2637-O Pára-Raios


O gerador global

Na figura acima mostramos uma “caricatura” do quadro global. A superfície da Terra é a placa negativa do capacitor e a ionosfera, a uns 50 km de altitude, é a placa positiva. Nas regiões de tempo bom, mostradas (apropriadamente) em azul, há uma corrente da placa positiva para a negativa. No total, essa corrente chega a 1000 Ampères e tende a descarregar o capacitor. Lembre que o “sentido convencional” da corrente elétrica vai da placa positiva para a negativa. As regiões onde ocorrem tempestades funcionam como se fossem enormes baterias suprindo uma corrente positiva do solo para cima. No cômputo geral, os dois efeitos se compensam e o capacitor se mantém carregado.
O raio é um fenômeno elétrico da natureza, onde o acúmulo de cargas positivas ou negativas determinam uma descarga que escoa da nuvem ao solo. A potência de um raio é muito elevada e sua tensão pode atingir 1 milhãode volts. A descarga provoca danos. Como vimos, o pára raios foi inventado por Franklim em 1752. Se cosntitui de uma haste de metal,terminada por uma ponta instalada na parte mais alta da construção. O do tipo dinâmico ou radioativo possui um elemento radioativo, que emite radiação alfa, que ioniza o ar. Ele requer vistorias e proteção contra a radiação.Devem seguir rigorosamente as normas para a instalação e ter vistorias constantes. Estão sujeitos a ação do vento.O percurso do cabo de descida deve ficar sempre a 10 Cm de distância das paredes, sendo que se estiver muito próximo podem atuar como condutores. Os elétrodos da terra devem também ser verificados.
Mitos sobre raios
Raios nunca caem duas vezes no mesmo lugar.
Pelo contrário, raios adoram cair várias vezes no mesmo local. Aquele horrível mastro de bandeira que existe em Brasília, no meio da Praça dos 3 Poderes, já foi atingido por raios inúmeras vezes. Infelizmente, resistiu. Como vimos antes, a “descarga de conexão” costuma se iniciar em algo pontudo que se destaca da planura ao redor, como um prédio, uma árvore ou um peladeiro de campo de várzea. Na Idade Média era costume tocar o sino das igrejas durante as tempestades, para afastar os maus espíritos. Muito monge sineiro morreu por causa desse costume. Se você for surpreendido por uma tempestade no meio do campo aberto, nunca procure abrigo sob uma árvore isolada. Melhor deitar no chão e curtir um banho de chuva e lama.
É perigoso falar no telefone durante uma tempestade.
A verdade é que muito pouca gente morre dentro de casa, atingida por raios. Mas, uns poucos azarados morreram porque estavam no telefone quando um raio atingiu suas casas e propagou-se pela fiação. Portanto, se a tempestade lá fora estiver mesmo braba, use o celular. Seguro morreu de velho.
Contando os segundos entre o relâmpago e o trovão dá para saber a distância do raio.
Dá, mais ou menos. A velocidade do som no ar é cerca de 330 metros por segundo. Portanto, conte os segundos desde o instante do relâmpago até ouvir o trovão, divida por 3 e terá a distância aproximada até o canal do raio, em quilômetros.
Depois da trovoada, sempre vem uma forte chuva.
É verdade, embora possam haver chuvas fortes sem trovoadas. Um modelo do físico atmosférico Bernard Vonnegut, irmão do famoso autor americano Kurt Vonnegut, sugere que grandes gotas de água se formam em torno do canal de descarga elétrica dentro da nuvem. Esse modelo é plausível mas ninguém ainda conseguiu comprová-lo experimentalmente, em razão das óbvias dificuldades de testá-lo.
Bem, paramos por aqui nosso relato que se iniciou com um trecho de Euclides da Cunha e será finalizado com uma citação, livremente adaptada, do físico americano Richard Feynman.
“Sabe-se, há muito tempo, que objetos altos são atingidos por raios. Artabanis, conselheiro de Xerxes, dando recomendações ao rei persa sobre um ataque aos gregos, disse o seguinte:
‘Veja como Deus, com seu raio, sempre golpeia os maiores animais e não se importa com os menores. Como também seus raios sempre caem sobre as casas e árvores mais altas. Desse modo, simplesmente, ele adora esmagar tudo que se mete a besta’.
Você pensa, agora que leu esse relato sobre raios, que sabe mais sobre o assunto do que Artabanis sabia, 2300 anos atrás? Não se meta a besta. Você sabe o mesmo, só que menos poeticamente.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s