sobre as pernas. O cheiro serve como defesa, já que o animal é pacífico e oportunista. Para atacar, sua vítima tem que estar pelo menos moribunda. Em toda a vida do urubu impera a lei do menor esforço.
Urubu no futebol
A ave também invadiu o futebol. Um dos times mais populares do mundo, o Flamengo, adotou o urubu como símbolo. Nos anos quarenta, o mascote da torcida era o marinheiro Popeye, forte e valente. Mas, no final dos anos 60, o urubu desenhado pelo cartunista Henfil, quando trabalhava no Jornal dos Sports, e depois redesenhado por Ziraldo, conquistou a torcida. Em junho de 1969, um torcedor soltou uma ave com uma bandeira do time amarrada nos pés, no Maracanã, minutos antes do clube enfrentar o Botafogo. A torcida, apanhada de surpresa, aplaudiu. Como não vencia há quatro anos e o resultado foi dois a um para o Fla, o urubu passou a ser sinônimo de sorte. Desde estão, os flamenguistas adoram soltar urubu nos jogos. Difícil é entrar no estádio com o bicho escondido da polícia.
Até 1990, a ordem dos falconiformes, dos falcões, águias e gaviões, incluía os urubus. Falcões têm garras afiadas para segurar as presas e bico adunco.
Urubu
Os urubus são da família Cathartidae. Seu bico é perfurado e, como as garças e cegonhas, não têm garras. As patas são chatas como as das galinhas. Incapazes de carregar as presas, são obrigados a comer o que encontram pelo chão.
Cegonha
Garças e Cegonhas são da ordem ciconiforme. Algumas espécies dessa ordem além de semelhanças morfológicas com os urubus também se alimentam de animais mortos e costumam defecar sobre as pernas para se refrescar.
Urubu-rei.
O soberano colorido
Mede 79 centímetros de altura, 180 centímetros de envergadura de asas (de uma ponta à outra) e pesa 3 quilos. Vive em casais em todo o norte da América Latina e é maior e mais forte do que os outros. Quando o Sarcoramphus papa chega, todos saem de perto até ele comer e ficar satisfeito. Não é que seja briguento, mas como dilacera cadáveres com facilidade, sua presença vem bem a calhar para o resto da turma, já que os menores possuem bico mais frágil. Têm uma carúncula colorida na cabeça (um pedaço de pele pendente) para atrair o sexo oposto. Possui visão mais ampla que os demais mas o olfato não é dos melhores.
Urubu-preto.
O boa-praça
Mede 62 centímetros de altura, 143 de envergadura e pesa 1,6 quilo. O Coragyps atratus é a espécie mais comum e pode ser encontrada em qualquer lugar, na cidade, na mata ou no litoral, nas Américas todas. Muito sociável, vive em bandos, onde os casais permanecem unidos. Seu olfato é especialmente desenvolvido. Às vezes atacam bezerros e outros animais jovens, desde que estejam à beira da morte.
Cabeça-vermelha.
O grande voador
Mede 56 centímetros de altura, 137 a 180 centímetros de envergadura, pesa entre 1,2 e 2 quilos e vive do norte da América do Sul ao sul do Canadá. Também conhecido como urubu-caçador ou urubu-peru, o Cathartes aura é um exímio voador, planando com facilidade, envergando o corpo para os lados e voando rasante. É capaz de capturar pequenos vertebrados só com o bico. Tem o faro mais aguçado da família e é sempre o primeiro a chegar na comida.
Cabeça-amarela.
O pequeno notável
Mede 54 centímetros de altura, tem 130 a 170 centímetros de envergadura e pesa de 1,2 a 2,0 quilos. O Cathartes burrovianus é o mais delicado e menor dos urubus. Tem plumas chegando até a nuca e vive perto de áreas cultivadas, de rios cercados de mata e pântanos do Nordeste do Brasil e Amazônia. Mais raro de ser encontrado, um irmão seu, o Cathartes melambrotos, também habita a Amazônia. Tem o mesmo tamanho do urubu-rei mas sua cabeça não é tão colorida como a do irmão.
Condor.
O primo chileno
Mede 110 centímetros de altura, 3,2 metros de envergadura e pesa até 12 quilos. Em franco processo de extinção, o condor-dos-Andes (Vultur gryphus) só não ganha em envergadura do albatroz gigante. Possui um espesso colar de plumas ao redor do pescoço. Eventualmente, sai da Cordilheira dos Andes para procurar carniça no Mato Grosso, durante a seca. Na América do Norte também existe o condor da Califórnia (Gymnogyps californianus), bem menor.
O vôo do malandro
Como subir sem fazer força.
Por terem os pés chatos, os urubus andam com dificuldade, aos pulos, e têm dificuldade para decolar. Mas no ar, são reis. Eles aproveitam as horas mais quentes do dia para pegar carona nas correntes de ar ascendentes e sobem com pouco esforço, descrevendo espirais em largos círculos. Podem ficar planando horas a fio. Acidentes de avião por choque com urubus são comuns e por isso depósitos de lixo perto de aeroportos são perigosos. A Força Aérea norte-americana registrou 16 198 colisões com aves nos últimos cinco anos, entre as quais a trombada com o urubu é a mais freqüente.
Desinfetante natural
Os cientistas não sabem explicar, até hoje, como o urubu consegue comer carne podre sem passar mal. Mesmo vivendo na podridão, ele não transmite doenças. Há pesquisadores que acham que os anticorpos do seu sistema imunológico são mais importantes do que eventuais proteínas ou enzimas especiais do seu suco gástrico. O que se sabe é que “a diferença entre o sistema digestivo deles e o de outras aves é a maior quantidade de ácido clorídrico no estômago”, diz o biólogo Luiz Francisco Sanfilippo. Mas isso não resolve o enigma. Os urubus são imunes a várias doenças que atingem os homens, como o botulismo. Por isso, seu sistema imunológico está sob estudo. Ele pode vir a ajudar a combater vírus como o da AIDS.

2759 – O Livro dos Riscos diz: Para morrer basta estar vivo


O professor de filosofia Larry Laudan, da Universidade do Havaí, reuniu no Livro dos Riscos dados estatísticos sobre as chances de morte que tem o cidadão comum. A conclusão é que não há nada que se possa fazer (ou não fazer) sem colocar a integridade física em perigo. Vejamos alguns exemplos, listados num artigo da revista americana Discover

Dormir
Um a cada 2 milhões de cidadãos morrem ao cair da cama, e um em 400 se machuca porque a estrutura se quebra.
Acordar
Uma a cada 350 000 pessoas morrem por ano, eletrocutadas ao desligar o despertador digital.
Levantar-se
Você tem uma chance contra 20 000 de fraturar o crânio, escorregando.
Transar
Uma a cada 77 amantes sofrem infarto durante o ato sexual.
Barbear-se
Um a cada 7 000 homens se machucam seriamente com o barbeador elétrico ou lâminas de barbear.
Sair de casa
Há uma chance em 25 milhões de que um avião Ihe caia sobre a cabeça.
Trabalhar
Um a cada 37 000 trabalhadores sedentários sofrem acidentes no escritório.
Engordar
Se estiver 7% acima do peso ideal, você reduz em um ano sua longevidade; com 14%, reduze em dois anos.

2758 – Como funcionam os apitos ouvidos só pelos cães?


Eles emitem sons em uma freqüência mais alta da que pode ser captada pelo ouvido humano mas percebida pelo dos cães. O ouvido do animal pode ouvir sons de até 100 000 hertz enquanto que o do homem registra ruídos de, no máximo, 20 000 hertz. Hertz é a unidade de frequência que indica o número de vezes que uma onda vibra por segundo. “Esses apitos são geralmente usados para adestramento de animais para missões sigilosas, como caça e ataque, sendo possível dar um comando para o cão sem chamar a atenção da presa
Eles podem também ser usados em competições em que vários cães têm de receber instruções sonoras. Isso evita que o comando de um dono seja transmitido a outro animal. Esse tipo de apito é pouco utilizado no Brasil, mas é usado em adestramento em outros países, como Estados Unidos e Alemanha.

2757 – Por que as baratas morrem sempre com a barriga para cima?


Nem todas morrem de papo para o ar. “Isso geralmente acontece quando o inseto está andando em uma parede ou outra superfície vertical e é borrifado com veneno”, diz um entomologista da Universidade de São Paulo. As baratas caem para trás e ficam deitadas de barriga para cima. Em condições normais, o inseto apoiaria uma das asas no chão e daria um impulso para se virar novamente. Mas o efeito do veneno, que atua sobre o seu sistema nervoso, diminui a força e a coordenação. Por isso, ele fica esperneando, de perna para cima, até morrer. Se a barata estiver andando no chão e for borrifada com veneno, morrerá na posição normal, com as asas para cima. A menos que tente subir em uma parede para fugir e caia outra vez.

2756 – Livro contra a supertição e ignorância


Esgotado nas livrarias

Carl Sagan propôs exorcizar o demônio da falta de conhecimento sobre ciência.

Carl Edward Sagan (Nova Iorque, 9 de novembro de 1934 — Seattle, 20 de dezembro de 1996) foi um cientista e astrônomo dos Estados Unidos.Em 1960, obteve o título de doutor pela Universidade de Chicago. Dedicou-se à pesquisa e à divulgação da astronomia, como também ao estudo da chamada exobiologia. Morreu aos 62 anos, de câncer, no Centro de Pesquisas do Câncer Fred Hutchinson, depois de uma batalha de dois anos com uma rara e grave doença na medula óssea (mielodisplasia).
Com sua formação multidisciplinar, Sagan foi o autor de obras como Cosmos (que foi transformada em uma premiada série de televisão), Os Dragões do Éden (pelo qual recebeu o prêmio Pulitzer de Literatura), O Romance da Ciência, Pálido Ponto Azul e O Mundo Assombrado Pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro.

Escreveu ainda o romance de ficção científica Contato, que foi levado para as telas de cinema, posteriormente a sua morte. Sua última obra, Bilhões e Bilhões, foi publicada postumamente por sua esposa e colaboradora Ann Druyan e consiste, fundamentalmente, numa compilação de artigos inéditos escritos por Sagan, tendo um capítulo sido escrito por ele enquanto se encontrava no hospital. Recentemente foi publicado no Brasil mais um livro sobre Sagan, Variedades da experiência científica: Uma visão pessoal da busca por Deus, que é uma coletânea de suas palestras sobre teologia natural.

Ciência, para o astrônomo americano Carl Sagan, significava progresso e civilização. E ele achava que estamos longe do que seria o conhecimento científico ideal, conforme explica em seu último livro, The Demon-Haunted World (o mundo assombrado pelo demônio, traduzido para o português). Em sua opinião, não temos um sistema educacional eficiente e a divulgação das pesquisas pela imprensa é precária. Para Sagan, se o conhecimento não for estendido à maior parcela possível da população, a própria democracia política funcionará mal. No livro, ele usa seu estilo já conhecido, simples e direto. Diz que “não explicar a ciência é uma perversidade porque o desconhecimento induz à superstição e ao preconceito, que estão ganhando terreno. É o que ele chamava de mundo assombrado pelo demônio. Boa parte do livro consiste na análise cuidadosa de diversas idéias equivocadas, porém muito difundidas. Como a vontade de achar que os discos voadores visitam a Terra, a crença nos vários tipos de magia, forças sobrenaturais e seitas exóticas. Sagan discute pacientemente esses tópicos e defende o investimento em pesquisa, como a exploração espacial. Ele faz questão de dizer que seu livro é uma declaração de princípios, “refletindo meu amor de uma vida inteira pela ciência”.

Baixe em PDF:
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2755 -Geologia:Água fresca sob 3 000 metros de gelo eterno


Já viu gelo servir de cobertor? Os esquimós fazem exatamente isso: constroem os iglus porque sabem que o gelo é bom isolante e conserva o calor dentro da casa. Na Antártida, por causa desse efeito, um lago inteiro mantém sua água líquida, enterrado sob 3 quilômetros de gelo, a 50 graus negativos. Há vinte anos se suspeitava que o lago existia. Este ano, imagens de radar confirmaram que ele é um gigante, com 200 quilômetros de extensão e pelo menos 500 metros de profundidade. Não deu para ver ainda o fundo. Mas ele deve estar encostado no solo rochoso do continente, pois é o calor interno da Terra, conservado pelo “cobertor” de cima, que mantém a água líquida. A equipe responsável pela pesquisa é liderada por Andréi Kapitsa, da Universidade Pública de Moscou.

2754 – Mega Byte -Museu do Computador


Da simples calculadora desenvolvida por Blaise Pascal ao computador Eniac, criado para armazenar programas diferentes.

No pulso, nos telefones, nos guichês dos bancos e, o computador é sem dúvida a o instrumento de mil e uma utilidades da civilização tecnológica. E tudo isso começou quando o homem tratou de inventar uma máquina que o livrasse da tarefa de fazer contas
“É indigno de homens eminentes perder horas como escravos na tarefa desgastante de calcular. Esse trabalho bem que poderia ser confiado a pessoas sem qualquer marcação especial, sem máquinas pudessem ser utilizadas.” Gottfried Wilhelm Leibniz
O matemático alemão Leibniz (1646-1716), como muitos de seus antecessores, sonhava com o dia em que o raciocínio aritmético pudesse ser substituído pelo simples girar uma alavanca. Ele chegou a aprimorar a pascaline – a primeira calculadora da História, inventada pelo cientista e filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), apenas somava e subtraia. Em 1794, Leibniz criou um modelo capaz também de multiplicar, dividir e extrair raízes quadradas. Era um imenso salto para o homem, há milênios ocupado como suas contas. O ábaco, por exemplo, conhecido há pelo menos cinco mil anos, é até hoje usado no Oriente no seu formato primitivo: uma série de fios paralelos, presos a uma moldura, por onde deslizam sementes ou contas de madeira.
Antes do ábaco, havia as mãos: o homem contava os objetos de cinco em cinco ou de dez em dez. Daí a palavra dígitus, que em latim quer dizer dedo, e daí também o sistema decimal. A palavra cálculo igualmente vem do latim calculus – pedrinhas ou seixos usados pelos romanos. Mas o homem só tomou o rumo das máquinas de calcular depois de dominar a escrita simbólica e inventar o papel.
Em 1617, o matemático escocês John Napier (1550 -1617) descreveu métodos engenhosos para realizar as operações fundamentais como o uso de pequenos cilindros rotativos de madeira, que ficaram conhecidos como os ossos de Napier. Mas o tipo de cálculo que esse engenhoso permitia era bastante reduzido; seu mérito foi ter plantado a idéia de que era possível a máquina de fazer contas.
Em seguida veio a máquina de Pascal.que provavelmente a inventou por se aborrecer com as sina do pai, um coletor de impostos que atravessava as noites em intermináveis cálculos os manuais. Foi aperfeiçoando a engrenagem de Pascal que Leibniz passou a empregar o sistema binário, com a o qual operam os computadores modernos. Nesse sistema existem dois símbolos: o zero e o um. Das diferentes combinações entre eles são formados todos os números. O número dois, por exemplo, é escrito um-zero.
É com Charles Babbage (1792 -1871), professor de matemática em Cambridge, na Inglaterra, que nasce a concepção do computador como existe hoje. No começo do século XIX, já em meio à revolução industrial, Babbage – que também inventou velocímetro e o limpa- trilhos para locomotivas- irritava- se com o desgaste, lento e impreciso trabalho humano de calcular tabelas. Depois de consumir a própria fortuna, em 1822 Babbage recorreu às verbas da Real Sociedade de Astronomia para construir o que chamava de máquina diferencial, capaz de calcular sucessivamente as diferenças entre conjuntos de números.
Babbage contratou a melhor mão-de-obra disponível, mas não havia tecnologia suficiente: qualquer imperfeição em uma das centenas de aros, rodas dentadas e catracas que movimentavam a imensa engenhoca diferencial provocavam abalos na estrutura inteira, paralisando o sistema. Ele morreu em 1871, antes que a invenção ficasse pronta, mas deixou uma importante herança: sua máquina era programável e as instruções lidas em cartões perfurados – iguais aos criados pelo francês Josseph-Marie Jacquard (1752-1834), quem inventou um tear mecânico com leitura automática de cartões.
O sistema de cartões perfurados seria utilizado mais tarde, nos Estados Unidos, pelo estatístico Herman Holerith (1860-1929) – de onde vem holerite, recibo de pagamento de salário emitido por um computador. Holerith criou uma máquina para tabular os resultados do censo de 1890 nos Estados Unidos: o censo anterior (de 1880) levara sete anos e meio para ser concluído. Ele conseguiu completar os cálculos em três anos e meio – como se vê, um grande avanço para época. “Sou o primeiro engenheiro estatístico”, diria Holerith com orgulho. Ele fundou uma empresa que, associada a outras, mais tarde veio a dar as gigantesca IBM. A máquina de Holerith, que na verdade lia as perfurações no cartão de papel usando a energia elétrica, foi efetivamente a primeira processadora de dados digna do nome.
Na década de 30, em Berlim, na Alemanha, o jovem engenheiro Konrad Zuse, nascido em 1910, começou a construir um computador na sala de jantar da casa onde morava com seus pais. Como seu conterrâneo Leibniz três séculos antes, ele queria ver-se livre dos “fantásticos e abomináveis cálculos” a que sua profissão obrigava e planejava transferir essa tarefa para a máquina. Comprando seus primeiros equipamentos em loja de ferragens, Zuse avisou aos pais em 1936 que iria dedicar-se em tempo integral a construção de seu computador, que ele chamou Z 1.
Partiu então para concretizar seu projeto: construir uma calculadora programada para executar qualquer operação matemática, usando unidades de cálculo binário. Era uma máquina revolucionária por incorporar uma memória e algo que vagamente equivalia a uma central de processamento de dados, além de um teclado para digitação e um sistema de lâmpadas elétricas. Como não conseguiu cartões papelão, usou filmes velhos de 35 milímetros, em que perfurou os orifícios correspondentes das instruções da máquina. Apesar dos pesados investimentos da Alemanha nazista em ciência e tecnológica, principalmente em setores de utilização militar, não houve maior interesse pelo invento de Zuse. Ele acabou abandonando o assunto e deixou país, ao qual só voltaria depois da Segunda Guerra Mundial.
Na mesma época, preparando-se para o conflitotido como inevitável, os ingleses dedicavam-se a inventar aparelhos para decifrar os códigos secretos do inimigo. Isso os levaria a construir em 1943 o imenso computador Colossus, com 2400 lâmpadas e cinco painéis de leitura ótica.
Nos Estados Unidos, professores e pesquisadores da Universidade de Harvard criavam, enquanto isso, um supercalculador controlado por fita perfurada, o Mark I, de 1943. Desenhado originalmente por Howard Aiken (1900-1937), teveuma segunda e uma terceira versão. Com o fim da guerra, esse e outros projetos foram postos em prática.
Assim, ficou pronto em 1946 o primeiro cérebro eletrônico, como era chamado o computador na época: o imenso ENIAC (Eletonic Numerical Integrator e Calculator), que ocupava 120 metros cúbicos correspondentes a uma garagem para dois carros. Tinha 18mil válvulas eletrônicas, 70mil resistências e 6mil interruptores. O barulho de toda essa maquinaria funcionando foi comparado ao som de um milhão de agulhas de tricô em ação”
Com todas as lâmpadas acesas, a temperatura ambiente chegava aos 50 graus centígrados, ameaçando o desempenho de todos o sistema. O ENIAC calculava em minutos as trajetórias de bombas e projéteis, tarefa para qual antes era necessário trabalho de pelo menos duzentas pessoas. Apresentado à imprensa, sugeriu- se que o computador realizasse a seguinte conta: 97367 elevado á 5000.ª potência. O desafio foi cumpridoem um segundo e meio.Seu grande problema nem o tamanho nem o funcionamento. Era porem limitado por ter memória muito pequena. Foi a vez do professor de matemática, John von Neuman ( 1903 -1957), quem sugeriu que o computador passasse a armazenar programas diferentes. Nascia enfim o computador moderno.
Todo esse complexo que representava o ENIAC em 1946 cabe agora em uma peça de silício de meio centímetro. Com a invenção do transistor, em 1947, o mundo das máquina de computador mudou – e se miniaturizou – radicalmente. O ENIAC é hoje peça de museu. E o computador, do micro ao super, tornou-se o instrumento de mil e uma utilidades da civilização tecnológica, talvez até a sua expressão mais perfeita.