2519-Mega Notícias – Economia em S. Paulo: Só restaram Shoppings e Condomínios


Com uma campanha de descentralização já adotada há alguns anos pelo governo, a cidade de São Paulo tem perdido suas indústrias para outras cidades. No lugar delas aparecem condomínios residenciais e Shoppings. Só na última década foram construídos 134 novos shoppings e há 22 outros em construção. O comércio de rua,por sua vez, vem diminuindo por causa do desconforto e insegurança. O Shopping pioneiro foi o Iguatemi em S. Paulo, no bairro de Pinheiros e o Rio Sul no RJ. O Barra Shopping no Rio ocupa o equivalente a 8 quarteirões e é da mesma construtora que projetou o Morumbi e o BH Shopping. A maioria das pessoas compram por impulso. No sofisticado Pátio Higienópolis, num bairro rico e tradicional de SP há uma filial do Museu de Arte Moderna e até um bebedouro para cães. Para quem estádo lado de dentro, podem obstruir a visão de um Brasil em que a maioria não tem roupa para frequentar tal tipo de ambiente e embora não sejam mais voltados apenas para os ricos, ainda atendem a uma minoria. Mas eles continual sendo cosntruídos e as indústrias encolhendo.
Em 1954 existiam cerca de 400 fábricas de auto peças no Estado de São Paulo, que empregavam mais de 50 mil operários e técnicos. Nesta época, todos os automóveis e caminhões de São Paulo utilizavam exclusivamente baterias (então chamados de acumuladores) nacionais, a grande maioria deles fornecidas pela Satúrnia S/A através das marcas Heliar e Saturno, cuja qualidade se equiparavam as melhores marcas estrangeiras.
Com um capital a época de Cr$24.000.000,00 (vinte e quatro milhões de cruzeiros) era um dos grandes orgulhos da indústria paulista. Seu compromisso com a cidade era tanto que foi uma das empresas mencionadas em artigo no dia 25 de janeiro de 1954, ocasião do IV Centenário de São Paulo, pelo então jornal Folha da Manhã como um dos grandes contribuintes para a emancipação econômica do Brasil.
Com o tempo a Saturnia S/A encerrou suas atividades na região. Hoje as baterias Heliar são produzidas pela Power Solutions em Sorocaba.
A antiga fábrica que existia no bairro das Perdizes começou a ser demolida no início do século XXI e a primeira torre foi construída entre 2003 e 2004. Hoje no local temos dois edifícios e um terceiro sendo erguido. Do passado industrial protagonizado pela Satúrnia S/A só restaram saudades.

Torre da fábrica próxima a estação de trem

Uma das mais tradicionais indústrias de bebidas de São Paulo em ruínas

Da antiga fábrica da Antárctica na Mooca só restaram ruínas
A Antarctica teve seu primeiro anúncio publicado no então jornal “A Província de São Paulo”, atual Estado de São Paulo, em 13 de março de 1889: “Cerveja Antarctica em garrafa e em barril – encontra-se à venda no depósito da fábrica à Rua Boa Vista, 50”. Sob a perspectiva do contexto histórico, o Brasil passou da fase colonial para a República, em 1889. Nesta época, o Brasil efetivamente iniciava seu processo de industrialização. Era, também, o período de forte onda imigratória, que trazia para o país mão de obra para a lavoura, mas também para as nascentes indústrias de São Paulo. O decreto n. 164 de 17 de janeiro de 1890 regulamentou e deu novas liberdades à existência das Sociedades Anônimas. Então no dia 9 de fevereiro de 1891 foi oficialmente fundada a “Companhia Antarctica Paulista” como sociedade anônima, com 61 acionistas, dentre os quais, João Carlos Antonio Zerrenner, alemão, e Adam Ditrik Von Bülow, dinamarquês, ambos naturalizados brasileiros e proprietários da empresa Zerrenner, Bülow e Cia., exportadora e corretora de café. Eles importaram equipamentos da Alemanha para modernizar a produção de cerveja e os financiaram para a Antarctica.
E foi justamente com a fundação da Companhia Antarctica Paulista, em 1891, e da Fábrica de Cerveja Bavária, em 1892, que se marca o início da produção de cerveja em larga escala na cidade, e o fim de pequenos estabelecimentos voltados a esse tipo de atividade.
Para quem gosta de curiosidades, foi em 1921 que a Antarctica vendeu a antiga propriedade para o então “Palestra Itália”, hoje Palmeiras. É por essa razão que o local é conhecido como Parque Antarctica.
Para se ter noção da importância do local que um dia abrigou a maior companhia cervejeira do país, foi ali, nos idos dos anos 1910-1920, que surgiram dois outros grandes produtos de projeção mundial: a soda limonada em 1912, e o Guaraná Antarctica em 1920.
Se levarmos em conta a relevância da criação desses produtos para a economia do país, afora as passagens históricas que a fábrica acompanhou, como a quase tentativa de intervenção pelo governo Getúlio Vargas, pelo fato de haver ali capital alemão, já justifica a necessidade de tombamento desse imóvel que representa o período áureo da indústria paulistana
Infelizmente, do ponto de vista econômico, mas muito mais afetivo, de nossa memória, “perdemos” a Antarctica na Mooca, para a cidade de Jaguariúna, interior paulista, e para outras partes do Estado e do país. Ela se internacionalizou, virou Ambev junto com a Brahma, em 1999, e até hoje não deu um destino certo ao seu antigo endereço. Tanto que essa área industrial é tida como obsoleta e ociosa em São Paulo, alvo certo dos especuladores imobiliários.

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